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<title>News</title>
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<title>As novas derrotas do neoliberalismo </title>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/233675&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O mandato de Dilma Roussef &amp;nbsp;pode impulsionar um novo tempo de derrotas estrat&amp;eacute;gicas do neoliberalismo, abrindo caminho para profundas transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es estruturais no Estado brasileiro.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O que mais impressiona nos not&amp;aacute;veis &amp;iacute;ndices de popularidade alcan&amp;ccedil;ados pelo governo Dilma Roussef, em seu segundo ano de mandato, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o propriamente as taxas recordes de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o tempo medido de seu governo, nem mesmo o sentido universal destes &amp;iacute;ndices (em patamares muito elevados em todas as faixas de renda e em todas as regi&amp;otilde;es) e at&amp;eacute; mesmo a sua tend&amp;ecirc;ncia de crescimento. &amp;Eacute; o que eles indicam em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s tend&amp;ecirc;ncias profundas e promissoras de mudan&amp;ccedil;as favor&amp;aacute;veis &amp;agrave; esquerda na cena pol&amp;iacute;tica brasileira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Com efeito, a pesquisa do Datafolha, colhida nos dias 18 e 19 de abril, revelou 64 % de &amp;oacute;timo /bom para o governo Dilma, 5 pontos porcentuais acima do &amp;iacute;ndice medido em janeiro. Se 29 % consideram seu governo regular, apenas 5% o julgam ruim/p&amp;eacute;ssimo. Na faixa dos que ganham mais de dez sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, houve uma eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 17 %, de 53 % para 70 %;entre os que ganham at&amp;eacute; dois sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, passou-se de 59 % para 64 %.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;J&amp;aacute; a pesquisa do Ibope, divulgada em mar&amp;ccedil;o, indicava 77 % de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o de Dilma, marcando 82 % para a regi&amp;atilde;o Nordeste e 75 % para a regi&amp;atilde;o Sudeste do pa&amp;iacute;s, indicando a sua tend&amp;ecirc;ncia de universaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e geogr&amp;aacute;fica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O Datafolha de abril testou indicativamente as tend&amp;ecirc;ncias atuais de voto para presidente entre Dilma e Serra : &amp;nbsp;69 % para Dilma contra 21 % para Serra. &amp;Eacute; como se a atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lideran&amp;ccedil;a de Serra tivesse recuado para o seu patamar mais baixo nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 2010, muito distantes dos 43,95 % obtidos no segundo turno das elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es presidenciais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O que estes &amp;iacute;ndices revelam para al&amp;eacute;m de flutua&amp;ccedil;&amp;otilde;es das pequenas conjunturas? O que eles indicam para al&amp;eacute;m dos acertos pol&amp;iacute;ticos da gest&amp;atilde;o Dilma Roussef?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;nbsp;Para estudar as tend&amp;ecirc;ncias pol&amp;iacute;ticas mais profundas em curso atual no Brasil seria necess&amp;aacute;rio um olhar de maior capacidade de totaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de mais longa perscruta&amp;ccedil;&amp;atilde;o no tempo. Nos anos noventa, mais nitidamente a partir da vit&amp;oacute;ria eleitoral de Fernando Henrique Cardoso nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 1994, a conjuntura pol&amp;iacute;tica brasileira movimentou-se para a direita sob o impacto combinado de tr&amp;ecirc;s dimens&amp;otilde;es hist&amp;oacute;ricas: as mudan&amp;ccedil;as na conjuntura internacional, recepcionando o aprofundamento das vit&amp;oacute;rias neoliberais ap&amp;oacute;s a dissolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da URSS, que conferiam maior legitimidade aos programas do Estado m&amp;iacute;nimo; a conquista do centro do Estado brasileiro &amp;ndash; n&amp;atilde;o apenas no Executivo mas no Congresso Nacional &amp;ndash; de uma compacta coaliz&amp;atilde;o dirigida por um programa neoliberal; o enfraquecimento social das classes trabalhadoras, com o aumento do desemprego e da cassa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de direitos, com a simult&amp;acirc;nea escalada de poderes econ&amp;ocirc;micos e pol&amp;iacute;ticos dos capitais financeiros. O que estaria ocorrendo nos &amp;uacute;ltimos dez anos seria um movimento para a esquerda na conjuntura pol&amp;iacute;tica brasileira, que funde organicamente estas tr&amp;ecirc;s dimens&amp;otilde;es em um sentido din&amp;acirc;mico inverso &amp;agrave;quele ocorrido nos anos noventa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;nbsp;A componente internacional da crise neoliberal no Brasil&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;nbsp;O mandato de Dilma Roussef instalou-se em meio a uma grav&amp;iacute;ssima crise econ&amp;ocirc;mica, que veio abalar os pr&amp;oacute;prios alicerces institucionais neoliberais da unifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o europ&amp;eacute;ia. Como desdobramento e extens&amp;atilde;o da crise de 2008, que teve o seu epicentro nos EUA, a crise europ&amp;eacute;ia evidencia o seu sentido estrutural (&amp;eacute; o pr&amp;oacute;prio padr&amp;atilde;o de acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dominante desde os anos oitenta que est&amp;aacute; em crise ag&amp;ocirc;nica), geopol&amp;iacute;tico (na medida em que enfraquece um dos p&amp;oacute;los do centro do sistema capitalista), integral (atinge n&amp;atilde;o apenas os circuitos financeiros da acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o mas as din&amp;acirc;micas produtivas) e pol&amp;iacute;tico ( provoca profunda desestabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pr&amp;oacute;prias institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o europ&amp;eacute;ia).&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;nbsp;As tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es marxistas cr&amp;iacute;ticas, j&amp;aacute; desatreladas de qualquer determinismo econ&amp;ocirc;mico, sabem que estas conjunturas de mudan&amp;ccedil;a de per&amp;iacute;odo, nas quais ocorrem crises de paradigmas de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, s&amp;atilde;o abertas a m&amp;uacute;ltiplas possibilidades futuras, dependendo da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e disputa das alternativas pol&amp;iacute;ticas. Mas seria correto prever que as for&amp;ccedil;as liberais conservadoras, que se agigantaram no per&amp;iacute;odo neoliberal, est&amp;atilde;o sob forte press&amp;atilde;o para serem derrotadas e recuarem, sendo mais prov&amp;aacute;vel que elas se vejam em dificuldade de reproduzir suas bases de legitimidade social.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ora, o partido l&amp;iacute;der das coaliz&amp;otilde;es neoliberais no Brasil, o PSDB, j&amp;aacute; se encontrava em posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil diante de uma terceira derrota nacional consecutiva nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es presidenciais. A nova din&amp;acirc;mica da crise internacional vem agravar suas dificuldades program&amp;aacute;ticas, de coes&amp;atilde;o e de identidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em 2011, observamos um importante movimento de tentativa de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PSDB, atrav&amp;eacute;s de um acordo entre FH e A&amp;eacute;cio Neves, que tinha como centro exatamente a recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um programa ultra-neoliberal para o Brasil, a partir de um evento realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, sob a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Edmar Bacha, P&amp;eacute;rsio Arida, Malan, Gustavo Franco e Andr&amp;eacute; Lara Rezende. Uma atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da defesa do car&amp;aacute;ter sist&amp;ecirc;mico de equil&amp;iacute;brio das altas taxas de juros praticadas no Brasil, o centro em um ataque ao BNDES (visto como cidadela do desenvolvimentismo), a defesa de um novo programa de privatiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o alento da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos servi&amp;ccedil;os nas &amp;aacute;reas de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de e previd&amp;ecirc;ncia compunham um leque program&amp;aacute;tico assentado em uma nova e vigorosa defesa do car&amp;aacute;ter progressivo das heran&amp;ccedil;as dos governos FHC.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ora, o sentido &amp;ldquo;contraintuitivo&amp;rdquo; deste programa, a sua marca anti-popular em um cen&amp;aacute;rio de franco descr&amp;eacute;dito internacional do neoliberalismo, estava na consci&amp;ecirc;ncia de seus propositores. Mas este caminho dif&amp;iacute;cil de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o program&amp;aacute;tica aparecia, ent&amp;atilde;o, como indispens&amp;aacute;vel para uma recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da identidade perdida do neoliberalismo na cena pol&amp;iacute;tica nacional, ap&amp;oacute;s as experi&amp;ecirc;ncias exitosas e populares dos governos Lula.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Com a din&amp;acirc;mica da crise europ&amp;eacute;ia, que acentua e legitima a necessidade de medidas anti-neoliberais mais profundas, esta tentativa de repor o programa neoliberal do PSDB, em uma vers&amp;atilde;o radicalizada, parece encontrar menos espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico ainda para se desenvolver. H&amp;aacute; uma frontal contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a consci&amp;ecirc;ncia do povo brasileiro em sua progress&amp;atilde;o. O PSDB, o partido hist&amp;oacute;rico do neoliberalismo brasileiro, encontra-se em um dilema program&amp;aacute;tico sem solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; vista. E este dilema amea&amp;ccedil;a tornar-se a sua pr&amp;oacute;pria identidade, isto &amp;eacute;, uma crise de desagrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de incapacidade de coesionar for&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;ticas e econ&amp;ocirc;micas e de gerar legitimidade p&amp;uacute;blica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A din&amp;acirc;mica social da crise do neoliberalismo no Brasil&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A depend&amp;ecirc;ncia estrita dos fluxos financeiros internacionais, a interdi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos sentidos desenvolvimentistas do Estado brasileiro na economia atrav&amp;eacute;s da privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da desregulamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a maximiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vantagens do rentismo atrav&amp;eacute;s de uma super-ortodoxia monetarista do Banco Central, o debilitamento do setor produtivo nacional e , principalmente, a corros&amp;atilde;o das bases sociais das classes trabalhadoras, com a crescente marginaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social dos pobres, compunham o pano de fundo das vit&amp;oacute;rias pol&amp;iacute;ticas do neoliberalismo no Brasil nos anos noventa. No campo, os tempos foram de maximiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos poderes econ&amp;ocirc;micos do agro-neg&amp;oacute;cio e de press&amp;atilde;o sobre as bases produtivas da agricultura familiar, al&amp;eacute;m da criminaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos movimentos de luta pela terra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Se bem avaliarmos, cada um deste sete itens, que compunham a crescente base social do neoliberalismo, encontram-se hoje submetidos a uma din&amp;acirc;mica inversa. S&amp;atilde;o as bases sociais de uma pol&amp;iacute;tica de esquerda, em seu conjunto, que est&amp;atilde;o se fortalecendo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O governo Dilma Roussef vem trazer tr&amp;ecirc;s grandes novidades a esta din&amp;acirc;mica. Em primeiro lugar, est&amp;aacute; claramente em curso um novo reposicionamento do Estado brasileiro &amp;ndash; de sua capacidade de regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de suas bases pr&amp;oacute;prias de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de sua capacidade de planejamento &amp;ndash; em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos capitais financeiros na macro-economia brasileira. Se os governos Lula superaram a depend&amp;ecirc;ncia financeira externa do Brasil, a gest&amp;atilde;o de Dilma est&amp;aacute; gerando um novo enquadramento institucional dos capitais financeiros na democracia brasileira. A inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da presid&amp;ecirc;ncia do Banco Central na gest&amp;atilde;o macro-econ&amp;ocirc;mica liderada pela Minist&amp;eacute;rio da Fazenda, a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da taxa Selic para um patamar aproximado das taxas internacionais e , agora, a vigorosa e vitoriosa campanha para for&amp;ccedil;ar os bancos privados a baixarem as suas escandalosas taxas de juros atrav&amp;eacute;s da concorr&amp;ecirc;ncia dos bancos p&amp;uacute;blicos, estabelecem claramente um novo padr&amp;atilde;o. Ainda h&amp;aacute; decerto muito a se construir para uma republicaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o financeira da economia brasileiro mas seria insensato n&amp;atilde;o reconhecer que um novo padr&amp;atilde;o de regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; sendo implantado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A segunda grande novidade &amp;eacute; a gesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pol&amp;iacute;tica industrial, atrav&amp;eacute;s de medidas que incentivam a inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de um ativismo que visa proteger a ind&amp;uacute;stria local da concorr&amp;ecirc;ncia predat&amp;oacute;ria, seja da guerra cambial, seja da concorr&amp;ecirc;ncia &amp;nbsp;chinesa. O primeiro ano do governo Dilma foi marcado exatamente pelo aumento das press&amp;otilde;es sobre a ind&amp;uacute;stria e pela forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova intelig&amp;ecirc;ncia sobre os riscos colocados por uma din&amp;acirc;mica de desindustrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Desde o segundo PND, ainda nos anos da ditadura Geisel, o Brasil n&amp;atilde;o pratica uma pol&amp;iacute;tica industrial.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A terceira novidade, na verdade um aprofundamento das pol&amp;iacute;ticas de inclus&amp;atilde;o social anteriores, &amp;eacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Plano Nacional de Erradica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Mis&amp;eacute;ria, que visa a superar os bols&amp;otilde;es mais resistentes da pobreza atrav&amp;eacute;s de pol&amp;iacute;ticas intersetoriais e planejadas. S&amp;atilde;o treze milh&amp;otilde;es de brasileiros que est&amp;atilde;o sendo beneficiados e apoiados para superarem condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es subhumanas de vida, de ra&amp;iacute;zes seculares. O IBGE divulgou que a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade nos &amp;uacute;ltimos dez anos no Brasil e dever&amp;aacute; experimentar nos pr&amp;oacute;ximos anos uma nova importante redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com as pol&amp;iacute;ticas postas em pr&amp;aacute;tica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em 2011, verificou-se um importante ciclo de greves nacionais, como a dos banc&amp;aacute;rios, expressando novos potenciais de luta experimentados pelo movimento sindical brasileiro. H&amp;aacute; todo um campo poss&amp;iacute;vel de conquistas para os movimentos sociais descortinado nos pr&amp;oacute;ximos per&amp;iacute;odos. E tudo isto vai compondo as bases sociais do impasse do neoliberalismo no Brasil.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A dimens&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica da crise do neoliberalismo brasileiro&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Os anos noventa foram marcados pelo auge de expans&amp;atilde;o e legitimidade do PSDB, pelo fortalecimento dos partidos conservadores como o PFL e o PTB, pela for&amp;ccedil;a de coes&amp;atilde;o da coaliz&amp;atilde;o liberal-conservadora (que inclu&amp;iacute;a inclusive o PMDB) e pela suspens&amp;atilde;o do franco progresso dos partidos de esquerda e centro-esquerda, presenciados no Brasil nas conjunturas finais dos anos oitenta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Todas estas quatro din&amp;acirc;micas t&amp;ecirc;m sido invertidas nos &amp;uacute;ltimos dez anos, embora n&amp;atilde;o de modo equilibrado na geografia e em todas as camadas sociais do pa&amp;iacute;s. Em particular, o PSDB manteve a sua for&amp;ccedil;a em S&amp;atilde;o Paulo, em Minas Gerais, crescendo no centro-oeste e parcialmente no sul do pa&amp;iacute;s. Mas a grande massa da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira que recebe at&amp;eacute; tr&amp;ecirc;s sal&amp;aacute;rio-m&amp;iacute;nimos, que comp&amp;otilde;e a maioria do eleitorado, tem criado uma nova e importante rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de confian&amp;ccedil;a na lideran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica de Lula e, em um medida importante, no PT.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A primeira grande novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma &amp;eacute; o fato de se apoiar em uma vasta e bastante heterog&amp;ecirc;nea coaliz&amp;atilde;o parlamentar. Os partidos neoliberais e conservadores perderam capacidade de fazer oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o sistem&amp;aacute;tica na C&amp;acirc;mara e no Senado, embora em temas importantes como o do C&amp;oacute;digo Florestal, mostrem capacidade de impor derrotas pontuais ao governo, em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a da bancada ruralista.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A segunda grade novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma &amp;eacute; o fato de ter conseguido retirar das oposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es neoliberais a iniciativa do uso instrumental da corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o como modo de relan&amp;ccedil;ar a legitimidade do Estado m&amp;iacute;nimo e colocar as for&amp;ccedil;as de esquerda na defensiva. O que poder&amp;iacute;amos chamar de &amp;ldquo;trauma da crise de 2005&amp;rdquo;, a mais grave crise do governo Lula, parece estar sendo superada. As esquerdas est&amp;atilde;o tomando a iniciativa de ganhar a lideran&amp;ccedil;a na luta contra a corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o e agora, com a CPI que investiga o sistema criminoso montado por Carlinhos Cachoeira, &amp;eacute; todo um dispositivo do DEM, PSDB, midi&amp;aacute;tico que est&amp;aacute; vindo &amp;agrave; tona.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A terceira grande novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma parece estar sendo as iniciativas no campo da chamada Justi&amp;ccedil;a de Transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que implica em estabelecer um novo padr&amp;atilde;o no reconhecimento dos crimes cometidos pela ditadura militar, cuja revis&amp;atilde;o e puni&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;ticas foram paralisados pela transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o conservadora. N&amp;atilde;o se devem desprezar as profundas conquistas de consci&amp;ecirc;ncia e legitimidade que a Justi&amp;ccedil;a de Transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode trazer para o povo brasileiro, em sua constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mem&amp;oacute;ria, de dignidade e de defesa dos direitos humanos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A primeira conjuntura de uma nova &amp;eacute;poca hist&amp;oacute;rica&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;As elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es municipais de 2012 realizam-se, portanto, em um cen&amp;aacute;rio globalmente positivo para as for&amp;ccedil;as de esquerda e centro-esquerda. &amp;Eacute; muito prov&amp;aacute;vel que as for&amp;ccedil;as neoliberais e conservadoras saiam ainda mais enfraquecida destas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Em particular, os resultados eleitorais em S&amp;atilde;o Paulo &amp;ndash; onde Serra busca recompor sua lideran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica e o PT busca abrir uma nova conjuntura estadual - , em Minas Gerais, onde A&amp;eacute;cio Neves busca consolidar as bases de sua pr&amp;eacute;-candidatura &amp;agrave; presid&amp;ecirc;ncia, v&amp;atilde;o dimensionar as dimens&amp;otilde;es pol&amp;iacute;ticas e simb&amp;oacute;licas deste poss&amp;iacute;vel recuo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Uma consci&amp;ecirc;ncia cr&amp;iacute;tica das possibilidades para a esquerda brasileira n&amp;atilde;o deve, de modo algum, diminuir as dificuldades colocadas &amp;agrave; frente. O triunfalismo j&amp;aacute; revelou ser na hist&amp;oacute;ria das esquerdas, inclusive a brasileira, um p&amp;eacute;ssimo conselheiro. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; isto que se v&amp;ecirc; neste ciclo pessoal, que o povo brasileiro acompanhou com a respira&amp;ccedil;&amp;atilde;o suspensa, vivido dramaticamente por Lula: h&amp;aacute; ali um exemplo da humilde condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana, em sua fragilidade, repondo, sabe-se l&amp;aacute; com que esfor&amp;ccedil;o e sofrimento, a sua presen&amp;ccedil;a central na hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O tempo &amp;eacute; de novas esperan&amp;ccedil;as para a esquerda brasileira, mais fortes ainda porque sabidamente conquistadas com suor e l&amp;aacute;grimas. E com muita alegria e felicidade tamb&amp;eacute;m. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;em&gt;O mandato de Dilma Roussef &amp;nbsp;pode impulsionar um novo tempo de derrotas estrat&amp;eacute;gicas do neoliberalismo, abrindo caminho para profundas transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es estruturais no Estado brasileiro.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Por Juarez Guimar&amp;atilde;es, publicado originalmente na &lt;a href=&quot;Juarez Guimar&amp;atilde;es &amp;eacute; cientista pol&amp;iacute;tico, professor na UFMG&quot;&gt;Teoria e Debate&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O que mais impressiona nos not&amp;aacute;veis &amp;iacute;ndices de popularidade alcan&amp;ccedil;ados pelo governo Dilma Roussef, em seu segundo ano de mandato, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o propriamente as taxas recordes de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o tempo medido de seu governo, nem mesmo o sentido universal destes &amp;iacute;ndices (em patamares muito elevados em todas as faixas de renda e em todas as regi&amp;otilde;es) e at&amp;eacute; mesmo a sua tend&amp;ecirc;ncia de crescimento. &amp;Eacute; o que eles indicam em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s tend&amp;ecirc;ncias profundas e promissoras de mudan&amp;ccedil;as favor&amp;aacute;veis &amp;agrave; esquerda na cena pol&amp;iacute;tica brasileira.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Com efeito, a pesquisa do Datafolha, colhida nos dias 18 e 19 de abril, revelou 64 % de &amp;oacute;timo /bom para o governo Dilma, 5 pontos porcentuais acima do &amp;iacute;ndice medido em janeiro. Se 29 % consideram seu governo regular, apenas 5% o julgam ruim/p&amp;eacute;ssimo. Na faixa dos que ganham mais de dez sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, houve uma eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 17 %, de 53 % para 70 %;entre os que ganham at&amp;eacute; dois sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, passou-se de 59 % para 64 %.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;J&amp;aacute; a pesquisa do Ibope, divulgada em mar&amp;ccedil;o, indicava 77 % de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o de Dilma, marcando 82 % para a regi&amp;atilde;o Nordeste e 75 % para a regi&amp;atilde;o Sudeste do pa&amp;iacute;s, indicando a sua tend&amp;ecirc;ncia de universaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e geogr&amp;aacute;fica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O Datafolha de abril testou indicativamente as tend&amp;ecirc;ncias atuais de voto para presidente entre Dilma e Serra : &amp;nbsp;69 % para Dilma contra 21 % para Serra. &amp;Eacute; como se a atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lideran&amp;ccedil;a de Serra tivesse recuado para o seu patamar mais baixo nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 2010, muito distantes dos 43,95 % obtidos no segundo turno das elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es presidenciais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O que estes &amp;iacute;ndices revelam para al&amp;eacute;m de flutua&amp;ccedil;&amp;otilde;es das pequenas conjunturas? O que eles indicam para al&amp;eacute;m dos acertos pol&amp;iacute;ticos da gest&amp;atilde;o Dilma Roussef?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Para estudar as tend&amp;ecirc;ncias pol&amp;iacute;ticas mais profundas em curso atual no Brasil seria necess&amp;aacute;rio um olhar de maior capacidade de totaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de mais longa perscruta&amp;ccedil;&amp;atilde;o no tempo. Nos anos noventa, mais nitidamente a partir da vit&amp;oacute;ria eleitoral de Fernando Henrique Cardoso nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 1994, a conjuntura pol&amp;iacute;tica brasileira movimentou-se para a direita sob o impacto combinado de tr&amp;ecirc;s dimens&amp;otilde;es hist&amp;oacute;ricas: as mudan&amp;ccedil;as na conjuntura internacional, recepcionando o aprofundamento das vit&amp;oacute;rias neoliberais ap&amp;oacute;s a dissolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da URSS, que conferiam maior legitimidade aos programas do Estado m&amp;iacute;nimo; a conquista do centro do Estado brasileiro &amp;ndash; n&amp;atilde;o apenas no Executivo mas no Congresso Nacional &amp;ndash; de uma compacta coaliz&amp;atilde;o dirigida por um programa neoliberal; o enfraquecimento social das classes trabalhadoras, com o aumento do desemprego e da cassa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de direitos, com a simult&amp;acirc;nea escalada de poderes econ&amp;ocirc;micos e pol&amp;iacute;ticos dos capitais financeiros. O que estaria ocorrendo nos &amp;uacute;ltimos dez anos seria um movimento para a esquerda na conjuntura pol&amp;iacute;tica brasileira, que funde organicamente estas tr&amp;ecirc;s dimens&amp;otilde;es em um sentido din&amp;acirc;mico inverso &amp;agrave;quele ocorrido nos anos noventa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;A componente internacional da crise neoliberal no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O mandato de Dilma Roussef instalou-se em meio a uma grav&amp;iacute;ssima crise econ&amp;ocirc;mica, que veio abalar os pr&amp;oacute;prios alicerces institucionais neoliberais da unifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o europ&amp;eacute;ia. Como desdobramento e extens&amp;atilde;o da crise de 2008, que teve o seu epicentro nos EUA, a crise europ&amp;eacute;ia evidencia o seu sentido estrutural (&amp;eacute; o pr&amp;oacute;prio padr&amp;atilde;o de acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dominante desde os anos oitenta que est&amp;aacute; em crise ag&amp;ocirc;nica), geopol&amp;iacute;tico (na medida em que enfraquece um dos p&amp;oacute;los do centro do sistema capitalista), integral (atinge n&amp;atilde;o apenas os circuitos financeiros da acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o mas as din&amp;acirc;micas produtivas) e pol&amp;iacute;tico ( provoca profunda desestabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pr&amp;oacute;prias institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o europ&amp;eacute;ia).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&amp;nbsp;As tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es marxistas cr&amp;iacute;ticas, j&amp;aacute; desatreladas de qualquer determinismo econ&amp;ocirc;mico, sabem que estas conjunturas de mudan&amp;ccedil;a de per&amp;iacute;odo, nas quais ocorrem crises de paradigmas de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, s&amp;atilde;o abertas a m&amp;uacute;ltiplas possibilidades futuras, dependendo da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e disputa das alternativas pol&amp;iacute;ticas. Mas seria correto prever que as for&amp;ccedil;as liberais conservadoras, que se agigantaram no per&amp;iacute;odo neoliberal, est&amp;atilde;o sob forte press&amp;atilde;o para serem derrotadas e recuarem, sendo mais prov&amp;aacute;vel que elas se vejam em dificuldade de reproduzir suas bases de legitimidade social.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ora, o partido l&amp;iacute;der das coaliz&amp;otilde;es neoliberais no Brasil, o PSDB, j&amp;aacute; se encontrava em posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil diante de uma terceira derrota nacional consecutiva nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es presidenciais. A nova din&amp;acirc;mica da crise internacional vem agravar suas dificuldades program&amp;aacute;ticas, de coes&amp;atilde;o e de identidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Em 2011, observamos um importante movimento de tentativa de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PSDB, atrav&amp;eacute;s de um acordo entre FH e A&amp;eacute;cio Neves, que tinha como centro exatamente a recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um programa ultra-neoliberal para o Brasil, a partir de um evento realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, sob a dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Edmar Bacha, P&amp;eacute;rsio Arida, Malan, Gustavo Franco e Andr&amp;eacute; Lara Rezende. Uma atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da defesa do car&amp;aacute;ter sist&amp;ecirc;mico de equil&amp;iacute;brio das altas taxas de juros praticadas no Brasil, o centro em um ataque ao BNDES (visto como cidadela do desenvolvimentismo), a defesa de um novo programa de privatiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o alento da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos servi&amp;ccedil;os nas &amp;aacute;reas de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de e previd&amp;ecirc;ncia compunham um leque program&amp;aacute;tico assentado em uma nova e vigorosa defesa do car&amp;aacute;ter progressivo das heran&amp;ccedil;as dos governos FHC.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ora, o sentido &amp;ldquo;contraintuitivo&amp;rdquo; deste programa, a sua marca anti-popular em um cen&amp;aacute;rio de franco descr&amp;eacute;dito internacional do neoliberalismo, estava na consci&amp;ecirc;ncia de seus propositores. Mas este caminho dif&amp;iacute;cil de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o program&amp;aacute;tica aparecia, ent&amp;atilde;o, como indispens&amp;aacute;vel para uma recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da identidade perdida do neoliberalismo na cena pol&amp;iacute;tica nacional, ap&amp;oacute;s as experi&amp;ecirc;ncias exitosas e populares dos governos Lula.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Com a din&amp;acirc;mica da crise europ&amp;eacute;ia, que acentua e legitima a necessidade de medidas anti-neoliberais mais profundas, esta tentativa de repor o programa neoliberal do PSDB, em uma vers&amp;atilde;o radicalizada, parece encontrar menos espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico ainda para se desenvolver. H&amp;aacute; uma frontal contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a consci&amp;ecirc;ncia do povo brasileiro em sua progress&amp;atilde;o. O PSDB, o partido hist&amp;oacute;rico do neoliberalismo brasileiro, encontra-se em um dilema program&amp;aacute;tico sem solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; vista. E este dilema amea&amp;ccedil;a tornar-se a sua pr&amp;oacute;pria identidade, isto &amp;eacute;, uma crise de desagrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de incapacidade de coesionar for&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;ticas e econ&amp;ocirc;micas e de gerar legitimidade p&amp;uacute;blica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;A din&amp;acirc;mica social da crise do neoliberalismo no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A depend&amp;ecirc;ncia estrita dos fluxos financeiros internacionais, a interdi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos sentidos desenvolvimentistas do Estado brasileiro na economia atrav&amp;eacute;s da privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da desregulamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a maximiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vantagens do rentismo atrav&amp;eacute;s de uma super-ortodoxia monetarista do Banco Central, o debilitamento do setor produtivo nacional e , principalmente, a corros&amp;atilde;o das bases sociais das classes trabalhadoras, com a crescente marginaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social dos pobres, compunham o pano de fundo das vit&amp;oacute;rias pol&amp;iacute;ticas do neoliberalismo no Brasil nos anos noventa. No campo, os tempos foram de maximiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos poderes econ&amp;ocirc;micos do agro-neg&amp;oacute;cio e de press&amp;atilde;o sobre as bases produtivas da agricultura familiar, al&amp;eacute;m da criminaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos movimentos de luta pela terra.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Se bem avaliarmos, cada um deste sete itens, que compunham a crescente base social do neoliberalismo, encontram-se hoje submetidos a uma din&amp;acirc;mica inversa. S&amp;atilde;o as bases sociais de uma pol&amp;iacute;tica de esquerda, em seu conjunto, que est&amp;atilde;o se fortalecendo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O governo Dilma Roussef vem trazer tr&amp;ecirc;s grandes novidades a esta din&amp;acirc;mica. Em primeiro lugar, est&amp;aacute; claramente em curso um novo reposicionamento do Estado brasileiro &amp;ndash; de sua capacidade de regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de suas bases pr&amp;oacute;prias de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de sua capacidade de planejamento &amp;ndash; em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos capitais financeiros na macro-economia brasileira. Se os governos Lula superaram a depend&amp;ecirc;ncia financeira externa do Brasil, a gest&amp;atilde;o de Dilma est&amp;aacute; gerando um novo enquadramento institucional dos capitais financeiros na democracia brasileira. A inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da presid&amp;ecirc;ncia do Banco Central na gest&amp;atilde;o macro-econ&amp;ocirc;mica liderada pela Minist&amp;eacute;rio da Fazenda, a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da taxa Selic para um patamar aproximado das taxas internacionais e , agora, a vigorosa e vitoriosa campanha para for&amp;ccedil;ar os bancos privados a baixarem as suas escandalosas taxas de juros atrav&amp;eacute;s da concorr&amp;ecirc;ncia dos bancos p&amp;uacute;blicos, estabelecem claramente um novo padr&amp;atilde;o. Ainda h&amp;aacute; decerto muito a se construir para uma republicaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o financeira da economia brasileiro mas seria insensato n&amp;atilde;o reconhecer que um novo padr&amp;atilde;o de regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; sendo implantado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A segunda grande novidade &amp;eacute; a gesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pol&amp;iacute;tica industrial, atrav&amp;eacute;s de medidas que incentivam a inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de um ativismo que visa proteger a ind&amp;uacute;stria local da concorr&amp;ecirc;ncia predat&amp;oacute;ria, seja da guerra cambial, seja da concorr&amp;ecirc;ncia &amp;nbsp;chinesa. O primeiro ano do governo Dilma foi marcado exatamente pelo aumento das press&amp;otilde;es sobre a ind&amp;uacute;stria e pela forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova intelig&amp;ecirc;ncia sobre os riscos colocados por uma din&amp;acirc;mica de desindustrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Desde o segundo PND, ainda nos anos da ditadura Geisel, o Brasil n&amp;atilde;o pratica uma pol&amp;iacute;tica industrial.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A terceira novidade, na verdade um aprofundamento das pol&amp;iacute;ticas de inclus&amp;atilde;o social anteriores, &amp;eacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Plano Nacional de Erradica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Mis&amp;eacute;ria, que visa a superar os bols&amp;otilde;es mais resistentes da pobreza atrav&amp;eacute;s de pol&amp;iacute;ticas intersetoriais e planejadas. S&amp;atilde;o treze milh&amp;otilde;es de brasileiros que est&amp;atilde;o sendo beneficiados e apoiados para superarem condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es subhumanas de vida, de ra&amp;iacute;zes seculares. O IBGE divulgou que a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade nos &amp;uacute;ltimos dez anos no Brasil e dever&amp;aacute; experimentar nos pr&amp;oacute;ximos anos uma nova importante redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com as pol&amp;iacute;ticas postas em pr&amp;aacute;tica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Em 2011, verificou-se um importante ciclo de greves nacionais, como a dos banc&amp;aacute;rios, expressando novos potenciais de luta experimentados pelo movimento sindical brasileiro. H&amp;aacute; todo um campo poss&amp;iacute;vel de conquistas para os movimentos sociais descortinado nos pr&amp;oacute;ximos per&amp;iacute;odos. E tudo isto vai compondo as bases sociais do impasse do neoliberalismo no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;A dimens&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica da crise do neoliberalismo brasileiro&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Os anos noventa foram marcados pelo auge de expans&amp;atilde;o e legitimidade do PSDB, pelo fortalecimento dos partidos conservadores como o PFL e o PTB, pela for&amp;ccedil;a de coes&amp;atilde;o da coaliz&amp;atilde;o liberal-conservadora (que inclu&amp;iacute;a inclusive o PMDB) e pela suspens&amp;atilde;o do franco progresso dos partidos de esquerda e centro-esquerda, presenciados no Brasil nas conjunturas finais dos anos oitenta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Todas estas quatro din&amp;acirc;micas t&amp;ecirc;m sido invertidas nos &amp;uacute;ltimos dez anos, embora n&amp;atilde;o de modo equilibrado na geografia e em todas as camadas sociais do pa&amp;iacute;s. Em particular, o PSDB manteve a sua for&amp;ccedil;a em S&amp;atilde;o Paulo, em Minas Gerais, crescendo no centro-oeste e parcialmente no sul do pa&amp;iacute;s. Mas a grande massa da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira que recebe at&amp;eacute; tr&amp;ecirc;s sal&amp;aacute;rio-m&amp;iacute;nimos, que comp&amp;otilde;e a maioria do eleitorado, tem criado uma nova e importante rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de confian&amp;ccedil;a na lideran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica de Lula e, em um medida importante, no PT.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A primeira grande novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma &amp;eacute; o fato de se apoiar em uma vasta e bastante heterog&amp;ecirc;nea coaliz&amp;atilde;o parlamentar. Os partidos neoliberais e conservadores perderam capacidade de fazer oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o sistem&amp;aacute;tica na C&amp;acirc;mara e no Senado, embora em temas importantes como o do C&amp;oacute;digo Florestal, mostrem capacidade de impor derrotas pontuais ao governo, em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a da bancada ruralista.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A segunda grade novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma &amp;eacute; o fato de ter conseguido retirar das oposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es neoliberais a iniciativa do uso instrumental da corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o como modo de relan&amp;ccedil;ar a legitimidade do Estado m&amp;iacute;nimo e colocar as for&amp;ccedil;as de esquerda na defensiva. O que poder&amp;iacute;amos chamar de &amp;ldquo;trauma da crise de 2005&amp;rdquo;, a mais grave crise do governo Lula, parece estar sendo superada. As esquerdas est&amp;atilde;o tomando a iniciativa de ganhar a lideran&amp;ccedil;a na luta contra a corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o e agora, com a CPI que investiga o sistema criminoso montado por Carlinhos Cachoeira, &amp;eacute; todo um dispositivo do DEM, PSDB, midi&amp;aacute;tico que est&amp;aacute; vindo &amp;agrave; tona.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A terceira grande novidade pol&amp;iacute;tica do governo Dilma parece estar sendo as iniciativas no campo da chamada Justi&amp;ccedil;a de Transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que implica em estabelecer um novo padr&amp;atilde;o no reconhecimento dos crimes cometidos pela ditadura militar, cuja revis&amp;atilde;o e puni&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;ticas foram paralisados pela transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o conservadora. N&amp;atilde;o se devem desprezar as profundas conquistas de consci&amp;ecirc;ncia e legitimidade que a Justi&amp;ccedil;a de Transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode trazer para o povo brasileiro, em sua constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mem&amp;oacute;ria, de dignidade e de defesa dos direitos humanos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;A primeira conjuntura de uma nova &amp;eacute;poca hist&amp;oacute;rica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;As elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es municipais de 2012 realizam-se, portanto, em um cen&amp;aacute;rio globalmente positivo para as for&amp;ccedil;as de esquerda e centro-esquerda. &amp;Eacute; muito prov&amp;aacute;vel que as for&amp;ccedil;as neoliberais e conservadoras saiam ainda mais enfraquecida destas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Em particular, os resultados eleitorais em S&amp;atilde;o Paulo &amp;ndash; onde Serra busca recompor sua lideran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica e o PT busca abrir uma nova conjuntura estadual - , em Minas Gerais, onde A&amp;eacute;cio Neves busca consolidar as bases de sua pr&amp;eacute;-candidatura &amp;agrave; presid&amp;ecirc;ncia, v&amp;atilde;o dimensionar as dimens&amp;otilde;es pol&amp;iacute;ticas e simb&amp;oacute;licas deste poss&amp;iacute;vel recuo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Uma consci&amp;ecirc;ncia cr&amp;iacute;tica das possibilidades para a esquerda brasileira n&amp;atilde;o deve, de modo algum, diminuir as dificuldades colocadas &amp;agrave; frente. O triunfalismo j&amp;aacute; revelou ser na hist&amp;oacute;ria das esquerdas, inclusive a brasileira, um p&amp;eacute;ssimo conselheiro. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; isto que se v&amp;ecirc; neste ciclo pessoal, que o povo brasileiro acompanhou com a respira&amp;ccedil;&amp;atilde;o suspensa, vivido dramaticamente por Lula: h&amp;aacute; ali um exemplo da humilde condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana, em sua fragilidade, repondo, sabe-se l&amp;aacute; com que esfor&amp;ccedil;o e sofrimento, a sua presen&amp;ccedil;a central na hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O tempo &amp;eacute; de novas esperan&amp;ccedil;as para a esquerda brasileira, mais fortes ainda porque sabidamente conquistadas com suor e l&amp;aacute;grimas. E com muita alegria e felicidade tamb&amp;eacute;m. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Juarez Guimar&amp;atilde;es &amp;eacute; cientista pol&amp;iacute;tico, professor da UFMG e membro da Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o Nacional da DS.&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Thu, 17 May 2012 19:09:33 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Dilma dá posse aos membros da Comissão da Verdade</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=232703</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/232722&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;ldquo;O medo pode adiar a verdade, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou&amp;rdquo;. Com essas palavras, a presidenta Dilma Roussef encerrou seu discurso durante a posse dos sete membros da Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade. A cerim&amp;ocirc;nia aconteceu no Pal&amp;aacute;cio do Planalto, na manh&amp;atilde; desta quarta-feira (16), e contou com a presen&amp;ccedil;a dos quatro ex-presidentes da Rep&amp;uacute;blica, ainda vivos, do per&amp;iacute;odo p&amp;oacute;s-ditadura. Dilma fez quest&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m de lembrar dos falecidos Tancredo Neves e Itamar Franco em seu pronunciamento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O discurso da presidenta arrancou aplausos do p&amp;uacute;blico presente &amp;agrave; cerim&amp;ocirc;nia em v&amp;aacute;rios momentos. Dilma fez quest&amp;atilde;o de afirmar que a Comiss&amp;atilde;o &amp;ldquo;n&amp;atilde;o &amp;eacute; movida pelo revanchismo ou &amp;oacute;dio, mas pela necessidade da verdade sem vetos e sem proibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e se emocionou ao lembrar dos mortos e desaparecidos durante a ditadura:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&quot;O Brasil merece a verdade, as novas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia&quot;, acrescentou.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Trabalhos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A Comiss&amp;atilde;o deve iniciar os trabalhos ainda hoje e ter&amp;aacute; o prazo de dois anos para realizar a investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de crimes contra os direitos humanos, principalmente no per&amp;iacute;odo da &amp;uacute;ltima ditadura do pa&amp;iacute;s, entre 1964 e 1985. Durante as investiga&amp;ccedil;&amp;otilde;es, a comis&amp;atilde;o poder&amp;aacute; requisitar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es a &amp;oacute;rg&amp;atilde;os p&amp;uacute;blicos, inclusive sigilosas, convocar testemunhas, realizar audi&amp;ecirc;ncias p&amp;uacute;blicas e solicitar per&amp;iacute;cias. A comiss&amp;atilde;o n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; poder, no entanto, para levar eventuais respons&amp;aacute;veis &amp;agrave; Justi&amp;ccedil;a.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O advogado Jos&amp;eacute; Carlos Dias, ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a discursou em nome dos demais conselheiros e disse que a instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Comiss&amp;atilde;o significa um passo relevante para a consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade democr&amp;aacute;tica brasileira, virando uma p&amp;aacute;gina dolorosa da nossa hist&amp;oacute;ria.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O ex-ministro destacou as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comiss&amp;atilde;o realizadas nos governos FHC e Lula e afirmou que Dilma &quot;marca seu governo com a coragem de assumir um definitivo compromisso com a verdade desse cap&amp;iacute;tulo sombrio de nossa hist&amp;oacute;ria&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Os sete integrantes do grupo s&amp;atilde;o: o ministro do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a, Gilson Dipp, o ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a, Jos&amp;eacute; Carlos Dias, o ex-Procurador-Geral da Rep&amp;uacute;blica, Claudio Fontelles, a advogada de Dilma na ditadura, Rosa Maria Cardoso da Cunha, o diplomata e acad&amp;ecirc;mico Paulo S&amp;eacute;rgio Pinheiro, a psicanalista Maria Rita Kehl e o jurista e escritor Jos&amp;eacute; Paulo Cavalcanti Filho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao falar sobre os membros da Comiss&amp;atilde;o, Dilma afirmou que eles foram escolhidos pela compet&amp;ecirc;ncia e pela capacidade de entender a dimens&amp;atilde;o do trabalho que v&amp;atilde;o executar:&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;ldquo;Ao convidar os sete brasileiros que aqui est&amp;atilde;o que integrar&amp;atilde;o a Comiss&amp;atilde;o da Verdade, n&amp;atilde;o fui movida por crit&amp;eacute;rios pessoais ou por avalia&amp;ccedil;&amp;otilde;es subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidad&amp;atilde;os e cidad&amp;atilde;s de reconhecida compet&amp;ecirc;ncia, sensatos e ponderados, preocupados com a justi&amp;ccedil;a e o equil&amp;iacute;brio,e acima de tudo, capazes de entender a dimens&amp;atilde;o do trabalho que v&amp;atilde;o executar&amp;rdquo;, declarou a presidente.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;ldquo;O medo pode adiar a verdade, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou&amp;rdquo;. Com essas palavras, a presidenta Dilma Roussef encerrou seu discurso durante a posse dos sete membros da Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade. A cerim&amp;ocirc;nia aconteceu no Pal&amp;aacute;cio do Planalto, na manh&amp;atilde; desta quarta-feira (16), e contou com a presen&amp;ccedil;a dos quatro ex-presidentes da Rep&amp;uacute;blica, ainda vivos, do per&amp;iacute;odo p&amp;oacute;s-ditadura. Dilma fez quest&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m de lembrar dos falecidos Tancredo Neves e Itamar Franco em seu pronunciamento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O discurso da presidenta arrancou aplausos do p&amp;uacute;blico presente &amp;agrave; cerim&amp;ocirc;nia em v&amp;aacute;rios momentos. Dilma fez quest&amp;atilde;o de afirmar que a Comiss&amp;atilde;o &amp;ldquo;n&amp;atilde;o &amp;eacute; movida pelo revanchismo ou &amp;oacute;dio, mas pela necessidade da verdade sem vetos e sem proibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e se emocionou ao lembrar dos mortos e desaparecidos durante a ditadura:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;O Brasil merece a verdade, as novas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia&quot;, acrescentou.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Trabalhos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A Comiss&amp;atilde;o deve iniciar os trabalhos ainda hoje e ter&amp;aacute; o prazo de dois anos para realizar a investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de crimes contra os direitos humanos, principalmente no per&amp;iacute;odo da &amp;uacute;ltima ditadura do pa&amp;iacute;s, entre 1964 e 1985. Durante as investiga&amp;ccedil;&amp;otilde;es, a comis&amp;atilde;o poder&amp;aacute; requisitar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es a &amp;oacute;rg&amp;atilde;os p&amp;uacute;blicos, inclusive sigilosas, convocar testemunhas, realizar audi&amp;ecirc;ncias p&amp;uacute;blicas e solicitar per&amp;iacute;cias. A comiss&amp;atilde;o n&amp;atilde;o ter&amp;aacute; poder, no entanto, para levar eventuais respons&amp;aacute;veis &amp;agrave; Justi&amp;ccedil;a.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O advogado Jos&amp;eacute; Carlos Dias, ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a discursou em nome dos demais conselheiros e disse que a instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Comiss&amp;atilde;o significa um passo relevante para a consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade democr&amp;aacute;tica brasileira, virando uma p&amp;aacute;gina dolorosa da nossa hist&amp;oacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O ex-ministro destacou as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comiss&amp;atilde;o realizadas nos governos FHC e Lula e afirmou que Dilma &quot;marca seu governo com a coragem de assumir um definitivo compromisso com a verdade desse cap&amp;iacute;tulo sombrio de nossa hist&amp;oacute;ria&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Integrantes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os sete integrantes do grupo s&amp;atilde;o: o ministro do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a, Gilson Dipp, o ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a, Jos&amp;eacute; Carlos Dias, o ex-Procurador-Geral da Rep&amp;uacute;blica, Claudio Fontelles, a advogada de Dilma na ditadura, Rosa Maria Cardoso da Cunha, o diplomata e acad&amp;ecirc;mico Paulo S&amp;eacute;rgio Pinheiro, a psicanalista Maria Rita Kehl e o jurista e escritor Jos&amp;eacute; Paulo Cavalcanti Filho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao falar sobre os membros da Comiss&amp;atilde;o, Dilma afirmou que eles foram escolhidos pela compet&amp;ecirc;ncia e pela capacidade de entender a dimens&amp;atilde;o do trabalho que v&amp;atilde;o executar:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;ldquo;Ao convidar os sete brasileiros que aqui est&amp;atilde;o que integrar&amp;atilde;o a Comiss&amp;atilde;o da Verdade, n&amp;atilde;o fui movida por crit&amp;eacute;rios pessoais ou por avalia&amp;ccedil;&amp;otilde;es subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidad&amp;atilde;os e cidad&amp;atilde;s de reconhecida compet&amp;ecirc;ncia, sensatos e ponderados, preocupados com a justi&amp;ccedil;a e o equil&amp;iacute;brio,e acima de tudo, capazes de entender a dimens&amp;atilde;o do trabalho que v&amp;atilde;o executar&amp;rdquo;, declarou a presidente.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Com informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es do site do JB e do Blog do Planalto&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Wed, 16 May 2012 16:57:06 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Manifesto da chapa: O Combate ao Racismo no centro da Revolução Democrática</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=218394</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=218394</guid>
<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/218413&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;ldquo;Contrariando a hist&amp;oacute;ria oficial, a trajet&amp;oacute;ria dos negros/as no Brasil foi, desde a origem, marcada por incans&amp;aacute;veis per&amp;iacute;odos de luta e intensa participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica. A resist&amp;ecirc;ncia negra ao regime escravocrata pode ser considerada o primeiro movimento social de destaque na hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Com esta afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o iniciamos este manifesto e convidamos toda a milit&amp;acirc;ncia negra do Partido dos Trabalhadores para juntos edificarmos um novo per&amp;iacute;odo na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da secretaria nacional de combate ao racismo do PT.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sem medo de ser feliz&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A ideia de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um partido de trabalhadores &amp;eacute; t&amp;atilde;o antiga quanto &amp;agrave; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pr&amp;oacute;pria classe trabalhadora e, no Brasil, este processo se deu com a chegada dos negros e negras escravizados.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao engajarmos na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Partido dos Trabalhadores trazemos para o centro de nossa milit&amp;acirc;ncia o compromisso de construirmos cada vez mais um organismo pol&amp;iacute;tico que seja a principal refer&amp;ecirc;ncia das classes populares e oprimidas na luta pela sua emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por suas efetivas liberdades democr&amp;aacute;ticas e por participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Reafirmamos o nosso compromisso intransigente com a democracia plena a ser exercida pelo povo brasileiro e com o projeto de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o socialista-democr&amp;aacute;tica que fundamente pilares para a supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o desta sociedade amparada em valores racistas, patriarcais e rentistas que mercantilizam as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es humanas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;As tarefas do PT na busca pela constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma sociedade solid&amp;aacute;ria, feminista e que respeite por igual sua diversidade &amp;eacute;tnico-racial somente se viabilizar&amp;atilde;o se contiver em seu centro program&amp;aacute;tico a s&amp;iacute;ntese de um projeto pol&amp;iacute;tico para o povo negro, pois compreendemos que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; socialismo com racismo e nem supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o plena do racismo separada da conquista de uma sociedade socialista e democr&amp;aacute;tica.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O partido com a cara, a luta e o suor do povo brasileiro&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nossa estrutura social guarda na sua complexidade os componentes econ&amp;ocirc;mico-social, racial, de g&amp;ecirc;nero, cultural, as quais, juntas, ampliam as desigualdades, imp&amp;otilde;em opress&amp;otilde;es concretas e promovem exclus&amp;otilde;es. O racismo &amp;eacute; uma realidade opressiva e estruturante das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que definem o acesso aos recursos, hierarquizam as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de poder e condicionam pensamentos, ideias e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;No Brasil o racismo est&amp;aacute; enraizado no imagin&amp;aacute;rio e na estrutura s&amp;oacute;cio-econ&amp;ocirc;mica, cultural e institucional de nossa sociedade, e dessa forma deve ser compreendido. Mais que uma simples assertiva, o avan&amp;ccedil;o dessa percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; produto da luta do movimento negro que rompeu o cerco ideol&amp;oacute;gico da chamada &amp;ldquo;democracia racial&amp;rdquo;. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Por muito tempo, essa ideologia vigente disseminou a falsa no&amp;ccedil;&amp;atilde;o da harmonia racial, turvou a consci&amp;ecirc;ncia, manteve o Estado avesso ao drama da exclus&amp;atilde;o dos negros e serviu funcionalmente ao processo de explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o capitalista no Brasil.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em quase todos os indicadores econ&amp;ocirc;micos e sociais, observamos a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do abismo social entre negros/as e brancos/as com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a emprego, renda, escolaridade, acesso &amp;agrave; justi&amp;ccedil;a e poder. O drama social acomete com maior gravidade a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o negra, que habita as favelas e periferias desestruturadas, tornando-se presa f&amp;aacute;cil da criminalidade, que assiste seus jovens serem mortos pela viol&amp;ecirc;ncia urbana e enfrenta a dura batalha por melhores condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de vida e cidadania.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O Brasil cresce e se desenvolve, promove pol&amp;iacute;ticas sociais e afirmativas, mas a desigualdade &amp;eacute;tnico-racial se mant&amp;eacute;m. O racismo demonstra sua plasticidade, reciclando-se e demonstrando sua capacidade de seguir determinando lugares e n&amp;atilde;o-lugares dos negros e negras.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao ser fundado em 1979, o Partido dos Trabalhadores teve sua origem no novo sindicalismo, nos movimentos populares urbanos, em parte da intelectualidade, na ala progressista da igreja cat&amp;oacute;lica como tamb&amp;eacute;m por organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es marxistas assim como pela milit&amp;acirc;ncia negra organizada. Desta forma, a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT representou a ruptura com os padr&amp;otilde;es tradicionais da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o partid&amp;aacute;ria no Brasil.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Concomitante &amp;agrave; grande efervesc&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica que culminou na cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT, a reorganiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento negro brasileiro representou a retomada dos processos pol&amp;iacute;ticos pelos movimentos de base na sociedade, objetivando a luta contra a discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o racial, a busca pela emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, econ&amp;ocirc;mica e cultural dos negros/as.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nesse contexto, o movimento negro e o PT emergiram como for&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;ticas identificadas com as classes e grupos explorados. O movimento negro preocupado em desvelar o mito da democracia racial e enfatizar a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oprimida e explorada do negro na sociedade brasileira; o PT em promover a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica da classe trabalhadora, apresentando-se na arena pol&amp;iacute;tica como um ve&amp;iacute;culo de express&amp;atilde;o dos interesses dessa classe e de todos os exclu&amp;iacute;dos da pol&amp;iacute;tica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A milit&amp;acirc;ncia negra integrou-se na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT como uma express&amp;atilde;o partid&amp;aacute;ria de seus interesses pol&amp;iacute;ticos gerais e espec&amp;iacute;ficos; o faz em raz&amp;atilde;o de identificar-se com o projeto pol&amp;iacute;tico de um partido de trabalhadores/as e pelo que ele representa em termos de contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; ordem e de ruptura com a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o conservadora da pol&amp;iacute;tica brasileira.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Um partido a altura dos nossos sonhos e desafios.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A chegada de uma coaliz&amp;atilde;o dirigida pelo PT ao governo central do pa&amp;iacute;s significou uma mudan&amp;ccedil;a qualitativa na correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as entre as classes sociais. A forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um bloco democr&amp;aacute;tico com forte apelo popular deu um salto de qualidade no enfrentamento ao projeto neoliberal que j&amp;aacute; naquele per&amp;iacute;odo vivenciava uma grave crise estrutural.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O processo pol&amp;iacute;tico desencadeado pelas tr&amp;ecirc;s vitorias consecutivas do PT nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais possibilitou derrotar democraticamente e sistematicamente o receitu&amp;aacute;rio neoliberal que dominava o Brasil desde o inicio dos anos 90 do s&amp;eacute;culo passado.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Uma vez derrotada a perspectiva neoliberal no governo central do pa&amp;iacute;s, o Brasil passou a perseguir outra trajet&amp;oacute;ria. Dados recentes reposicionaram o pa&amp;iacute;s na 6&amp;ordf; posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ranking entre os pa&amp;iacute;ses de maior economia do mundo, com recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da import&amp;acirc;ncia relativa do rendimento do trabalho, apresentando nos &amp;uacute;ltimos dez anos um numero superior a 21 milh&amp;otilde;es de novos postos de trabalho, assim como melhoria nos padr&amp;otilde;es salariais m&amp;iacute;nimos e m&amp;eacute;dios.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na configura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pir&amp;acirc;mide social, resultado das recentes avan&amp;ccedil;os do mundo trabalho sobre o capital, aponta para o fortalecimento de uma correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as no interior da sociedade posicionando novos elementos nesta disputa, visando promover a inclus&amp;atilde;o de uma significativa parcela da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira que sempre esteve &amp;agrave; margem da din&amp;acirc;mica de acesso aos bens b&amp;aacute;sicos de civiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o negra.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao propormos a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo per&amp;iacute;odo para o PT, apresentamos como novidade a s&amp;iacute;ntese, em uma mesma l&amp;oacute;gica program&amp;aacute;tica, das dimens&amp;otilde;es antiimperialistas, classistas, populares, laicas, antipatriarcais e antirracistas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O antirracismo deixa de ser tratado &amp;agrave; margem e &amp;eacute; inserido no centro do programa da revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica brasileira.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica, a partir de sua dimens&amp;atilde;o antirracista, reconhece e reivindica os valores comunitaristas t&amp;atilde;o presentes na cultura afrobrasileira e que comp&amp;otilde;em o mosaico identit&amp;aacute;rio do nosso povo, assim como a riqueza advinda das contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es dos povos africanos no processo de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos elementos simb&amp;oacute;licos que constitui e enriquecem a nossa sociedade, como a nossa cultura, nossa l&amp;iacute;ngua, os costumes, o apre&amp;ccedil;o incondicional pela liberdade e a coletiviza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es humanas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Se a vida ensina, somos aprendizes!&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao reconstituirmos nossa trajet&amp;oacute;ria e a partir dela avaliarmos os avan&amp;ccedil;os e retrocessos que obtivemos nas &amp;uacute;ltimas tr&amp;ecirc;s d&amp;eacute;cadas, nos deparamos com uma perda no referencial que o PT detinha sobre significativa parcela dos movimentos populares.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Esta perda de referencial pode ser compreendida como resultado dos processos de alian&amp;ccedil;as implementadas pelo PT na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bloco pol&amp;iacute;tico que permitiu as vit&amp;oacute;rias de Lula e Dilma assim como uma disfun&amp;ccedil;&amp;atilde;o burocr&amp;aacute;tica por parte de nossos/as dirigentes partid&amp;aacute;rios que n&amp;atilde;o conseguem mais dialogar com os movimentos populares que sempre contribu&amp;iacute;ram na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do partido e do seu programa com especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o movimento negro.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A secretaria nacional de combate ao racismo do PT, institu&amp;iacute;da em 1995 fruto de intensos debates travados pela milit&amp;acirc;ncia negra, objetivava elevar ao centro das discuss&amp;otilde;es program&amp;aacute;ticas o car&amp;aacute;ter estrat&amp;eacute;gico da luta antirracista e aprofundar o enraizamento do nosso partido no povo negro, nos seus movimentos, conquistas e esperan&amp;ccedil;as.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Passados estes anos hoje nos deparamos como uma atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o que pouco nos remonta a proposta original que culminou na sua cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A SNCR-PT vive um per&amp;iacute;odo cr&amp;iacute;tico, encerrada em si mesma, com sua atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o limitada a pequenas disputas de espa&amp;ccedil;o dentro do PT.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O aprofundamento de praticas antidemocr&amp;aacute;ticas e sectarizantes visando diminuir a incid&amp;ecirc;ncia da nossa pluralidade partid&amp;aacute;ria vem promovendo uma disfun&amp;ccedil;&amp;atilde;o e um profundo quadro de isolamento quanto &amp;agrave;s atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da secretaria e grande fragilidade frente aos desafios do PT quanto a sua interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com movimento negro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ao propormos esta analise desejamos convidar as companheiras e companheiros militantes do combate ao racismo do PT a retomarmos as discuss&amp;otilde;es sobre o verdadeiro e efetivo papel dos setoriais de nosso partido, que para al&amp;eacute;m de reunir e organizar internamente nossa milit&amp;acirc;ncia, seja tamb&amp;eacute;m fonte de contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s potencialidades socialistas-democr&amp;aacute;ticos do PT e a necess&amp;aacute;ria ponte de interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o das bandeiras e lutas dos movimentos populares organizados em nossa sociedade.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Forjado na luta do povo pobre e trabalhador &amp;eacute; imprescind&amp;iacute;vel que com este mesmo povo n&amp;oacute;s continuemos nossa trajet&amp;oacute;ria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Vem sambar no meu terreiro&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A exemplo das cerim&amp;ocirc;nias populares de matriz africana, convidamos toda a milit&amp;acirc;ncia negra a se engajar e construir este importante instrumento que &amp;eacute; a secretaria nacional de combate ao racismo do PT. &amp;nbsp;Para n&amp;oacute;s este espa&amp;ccedil;o deve expressar as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es e cultura de nosso povo, que nas suas origens africanas, cultua a democracia, o respeito a diferen&amp;ccedil;a e a solidariedade entre as gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es, &amp;nbsp;g&amp;ecirc;nero, orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual e classe.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nossa proposta visa uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva, a retomada do projeto pol&amp;iacute;tico de um partido para o povo negro concatenado com nossas lutas e aspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es por uma sociedade igualit&amp;aacute;ria e democr&amp;aacute;tica.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Por meio da simbologia do samba e do terreiro reivindicamos nossa autonomia, nossa hist&amp;oacute;rica resist&amp;ecirc;ncia e nossa contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o somada &amp;agrave; luta do povo pobre brasileiro orientando assim nossas alian&amp;ccedil;as com os demais setores oprimidos de nossa sociedade que tamb&amp;eacute;m compreendem o PT como um instrumento fundamental na luta rumo a nossa emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Leia abaixo o manifesto da chapa: O Combate ao Racismo no centro da Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o Democr&amp;aacute;tica, para a disputa do encontro setorial Nacional de Combate ao Racismo do PT. O encontro ser&amp;aacute; realizado nos dias 26 e 27 de maio, em Bras&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Clique &lt;a href=&quot;http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item_id=175852&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; para ler uma entrevista com o companheiro Ivonei Pires, que &amp;eacute; candidato &amp;agrave; Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;O PARTIDO COM A CARA, A LUTA E O SUOR DO POVO BRASILEIRO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;O PARTIDO DOS TRABALHADORES, A REVOLU&amp;Ccedil;&amp;Atilde;O DEMOCR&amp;Aacute;TICA E O PROJETO POL&amp;Iacute;TICO PARA O POVO NEGRO&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&amp;ldquo;Contrariando a hist&amp;oacute;ria oficial, a trajet&amp;oacute;ria dos negros/as no Brasil foi, desde a origem, marcada por incans&amp;aacute;veis per&amp;iacute;odos de luta e intensa participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica. A resist&amp;ecirc;ncia negra ao regime escravocrata pode ser considerada o primeiro movimento social de destaque na hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Com esta afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o iniciamos este manifesto e convidamos toda a milit&amp;acirc;ncia negra do Partido dos Trabalhadores para juntos edificarmos um novo per&amp;iacute;odo na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da secretaria nacional de combate ao racismo do PT.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sem medo de ser feliz&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A ideia de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um partido de trabalhadores &amp;eacute; t&amp;atilde;o antiga quanto &amp;agrave; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pr&amp;oacute;pria classe trabalhadora e, no Brasil, este processo se deu com a chegada dos negros e negras escravizados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao engajarmos na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Partido dos Trabalhadores trazemos para o centro de nossa milit&amp;acirc;ncia o compromisso de construirmos cada vez mais um organismo pol&amp;iacute;tico que seja a principal refer&amp;ecirc;ncia das classes populares e oprimidas na luta pela sua emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por suas efetivas liberdades democr&amp;aacute;ticas e por participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Reafirmamos o nosso compromisso intransigente com a democracia plena a ser exercida pelo povo brasileiro e com o projeto de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o socialista-democr&amp;aacute;tica que fundamente pilares para a supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o desta sociedade amparada em valores racistas, patriarcais e rentistas que mercantilizam as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es humanas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;As tarefas do PT na busca pela constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma sociedade solid&amp;aacute;ria, feminista e que respeite por igual sua diversidade &amp;eacute;tnico-racial somente se viabilizar&amp;atilde;o se contiver em seu centro program&amp;aacute;tico a s&amp;iacute;ntese de um projeto pol&amp;iacute;tico para o povo negro, pois compreendemos que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; socialismo com racismo e nem supera&amp;ccedil;&amp;atilde;o plena do racismo separada da conquista de uma sociedade socialista e democr&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;O partido com a cara, a luta e o suor do povo brasileiro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nossa estrutura social guarda na sua complexidade os componentes econ&amp;ocirc;mico-social, racial, de g&amp;ecirc;nero, cultural, as quais, juntas, ampliam as desigualdades, imp&amp;otilde;em opress&amp;otilde;es concretas e promovem exclus&amp;otilde;es. O racismo &amp;eacute; uma realidade opressiva e estruturante das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que definem o acesso aos recursos, hierarquizam as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de poder e condicionam pensamentos, ideias e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No Brasil o racismo est&amp;aacute; enraizado no imagin&amp;aacute;rio e na estrutura s&amp;oacute;cio-econ&amp;ocirc;mica, cultural e institucional de nossa sociedade, e dessa forma deve ser compreendido. Mais que uma simples assertiva, o avan&amp;ccedil;o dessa percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; produto da luta do movimento negro que rompeu o cerco ideol&amp;oacute;gico da chamada &amp;ldquo;democracia racial&amp;rdquo;. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Por muito tempo, essa ideologia vigente disseminou a falsa no&amp;ccedil;&amp;atilde;o da harmonia racial, turvou a consci&amp;ecirc;ncia, manteve o Estado avesso ao drama da exclus&amp;atilde;o dos negros e serviu funcionalmente ao processo de explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o capitalista no Brasil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em quase todos os indicadores econ&amp;ocirc;micos e sociais, observamos a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do abismo social entre negros/as e brancos/as com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a emprego, renda, escolaridade, acesso &amp;agrave; justi&amp;ccedil;a e poder. O drama social acomete com maior gravidade a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o negra, que habita as favelas e periferias desestruturadas, tornando-se presa f&amp;aacute;cil da criminalidade, que assiste seus jovens serem mortos pela viol&amp;ecirc;ncia urbana e enfrenta a dura batalha por melhores condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de vida e cidadania.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Brasil cresce e se desenvolve, promove pol&amp;iacute;ticas sociais e afirmativas, mas a desigualdade &amp;eacute;tnico-racial se mant&amp;eacute;m. O racismo demonstra sua plasticidade, reciclando-se e demonstrando sua capacidade de seguir determinando lugares e n&amp;atilde;o-lugares dos negros e negras.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao ser fundado em 1979, o Partido dos Trabalhadores teve sua origem no novo sindicalismo, nos movimentos populares urbanos, em parte da intelectualidade, na ala progressista da igreja cat&amp;oacute;lica como tamb&amp;eacute;m por organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es marxistas assim como pela milit&amp;acirc;ncia negra organizada. Desta forma, a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT representou a ruptura com os padr&amp;otilde;es tradicionais da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o partid&amp;aacute;ria no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Concomitante &amp;agrave; grande efervesc&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica que culminou na cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT, a reorganiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento negro brasileiro representou a retomada dos processos pol&amp;iacute;ticos pelos movimentos de base na sociedade, objetivando a luta contra a discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o racial, a busca pela emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, econ&amp;ocirc;mica e cultural dos negros/as.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nesse contexto, o movimento negro e o PT emergiram como for&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;ticas identificadas com as classes e grupos explorados. O movimento negro preocupado em desvelar o mito da democracia racial e enfatizar a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oprimida e explorada do negro na sociedade brasileira; o PT em promover a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica da classe trabalhadora, apresentando-se na arena pol&amp;iacute;tica como um ve&amp;iacute;culo de express&amp;atilde;o dos interesses dessa classe e de todos os exclu&amp;iacute;dos da pol&amp;iacute;tica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A milit&amp;acirc;ncia negra integrou-se na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PT como uma express&amp;atilde;o partid&amp;aacute;ria de seus interesses pol&amp;iacute;ticos gerais e espec&amp;iacute;ficos; o faz em raz&amp;atilde;o de identificar-se com o projeto pol&amp;iacute;tico de um partido de trabalhadores/as e pelo que ele representa em termos de contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; ordem e de ruptura com a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o conservadora da pol&amp;iacute;tica brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Um partido a altura dos nossos sonhos e desafios&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A chegada de uma coaliz&amp;atilde;o dirigida pelo PT ao governo central do pa&amp;iacute;s significou uma mudan&amp;ccedil;a qualitativa na correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as entre as classes sociais. A forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um bloco democr&amp;aacute;tico com forte apelo popular deu um salto de qualidade no enfrentamento ao projeto neoliberal que j&amp;aacute; naquele per&amp;iacute;odo vivenciava uma grave crise estrutural.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O processo pol&amp;iacute;tico desencadeado pelas tr&amp;ecirc;s vitorias consecutivas do PT nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais possibilitou derrotar democraticamente e sistematicamente o receitu&amp;aacute;rio neoliberal que dominava o Brasil desde o inicio dos anos 90 do s&amp;eacute;culo passado.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma vez derrotada a perspectiva neoliberal no governo central do pa&amp;iacute;s, o Brasil passou a perseguir outra trajet&amp;oacute;ria. Dados recentes reposicionaram o pa&amp;iacute;s na 6&amp;ordf; posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ranking entre os pa&amp;iacute;ses de maior economia do mundo, com recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da import&amp;acirc;ncia relativa do rendimento do trabalho, apresentando nos &amp;uacute;ltimos dez anos um numero superior a 21 milh&amp;otilde;es de novos postos de trabalho, assim como melhoria nos padr&amp;otilde;es salariais m&amp;iacute;nimos e m&amp;eacute;dios.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na configura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pir&amp;acirc;mide social, resultado das recentes avan&amp;ccedil;os do mundo trabalho sobre o capital, aponta para o fortalecimento de uma correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as no interior da sociedade posicionando novos elementos nesta disputa, visando promover a inclus&amp;atilde;o de uma significativa parcela da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira que sempre esteve &amp;agrave; margem da din&amp;acirc;mica de acesso aos bens b&amp;aacute;sicos de civiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o negra.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao propormos a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo per&amp;iacute;odo para o PT, apresentamos como novidade a s&amp;iacute;ntese, em uma mesma l&amp;oacute;gica program&amp;aacute;tica, das dimens&amp;otilde;es antiimperialistas, classistas, populares, laicas, antipatriarcais e antirracistas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O antirracismo deixa de ser tratado &amp;agrave; margem e &amp;eacute; inserido no centro do programa da revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica, a partir de sua dimens&amp;atilde;o antirracista, reconhece e reivindica os valores comunitaristas t&amp;atilde;o presentes na cultura afrobrasileira e que comp&amp;otilde;em o mosaico identit&amp;aacute;rio do nosso povo, assim como a riqueza advinda das contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es dos povos africanos no processo de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos elementos simb&amp;oacute;licos que constitui e enriquecem a nossa sociedade, como a nossa cultura, nossa l&amp;iacute;ngua, os costumes, o apre&amp;ccedil;o incondicional pela liberdade e a coletiviza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es humanas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Se a vida ensina, somos aprendizes!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao reconstituirmos nossa trajet&amp;oacute;ria e a partir dela avaliarmos os avan&amp;ccedil;os e retrocessos que obtivemos nas &amp;uacute;ltimas tr&amp;ecirc;s d&amp;eacute;cadas, nos deparamos com uma perda no referencial que o PT detinha sobre significativa parcela dos movimentos populares.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esta perda de referencial pode ser compreendida como resultado dos processos de alian&amp;ccedil;as implementadas pelo PT na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bloco pol&amp;iacute;tico que permitiu as vit&amp;oacute;rias de Lula e Dilma assim como uma disfun&amp;ccedil;&amp;atilde;o burocr&amp;aacute;tica por parte de nossos/as dirigentes partid&amp;aacute;rios que n&amp;atilde;o conseguem mais dialogar com os movimentos populares que sempre contribu&amp;iacute;ram na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do partido e do seu programa com especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o movimento negro.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A secretaria nacional de combate ao racismo do PT, institu&amp;iacute;da em 1995 fruto de intensos debates travados pela milit&amp;acirc;ncia negra, objetivava elevar ao centro das discuss&amp;otilde;es program&amp;aacute;ticas o car&amp;aacute;ter estrat&amp;eacute;gico da luta antirracista e aprofundar o enraizamento do nosso partido no povo negro, nos seus movimentos, conquistas e esperan&amp;ccedil;as.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Passados estes anos hoje nos deparamos como uma atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o que pouco nos remonta a proposta original que culminou na sua cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A SNCR-PT vive um per&amp;iacute;odo cr&amp;iacute;tico, encerrada em si mesma, com sua atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o limitada a pequenas disputas de espa&amp;ccedil;o dentro do PT.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O aprofundamento de praticas antidemocr&amp;aacute;ticas e sectarizantes visando diminuir a incid&amp;ecirc;ncia da nossa pluralidade partid&amp;aacute;ria vem promovendo uma disfun&amp;ccedil;&amp;atilde;o e um profundo quadro de isolamento quanto &amp;agrave;s atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da secretaria e grande fragilidade frente aos desafios do PT quanto a sua interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com movimento negro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ao propormos esta analise desejamos convidar as companheiras e companheiros militantes do combate ao racismo do PT a retomarmos as discuss&amp;otilde;es sobre o verdadeiro e efetivo papel dos setoriais de nosso partido, que para al&amp;eacute;m de reunir e organizar internamente nossa milit&amp;acirc;ncia, seja tamb&amp;eacute;m fonte de contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s potencialidades socialistas-democr&amp;aacute;ticos do PT e a necess&amp;aacute;ria ponte de interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o das bandeiras e lutas dos movimentos populares organizados em nossa sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Forjado na luta do povo pobre e trabalhador &amp;eacute; imprescind&amp;iacute;vel que com este mesmo povo n&amp;oacute;s continuemos nossa trajet&amp;oacute;ria.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Vem sambar no meu terreiro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A exemplo das cerim&amp;ocirc;nias populares de matriz africana, convidamos toda a milit&amp;acirc;ncia negra a se engajar e construir este importante instrumento que &amp;eacute; a secretaria nacional de combate ao racismo do PT. &amp;nbsp;Para n&amp;oacute;s este espa&amp;ccedil;o deve expressar as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es e cultura de nosso povo, que nas suas origens africanas, cultua a democracia, o respeito a diferen&amp;ccedil;a e a solidariedade entre as gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es, &amp;nbsp;g&amp;ecirc;nero, orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual e classe.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nossa proposta visa uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva, a retomada do projeto pol&amp;iacute;tico de um partido para o povo negro concatenado com nossas lutas e aspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es por uma sociedade igualit&amp;aacute;ria e democr&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Por meio da simbologia do samba e do terreiro reivindicamos nossa autonomia, nossa hist&amp;oacute;rica resist&amp;ecirc;ncia e nossa contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o somada &amp;agrave; luta do povo pobre brasileiro orientando assim nossas alian&amp;ccedil;as com os demais setores oprimidos de nossa sociedade que tamb&amp;eacute;m compreendem o PT como um instrumento fundamental na luta rumo a nossa emancipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Wed, 16 May 2012 16:09:41 GMT</pubDate>
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<title>“A Dilma vai vetar”, diz ministro do Desenvolvimento Agrário</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=232206</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/232225&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samir Oliveira&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas (PT), &amp;eacute; categ&amp;oacute;rico ao afirmar que a presidente Dilma Rousseff (PT) ir&amp;aacute; vetar o novo C&amp;oacute;digo Florestal que foi aprovado pela C&amp;acirc;mara dos Deputados no dia 25 de abril. &amp;ldquo;A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa &amp;eacute; a discuss&amp;atilde;o&amp;rdquo;, assegura o petista nesta entrevista ao Sul21.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe garante que o texto n&amp;atilde;o permanecer&amp;aacute; intocado. &amp;ldquo;O C&amp;oacute;digo Florestal n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; sancionado da forma como a C&amp;acirc;mara aprovou. Ter&amp;aacute; ou um veto total, ou um veto parcial&amp;rdquo;, comenta.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O ministro considera que h&amp;aacute; dois extremos nesse debate: o dos ruralistas que somente querem flexibilizar a legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o dos ambientalistas que defendem o que ele chama de &amp;ldquo;conservacionismo elitista&amp;rdquo;. Pepe diz que o governo federal n&amp;atilde;o est&amp;aacute; comprometido com nenhuma dessas duas agendas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nesta entrevista ao Sul21, o ministro fala tamb&amp;eacute;m sobre as perspectivas para a reforma agr&amp;aacute;ria no pa&amp;iacute;s e critica a proposta de emenda &amp;agrave; Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o (PEC) que transfere responsabilidade sobre a titula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras ind&amp;iacute;genas ao Congresso Nacional.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Como o senhor avalia o texto do novo C&amp;oacute;digo Florestal aprovado na C&amp;acirc;mara dos Deputados?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa &amp;eacute; a discuss&amp;atilde;o. Parte do texto final aprovado &amp;eacute; consenso entre C&amp;acirc;mara e Senado. O texto do Senado &amp;eacute; muito mais equilibrado, mas algumas coisas aprovadas representam avan&amp;ccedil;os importantes. H&amp;aacute; uma legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o bastante protetora para aquilo que n&amp;atilde;o foi desmatado. As disposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es permanentes t&amp;ecirc;m pontos muito positivos. E tem um cap&amp;iacute;tulo inteiro sobre a agricultura familiar que &amp;eacute; importante que seja preservado. Se o veto for total, zera todo esse avan&amp;ccedil;o. Mas tamb&amp;eacute;m h&amp;aacute; aspectos extremamente negativos, como a parte que previa a recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o que foram devastadas. Queremos que haja recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e admitimos que ela tenha diferencia&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O agricultor que possui at&amp;eacute; quatro m&amp;oacute;dulos fiscais n&amp;atilde;o pode ter o mesmo tratamento de quem tem 400 m&amp;oacute;dulos. Defendemos que at&amp;eacute; quatro m&amp;oacute;dulos fiscais haja diferencia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas exig&amp;ecirc;ncias de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de reserva legal. O Senado tamb&amp;eacute;m tinha entendido assim, mas a C&amp;acirc;mara botou isso a perder. Al&amp;eacute;m de anistiar grandes desmatadores, o que &amp;eacute; inadmiss&amp;iacute;vel, e prever que n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nenhuma em determinadas &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, a C&amp;acirc;mara diz que o pequeno produtor tem que recompor igual ao grande.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Ent&amp;atilde;o o texto final ter&amp;aacute; artigos vetados pela presidente?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; O C&amp;oacute;digo Florestal n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; sancionado da forma como a C&amp;acirc;mara aprovou. Ter&amp;aacute; ou um veto total, ou um veto parcial. H&amp;aacute; dois extremos nocivos a esse debate. O primeiro &amp;eacute; o polo que defende as piores pr&amp;aacute;ticas agropecu&amp;aacute;rias, &amp;eacute; a turma da motosserra. Mas no outro polo, h&amp;aacute; um ambientalismo que defende um conservacionismo elitista. N&amp;atilde;o entendem que a parte ambiental precisa estar ligada &amp;agrave; inclus&amp;atilde;o social de assentados, de quilombolas, de comunidades de povos tradicionais e de pequenos agricultores. N&amp;atilde;o concordamos com esse conservacionismo elitista que desconsidera a dimens&amp;atilde;o social vinculada &amp;agrave; ambiental. Esse ambientalismo conservador e elitista n&amp;atilde;o &amp;eacute; o nosso horizonte. Queremos denunciar esse tipo de gente, que muitas vezes est&amp;aacute; a servi&amp;ccedil;o de interesses daqueles que querem mercantilizar a natureza, colocando papeis financeiros para especular na Bolsa. A&amp;iacute; os pa&amp;iacute;ses em desenvolvimento se limitam a vender servi&amp;ccedil;os ambientais enquanto as na&amp;ccedil;&amp;otilde;es ricas podem desmatar e comprar esses papeis de servi&amp;ccedil;os.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; O senhor assumiu no dia 14 de mar&amp;ccedil;o. Quais s&amp;atilde;o as metas do minist&amp;eacute;rio para este ano?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; A prioridade &amp;eacute; fortalecer os instrumentos de apoio e fomento &amp;agrave; agricultura familiar. Dos 5,1 milh&amp;otilde;es de estabelecimentos rurais no Brasil, cerca de 4,3 milh&amp;otilde;es s&amp;atilde;o unidades produtivas de agricultores familiares. Elas representam 84% dos estabelecimentos e ocupam 74% da m&amp;atilde;o de obra no meio rural. H&amp;aacute; propriedades familiares j&amp;aacute; bem desenvolvidas e inseridas no mercado, com capacidade de comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas que precisam do nosso apoio. E h&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m as propriedades que ainda est&amp;atilde;o em desenvolvimento.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Que tipo de apoio o governo federal d&amp;aacute; a esses produtores?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; Queremos fortalecer os instrumentos de acesso a cr&amp;eacute;dito, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que tem financiamento para custeio de safra e para investimentos. H&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m os instrumentos de apoio &amp;agrave; comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Queremos consolidar a Rede Brasil Rural, que &amp;eacute; uma plataforma eletr&amp;ocirc;nica que viabiliza que as cooperativas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de produtores cadastrem seus produtos. J&amp;aacute; temos mais de 400 cooperativas cadastradas e um universo grande de fornecedores de insumos participando. Al&amp;eacute;m disso, queremos fortalecer a assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica da extens&amp;atilde;o rural, que &amp;eacute; muito importante para o desenvolvimento produtivo das propriedades. E h&amp;aacute; os programas de garantias de pre&amp;ccedil;os m&amp;iacute;nimos, que s&amp;atilde;o importantes para dar estabilidade a essa parcela de agricultores familiares que j&amp;aacute; est&amp;aacute; numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o desenvolvida ou em desenvolvimento.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 - &amp;nbsp;E que tipo de assist&amp;ecirc;ncia pode ser dada &amp;agrave;s fam&amp;iacute;lias que tentam chegar a esse est&amp;aacute;gio?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; H&amp;aacute; uma parcela da agricultura familiar que vive na extrema pobreza. Para isso temos o programa Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, que &amp;eacute; coordenado pelo Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Social. Como metade das 16 milh&amp;otilde;es de pessoas que est&amp;atilde;o abaixo da linha da pobreza vivem no meio rural, uma parte do programa fica sob nossa responsabilidade. Estamos antecipando todas as metas de 2013 para 2012. S&amp;atilde;o metas de atendimento a fam&amp;iacute;lias com assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica diferenciada e continuada, e um subs&amp;iacute;dio de fomento para atividade produtiva com fornecimento de sementes. Come&amp;ccedil;ou ano passado no Nordeste, mas vamos atender tamb&amp;eacute;m o Sul e o Sudeste, desde que os estados entrem com a assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica. No Rio Grande do Sul, por exemplo, j&amp;aacute; acertamos com o governo. Nossa meta era atender tr&amp;ecirc;s mil fam&amp;iacute;lias, mas o Estado nos disse que tem condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de atender 6 mil fam&amp;iacute;lias.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Como est&amp;atilde;o as demarca&amp;ccedil;&amp;otilde;es e desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a reforma agr&amp;aacute;ria no pa&amp;iacute;s?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; A reforma agr&amp;aacute;ria &amp;eacute; um instrumento de combate &amp;agrave; extrema pobreza no campo. A agricultura familiar tem um papel importante no projeto nacional de desenvolvimento, porque distribui melhor a renda, ocupa mais gente no campo e produz 70% dos alimentos no pa&amp;iacute;s. Criou-se a ideia que s&amp;oacute; o agroneg&amp;oacute;cio exporta e &amp;eacute; respons&amp;aacute;vel pela balan&amp;ccedil;a comercial brasileira. O peso do setor agr&amp;aacute;rio nas exporta&amp;ccedil;&amp;otilde;es brasileiras foi de 36% do total exportado em 2011. Nesse montante, 28% &amp;eacute; relativo &amp;agrave; agricultura familiar na base. Temos que pensar em uma estrat&amp;eacute;gia de desenvolvimento da agricultura familiar para que ela exporte ainda mais. H&amp;aacute; um grande mercado a ser conquistado nos Estados Unidos e na Europa. Segmentos das classes m&amp;eacute;dias e altas desses pa&amp;iacute;ses querem comprar produtos feitos de forma justa e sustent&amp;aacute;vel. Pa&amp;iacute;ses com menor capacidade est&amp;atilde;o ocupando esse nicho.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; E como est&amp;atilde;o as demarca&amp;ccedil;&amp;otilde;es de terras atualmente?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; N&amp;atilde;o temos contingenciamento de recursos or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rios para obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Temos condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de executar todo o or&amp;ccedil;amento &amp;ndash; previsto em R$ 106 milh&amp;otilde;es. J&amp;aacute; liberamos R$ 200 milh&amp;otilde;es em T&amp;iacute;tulos da D&amp;iacute;vida Agr&amp;aacute;ria (TDAs) para que o Incra possa encaminhar o pagamento de decretos de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Liberamos tamb&amp;eacute;m R$ 44 milh&amp;otilde;es para pagamento de benfeitorias de im&amp;oacute;veis cujas TDAs j&amp;aacute; estavam lan&amp;ccedil;adas. S&amp;oacute; com essa libera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, j&amp;aacute; atendermos 11 mil fam&amp;iacute;lias. Estamos mudando o processo para fortalecer a infraestrutura dos assentamentos, come&amp;ccedil;ando pela moradia. Historicamente, a moradia entrava no cr&amp;eacute;dito de habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra. O valor era R$ 15 mil por fam&amp;iacute;lia, com tr&amp;ecirc;s anos de car&amp;ecirc;ncia e 17 anos para pagar. Mas temos o Minha Casa, Minha Vida, que financia resid&amp;ecirc;ncias no valor de R$ 25 mil e tem 96% de subs&amp;iacute;dio. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; por que n&amp;atilde;o colocarmos esse programa nos assentamentos. Iremos atender melhor e o assentado ir&amp;aacute; gastar menos. Aceitamos discutir com os movimentos sociais do campo uma nova metodologia do cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Estamos debatendo uma melhor maneira, n&amp;atilde;o formatamos nada ainda, mas vai haver uma mudan&amp;ccedil;a. Queremos tamb&amp;eacute;m levar os programas &amp;Aacute;gua Para Todos e Luz Para Todos para dentro dos assentamentos. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; por que o Incra assumir o financiamento dessas infraestruturas se existem programas que podem arcar com esses custos. Com isso o Incra pode usar seus recursos para priorizar outras quest&amp;otilde;es fundamentais.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Como conciliar a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos assentamentos com a melhoria dos j&amp;aacute; existentes?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; Tem anos que assentaram 100 mil fam&amp;iacute;lias, mas davam terra sem infraestrutura. Temos um passivo social a ser resgatado. H&amp;aacute; assentamentos que se desenvolveram, exportam e possuem tecnologia aplicada. Mas h&amp;aacute; um n&amp;uacute;mero expressivo de assentamentos com fam&amp;iacute;lias que vivem na linha da pobreza. O Estado brasileiro, ao longo da hist&amp;oacute;ria, assentou pessoas e as deixou abaixo da linha da pobreza. A estrat&amp;eacute;gia do Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria &amp;eacute; recuperar as estruturas desses locais. Vamos reconhecer que assentados da reforma agr&amp;aacute;ria tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o cidad&amp;atilde;os que precisam ter acesso aos programas do governo federal. N&amp;atilde;o podemos achar que s&amp;oacute; o Incra tem responsabilidade de resolver essas quest&amp;otilde;es.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; O MST diz que o governo federal possui um teto de at&amp;eacute; R$ 100 mil para desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es de terras. Os Sem-Terra alegam que isso faz com que 90% das propriedades permane&amp;ccedil;am intoc&amp;aacute;veis.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada que defina a exist&amp;ecirc;ncia de um teto de R$ 100 mil. Mas &amp;eacute; verdade que, quando se vai desapropriar uma terra, o custo dela interessa. Quando o poder p&amp;uacute;blico vai desapropriar uma &amp;aacute;rea para construir uma escola ou fazer um projeto habitacional, o pre&amp;ccedil;o da terra &amp;eacute; levado em considera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E, eventualmente, se a terra &amp;eacute; muito cara, se opta por outro lugar. Na reforma agr&amp;aacute;ria n&amp;atilde;o pode ser diferente. O valor por hectare e o custo por fam&amp;iacute;lia assentada s&amp;atilde;o elementos importantes. O administrador precisa zelar pelo princ&amp;iacute;pio da economicidade. Isso n&amp;atilde;o significa dizer que se v&amp;aacute; deixar de comprar terras. Mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o iremos comprar terras que custem R$ 30 mil por hectare. Assim como n&amp;atilde;o iremos comprar uma propriedade que custe R$ 2 mil por hectare e jogar as fam&amp;iacute;lias num local onde n&amp;atilde;o h&amp;aacute; estrada, &amp;aacute;gua ou luz. &amp;Eacute; preciso bom senso.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; O que encarece o custo das desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; H&amp;aacute; um processo de encarecimento do pre&amp;ccedil;o da terra no Brasil. Precisamos que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona a medida provis&amp;oacute;ria que estabeleceu que os juros compensat&amp;oacute;rios de uma terra desapropriada seriam de 6% e n&amp;atilde;o de 12% &amp;ndash; fixados por uma jurisprud&amp;ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a. Nenhum fundo de investimento remunera a esse valor. O Judici&amp;aacute;rio brasileiro estabelece juros compensat&amp;oacute;rios numa desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras que remunera muito mais do que qualquer aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o no sistema financeiro. &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel especular muito mais tendo uma terra desapropriada do que no mercado financeiro. Isso &amp;eacute; um absurdo. O governo, h&amp;aacute; muitos anos, fez uma medida provis&amp;oacute;ria fixando os juros em 6% e houve uma Adin que foi acolhida pelo STF em car&amp;aacute;ter liminar. Continua-se pagando juros compensat&amp;oacute;rios de 12% e o julgamento do m&amp;eacute;rito &amp;eacute; aguardado h&amp;aacute; mais de 10 anos. Isso impacta o or&amp;ccedil;amento do Incra. Quando o propriet&amp;aacute;rio de uma terra n&amp;atilde;o concorda com a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra, o Judici&amp;aacute;rio demora cinco anos para decidir quanto &amp;eacute; o pre&amp;ccedil;o de uma terra desapropriada. Nesse meio tempo, o governo fica pagando 12% de juros compensat&amp;oacute;rios. &amp;Eacute; &amp;oacute;bvio que isso diminui a capacidade do Estado brasileiro de desapropriar &amp;aacute;reas para fins de reforma agr&amp;aacute;ria. O or&amp;ccedil;amento n&amp;atilde;o &amp;eacute; um el&amp;aacute;stico que pode ser esticado. Precisamos que o Supremo julgue essa Adin. Se a taxa Selic est&amp;aacute; em 9%, por que os juros compensat&amp;oacute;rios s&amp;atilde;o 12%?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Qual sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre PEC 215, que transfere para o Congresso Nacional a titula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras ind&amp;iacute;genas?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; A PEC 215 &amp;eacute; uma rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos setores mais retr&amp;oacute;grados e conservadores que querem impedir o reconhecimento por parte do Estado brasileiro dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. Temos uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o contr&amp;aacute;ria a essa PEC e defendemos a constitucionalidade do decreto que regulamenta a demarca&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o reconhecimento dos territ&amp;oacute;rios quilombolas, que est&amp;aacute; sendo julgado pelo STF. A turma da casa grande, que sempre defendeu a preda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s por uma elite minorit&amp;aacute;ria, articulou a PEC 215 para impedir que o Estado brasileiro reconhe&amp;ccedil;a os direitos dos quilombolas e dos povos ind&amp;iacute;genas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; H&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m a PEC do trabalho escravo, que prop&amp;otilde;e o confisco das propriedades que utilizem m&amp;atilde;o de obra escrava.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pepe &amp;ndash; Queremos que seja aprovada. O trabalho escravo &amp;eacute; uma abomina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Quem utiliza trabalho escravo na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o precisa ter suas terras desapropriadas para que elas cumpram uma fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o social.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Por Samir Oliveira, publicado no site &lt;a href=&quot;http://sul21.com.br/jornal/2012/05/a-dilma-vai-vetar-diz-ministro-do-desenvolvimento-agrario/&quot;&gt;Sul 21&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas (PT), &amp;eacute; categ&amp;oacute;rico ao afirmar que a presidente Dilma Rousseff (PT) ir&amp;aacute; vetar o novo C&amp;oacute;digo Florestal que foi aprovado pela C&amp;acirc;mara dos Deputados no dia 25 de abril. &amp;ldquo;A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa &amp;eacute; a discuss&amp;atilde;o&amp;rdquo;, assegura o petista nesta entrevista ao Sul21.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Pepe garante que o texto n&amp;atilde;o permanecer&amp;aacute; intocado. &amp;ldquo;O C&amp;oacute;digo Florestal n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; sancionado da forma como a C&amp;acirc;mara aprovou. Ter&amp;aacute; ou um veto total, ou um veto parcial&amp;rdquo;, comenta.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O ministro considera que h&amp;aacute; dois extremos nesse debate: o dos ruralistas que somente querem flexibilizar a legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o dos ambientalistas que defendem o que ele chama de &amp;ldquo;conservacionismo elitista&amp;rdquo;. Pepe diz que o governo federal n&amp;atilde;o est&amp;aacute; comprometido com nenhuma dessas duas agendas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Nesta entrevista ao Sul21, o ministro fala tamb&amp;eacute;m sobre as perspectivas para a reforma agr&amp;aacute;ria no pa&amp;iacute;s e critica a proposta de emenda &amp;agrave; Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o (PEC) que transfere responsabilidade sobre a titula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras ind&amp;iacute;genas ao Congresso Nacional.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Como o senhor avalia o texto do novo C&amp;oacute;digo Florestal aprovado na C&amp;acirc;mara dos Deputados?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; A Dilma vai vetar. Se no todo ou em parte, essa &amp;eacute; a discuss&amp;atilde;o. Parte do texto final aprovado &amp;eacute; consenso entre C&amp;acirc;mara e Senado. O texto do Senado &amp;eacute; muito mais equilibrado, mas algumas coisas aprovadas representam avan&amp;ccedil;os importantes. H&amp;aacute; uma legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o bastante protetora para aquilo que n&amp;atilde;o foi desmatado. As disposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es permanentes t&amp;ecirc;m pontos muito positivos. E tem um cap&amp;iacute;tulo inteiro sobre a agricultura familiar que &amp;eacute; importante que seja preservado. Se o veto for total, zera todo esse avan&amp;ccedil;o. Mas tamb&amp;eacute;m h&amp;aacute; aspectos extremamente negativos, como a parte que previa a recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o que foram devastadas. Queremos que haja recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e admitimos que ela tenha diferencia&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O agricultor que possui at&amp;eacute; quatro m&amp;oacute;dulos fiscais n&amp;atilde;o pode ter o mesmo tratamento de quem tem 400 m&amp;oacute;dulos. Defendemos que at&amp;eacute; quatro m&amp;oacute;dulos fiscais haja diferencia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas exig&amp;ecirc;ncias de recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de reserva legal. O Senado tamb&amp;eacute;m tinha entendido assim, mas a C&amp;acirc;mara botou isso a perder. Al&amp;eacute;m de anistiar grandes desmatadores, o que &amp;eacute; inadmiss&amp;iacute;vel, e prever que n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nenhuma em determinadas &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, a C&amp;acirc;mara diz que o pequeno produtor tem que recompor igual ao grande.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Ent&amp;atilde;o o texto final ter&amp;aacute; artigos vetados pela presidente?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe &lt;/strong&gt;&amp;ndash; O C&amp;oacute;digo Florestal n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; sancionado da forma como a C&amp;acirc;mara aprovou. Ter&amp;aacute; ou um veto total, ou um veto parcial. H&amp;aacute; dois extremos nocivos a esse debate. O primeiro &amp;eacute; o polo que defende as piores pr&amp;aacute;ticas agropecu&amp;aacute;rias, &amp;eacute; a turma da motosserra. Mas no outro polo, h&amp;aacute; um ambientalismo que defende um conservacionismo elitista. N&amp;atilde;o entendem que a parte ambiental precisa estar ligada &amp;agrave; inclus&amp;atilde;o social de assentados, de quilombolas, de comunidades de povos tradicionais e de pequenos agricultores. N&amp;atilde;o concordamos com esse conservacionismo elitista que desconsidera a dimens&amp;atilde;o social vinculada &amp;agrave; ambiental. Esse ambientalismo conservador e elitista n&amp;atilde;o &amp;eacute; o nosso horizonte. Queremos denunciar esse tipo de gente, que muitas vezes est&amp;aacute; a servi&amp;ccedil;o de interesses daqueles que querem mercantilizar a natureza, colocando papeis financeiros para especular na Bolsa. A&amp;iacute; os pa&amp;iacute;ses em desenvolvimento se limitam a vender servi&amp;ccedil;os ambientais enquanto as na&amp;ccedil;&amp;otilde;es ricas podem desmatar e comprar esses papeis de servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; O senhor assumiu no dia 14 de mar&amp;ccedil;o. Quais s&amp;atilde;o as metas do minist&amp;eacute;rio para este ano?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; A prioridade &amp;eacute; fortalecer os instrumentos de apoio e fomento &amp;agrave; agricultura familiar. Dos 5,1 milh&amp;otilde;es de estabelecimentos rurais no Brasil, cerca de 4,3 milh&amp;otilde;es s&amp;atilde;o unidades produtivas de agricultores familiares. Elas representam 84% dos estabelecimentos e ocupam 74% da m&amp;atilde;o de obra no meio rural. H&amp;aacute; propriedades familiares j&amp;aacute; bem desenvolvidas e inseridas no mercado, com capacidade de comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas que precisam do nosso apoio. E h&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m as propriedades que ainda est&amp;atilde;o em desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &lt;/strong&gt;&amp;ndash; Que tipo de apoio o governo federal d&amp;aacute; a esses produtores?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe &lt;/strong&gt;&amp;ndash; Queremos fortalecer os instrumentos de acesso a cr&amp;eacute;dito, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que tem financiamento para custeio de safra e para investimentos. H&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m os instrumentos de apoio &amp;agrave; comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Queremos consolidar a Rede Brasil Rural, que &amp;eacute; uma plataforma eletr&amp;ocirc;nica que viabiliza que as cooperativas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de produtores cadastrem seus produtos. J&amp;aacute; temos mais de 400 cooperativas cadastradas e um universo grande de fornecedores de insumos participando. Al&amp;eacute;m disso, queremos fortalecer a assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica da extens&amp;atilde;o rural, que &amp;eacute; muito importante para o desenvolvimento produtivo das propriedades. E h&amp;aacute; os programas de garantias de pre&amp;ccedil;os m&amp;iacute;nimos, que s&amp;atilde;o importantes para dar estabilidade a essa parcela de agricultores familiares que j&amp;aacute; est&amp;aacute; numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o desenvolvida ou em desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &lt;/strong&gt;- &amp;nbsp;E que tipo de assist&amp;ecirc;ncia pode ser dada &amp;agrave;s fam&amp;iacute;lias que tentam chegar a esse est&amp;aacute;gio?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; H&amp;aacute; uma parcela da agricultura familiar que vive na extrema pobreza. Para isso temos o programa Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, que &amp;eacute; coordenado pelo Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Social. Como metade das 16 milh&amp;otilde;es de pessoas que est&amp;atilde;o abaixo da linha da pobreza vivem no meio rural, uma parte do programa fica sob nossa responsabilidade. Estamos antecipando todas as metas de 2013 para 2012. S&amp;atilde;o metas de atendimento a fam&amp;iacute;lias com assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica diferenciada e continuada, e um subs&amp;iacute;dio de fomento para atividade produtiva com fornecimento de sementes. Come&amp;ccedil;ou ano passado no Nordeste, mas vamos atender tamb&amp;eacute;m o Sul e o Sudeste, desde que os estados entrem com a assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica. No Rio Grande do Sul, por exemplo, j&amp;aacute; acertamos com o governo. Nossa meta era atender tr&amp;ecirc;s mil fam&amp;iacute;lias, mas o Estado nos disse que tem condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de atender 6 mil fam&amp;iacute;lias.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Como est&amp;atilde;o as demarca&amp;ccedil;&amp;otilde;es e desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a reforma agr&amp;aacute;ria no pa&amp;iacute;s?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; A reforma agr&amp;aacute;ria &amp;eacute; um instrumento de combate &amp;agrave; extrema pobreza no campo. A agricultura familiar tem um papel importante no projeto nacional de desenvolvimento, porque distribui melhor a renda, ocupa mais gente no campo e produz 70% dos alimentos no pa&amp;iacute;s. Criou-se a ideia que s&amp;oacute; o agroneg&amp;oacute;cio exporta e &amp;eacute; respons&amp;aacute;vel pela balan&amp;ccedil;a comercial brasileira. O peso do setor agr&amp;aacute;rio nas exporta&amp;ccedil;&amp;otilde;es brasileiras foi de 36% do total exportado em 2011. Nesse montante, 28% &amp;eacute; relativo &amp;agrave; agricultura familiar na base. Temos que pensar em uma estrat&amp;eacute;gia de desenvolvimento da agricultura familiar para que ela exporte ainda mais. H&amp;aacute; um grande mercado a ser conquistado nos Estados Unidos e na Europa. Segmentos das classes m&amp;eacute;dias e altas desses pa&amp;iacute;ses querem comprar produtos feitos de forma justa e sustent&amp;aacute;vel. Pa&amp;iacute;ses com menor capacidade est&amp;atilde;o ocupando esse nicho.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; E como est&amp;atilde;o as demarca&amp;ccedil;&amp;otilde;es de terras atualmente?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe &lt;/strong&gt;&amp;ndash; N&amp;atilde;o temos contingenciamento de recursos or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rios para obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Temos condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de executar todo o or&amp;ccedil;amento &amp;ndash; previsto em R$ 106 milh&amp;otilde;es. J&amp;aacute; liberamos R$ 200 milh&amp;otilde;es em T&amp;iacute;tulos da D&amp;iacute;vida Agr&amp;aacute;ria (TDAs) para que o Incra possa encaminhar o pagamento de decretos de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Liberamos tamb&amp;eacute;m R$ 44 milh&amp;otilde;es para pagamento de benfeitorias de im&amp;oacute;veis cujas TDAs j&amp;aacute; estavam lan&amp;ccedil;adas. S&amp;oacute; com essa libera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, j&amp;aacute; atendermos 11 mil fam&amp;iacute;lias. Estamos mudando o processo para fortalecer a infraestrutura dos assentamentos, come&amp;ccedil;ando pela moradia. Historicamente, a moradia entrava no cr&amp;eacute;dito de habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra. O valor era R$ 15 mil por fam&amp;iacute;lia, com tr&amp;ecirc;s anos de car&amp;ecirc;ncia e 17 anos para pagar. Mas temos o Minha Casa, Minha Vida, que financia resid&amp;ecirc;ncias no valor de R$ 25 mil e tem 96% de subs&amp;iacute;dio. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; por que n&amp;atilde;o colocarmos esse programa nos assentamentos. Iremos atender melhor e o assentado ir&amp;aacute; gastar menos. Aceitamos discutir com os movimentos sociais do campo uma nova metodologia do cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Estamos debatendo uma melhor maneira, n&amp;atilde;o formatamos nada ainda, mas vai haver uma mudan&amp;ccedil;a. Queremos tamb&amp;eacute;m levar os programas &amp;Aacute;gua Para Todos e Luz Para Todos para dentro dos assentamentos. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; por que o Incra assumir o financiamento dessas infraestruturas se existem programas que podem arcar com esses custos. Com isso o Incra pode usar seus recursos para priorizar outras quest&amp;otilde;es fundamentais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Como conciliar a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos assentamentos com a melhoria dos j&amp;aacute; existentes?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Tem anos que assentaram 100 mil fam&amp;iacute;lias, mas davam terra sem infraestrutura. Temos um passivo social a ser resgatado. H&amp;aacute; assentamentos que se desenvolveram, exportam e possuem tecnologia aplicada. Mas h&amp;aacute; um n&amp;uacute;mero expressivo de assentamentos com fam&amp;iacute;lias que vivem na linha da pobreza. O Estado brasileiro, ao longo da hist&amp;oacute;ria, assentou pessoas e as deixou abaixo da linha da pobreza. A estrat&amp;eacute;gia do Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria &amp;eacute; recuperar as estruturas desses locais. Vamos reconhecer que assentados da reforma agr&amp;aacute;ria tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o cidad&amp;atilde;os que precisam ter acesso aos programas do governo federal. N&amp;atilde;o podemos achar que s&amp;oacute; o Incra tem responsabilidade de resolver essas quest&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; O MST diz que o governo federal possui um teto de at&amp;eacute; R$ 100 mil para desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es de terras. Os Sem-Terra alegam que isso faz com que 90% das propriedades permane&amp;ccedil;am intoc&amp;aacute;veis.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada que defina a exist&amp;ecirc;ncia de um teto de R$ 100 mil. Mas &amp;eacute; verdade que, quando se vai desapropriar uma terra, o custo dela interessa. Quando o poder p&amp;uacute;blico vai desapropriar uma &amp;aacute;rea para construir uma escola ou fazer um projeto habitacional, o pre&amp;ccedil;o da terra &amp;eacute; levado em considera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E, eventualmente, se a terra &amp;eacute; muito cara, se opta por outro lugar. Na reforma agr&amp;aacute;ria n&amp;atilde;o pode ser diferente. O valor por hectare e o custo por fam&amp;iacute;lia assentada s&amp;atilde;o elementos importantes. O administrador precisa zelar pelo princ&amp;iacute;pio da economicidade. Isso n&amp;atilde;o significa dizer que se v&amp;aacute; deixar de comprar terras. Mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o iremos comprar terras que custem R$ 30 mil por hectare. Assim como n&amp;atilde;o iremos comprar uma propriedade que custe R$ 2 mil por hectare e jogar as fam&amp;iacute;lias num local onde n&amp;atilde;o h&amp;aacute; estrada, &amp;aacute;gua ou luz. &amp;Eacute; preciso bom senso.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; O que encarece o custo das desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; H&amp;aacute; um processo de encarecimento do pre&amp;ccedil;o da terra no Brasil. Precisamos que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona a medida provis&amp;oacute;ria que estabeleceu que os juros compensat&amp;oacute;rios de uma terra desapropriada seriam de 6% e n&amp;atilde;o de 12% &amp;ndash; fixados por uma jurisprud&amp;ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a. Nenhum fundo de investimento remunera a esse valor. O Judici&amp;aacute;rio brasileiro estabelece juros compensat&amp;oacute;rios numa desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras que remunera muito mais do que qualquer aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o no sistema financeiro. &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel especular muito mais tendo uma terra desapropriada do que no mercado financeiro. Isso &amp;eacute; um absurdo. O governo, h&amp;aacute; muitos anos, fez uma medida provis&amp;oacute;ria fixando os juros em 6% e houve uma Adin que foi acolhida pelo STF em car&amp;aacute;ter liminar. Continua-se pagando juros compensat&amp;oacute;rios de 12% e o julgamento do m&amp;eacute;rito &amp;eacute; aguardado h&amp;aacute; mais de 10 anos. Isso impacta o or&amp;ccedil;amento do Incra. Quando o propriet&amp;aacute;rio de uma terra n&amp;atilde;o concorda com a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra, o Judici&amp;aacute;rio demora cinco anos para decidir quanto &amp;eacute; o pre&amp;ccedil;o de uma terra desapropriada. Nesse meio tempo, o governo fica pagando 12% de juros compensat&amp;oacute;rios. &amp;Eacute; &amp;oacute;bvio que isso diminui a capacidade do Estado brasileiro de desapropriar &amp;aacute;reas para fins de reforma agr&amp;aacute;ria. O or&amp;ccedil;amento n&amp;atilde;o &amp;eacute; um el&amp;aacute;stico que pode ser esticado. Precisamos que o Supremo julgue essa Adin. Se a taxa Selic est&amp;aacute; em 9%, por que os juros compensat&amp;oacute;rios s&amp;atilde;o 12%?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Qual sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre PEC 215, que transfere para o Congresso Nacional a titula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras ind&amp;iacute;genas?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe&lt;/strong&gt; &amp;ndash; A PEC 215 &amp;eacute; uma rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos setores mais retr&amp;oacute;grados e conservadores que querem impedir o reconhecimento por parte do Estado brasileiro dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. Temos uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o contr&amp;aacute;ria a essa PEC e defendemos a constitucionalidade do decreto que regulamenta a demarca&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o reconhecimento dos territ&amp;oacute;rios quilombolas, que est&amp;aacute; sendo julgado pelo STF. A turma da casa grande, que sempre defendeu a preda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s por uma elite minorit&amp;aacute;ria, articulou a PEC 215 para impedir que o Estado brasileiro reconhe&amp;ccedil;a os direitos dos quilombolas e dos povos ind&amp;iacute;genas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21&lt;/strong&gt; &amp;ndash; H&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m a PEC do trabalho escravo, que prop&amp;otilde;e o confisco das propriedades que utilizem m&amp;atilde;o de obra escrava.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Pepe &lt;/strong&gt;&amp;ndash; Queremos que seja aprovada. O trabalho escravo &amp;eacute; uma abomina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Quem utiliza trabalho escravo na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o precisa ter suas terras desapropriadas para que elas cumpram uma fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Wed, 16 May 2012 01:21:50 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Júlio Barbosa é reeleito para a Secretaria Nacional de Meio Ambiente do PT</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=232097</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/232116&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o aconteceu durante o Encontro Nacional de Meio Ambiente realizado em 28 e 29 de abril, em Bras&amp;iacute;lia&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O atual secret&amp;aacute;rio nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT, J&amp;uacute;lio Barbosa, foi reeleito para o cargo pelos delegados que participaram do encontro nacional realizado nos dias 28 e 29 de abril, em Bras&amp;iacute;lia.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos votos do Encontro Nacional de Meio Ambiente aconteceu nesta ter&amp;ccedil;a-feira (15) na sede do PT Nacional em Bras&amp;iacute;lia e obteve o seguinte resultado:&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Candidato&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;J&amp;uacute;lio Barbosa &amp;ndash; 56 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;F&amp;aacute;bio Barros &amp;ndash; 37 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Brancos &amp;ndash; 1 voto&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Total: 94 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Chapas&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Um PT ecossocialista e democr&amp;aacute;tico para um brasil sustent&amp;aacute;vel &amp;ndash; 53 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Meio ambiente: socialista, democr&amp;aacute;tico e solid&amp;aacute;rio &amp;ndash; 34 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Brancos &amp;ndash; 6 votos&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nulos &amp;ndash; 1 voto&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Total &amp;ndash; 94 votos&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Do site do &lt;a href=&quot;http://www.pt.org.br/noticias/view/julio_barbosa_reeleito_para_a_secretaria_nacional_de_meio_ambiente_do_pt&quot;&gt;PT&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O atual secret&amp;aacute;rio nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT, J&amp;uacute;lio Barbosa, foi reeleito para o cargo pelos delegados que participaram do encontro nacional realizado nos dias 28 e 29 de abril, em Bras&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos votos do Encontro Nacional de Meio Ambiente aconteceu nesta ter&amp;ccedil;a-feira (15) na sede do PT Nacional em Bras&amp;iacute;lia e obteve o seguinte resultado:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Candidato:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&amp;uacute;lio Barbosa &amp;ndash; 56 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;F&amp;aacute;bio Barros &amp;ndash; 37 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Brancos &amp;ndash; 1 voto&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Total: 94 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Chapas:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um PT ecossocialista e democr&amp;aacute;tico para um brasil sustent&amp;aacute;vel &amp;ndash; 53 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meio ambiente: socialista, democr&amp;aacute;tico e solid&amp;aacute;rio &amp;ndash; 34 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Brancos &amp;ndash; 6 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nulos &amp;ndash; 1 voto&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Total &amp;ndash; 94 votos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Tue, 15 May 2012 22:41:35 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Dirigentes da Cúpula dos Povos criticam Rio+20 e economia verde</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=232063</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/232093&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ap&amp;oacute;s tr&amp;ecirc;s dias de reuni&amp;atilde;o no Rio de Janeiro, encerrada no domingo (13), o Grupo de Articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o Internacional do Comit&amp;ecirc; Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20, respons&amp;aacute;vel pela organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da C&amp;uacute;pula dos Povos, divulgou um documento no qual critica com veem&amp;ecirc;ncia o processo de negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es em torno da confer&amp;ecirc;ncia da ONU e rejeita o conceito de economia verde na forma como ele vem sendo apropriado pelos governos e grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es transnacionais. Ao fim do encontro, que contou com cerca de cem pessoas e 40 redes de todo o mundo, tamb&amp;eacute;m foi anunciada para 5 de junho (Dia do Meio Ambiente) a primeira grande mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional da C&amp;uacute;pula dos Povos, com protestos de rua em diversos pa&amp;iacute;ses.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Diretora para a Am&amp;eacute;rica Latina da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ETC e experiente representante da sociedade civil nas discuss&amp;otilde;es ambientais promovidas pela ONU, a mexicana Silvia Ribeiro resume a insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos ambientalistas. &amp;ldquo;A um m&amp;ecirc;s da Rio+20, n&amp;atilde;o vemos resultados positivos e estamos muito preocupados com o que se passa nas negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es oficiais, pois n&amp;atilde;o se est&amp;aacute; realmente encarando os problemas mais graves. Vinte anos depois da Rio-92, os problemas ambientais e sociais e a eros&amp;atilde;o da biodiversidade est&amp;atilde;o piores. Ademais, estamos frente a uma grande crise econ&amp;ocirc;mica e financeira que tem produzido maiores diferen&amp;ccedil;as e mais desigualdade social, iniquidade e desemprego. Nesse contexto, em vez de se falar em desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel est&amp;aacute; se falando em economia verde, que por sua vez est&amp;aacute; toda assentada nos mecanismos de mercado&amp;rdquo;, lamenta.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Silvia afirma que &amp;ldquo;economia verde &amp;eacute; um nome enganoso&amp;rdquo; e denuncia que a Rio+20 parece mais empenhada em criar uma nova estrutura de governan&amp;ccedil;a mundial para gerenciar essa proposta do que em encontrar solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es reais para os problemas da humanidade e do planeta. &amp;ldquo;O que nos preocupa &amp;eacute; que a economia verde vai nos levar a uma maior mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aspectos fundamentais da natureza. Quem vai se beneficiar com essas medidas s&amp;atilde;o fundamentalmente as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es transnacionais, as mesmas que s&amp;atilde;o respons&amp;aacute;veis pela atual crise econ&amp;ocirc;mica e ambiental. A nova estrutura de governan&amp;ccedil;a proposta inclui ag&amp;ecirc;ncias da ONU e o Banco Mundial e certamente privilegiar&amp;aacute; interesses de mercado em lugar de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para realmente encarar o problema socioambiental&amp;rdquo;, diz.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ex-representante do governo da Bol&amp;iacute;via na ONU e um dos principais organizadores da Confer&amp;ecirc;ncia dos Povos sobre Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas realizada h&amp;aacute; dois anos em Cochabamba, Pablo Sol&amp;oacute;n mostrou fotos, tiradas na semana passada, de 1,5 mil pelicanos e 887 golfinhos mortos encontrados em praias do Peru e do norte do Chile: &amp;ldquo;A explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cientistas &amp;eacute; que as mudan&amp;ccedil;as na cadeia alimentar provocadas pelo aquecimento das &amp;aacute;guas do Pac&amp;iacute;fico provocaram essas mortes. Estamos vivendo atualmente um &amp;lsquo;ecoc&amp;iacute;dio&amp;rsquo;. No futuro, poder&amp;atilde;o n&amp;atilde;o ser golfinhos e pelicanos, mas pessoas a morrerem em decorr&amp;ecirc;ncia do aquecimento global.&amp;rdquo;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sol&amp;oacute;n, que hoje atua como dirigente da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Focus on the Global South, tamb&amp;eacute;m criticou a economia verde e os rumos que est&amp;atilde;o sendo dados at&amp;eacute; aqui para a Rio+20: &amp;ldquo;O que prop&amp;otilde;em os governos para enfrentar esse &amp;lsquo;ecoc&amp;iacute;dio&amp;rsquo;? Prop&amp;otilde;em fazermos mais neg&amp;oacute;cios com os cr&amp;eacute;ditos de carbono. A economia verde prop&amp;otilde;e generalizar o neg&amp;oacute;cio dos certificados de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das emiss&amp;otilde;es, os chamados cr&amp;eacute;ditos de carbono. Mas, estes n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o nada mais do que uma permiss&amp;atilde;o para que as empresas do Norte descumpram seus compromissos de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gases de efeito estufa e sigam contaminando o planeta&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O boliviano disse que os integrantes da C&amp;uacute;pula dos Povos querem que sejam respeitados os ciclos vitais da natureza. &amp;ldquo;Que os governos do Norte reduzam substancialmente suas emiss&amp;otilde;es, n&amp;atilde;o em 2020 como querem, mas agora. Queremos que os pa&amp;iacute;ses emergentes, como China, Brasil, &amp;Iacute;ndia e &amp;Aacute;frica do Sul n&amp;atilde;o sigam o mesmo caminho de destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o imposto pelos EUA e pela Europa e que nos tem levado a esta situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Queremos outro futuro para a humanidade e para a natureza&amp;rdquo;, disse.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Agroneg&amp;oacute;cio e EUA&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A canadense Nettie Wiebe, que &amp;eacute; dirigente da Via Campesina e agricultora familiar em seu pa&amp;iacute;s, reafirmou as bandeiras comuns do movimento campon&amp;ecirc;s. &amp;ldquo;Somos contra todo esse conceito de economia verde que quer mercantilizar e privatizar os bens comuns e a natureza. Lutamos para reconquistar o direito &amp;agrave;s sementes e &amp;agrave; terra pelos pequenos agricultores do mundo&amp;rdquo;, disse.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Nettie afirmou que os problemas vividos pelos pequenos agricultores hoje s&amp;atilde;o muito parecidos no Brasil, no Canad&amp;aacute; ou na &amp;Iacute;ndia: &amp;ldquo;O problema principal que estamos vivendo &amp;eacute; a privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo avan&amp;ccedil;o do agroneg&amp;oacute;cio, pelo controle das sementes e pela forma como as grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;atilde;o cada vez mais controlando a agricultura e tornando invi&amp;aacute;vel a pequena agricultura&amp;rdquo;, disse.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A dirigente da Via Campesina prometeu uma &amp;ldquo;participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em massa&amp;rdquo; dos militantes da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o na C&amp;uacute;pula dos Povos. &amp;ldquo;Temos as propostas para que possamos sair dessa crise e fazer um manejo mais sustent&amp;aacute;vel do planeta. Vamos participar em massa da C&amp;uacute;pula dos Povos, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; para denunciar como nossas comunidades est&amp;atilde;o sendo afetadas por essas m&amp;uacute;ltiplas crises, mas tamb&amp;eacute;m para propor solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Sabemos muito bem que para superar essa crise clim&amp;aacute;tica que estamos vivendo &amp;eacute; preciso diversidade biol&amp;oacute;gica. Quem mais protege as sementes e a natureza &amp;eacute; a pequena agricultura&amp;rdquo;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A norte-americana Cindy Wiesner, dirigente da Alian&amp;ccedil;a Popular pela Justi&amp;ccedil;a Global, afirmou sua preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do governo dos EUA no que diz respeito &amp;agrave;s negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es ambientais internacionais: &amp;ldquo;A C&amp;uacute;pula dos Povos ser&amp;aacute; o espa&amp;ccedil;o para falarmos sobre os limites da Terra. Queremos que nosso governo assuma responsabilidades e, particularmente, queremos influenciar a delega&amp;ccedil;&amp;atilde;o oficial dos EUA, que vir&amp;aacute; &amp;agrave; Rio+20 muitas vezes representando os interesses das grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, os interesses de 1% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Cindy tamb&amp;eacute;m pretende &amp;ldquo;apresentar ao mundo&amp;rdquo; os muitas vezes ignorados conflitos socioambientais que acontecem em seu pa&amp;iacute;s. &amp;ldquo;Nos EUA se est&amp;aacute; sentindo muito profundamente a crise econ&amp;ocirc;mica e ecol&amp;oacute;gica. Nas classes oper&amp;aacute;rias e marginalizadas e, sobretudo, nas comunidades latinas, asi&amp;aacute;ticas, ind&amp;iacute;genas e afro-descendentes. Os EUA, que basicamente tratam de dominar ao resto do mundo com guerras e ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, agora querem fazer isso a partir do manejo do capitalismo verde. Traremos l&amp;iacute;deres de diferentes frentes de luta dentro dos EUA para poder compartilhar ideias com movimentos internacionais e procurar sa&amp;iacute;das globais para essa crise&amp;rdquo;, diz.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Toda a articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional mobilizada a partir da C&amp;uacute;pula dos Povos passar&amp;aacute; por um teste no Dia do Meio Ambiente (5 de junho), para quando est&amp;atilde;o sendo convocadas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es e protestos contra a economia verde em todo o mundo. &amp;ldquo;Vamos dar um recado nas ruas para os governos e as sociedades em todas as partes do mundo. Seremos milhares de pessoas nas ruas, com um compromisso contundente contra o capitalismo esverdeado&amp;rdquo;, afirma a brasileira Tica Moreno, dirigente da Marcha Mundial das Mulheres.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Tica aposta no sucesso desta mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tamb&amp;eacute;m do evento que come&amp;ccedil;ar&amp;aacute; dias depois no Rio de Janeiro. &amp;ldquo;A C&amp;uacute;pula dos Povos &amp;eacute; parte de um processo de luta e resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; expans&amp;atilde;o da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida em todo o mundo. Ser&amp;aacute; o momento de dizermos basta ao machismo, ao capitalismo e ao racismo e apontarmos a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para depois da Rio+20&amp;rdquo;. Segundo Tica, os movimentos organizados que comp&amp;otilde;em a C&amp;uacute;pula dos Povos ir&amp;atilde;o levar ao Rio cerca de 18 mil militantes: &amp;ldquo;Teremos representantes das mulheres, dos camponeses, dos ind&amp;iacute;genas, dos quilombolas, da juventude e do movimento negro. Vamos afirmar a economia solid&amp;aacute;ria, a soberania alimentar e a agroecologia como estrat&amp;eacute;gicas para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo paradigma&amp;rdquo;.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: transparent;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Por Maur&amp;iacute;cio Thuswohl, p&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;ublicado no site da &lt;a href=&quot;http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2012/05/dirigentes-da-cupula-dos-povos-criticam-rio-20-e-economia-verde&quot;&gt;Rede Brasil Atual&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ap&amp;oacute;s tr&amp;ecirc;s dias de reuni&amp;atilde;o no Rio de Janeiro, encerrada no domingo (13), o Grupo de Articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o Internacional do Comit&amp;ecirc; Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20, respons&amp;aacute;vel pela organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da C&amp;uacute;pula dos Povos, divulgou um documento no qual critica com veem&amp;ecirc;ncia o processo de negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es em torno da confer&amp;ecirc;ncia da ONU e rejeita o conceito de economia verde na forma como ele vem sendo apropriado pelos governos e grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es transnacionais. Ao fim do encontro, que contou com cerca de cem pessoas e 40 redes de todo o mundo, tamb&amp;eacute;m foi anunciada para 5 de junho (Dia do Meio Ambiente) a primeira grande mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional da C&amp;uacute;pula dos Povos, com protestos de rua em diversos pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Diretora para a Am&amp;eacute;rica Latina da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ETC e experiente representante da sociedade civil nas discuss&amp;otilde;es ambientais promovidas pela ONU, a mexicana Silvia Ribeiro resume a insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos ambientalistas. &amp;ldquo;A um m&amp;ecirc;s da Rio+20, n&amp;atilde;o vemos resultados positivos e estamos muito preocupados com o que se passa nas negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es oficiais, pois n&amp;atilde;o se est&amp;aacute; realmente encarando os problemas mais graves. Vinte anos depois da Rio-92, os problemas ambientais e sociais e a eros&amp;atilde;o da biodiversidade est&amp;atilde;o piores. Ademais, estamos frente a uma grande crise econ&amp;ocirc;mica e financeira que tem produzido maiores diferen&amp;ccedil;as e mais desigualdade social, iniquidade e desemprego. Nesse contexto, em vez de se falar em desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel est&amp;aacute; se falando em economia verde, que por sua vez est&amp;aacute; toda assentada nos mecanismos de mercado&amp;rdquo;, lamenta.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Silvia afirma que &amp;ldquo;economia verde &amp;eacute; um nome enganoso&amp;rdquo; e denuncia que a Rio+20 parece mais empenhada em criar uma nova estrutura de governan&amp;ccedil;a mundial para gerenciar essa proposta do que em encontrar solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es reais para os problemas da humanidade e do planeta. &amp;ldquo;O que nos preocupa &amp;eacute; que a economia verde vai nos levar a uma maior mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aspectos fundamentais da natureza. Quem vai se beneficiar com essas medidas s&amp;atilde;o fundamentalmente as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es transnacionais, as mesmas que s&amp;atilde;o respons&amp;aacute;veis pela atual crise econ&amp;ocirc;mica e ambiental. A nova estrutura de governan&amp;ccedil;a proposta inclui ag&amp;ecirc;ncias da ONU e o Banco Mundial e certamente privilegiar&amp;aacute; interesses de mercado em lugar de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para realmente encarar o problema socioambiental&amp;rdquo;, diz.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ex-representante do governo da Bol&amp;iacute;via na ONU e um dos principais organizadores da Confer&amp;ecirc;ncia dos Povos sobre Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas realizada h&amp;aacute; dois anos em Cochabamba, Pablo Sol&amp;oacute;n mostrou fotos, tiradas na semana passada, de 1,5 mil pelicanos e 887 golfinhos mortos encontrados em praias do Peru e do norte do Chile: &amp;ldquo;A explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cientistas &amp;eacute; que as mudan&amp;ccedil;as na cadeia alimentar provocadas pelo aquecimento das &amp;aacute;guas do Pac&amp;iacute;fico provocaram essas mortes. Estamos vivendo atualmente um &amp;lsquo;ecoc&amp;iacute;dio&amp;rsquo;. No futuro, poder&amp;atilde;o n&amp;atilde;o ser golfinhos e pelicanos, mas pessoas a morrerem em decorr&amp;ecirc;ncia do aquecimento global.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sol&amp;oacute;n, que hoje atua como dirigente da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Focus on the Global South, tamb&amp;eacute;m criticou a economia verde e os rumos que est&amp;atilde;o sendo dados at&amp;eacute; aqui para a Rio+20: &amp;ldquo;O que prop&amp;otilde;em os governos para enfrentar esse &amp;lsquo;ecoc&amp;iacute;dio&amp;rsquo;? Prop&amp;otilde;em fazermos mais neg&amp;oacute;cios com os cr&amp;eacute;ditos de carbono. A economia verde prop&amp;otilde;e generalizar o neg&amp;oacute;cio dos certificados de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das emiss&amp;otilde;es, os chamados cr&amp;eacute;ditos de carbono. Mas, estes n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o nada mais do que uma permiss&amp;atilde;o para que as empresas do Norte descumpram seus compromissos de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gases de efeito estufa e sigam contaminando o planeta&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O boliviano disse que os integrantes da C&amp;uacute;pula dos Povos querem que sejam respeitados os ciclos vitais da natureza. &amp;ldquo;Que os governos do Norte reduzam substancialmente suas emiss&amp;otilde;es, n&amp;atilde;o em 2020 como querem, mas agora. Queremos que os pa&amp;iacute;ses emergentes, como China, Brasil, &amp;Iacute;ndia e &amp;Aacute;frica do Sul n&amp;atilde;o sigam o mesmo caminho de destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o imposto pelos EUA e pela Europa e que nos tem levado a esta situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Queremos outro futuro para a humanidade e para a natureza&amp;rdquo;, disse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Agroneg&amp;oacute;cio e EUA&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A canadense Nettie Wiebe, que &amp;eacute; dirigente da Via Campesina e agricultora familiar em seu pa&amp;iacute;s, reafirmou as bandeiras comuns do movimento campon&amp;ecirc;s. &amp;ldquo;Somos contra todo esse conceito de economia verde que quer mercantilizar e privatizar os bens comuns e a natureza. Lutamos para reconquistar o direito &amp;agrave;s sementes e &amp;agrave; terra pelos pequenos agricultores do mundo&amp;rdquo;, disse.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nettie afirmou que os problemas vividos pelos pequenos agricultores hoje s&amp;atilde;o muito parecidos no Brasil, no Canad&amp;aacute; ou na &amp;Iacute;ndia: &amp;ldquo;O problema principal que estamos vivendo &amp;eacute; a privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo avan&amp;ccedil;o do agroneg&amp;oacute;cio, pelo controle das sementes e pela forma como as grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;atilde;o cada vez mais controlando a agricultura e tornando invi&amp;aacute;vel a pequena agricultura&amp;rdquo;, disse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A dirigente da Via Campesina prometeu uma &amp;ldquo;participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em massa&amp;rdquo; dos militantes da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o na C&amp;uacute;pula dos Povos. &amp;ldquo;Temos as propostas para que possamos sair dessa crise e fazer um manejo mais sustent&amp;aacute;vel do planeta. Vamos participar em massa da C&amp;uacute;pula dos Povos, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; para denunciar como nossas comunidades est&amp;atilde;o sendo afetadas por essas m&amp;uacute;ltiplas crises, mas tamb&amp;eacute;m para propor solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Sabemos muito bem que para superar essa crise clim&amp;aacute;tica que estamos vivendo &amp;eacute; preciso diversidade biol&amp;oacute;gica. Quem mais protege as sementes e a natureza &amp;eacute; a pequena agricultura&amp;rdquo;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A norte-americana Cindy Wiesner, dirigente da Alian&amp;ccedil;a Popular pela Justi&amp;ccedil;a Global, afirmou sua preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do governo dos EUA no que diz respeito &amp;agrave;s negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es ambientais internacionais: &amp;ldquo;A C&amp;uacute;pula dos Povos ser&amp;aacute; o espa&amp;ccedil;o para falarmos sobre os limites da Terra. Queremos que nosso governo assuma responsabilidades e, particularmente, queremos influenciar a delega&amp;ccedil;&amp;atilde;o oficial dos EUA, que vir&amp;aacute; &amp;agrave; Rio+20 muitas vezes representando os interesses das grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, os interesses de 1% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Cindy tamb&amp;eacute;m pretende &amp;ldquo;apresentar ao mundo&amp;rdquo; os muitas vezes ignorados conflitos socioambientais que acontecem em seu pa&amp;iacute;s. &amp;ldquo;Nos EUA se est&amp;aacute; sentindo muito profundamente a crise econ&amp;ocirc;mica e ecol&amp;oacute;gica. Nas classes oper&amp;aacute;rias e marginalizadas e, sobretudo, nas comunidades latinas, asi&amp;aacute;ticas, ind&amp;iacute;genas e afro-descendentes. Os EUA, que basicamente tratam de dominar ao resto do mundo com guerras e ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, agora querem fazer isso a partir do manejo do capitalismo verde. Traremos l&amp;iacute;deres de diferentes frentes de luta dentro dos EUA para poder compartilhar ideias com movimentos internacionais e procurar sa&amp;iacute;das globais para essa crise&amp;rdquo;, diz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Toda a articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional mobilizada a partir da C&amp;uacute;pula dos Povos passar&amp;aacute; por um teste no Dia do Meio Ambiente (5 de junho), para quando est&amp;atilde;o sendo convocadas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es e protestos contra a economia verde em todo o mundo. &amp;ldquo;Vamos dar um recado nas ruas para os governos e as sociedades em todas as partes do mundo. Seremos milhares de pessoas nas ruas, com um compromisso contundente contra o capitalismo esverdeado&amp;rdquo;, afirma a brasileira Tica Moreno, dirigente da Marcha Mundial das Mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tica aposta no sucesso desta mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tamb&amp;eacute;m do evento que come&amp;ccedil;ar&amp;aacute; dias depois no Rio de Janeiro. &amp;ldquo;A C&amp;uacute;pula dos Povos &amp;eacute; parte de um processo de luta e resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; expans&amp;atilde;o da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida em todo o mundo. Ser&amp;aacute; o momento de dizermos basta ao machismo, ao capitalismo e ao racismo e apontarmos a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para depois da Rio+20&amp;rdquo;. Segundo Tica, os movimentos organizados que comp&amp;otilde;em a C&amp;uacute;pula dos Povos ir&amp;atilde;o levar ao Rio cerca de 18 mil militantes: &amp;ldquo;Teremos representantes das mulheres, dos camponeses, dos ind&amp;iacute;genas, dos quilombolas, da juventude e do movimento negro. Vamos afirmar a economia solid&amp;aacute;ria, a soberania alimentar e a agroecologia como estrat&amp;eacute;gicas para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo paradigma&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Tue, 15 May 2012 22:35:21 GMT</pubDate>
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<title>Kizomba-RJ no coro pelo #VetaDilma</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=231426</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/231445&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Video gravado pelo pessoal da Kizomba do Rio de Janeiro pedindo o veto da presidenta Dilma ao C&amp;oacute;digo &quot;Ruralista&quot;, aprovado na C&amp;acirc;mara dos Deputados. As filmagens foram feitas durante a cerim&amp;ocirc;nia de entrega dos t&amp;iacute;tulos de Doutor Honoris Causa, das cinco universidades p&amp;uacute;blicas do RJ, ao presidente Lula.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Al&amp;eacute;m dos membros da Kizomba-RJ, se uniram ao coro pelo #VetaDilma o ex-ministro do Meio Ambiente e atual secret&amp;aacute;rio estadual do Ambiente, Carlos Minc, o ex-ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, o ator Paulto Betti, a ex-ministra da Secretaria Especial de Pol&amp;iacute;ticas para as Mulheres, Nilc&amp;eacute;ia Freire, o senador&amp;nbsp;Lindberg Farias e claro, a atriz Camila Pitanga, que quebrou o protocolo durante a cerim&amp;ocirc;nia para pedir publicamente o veto &amp;agrave; presidenta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Assista abaixo o video:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/HR2jcaD7gEY&quot; width=&quot;420&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Tue, 15 May 2012 12:02:23 GMT</pubDate>
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<title>Artigo: 15M, um ano depois </title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=231025</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/231033&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Por&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;strong style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Daniel Ravent&amp;oacute;s e Gustavo B&amp;uacute;ster, publicado originalmente no site &lt;a href=&quot;http://www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=4971&quot;&gt;SinPermisso&lt;/a&gt;. Traduzido por Rodrigo Mathias.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Tr&amp;ecirc;s longos anos depois do in&amp;iacute;cio da grande crise econ&amp;ocirc;mica que estamos imersos, um grandioso acontecimento se p&amp;ocirc;s em curso. Em 15 de maio de 2011, h&amp;aacute; um ano, surgiu um movimento social que surpreendeu a quase todos. Grande parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o recebeu a surpresa com grande simpatia. As pesquisas realizadas poucas semanas depois de iniciadas as grandes ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es das ruas e pra&amp;ccedil;as de muitas cidades espanholas, n&amp;atilde;o deixavam d&amp;uacute;vidas a respeito do amplo apoio de grande parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao movimento. Mas se as pesquisas eram esperan&amp;ccedil;osas, as mobiliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es nas ruas eram mais ainda.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Em maio de 2011 tamb&amp;eacute;m completava um ano do grande giro &amp;agrave; direita do governo do PSOE. Aquele giro foi respons&amp;aacute;vel pela debandada de grande parte da base social que o governo ainda possuia e terminou com o fracasso eleitoral&amp;nbsp; do PSOE nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 20 de novembro do ano anterior. Logo ap&amp;oacute;s as elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es diziamos que&amp;nbsp; &amp;ldquo;os resultados (&amp;hellip;) vieram para confirmar que o PSOE sofreu um desastre eleitoral sem prescedentes &amp;ndash; muito superior aos prognosticos das pesquisas &amp;ndash; perdendo cerca de 4 milh&amp;otilde;es e trezentos mil votos, enquanto para o PP do senhor Rajoy bastou ganhar meio milh&amp;atilde;o de votos para conseguir uma maioria parlamentar&amp;rdquo;. Com o novo governo do PP foram aprofundadas radicalmente as contrarreformas que o PSOE havia iniciado alguns meses antes.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Depois dos primeiros momentos de surpresa, o movimento que j&amp;aacute; era conhecido como 15 M foi visto com muita hostilidade por parte dos poderes p&amp;uacute;blicos, que optou pela via opressiva. Foi na Catalunha onde a repress&amp;atilde;o idealizada pelo Conseller Felip Puig adquiriu toda sua magnitude. As imagens da atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o policial no dia 27 de maio de 2011 deram a volta ao mundo. Aquela atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o repressiva foi recebida como uma vit&amp;oacute;ria do movimento, porque a grande presen&amp;ccedil;a popular no local do acampamento (a Pra&amp;ccedil;a da Catalunha), impediu que a policia desalojasse os protestantes. A simpatia popular pelo acampamento aumentou muito depois deste epis&amp;oacute;dio. Logo vieram as gigantescas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 19 de junho. O 15 M havia se tornado um elemento de primeira import&amp;acirc;ncia na din&amp;acirc;mica social e pol&amp;iacute;tica da Espanha. As desqualifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es do movimento feitas por alguns jornalistas, pol&amp;iacute;ticos e acad&amp;ecirc;micos foram ridicularizadas pelos feitos alcan&amp;ccedil;ados pelos manifestantes. Com muita prepot&amp;ecirc;ncia eles atribu&amp;iacute;ram ao movimento a pecha de imaturidade, falta de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sectarismo, etc. Considera&amp;ccedil;&amp;otilde;es que foram rapidamente varridas pelas grandes manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es e pelas iniciativas do pr&amp;oacute;prio movimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Se passou um ano desde o in&amp;iacute;cio dos acampamentos e do nascimento do 15 M. Nos &amp;uacute;ltimos dias apareceram varias reflex&amp;otilde;es nos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o que ainda sobrou daquele movimento. Ser&amp;aacute; que realmente desapareceu o movimento como t&amp;ecirc;m defendido alguns articulistas dos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&amp;nbsp; O 15 M foi para o interior dos bairros neste &amp;uacute;ltimo ano, onde tem amadurecido e recarregado seus motores.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Uma das grandes diferen&amp;ccedil;as a respeito dos &amp;ldquo;programas&amp;rdquo;tirados nas mais diferentes assembleias de um ano atr&amp;aacute;s &amp;eacute; a corre&amp;ccedil;&amp;atilde;o de alguns poucos pontos. Cinco, para ser preciso: 1) Nem um Euro a mais para resgatar os bancos; 2) educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e sa&amp;uacute;de p&amp;uacute;blica de qualidade; 3) n&amp;atilde;o &amp;agrave; precariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho, n&amp;atilde;o &amp;agrave;s reformas; 4) por uma vida digna e com garantias sociais; 5) renda b&amp;aacute;sica universal. Ningu&amp;eacute;m pode alegar que estamos diante de um programa radical. &amp;Eacute; um programa que tenta expressar em poucos pontos as medidas que serviriam para se contrapor &amp;agrave; ofensiva que a Uni&amp;atilde;o Europeia e o governo do Reino da Espanha &amp;ndash; completamente submisso aos mercados &amp;ndash; t&amp;ecirc;m lan&amp;ccedil;ado contra a imensa maioria n&amp;atilde;o-rica da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;atilde;o cinco pontos defensivos &amp;ndash; quase higi&amp;ecirc;nicos &amp;ndash; que, se podem parecer radicais &amp;eacute; pela oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; barb&amp;aacute;rie econ&amp;ocirc;mica e social desencadeada contra a grande maioria da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o desde maio de 2010.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Outra grande diferen&amp;ccedil;a em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao in&amp;iacute;cio do movimento &amp;eacute; uma maior aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o com organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es que n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o diretamente ligadas ao 15M. Cabe aqui um destaque especial &amp;agrave; aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos sindicatos CCOO e UGT. A participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do 15M na greve geral do &amp;uacute;ltimo 29 de mar&amp;ccedil;o, convocada por estes e outros sindicatos, foi muito evidente em algumas cidades. Existem muitas desconfian&amp;ccedil;as &amp;ndash; e algumas atitudes demasiadamente cuidadosas do CCOO e UGT n&amp;atilde;o ajudam a romp&amp;ecirc;-las &amp;ndash; por&amp;eacute;m o estranhamento de parte a parte diminuiu bastante. O terceiro ponto do &amp;ldquo;programa&amp;rdquo;antes mencionado, o ponto contrario &amp;agrave; reforma trabalhista e &amp;agrave; precariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; um ponto em comum com as reivindica&amp;ccedil;&amp;otilde;es da greve geral de mar&amp;ccedil;o. Alguns ativistas do 15M defendem que, mesmo que existam muitas discord&amp;acirc;ncias com os sindicatos majorit&amp;aacute;rios, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio que os movimentos lutem juntos pelos objetivos comuns, mesmo que por caminhos separados. Assim tamb&amp;eacute;m pensam muitos sindicalistas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O 15M voltou &amp;agrave; cena. O n&amp;uacute;mero de pessoas presentes nas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es do &amp;uacute;ltimo s&amp;aacute;bado, 12 de maio, foram espetaculares. A Pra&amp;ccedil;a Catalunya, em Barcelona, e a Puerta del Sol, em Madri, tem sido cen&amp;aacute;rios de um grande n&amp;uacute;mero de atos. Isso tamb&amp;eacute;m tem acontecido em outras pra&amp;ccedil;as ao redor do pa&amp;iacute;s e pela Europa. Assembleias onde se fala de diferentes aspectos dos cinco pontos program&amp;aacute;ticos que destacamos acima.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Seria pretensioso apontar alguma previs&amp;atilde;o sobre como evolu&amp;iacute;ram os acontecimentos e haver&amp;aacute; tempo para o movimento fazer seu balan&amp;ccedil;o e ajustar seu rumo. Enquanto isso, desfrutemos do ar fresco que representou e est&amp;aacute; representando este grande movimento social que ocupa as pra&amp;ccedil;as de muitas cidades. Uma coisa &amp;eacute; certa: o 15M veio para ficar e est&amp;aacute; conseguindo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;*Daniel Ravent&amp;oacute;s y Gustavo B&amp;uacute;ster son membros do Comit&amp;ecirc; de Reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do site SinPermiso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Mon, 14 May 2012 16:27:07 GMT</pubDate>
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<title>CSD lança candidatura de Lourenço à presidência da CUT-AL</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=230886</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/230905&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Com a presen&amp;ccedil;a de cerca de 400 sindicalistas, de mais de 20 sindicatos de todo o estado, foi lan&amp;ccedil;ada a candidatura do companheiro C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;agrave; presid&amp;ecirc;ncia da CUT/AL. A principal bandeira da candidatura Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; radicaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da democracia no interior da Central, para que ela seja cada vez mais um instrumento de luta contra as oligarquias que mandam e desmandam dentro do estado.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Al&amp;eacute;m da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos/das companheiros/as da EPS, que comp&amp;otilde;e a chapa, tamb&amp;eacute;m participaram do evento os deputados estaduais do PT Judson Cabral e Ronaldo Medeiros.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; presidente do SINDPREV/AL, Vice Presidente da CUT, membro da CNTSS e tem mais de 30 anos de hist&amp;oacute;ria na luta dos trabalhadores. Leia abaixo o manifesto de lan&amp;ccedil;amento da candidatura do companheiro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Por uma CUT AL democr&amp;aacute;tica e popular&lt;span style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt; &amp;nbsp;&lt;span style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Alagoas tem os piores &amp;iacute;ndices sociais do pa&amp;iacute;s, acentuados pela centraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do poder politico e econ&amp;ocirc;mico em um &amp;uacute;nico setor, o sucroalcooleiro, essas marcas geram ainda mais atraso em nosso desenvolvimento. N&amp;atilde;o fosse pelas pol&amp;iacute;ticas sociais dos Governos Lula/Dilma, Alagoas estaria em uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de total e completo abandono das camadas m&amp;eacute;dias e populares.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O desenho geopol&amp;iacute;tico de concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrema de renda por uma minoria cria na outra ponta da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social alagoana bols&amp;otilde;es de pobreza e baixos n&amp;iacute;veis de empregabilidade em nossas cidades, em especial as do interior do Estado, as quais dependem em sua maioria da sazonalidade da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cana de a&amp;ccedil;&amp;uacute;car. Na capital nossa economia gira, fundamentalmente, em torno do setor de servi&amp;ccedil;os.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Assim, trabalhadoras e trabalhadores submetem-se as quaisquer condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de trabalho impostas por seus patr&amp;otilde;es, chegando &amp;agrave; &amp;iacute;ndices de semiescravid&amp;atilde;o, em tempos modernos. A Central &amp;Uacute;nica dos Trabalhadores deve combater com todas as for&amp;ccedil;as essa realidade, e reafirmar sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de principal instrumento de luta e resist&amp;ecirc;ncia.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A CUT s&amp;oacute; ser&amp;aacute; de fato este instrumento se colocar na trincheira de luta contra as oligarquias que mandam e desmandam no Estado de Alagoas, fortalecendo suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com os movimentos sociais do campo e da cidade e de juventude. Em um estado agr&amp;aacute;rio como o nosso, priorizar o fortalecimento dos trabalhadores rurais dentro e fora da CUT &amp;eacute; essencial.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;S&amp;oacute; conseguiremos avan&amp;ccedil;ar nesse sentido alterando o atual modelo de gest&amp;atilde;o da Central. &amp;Eacute; preciso radicalizar na democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o interna a fim de garantir o funcionamento pleno de todas as secretarias, para que assim todas as vozes do interior da CUT sejam, de fato, ouvidas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; o melhor nome para conduzir a Central &amp;Uacute;nica dos Trabalhadores a novos patamares de inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica em Alagoas. Sua hist&amp;oacute;ria dentro do movimento sindical &amp;eacute; sua melhor fiadora. Presidente do SINDPREV/AL, Vice Presidente da CUT, membro da CNTSS, Louren&amp;ccedil;o tem mais de 30 anos de hist&amp;oacute;ria na luta dos trabalhadores.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sua candidatura &amp;eacute; a s&amp;iacute;ntese dos ideais progressistas que comp&amp;otilde;em a CUT, representa a necessidade de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Central, t&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rias ao seu enraizamento nas bases da capital e do interior, cumprindo assim, seu verdadeiro papel de polo de resist&amp;ecirc;ncia da classe trabalhadora alagoana.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Queremos uma CUT que represente n&amp;atilde;o s&amp;oacute; os trabalhadores organizados, mas todos os oprimidos de Alagoas. Queremos uma CUT democr&amp;aacute;tica, popular e atuante. Queremos uma CUT que se oponha de forma intransigente a todos os tipos de opress&amp;atilde;o: machismo, homofobia, racismo e geracional. Queremos uma CUT que se contraponha ao poderio dos usineiros representado no governo tucano de T&amp;eacute;o Vilela.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Com a presen&amp;ccedil;a de cerca de 400 sindicalistas, de mais de 20 sindicatos de todo o estado, foi lan&amp;ccedil;ada, no &amp;uacute;ltimo dia 10, a candidatura do companheiro C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;agrave; presid&amp;ecirc;ncia da CUT/AL. A principal bandeira da candidatura Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; radicaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da democracia no interior da Central, para que ela seja cada vez mais um instrumento de luta contra as oligarquias que mandam e desmandam dentro do estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Al&amp;eacute;m da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos/das companheiros/as da EPS, que comp&amp;otilde;e a chapa, tamb&amp;eacute;m participaram do evento os deputados estaduais do PT Judson Cabral e Ronaldo Medeiros.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que escolhe o novo presidente da entidade, acontece no X Congresso Regional da CUT, em Macei&amp;oacute;, entre os dias 31 de maio, 1&amp;ordm; e 2 de junho.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; presidente do SINDPREV/AL, Vice Presidente da CUT, membro da CNTSS e tem mais de 30 anos de hist&amp;oacute;ria na luta dos trabalhadores. Leia abaixo o manifesto de lan&amp;ccedil;amento da candidatura do companheiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Por uma CUT/AL democr&amp;aacute;tica e popular&lt;span style=&quot;white-space: pre; &quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &amp;nbsp;&lt;span style=&quot;white-space: pre; &quot;&gt; &lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;white-space: pre; &quot;&gt; &lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Alagoas tem os piores &amp;iacute;ndices sociais do pa&amp;iacute;s, acentuados pela centraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do poder politico e econ&amp;ocirc;mico em um &amp;uacute;nico setor, o sucroalcooleiro, essas marcas geram ainda mais atraso em nosso desenvolvimento. N&amp;atilde;o fosse pelas pol&amp;iacute;ticas sociais dos Governos Lula/Dilma, Alagoas estaria em uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de total e completo abandono das camadas m&amp;eacute;dias e populares.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O desenho geopol&amp;iacute;tico de concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrema de renda por uma minoria cria na outra ponta da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social alagoana bols&amp;otilde;es de pobreza e baixos n&amp;iacute;veis de empregabilidade em nossas cidades, em especial as do interior do Estado, as quais dependem em sua maioria da sazonalidade da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cana de a&amp;ccedil;&amp;uacute;car. Na capital nossa economia gira, fundamentalmente, em torno do setor de servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Assim, trabalhadoras e trabalhadores submetem-se as quaisquer condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de trabalho impostas por seus patr&amp;otilde;es, chegando &amp;agrave; &amp;iacute;ndices de semiescravid&amp;atilde;o, em tempos modernos. A Central &amp;Uacute;nica dos Trabalhadores deve combater com todas as for&amp;ccedil;as essa realidade, e reafirmar sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de principal instrumento de luta e resist&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A CUT s&amp;oacute; ser&amp;aacute; de fato este instrumento se colocar na trincheira de luta contra as oligarquias que mandam e desmandam no Estado de Alagoas, fortalecendo suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com os movimentos sociais do campo e da cidade e de juventude. Em um estado agr&amp;aacute;rio como o nosso, priorizar o fortalecimento dos trabalhadores rurais dentro e fora da CUT &amp;eacute; essencial.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;S&amp;oacute; conseguiremos avan&amp;ccedil;ar nesse sentido alterando o atual modelo de gest&amp;atilde;o da Central. &amp;Eacute; preciso radicalizar na democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o interna a fim de garantir o funcionamento pleno de todas as secretarias, para que assim todas as vozes do interior da CUT sejam, de fato, ouvidas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;C&amp;iacute;cero Louren&amp;ccedil;o &amp;eacute; o melhor nome para conduzir a Central &amp;Uacute;nica dos Trabalhadores a novos patamares de inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica em Alagoas. Sua hist&amp;oacute;ria dentro do movimento sindical &amp;eacute; sua melhor fiadora. Presidente do SINDPREV/AL, Vice Presidente da CUT, membro da CNTSS, Louren&amp;ccedil;o tem mais de 30 anos de hist&amp;oacute;ria na luta dos trabalhadores.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Sua candidatura &amp;eacute; a s&amp;iacute;ntese dos ideais progressistas que comp&amp;otilde;em a CUT, representa a necessidade de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Central, t&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rias ao seu enraizamento nas bases da capital e do interior, cumprindo assim, seu verdadeiro papel de polo de resist&amp;ecirc;ncia da classe trabalhadora alagoana.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Queremos uma CUT que represente n&amp;atilde;o s&amp;oacute; os trabalhadores organizados, mas todos os oprimidos de Alagoas. Queremos uma CUT democr&amp;aacute;tica, popular e atuante. Queremos uma CUT que se oponha de forma intransigente a todos os tipos de opress&amp;atilde;o: machismo, homofobia, racismo e geracional. Queremos uma CUT que se contraponha ao poderio dos usineiros representado no governo tucano de T&amp;eacute;o Vilela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Mon, 14 May 2012 14:35:45 GMT</pubDate>
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<title>Dilma escolhe integrantes da Comissão Nacional da Verdade</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=228884</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/228903&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A presidenta Dilma Roussef nomeou, na &amp;uacute;ltima quinta-feira, os integrantes da Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade, que pretende esclarecer viola&amp;ccedil;&amp;otilde;es de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Os membros da comiss&amp;atilde;o ser&amp;atilde;o sete: Jos&amp;eacute; Carlos Dias (ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cl&amp;aacute;udio Fonteles (ex-procurador-geral da Rep&amp;uacute;blica), Paulo S&amp;eacute;rgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e Jos&amp;eacute; Cavalcante Filho (jurista).&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O convite foi feito a cada um pessoalmente pela presidenta, que recebeu os sete membros em audi&amp;ecirc;ncias nesta quinta-feira no Pal&amp;aacute;cio do Planalto. Ainda n&amp;atilde;o h&amp;aacute; informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre quem presidir&amp;aacute; o grupo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo ex-presidente Luiz In&amp;aacute;cio Lula da Silva em dezembro de 2009, a comiss&amp;atilde;o busca trazer &amp;agrave; tona a &quot;verdade hist&amp;oacute;rica&quot; sobre o per&amp;iacute;odo e &quot;promover a reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A comiss&amp;atilde;o ter&amp;aacute; como finalidade &quot;examinar e esclarecer as graves viola&amp;ccedil;&amp;otilde;es de direitos humanos&quot; praticadas entre 1946 e 1988, &quot;a fim de efetivar o direito &amp;agrave; mem&amp;oacute;ria e &amp;agrave; verdade hist&amp;oacute;rica e promover a reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A comiss&amp;atilde;o dever&amp;aacute; ainda encaminhar aos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os p&amp;uacute;blicos competentes todas as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que possam auxiliar na localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de corpos e restos mortais dos 140 desaparecidos pol&amp;iacute;ticos do per&amp;iacute;odo.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Com informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es do site da BBC Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A presidenta Dilma Roussef nomeou, na &amp;uacute;ltima quinta-feira (10), os integrantes da Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade, que pretende esclarecer viola&amp;ccedil;&amp;otilde;es de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. A posse oficial acontecer&amp;aacute; na pr&amp;oacute;xima quarta-feira (16), &amp;agrave;s 11h.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os membros da comiss&amp;atilde;o ser&amp;atilde;o sete: Jos&amp;eacute; Carlos Dias (ex-ministro da Justi&amp;ccedil;a), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cl&amp;aacute;udio Fonteles (ex-procurador-geral da Rep&amp;uacute;blica), Paulo S&amp;eacute;rgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e Jos&amp;eacute; Cavalcante Filho (jurista).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O convite foi feito a cada um pessoalmente pela presidenta, que recebeu os sete membros em audi&amp;ecirc;ncias nesta quinta-feira no Pal&amp;aacute;cio do Planalto. Ainda n&amp;atilde;o h&amp;aacute; informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre quem presidir&amp;aacute; o grupo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo ex-presidente Luiz In&amp;aacute;cio Lula da Silva em dezembro de 2009, a comiss&amp;atilde;o busca trazer &amp;agrave; tona a &quot;verdade hist&amp;oacute;rica&quot; sobre o per&amp;iacute;odo e &quot;promover a reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A comiss&amp;atilde;o ter&amp;aacute; como finalidade &quot;examinar e esclarecer as graves viola&amp;ccedil;&amp;otilde;es de direitos humanos&quot; praticadas entre 1946 e 1988, &quot;a fim de efetivar o direito &amp;agrave; mem&amp;oacute;ria e &amp;agrave; verdade hist&amp;oacute;rica e promover a reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A comiss&amp;atilde;o dever&amp;aacute; ainda encaminhar aos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os p&amp;uacute;blicos competentes todas as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que possam auxiliar na localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de corpos e restos mortais dos 140 desaparecidos pol&amp;iacute;ticos do per&amp;iacute;odo.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Conhe&amp;ccedil;a a biografia dos integrantes da Comiss&amp;atilde;o da Verdade:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Claudio Fontele&lt;/strong&gt; &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Graduou-se em Direito pela Universidade de Bras&amp;iacute;lia (1969).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mestrado em Direito pela Universidade de Bras&amp;iacute;lia (1983).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ingressou no Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico Federal em 1973.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Exerceu o cargo de Procurador-Geral da Rep&amp;uacute;blica de 2003 a 2005. &amp;nbsp;Foi indicado para o cargo pelo presidente da Rep&amp;uacute;blica, Luiz In&amp;aacute;cio Lula da Silva.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Como subprocurador-geral da Rep&amp;uacute;blica, grau mais alto da carreira, atuou no Supremo Tribunal Federal na &amp;aacute;rea criminal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Coordenou a C&amp;acirc;mara Criminal (1991) e a antiga Secretaria de Defesa dos Direitos Individuais e Interesses Difusos - Secodid (1987).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Foi presidente do Conselho Penitenci&amp;aacute;rio do Distrito Federal (1983-1985).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Exerceu o magist&amp;eacute;rio por quase 40 anos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Atuou politicamente como secundarista e universit&amp;aacute;rio, tendo sido membro da AP (A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Popular), movimento estudantil ligado &amp;agrave; esquerda cat&amp;oacute;lica que comandou a UNE na d&amp;eacute;cada de 60.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, tendo se destacado, anteriormente, na luta pela demarca&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras ind&amp;iacute;genas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Atualmente, dedica-se a trabalhos de assist&amp;ecirc;ncia social e ao estudo da Teologia. Cat&amp;oacute;lico, &amp;eacute; membro leigo da Ordem de S&amp;atilde;o Francisco.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Gilson Dipp &amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ministro do STJ e do TSE&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Bacharel em Ci&amp;ecirc;ncias Jur&amp;iacute;dicas e Sociais, Diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1968.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ministro do Superior Tribunal de Justi&amp;ccedil;a desde 1998.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Membro da Corte Especial, do Conselho de Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da Comiss&amp;atilde;o de Jurisprud&amp;ecirc;ncia do STJ.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ministro do TSE desde2011.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Presidente da Comiss&amp;atilde;o de Juristas com a finalidade de elaborar o anteprojeto do C&amp;oacute;digo Penal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Principais Atividades Exercidas:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Juiz do Tribunal Regional Federal da 4&amp;ordf; Regi&amp;atilde;o &amp;ndash; 1989.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Membro do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio Grande do Sul &amp;ndash; 1995/1997.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Presidente do TRF da 4&amp;ordf; Regi&amp;atilde;o &amp;ndash; 1993/1995.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Corregedor Nacional de Justi&amp;ccedil;a - Bi&amp;ecirc;nio 2008/2010.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Jos&amp;eacute; Carlos Dias&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Advogado criminalista e pol&amp;iacute;tico brasileiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Graduado em direito pela Universidade de S&amp;atilde;o Paulo (USP).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Exerceu as seguintes fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas:&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Presidente da Comiss&amp;atilde;o de Justi&amp;ccedil;a e Paz de S&amp;atilde;o Paulo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Secret&amp;aacute;rio da Justi&amp;ccedil;a do estado de S&amp;atilde;o Paulo durante o governo de Franco Montoro &amp;ndash; 1983/1987.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ministro da Justi&amp;ccedil;a durante o governo Fernando Henrique Cardoso &amp;ndash; julho de 1999/abril de 2000.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Foi Conselheiro da Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Advogados de S&amp;atilde;o Paulo, da Ordem dos Advogados do Brasil, sec&amp;ccedil;&amp;atilde;o de S&amp;atilde;o Paulo, tendo presidido a banca de Direito Penal e Processual Penal em v&amp;aacute;rios exames da Ordem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Foi Presidente do Conselho Superior de Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o do &amp;ndash; Instituto Latino Americano das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas para a Preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Delito e Tratamento do Delinq&amp;uuml;ente (Ilanud).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Coordenou a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do programa do Governo Montoro na &amp;aacute;rea de Justi&amp;ccedil;a e Seguran&amp;ccedil;a. Durante a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tal trabalho, em 1982, participou de uma programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o organizada pela Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Konrad Adenauer, em v&amp;aacute;rias cidades da Alemanha, juntamente com outros assessores do ent&amp;atilde;o candidato a Governador de S&amp;atilde;o Paulo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Atualmente, &amp;eacute; s&amp;oacute;cio do escrit&amp;oacute;rio &quot;Dias e Carvalho Filho - Advogados&quot;, conselheiro da Comiss&amp;atilde;o Justi&amp;ccedil;a e Paz de S&amp;atilde;o Paulo e membro do conselho curador da Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Padre Anchieta.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; conselheiro da Comiss&amp;atilde;o Justi&amp;ccedil;a e Paz tendo sido membro efetivo e Presidente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; membro do Conselho Curador da Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Padre Anchieta &amp;ndash; Centro Paulista de R&amp;aacute;dio e TV Educativas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; autor de dois livros de poesia &amp;ndash; Miragens do meu Deserto (1957) e Vozes Perdidas (1957).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Jos&amp;eacute; Paulo Cavalcanti Filho&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Advogado no Recife, escritor e consultor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Consultor da Unesco e do Banco Mundial.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ex-Presidente do CADE &amp;ndash; 1985/1986.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ex-Ministro Interino da Justi&amp;ccedil;a no governo Jos&amp;eacute; Sarney .&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ex-Secret&amp;aacute;rio-Geral do minist&amp;eacute;rio da Justi&amp;ccedil;a no governo Jos&amp;eacute; Sarney.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ocupa a cadeira 27 da Academia Pernambucana de Letras.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Acaba de ganhar o t&amp;iacute;tulo de livro do ano, no Pr&amp;ecirc;mio Bras&amp;iacute;lia de Literatura, promovido pela 1&amp;ordf; Bienal do Livro e da Leitura, na categoria biografia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Obra: Fernando Pessoa &amp;ndash; Uma quase autobiografia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Maria Rita Kehl&lt;/strong&gt; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Psicanalista, ensa&amp;iacute;sta, cr&amp;iacute;tica liter&amp;aacute;ria, poetisa e cronista brasileira.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Formada em psicologia pela USP.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em 1979, cursou mestrado em psicologia social e sua disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o recebeu o t&amp;iacute;tulo de &quot;O Papel da Rede Globo e das Novelas da Globo em Domesticar o Brasil Durante a Ditadura Militar&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em 1997 doutorou-se em psican&amp;aacute;lise pela PUC-SP com uma pesquisa que resultou no livro Deslocamentos do Feminino - A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (Imago Editora, 1998).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em 2010, foi vencedora do Pr&amp;ecirc;mio Jabuti de Literatura na categoria &quot;Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, Psicologia e Psican&amp;aacute;lise&quot; com o livro O Tempo e o C&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Editora do Jornal Movimento, um dos mais importantes nomes do jornalismo alternativo durante o regime militar no Brasil ao lado do Opini&amp;atilde;o e d&amp;rsquo;O Pasquim.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Teve participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do jornal Em Tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Escreveu como jornalista freelancer para meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o como Veja, Isto&amp;Eacute; e Folha de S. Paulo, al&amp;eacute;m de coluna quinzenal no Caderno 2, em O Estado de S. Paulo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Paulo S&amp;eacute;rgio de Moraes Sarmento Pinheiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Professor de Ci&amp;ecirc;ncia Pol&amp;iacute;tica, escritor e consultor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Livre-docente pela Universidade de S&amp;atilde;o Paulo, USP, Brasil.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Doutorado em Troisi&amp;eacute;me Cycle, Doctoral &amp;egrave;s &amp;eacute;tudes politiques. Universit&amp;eacute; Paris 1 (Panth&amp;eacute;on-Sorbonne), SORBONNE, Fran&amp;ccedil;a.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em License en Sociologie . Unviersit&amp;eacute; de Vincennes, Paris.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; Coordenador de pesquisa do programa CEPID/FAPESP/N&amp;uacute;cleo de Estudos da Viol&amp;ecirc;ncia, Universidade de S&amp;atilde;o Paulo, USP.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lecionou na Brown University, Columbia University, na Notre Dame University, nos EUA, &amp;nbsp;na Oxford University, na Gr&amp;atilde;-Bretanha e na &amp;Eacute;cole des Hautes &amp;Eacute;tudes en Sciences Sociales, em Paris.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; Comissionado e Relator da Inf&amp;acirc;ncia da Comiss&amp;atilde;o Interamericana de Direitos Humanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;De 2004 a 2007 Foi membro do grupo de consultores internacionais do Comit&amp;ecirc; Internacional da Cruz Vermelha, ICRC, Genebra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em 2003, foi indicado pelo Secret&amp;aacute;rio-Geral da ONU como especialista independente, para preparar um estudo em profundidade sobre viol&amp;ecirc;ncia contra crian&amp;ccedil;as.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Relator Especial da ONU para a Situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Direitos Humanos em Burundi de 1995 a 1998 e em Myanmar de 2000 a 2008.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Secret&amp;aacute;rio Especial dos Direitos Humanos, no governo FHC e relator do Programa Nacional de Direitos Humanos, PNDH, em suas duas primeiras vers&amp;otilde;es em 1996 e 2002.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nomeado em janeiro de 2010 pelo Presidente Lula para representar a sociedade civil num grupo de trabalho de seis membros para preparar um projeto de comiss&amp;atilde;o verdade no Brasil.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Membro do Conselho Curador da Empresa Brasileira de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; EBC.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Rosa Maria Cardoso da Cunha&lt;/strong&gt; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Advogada, professora e escritora&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Graduada pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1969.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mestrado em Direito Penal na &amp;nbsp;Faculdade de Direito da Universidade de S&amp;atilde;o Paulo (anos 70).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Doutorado em Ci&amp;ecirc;ncia Pol&amp;iacute;tica &amp;nbsp;no Instituto Universit&amp;aacute;rio de Pesquisas do Rio de Janeiro- IUPERJ &amp;nbsp;(anos 80). &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Advogada Criminalista desde 1969 ( trabalhando como Solicitadora &amp;nbsp;a partir de 1967).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nos primeiros 10 anos desta atividade a signat&amp;aacute;ria especializou-se na defesa de crimes pol&amp;iacute;ticos, com intensa atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos Estados do Rio de Janeiro, S&amp;atilde;o Paulo e Distrito Federal, onde trabalhou, especialmente, junto ao Superior Tribunal Militar e Supremo Tribunal Federal.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Posteriormente passou &amp;nbsp;a desenvolver atividades em todos os campos da advocacia criminal, com maior destaque nos delitos previstos em legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o especial (crimes contra o meio-ambiente, contra o mercado financeiro, contra a ordem tribut&amp;aacute;ria e a economia popular, contra o consumidor, contra a propriedade industrial e intelectual e delitos praticados pela imprensa).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Membro do Conselho Nacional de Pol&amp;iacute;tica Criminal e Penitenci&amp;aacute;ria (1999/2002).Professora do Curso de Especializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas e Governo do IESP/UERJ (1995/2012). Subsecret&amp;aacute;ria (Secret&amp;aacute;ria Adjunta) de Justi&amp;ccedil;a do Estado do Rio de Janeiro (1991/1994 ).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Professora com concurso e de carreira nas Universidades Federais Fluminense -UFF e Universidade de Santa Catarina das disciplinas Direito Penal, Metodologia da Pesquisa, Epistemologia Jur&amp;iacute;dica e Ci&amp;ecirc;ncia Pol&amp;iacute;tica, onde lecionou em cursos de Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o e P&amp;oacute;s Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o ( 1975/2001 );&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Professora em outras Universidades do Brasil e do exterior (Universidade Nacional de Buenos Aires, Universidade de Belgrano, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Unisinos, Universidade Federal de Santa Maria). Autora de artigos, publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es did&amp;aacute;ticas e livros na &amp;aacute;rea pol&amp;iacute;tica e jur&amp;iacute;dica.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Fri, 11 May 2012 14:58:34 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>A Fonte das Mulheres e a Irreverência Feminista</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=228747</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/228755&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Recentemente assisti ao filme &amp;ldquo;A Fonte das Mulheres&amp;rdquo;, que narra a hist&amp;oacute;ria de uma pequena vila mu&amp;ccedil;ulmana no norte da &amp;Aacute;frica. A trama retrata a seca, o desemprego e o machismo daquele lugar. Ap&amp;oacute;s muitos anos em que a comunidade se viu sob extrema pobreza quase que inerte, as mulheres s&amp;atilde;o as primeiras a se movimentarem contra uma s&amp;eacute;rie de injusti&amp;ccedil;as que reca&amp;iacute;am sobre elas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A hist&amp;oacute;ria mostra uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista centrada no dia a dia daquelas mulheres. S&amp;atilde;o mulheres sofridas, guerreiras; mulheres que trazem consigo a persist&amp;ecirc;ncia e a for&amp;ccedil;a do g&amp;ecirc;nero feminino em contraponto ao papel de sexo fr&amp;aacute;gil que a sociedade lhes imp&amp;otilde;e.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Tudo se inicia com a revolta gerada por mais um aborto ocorrido porque s&amp;atilde;o elas as respons&amp;aacute;veis por conseguir &amp;aacute;gua em uma fonte longe e de dif&amp;iacute;cil acesso, carregando baldes nas costas. A partir dali, diversas outras desigualdades e injusti&amp;ccedil;as sexistas s&amp;atilde;o percebidas pelas mulheres. Como na vida real, muitas delas n&amp;atilde;o querem romper com a &amp;ldquo;tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e, logicamente, os homens negam-se a realizar trabalhos que s&amp;atilde;o destinados &amp;agrave;s mulheres. O embate de d&amp;aacute; de forma brutal e dif&amp;iacute;cil, com agress&amp;otilde;es por parte dos homens e mais press&amp;atilde;o sobre as mulheres.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O que o filme nos faz refletir, &amp;eacute; como encaramos o feminismo oriental, que &amp;eacute; muito diferente do ocidental. S&amp;atilde;o lutas diferentes e vistas sob a &amp;oacute;tica de quem tem toda uma hist&amp;oacute;ria social, religiosa e cultural distante da nossa e que devem ser respeitadas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Uma das principais pautas das mulheres &amp;aacute;rabes &amp;eacute; o direito de poder se manifestar e reivindicar. &amp;Eacute; ter o direito de resistir &amp;agrave; realidade machista em que se encontram. Suas lutas inclusive est&amp;atilde;o conectadas a sua religi&amp;atilde;o. O filme traz essa realidade quando mostra as mulheres dando sua pr&amp;oacute;pria interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Cor&amp;atilde;o que, sob muitos aspectos enaltece a mulher e a coloca em p&amp;eacute; de igualdade ao homem.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Hoje o mundo &amp;aacute;rabe est&amp;aacute; em efervesc&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica e econ&amp;ocirc;mica e s&amp;atilde;o as mulheres tamb&amp;eacute;m que est&amp;atilde;o tomando a frente de muitas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es. S&amp;atilde;o elas que percebem e enfrentam diariamente a pobreza e a desigualdade de um mundo mu&amp;ccedil;ulmano que ainda est&amp;aacute; por libert&amp;aacute;-las.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;
&lt;p&gt;Interessante &amp;eacute; perceber o quanto &amp;nbsp;a hist&amp;oacute;ria dessas revolucion&amp;aacute;rias feministas &amp;aacute;rabes tem em comum com a nossa: al&amp;eacute;m da luta por seus direitos, a irrever&amp;ecirc;ncia com que levantam suas bandeiras. Para serem escutadas pela comunidade e pelos homens, elas colocaram nas suas m&amp;uacute;sicas e dan&amp;ccedil;as as suas ang&amp;uacute;stias e reivindica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, de uma forma leve e alegre. Isso mostra que a t&amp;aacute;tica da Marcha Mundial das Mulheres de levar suas lutas atrav&amp;eacute;s da m&amp;uacute;sica e de outras formas criativas, traz resultados em qualquer lugar do mundo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por Mariane Travi Ceconello *&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Recentemente assisti ao filme &amp;ldquo;A Fonte das Mulheres&amp;rdquo;, que narra a hist&amp;oacute;ria de uma pequena vila mu&amp;ccedil;ulmana no norte da &amp;Aacute;frica. A trama retrata a seca, o desemprego e o machismo daquele lugar. Ap&amp;oacute;s muitos anos em que a comunidade se viu sob extrema pobreza quase que inerte, as mulheres s&amp;atilde;o as primeiras a se movimentarem contra uma s&amp;eacute;rie de injusti&amp;ccedil;as que reca&amp;iacute;am sobre elas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A hist&amp;oacute;ria mostra uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista centrada no dia a dia daquelas mulheres. S&amp;atilde;o mulheres sofridas, guerreiras; mulheres que trazem consigo a persist&amp;ecirc;ncia e a for&amp;ccedil;a do g&amp;ecirc;nero feminino em contraponto ao papel de sexo fr&amp;aacute;gil que a sociedade lhes imp&amp;otilde;e.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Tudo se inicia com a revolta gerada por mais um aborto ocorrido porque s&amp;atilde;o elas as respons&amp;aacute;veis por conseguir &amp;aacute;gua em uma fonte longe e de dif&amp;iacute;cil acesso, carregando baldes nas costas. A partir dali, diversas outras desigualdades e injusti&amp;ccedil;as sexistas s&amp;atilde;o percebidas pelas mulheres. Como na vida real, muitas delas n&amp;atilde;o querem romper com a &amp;ldquo;tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e, logicamente, os homens negam-se a realizar trabalhos que s&amp;atilde;o destinados &amp;agrave;s mulheres. O embate de d&amp;aacute; de forma brutal e dif&amp;iacute;cil, com agress&amp;otilde;es por parte dos homens e mais press&amp;atilde;o sobre as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O que o filme nos faz refletir, &amp;eacute; como encaramos o feminismo oriental, que &amp;eacute; muito diferente do ocidental. S&amp;atilde;o lutas diferentes e vistas sob a &amp;oacute;tica de quem tem toda uma hist&amp;oacute;ria social, religiosa e cultural distante da nossa e que devem ser respeitadas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Uma das principais pautas das mulheres &amp;aacute;rabes &amp;eacute; o direito de poder se manifestar e reivindicar. &amp;Eacute; ter o direito de resistir &amp;agrave; realidade machista em que se encontram. Suas lutas inclusive est&amp;atilde;o conectadas a sua religi&amp;atilde;o. O filme traz essa realidade quando mostra as mulheres dando sua pr&amp;oacute;pria interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Cor&amp;atilde;o que, sob muitos aspectos enaltece a mulher e a coloca em p&amp;eacute; de igualdade ao homem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Hoje o mundo &amp;aacute;rabe est&amp;aacute; em efervesc&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica e econ&amp;ocirc;mica e s&amp;atilde;o as mulheres tamb&amp;eacute;m que est&amp;atilde;o tomando a frente de muitas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es. S&amp;atilde;o elas que percebem e enfrentam diariamente a pobreza e a desigualdade de um mundo mu&amp;ccedil;ulmano que ainda est&amp;aacute; por libert&amp;aacute;-las.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Interessante &amp;eacute; perceber o quanto &amp;nbsp;a hist&amp;oacute;ria dessas revolucion&amp;aacute;rias feministas &amp;aacute;rabes tem em comum com a nossa: al&amp;eacute;m da luta por seus direitos, a irrever&amp;ecirc;ncia com que levantam suas bandeiras. Para serem escutadas pela comunidade e pelos homens, elas colocaram nas suas m&amp;uacute;sicas e dan&amp;ccedil;as as suas ang&amp;uacute;stias e reivindica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, de uma forma leve e alegre. Isso mostra que a t&amp;aacute;tica da Marcha Mundial das Mulheres de levar suas lutas atrav&amp;eacute;s da m&amp;uacute;sica e de outras formas criativas, traz resultados em qualquer lugar do mundo!&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;* Mariane Travi Ceconello &amp;eacute; membro da Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o Nacional da CSD.&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Fri, 11 May 2012 13:10:08 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Considerações preliminares sobre o “livro-bomba” do ex-delegado Cláudio Guerra, assassino confesso</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=228397</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/228416&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Pedro Estevam da Rocha Pomar&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;J&amp;aacute; chegou &amp;agrave;s livrarias Mem&amp;oacute;rias de uma guerra suja (editora Topbooks, 291 p&amp;aacute;ginas), que traz longo depoimento do ex-delegado de pol&amp;iacute;cia Cl&amp;aacute;udio Guerra sobre os crimes que cometeu a servi&amp;ccedil;o da Ditadura Militar, recolhido pelos jornalistas Rog&amp;eacute;rio Medeiros e Marcelo Netto. S&amp;atilde;o fortes revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que causaram algum impacto na m&amp;iacute;dia depois que o jornalista Tales Faria (IG) antecipou diversos trechos do livro. Entre os ex-presos pol&amp;iacute;ticos e os familiares das v&amp;iacute;timas da Ditadura causou rea&amp;ccedil;&amp;otilde;es distintas: uma parte enxerga nele uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o positiva ao desvendamento das atrocidades cometidas pelos militares e por seus c&amp;uacute;mplices civis, mas h&amp;aacute; quem o considere uma provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o destinada a tumultuar o ambiente pr&amp;eacute;-Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Ap&amp;oacute;s ler a obra, convenci-me de que se trata de important&amp;iacute;ssimo subs&amp;iacute;dio para uma investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o acurada de diversos epis&amp;oacute;dios-chave da repress&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica levada a cabo pelo regime militar. Isso n&amp;atilde;o quer dizer que se deve tomar por integralmente corretas e confi&amp;aacute;veis as vers&amp;otilde;es apresentadas por Cl&amp;aacute;udio Guerra para os muitos casos apresentados no livro. Mas uma parcela substancial das suas narrativas parece cr&amp;iacute;vel e merece, no m&amp;iacute;nimo, uma apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;eacute;ria de &amp;oacute;rg&amp;atilde;os como Pol&amp;iacute;cia Federal, Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico Federal, Comiss&amp;atilde;o de Mortos e Desaparecidos Pol&amp;iacute;ticos e, finalmente, a Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade, quando constitu&amp;iacute;da.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;Eacute; bem verdade que o modo de contar do ex-delegado do Departamento de Ordem Pol&amp;iacute;tica e Social (DOPS) do Esp&amp;iacute;rito Santo, pontilhado de autoelogios (por exemplo, &amp;ldquo;ex&amp;iacute;mio atirador de elite&amp;rdquo;, p. 35), de hist&amp;oacute;rias que parecem fantasiosas (como a viagem de ida e volta a Angola, num s&amp;oacute; dia, para executar um atentado &amp;agrave; R&amp;aacute;dio Nacional daquele pa&amp;iacute;s, p. 139), e de passagens obscuras ou mal explicadas n&amp;atilde;o ajuda a formar opini&amp;atilde;o favor&amp;aacute;vel. Mas suas afirma&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre certos epis&amp;oacute;dios s&amp;atilde;o veross&amp;iacute;meis, o que ficou demonstrado por apura&amp;ccedil;&amp;otilde;es iniciais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Uma das mais impactantes revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Guerra &amp;eacute; a de que pelo menos onze corpos de militantes de esquerda torturados e assassinados pela Ditadura Militar foram incinerados por ele na d&amp;eacute;cada de 1970, no forno da usina de a&amp;ccedil;&amp;uacute;car Cambahyba, localizada em Campos (RJ) e pertencente ao ent&amp;atilde;o vice-governador Heli Ribeiro Gomes. No livro ele cita dez corpos, mas em visita posterior ao local o ex-delegado lembrou-se de outro. A visita foi acompanhada por um dos jornalistas co-autores (Marcelo Netto), por agentes da Pol&amp;iacute;cia Federal e pelo advogado Ant&amp;ocirc;nio Carlos de Almeida Castro. Segundo o advogado, um antigo funcion&amp;aacute;rio relatou a presen&amp;ccedil;a frequente de militares na usina. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Neste caso espec&amp;iacute;fico, as declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es do ex-delegado s&amp;atilde;o bastante consistentes. A narrativa do fato tem coer&amp;ecirc;ncia interna. Al&amp;eacute;m disso, a &amp;ldquo;solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; encontrada para fazer sumirem os corpos dos militantes assassinados &amp;eacute; t&amp;atilde;o brutal quanto outras j&amp;aacute; conhecidas (esquartejamento, queima de ossadas). As datas tamb&amp;eacute;m coincidem. Guerra diz que a decis&amp;atilde;o de incinerar foi tomada em fins de 1973 (p. 50). As pessoas cujos corpos teriam sido incinerados foram capturadas e assassinadas em dezembro de 1973, como Jo&amp;atilde;o Batista Rita (M3G) e Joaquim Pires Cerveira (FLN); em 1974, como Jo&amp;atilde;o Massena Melo, Jos&amp;eacute; Roman, Davi Capistrano, Luis Ign&amp;aacute;cio Maranh&amp;atilde;o Filho (todos do PCB), Fernando Santa Cruz e Eduardo Collier Filho (ambos da APML), Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva (ambos da ALN); em 1975, como Armando Frutuoso (PCdoB).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Tamb&amp;eacute;m do ponto de vista geogr&amp;aacute;fico a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; plaus&amp;iacute;vel, pois quase todos esses militantes passaram pelos c&amp;aacute;rceres do Destacamento de Opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Centro de Opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Ex&amp;eacute;rcito, na rua Bar&amp;atilde;o de Mesquita, no Rio de Janeiro, e v&amp;aacute;rios foram sabidamente conduzidos &amp;agrave; &amp;ldquo;Casa da Morte&amp;rdquo;, em Petr&amp;oacute;polis. Portanto a usina Cambahyba era relativamente pr&amp;oacute;xima do local onde as pessoas foram assassinadas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Frutuoso, membro do comit&amp;ecirc; central do PCdoB, foi assassinado em setembro de 1975, quando o general Le&amp;ocirc;nidas Pires Gon&amp;ccedil;alves chefiava o Estado-Maior do I Ex&amp;eacute;rcito, cabendo-lhe, neste posto, o comando do respectivo CODI. Portanto, os torturadores do DOI se reportavam a Le&amp;ocirc;nidas. Mais tarde ministro do Ex&amp;eacute;rcito no governo Sarney, ele sempre negou ter havido torturas (at&amp;eacute; mesmo em 2010, em c&amp;iacute;nica entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto para a Globonews). Mas a morte violenta e o desaparecimento do corpo de Frutuoso foram obra de seus comandados, deram-se portanto sob sua responsabilidade. Destaque-se, contudo, que Guerra n&amp;atilde;o cita o general.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Outra revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o importante diz respeito ao paradeiro do corpo de Nestor Veras, militante que ingressou ainda jovem no PCB, nos anos 1940, desaparecido desde abril de 1975 sem qualquer pista. Guerra assume a execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Veras, que &amp;ldquo;tinha sido muito torturado e estava agonizando&amp;rdquo; na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte. &amp;ldquo;Eu lhe dei o tiro de miseric&amp;oacute;rdia, na verdade dois&amp;rdquo;, relata (p. 39). O membro do comit&amp;ecirc; central do PCB teria sido enterrado numa mata pr&amp;oacute;xima a Belo Horizonte, &amp;ldquo;na estrada para Itabira&amp;rdquo; (p. 64).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O ex-delegado descreve tamb&amp;eacute;m no livro como e onde aconteciam as reuni&amp;otilde;es dos comandantes da tortura no Rio de Janeiro: no restaurante Angu do Gomes, pr&amp;oacute;ximo &amp;agrave; Pra&amp;ccedil;a Mau&amp;aacute;, e numa sauna vizinha. Reportagem posterior &amp;agrave; publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos trechos do livro confirmou a exist&amp;ecirc;ncia do local, e o antigo dono atestou informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Guerra sobre os frequentadores. Entre eles, os coron&amp;eacute;is Freddie Perdig&amp;atilde;o, figura central do DOI-CODI do I Ex&amp;eacute;rcito, Marcelo Romeiro da Roza, Otelo da Costa Ortiga (p. 177), todos do Ex&amp;eacute;rcito, o comandante Antonio Vieira, da Marinha, e outros oficiais superiores.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O Angu do Gomes, como explica o livro com riqueza de detalhes, servia de fachada &amp;agrave;s atividades da &amp;ldquo;comunidade de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;rdquo; e da entidade que lhes dava cobertura financeira, a Irmandade Santa Cruz dos Militares. Quando a conjuntura mudou e a extrema-direita militar abrigada nos DOI-CODI sentiu-se tra&amp;iacute;da pelo processo de abertura pol&amp;iacute;tica, o restaurante passou a ser o epicentro de uma permanente conspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;contra Geisel, Golbery e Figueiredo&amp;rdquo; (p. 119).&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O cl&amp;iacute;max desse processo conspirativo foi o frustrado atentado ao Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, planejado pelos comandantes do DOI-CODI do I Ex&amp;eacute;rcito com a finalidade de acuar a esquerda (e o governo). Os conspiradores pretendiam explodir tr&amp;ecirc;s bombas no local, onde se realizava um grande show em homenagem ao Dia do Trabalho, com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de artistas de renome nacional. &amp;ldquo;Participei do atentado ao Riocentro e fiz parte das v&amp;aacute;rias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior trag&amp;eacute;dia, o grande golpe contra o projeto de abertura democr&amp;aacute;tica&amp;rdquo;, conta Guerra.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Para azar dos assassinos e sorte de quem participava do show, uma das bombas explodiu acidentalmente no colo do sargento Guilherme do Ros&amp;aacute;rio, especialista em explosivos do DOI-CODI, que morreu dentro do carro em que ainda se encontrava com outro militar, o capit&amp;atilde;o Wilson Machado, que ficou gravemente ferido. O plano tresloucado, que poderia ter causado a morte de centenas de pessoas (as portas foram propositalmente trancadas, o policiamento previamente cancelado), foi rapidamente descoberto pela imprensa. Os nomes de Perdig&amp;atilde;o, Roza, Ortiga e outros constavam da caderneta do sargento.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Parece razoavelmente convincente a narrativa de Guerra sobre o atentado ao Riocentro. Uma das novidades, em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao que j&amp;aacute; se sabia, &amp;eacute; que o &amp;agrave; &amp;eacute;poca major (ou tenente-coronel) Carlos Alberto Brilhante Ustra, que na d&amp;eacute;cada anterior comandara o DOI-CODI do II Ex&amp;eacute;rcito, teria sido um de seus mentores, ao lado dos oficiais Perdig&amp;atilde;o e Vieira (p. 164). &amp;ldquo;Ustra, muito respeitado entre n&amp;oacute;s, veio de Bras&amp;iacute;lia para acompanhar o atentado&amp;rdquo;, relembra o ex-delegado (p. 169). At&amp;eacute; ent&amp;atilde;o, o que se sabia sobre esse militar, &amp;uacute;nico declarado torturador em senten&amp;ccedil;a judicial at&amp;eacute; agora, era seu envolvimento em diversos casos de tortura e morte de presos pol&amp;iacute;ticos. Obviamente, se confirmada, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do hoje coronel da reserva no planejamento de um atentado da magnitude do que se tentou no Riocentro em 1981 complicaria enormemente a sua situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na justi&amp;ccedil;a.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;No livro, Ustra tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; apontado como um dos autores intelectuais da morte do delegado S&amp;eacute;rgio Paranhos Fleury, not&amp;oacute;rio assassino de presos comuns e presos pol&amp;iacute;ticos (p. 100). Contudo, a vers&amp;atilde;o apresentada por Guerra para a morte de Fleury, como resultante de uma opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o organizada pela pr&amp;oacute;pria &amp;ldquo;comunidade de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;rdquo;, carece de maior consist&amp;ecirc;ncia e foi contestada pelo jornalista Percival de Souza, autor da biografia do famigerado torturador (Aut&amp;oacute;psia do Medo).&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;H&amp;aacute; muitos outros pontos do depoimento de Cl&amp;aacute;udio Guerra que, por sua relev&amp;acirc;ncia, merecem ser tratados em outro texto: &amp;eacute; o caso do envolvimento de artistas e jornalistas com o time de torturadores e assassinos do qual fazia parte o ex-delegado do DOPS-ES. O livro tem problemas, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel que algumas de suas afirma&amp;ccedil;&amp;otilde;es sejam incorretas ou inver&amp;iacute;dicas, mas &amp;eacute; ineg&amp;aacute;vel que ele joga luz sobre epis&amp;oacute;dios da Ditadura Militar que n&amp;atilde;o podem ser esquecidos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Publicado na coluna Mundos do Trabalho do blog Escrevinhador: http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/notas-sobre-o-livro-bomba-do-ex-delegado-claudio-guerra.html&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Por Pedro Estevam da Rocha Pomar, publicado originalmente no blog Escrevinhador&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;J&amp;aacute; chegou &amp;agrave;s livrarias Mem&amp;oacute;rias de uma guerra suja (editora Topbooks, 291 p&amp;aacute;ginas), que traz longo depoimento do ex-delegado de pol&amp;iacute;cia Cl&amp;aacute;udio Guerra sobre os crimes que cometeu a servi&amp;ccedil;o da Ditadura Militar, recolhido pelos jornalistas Rog&amp;eacute;rio Medeiros e Marcelo Netto. S&amp;atilde;o fortes revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que causaram algum impacto na m&amp;iacute;dia depois que o jornalista Tales Faria (IG) antecipou diversos trechos do livro. Entre os ex-presos pol&amp;iacute;ticos e os familiares das v&amp;iacute;timas da Ditadura causou rea&amp;ccedil;&amp;otilde;es distintas: uma parte enxerga nele uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o positiva ao desvendamento das atrocidades cometidas pelos militares e por seus c&amp;uacute;mplices civis, mas h&amp;aacute; quem o considere uma provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o destinada a tumultuar o ambiente pr&amp;eacute;-Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ap&amp;oacute;s ler a obra, convenci-me de que se trata de important&amp;iacute;ssimo subs&amp;iacute;dio para uma investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o acurada de diversos epis&amp;oacute;dios-chave da repress&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica levada a cabo pelo regime militar. Isso n&amp;atilde;o quer dizer que se deve tomar por integralmente corretas e confi&amp;aacute;veis as vers&amp;otilde;es apresentadas por Cl&amp;aacute;udio Guerra para os muitos casos apresentados no livro. Mas uma parcela substancial das suas narrativas parece cr&amp;iacute;vel e merece, no m&amp;iacute;nimo, uma apura&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;eacute;ria de &amp;oacute;rg&amp;atilde;os como Pol&amp;iacute;cia Federal, Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico Federal, Comiss&amp;atilde;o de Mortos e Desaparecidos Pol&amp;iacute;ticos e, finalmente, a Comiss&amp;atilde;o Nacional da Verdade, quando constitu&amp;iacute;da.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;Eacute; bem verdade que o modo de contar do ex-delegado do Departamento de Ordem Pol&amp;iacute;tica e Social (DOPS) do Esp&amp;iacute;rito Santo, pontilhado de autoelogios (por exemplo, &amp;ldquo;ex&amp;iacute;mio atirador de elite&amp;rdquo;, p. 35), de hist&amp;oacute;rias que parecem fantasiosas (como a viagem de ida e volta a Angola, num s&amp;oacute; dia, para executar um atentado &amp;agrave; R&amp;aacute;dio Nacional daquele pa&amp;iacute;s, p. 139), e de passagens obscuras ou mal explicadas n&amp;atilde;o ajuda a formar opini&amp;atilde;o favor&amp;aacute;vel. Mas suas afirma&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre certos epis&amp;oacute;dios s&amp;atilde;o veross&amp;iacute;meis, o que ficou demonstrado por apura&amp;ccedil;&amp;otilde;es iniciais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma das mais impactantes revela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Guerra &amp;eacute; a de que pelo menos onze corpos de militantes de esquerda torturados e assassinados pela Ditadura Militar foram incinerados por ele na d&amp;eacute;cada de 1970, no forno da usina de a&amp;ccedil;&amp;uacute;car Cambahyba, localizada em Campos (RJ) e pertencente ao ent&amp;atilde;o vice-governador Heli Ribeiro Gomes. No livro ele cita dez corpos, mas em visita posterior ao local o ex-delegado lembrou-se de outro. A visita foi acompanhada por um dos jornalistas co-autores (Marcelo Netto), por agentes da Pol&amp;iacute;cia Federal e pelo advogado Ant&amp;ocirc;nio Carlos de Almeida Castro. Segundo o advogado, um antigo funcion&amp;aacute;rio relatou a presen&amp;ccedil;a frequente de militares na usina. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Neste caso espec&amp;iacute;fico, as declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es do ex-delegado s&amp;atilde;o bastante consistentes. A narrativa do fato tem coer&amp;ecirc;ncia interna. Al&amp;eacute;m disso, a &amp;ldquo;solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; encontrada para fazer sumirem os corpos dos militantes assassinados &amp;eacute; t&amp;atilde;o brutal quanto outras j&amp;aacute; conhecidas (esquartejamento, queima de ossadas). As datas tamb&amp;eacute;m coincidem. Guerra diz que a decis&amp;atilde;o de incinerar foi tomada em fins de 1973 (p. 50). As pessoas cujos corpos teriam sido incinerados foram capturadas e assassinadas em dezembro de 1973, como Jo&amp;atilde;o Batista Rita (M3G) e Joaquim Pires Cerveira (FLN); em 1974, como Jo&amp;atilde;o Massena Melo, Jos&amp;eacute; Roman, Davi Capistrano, Luis Ign&amp;aacute;cio Maranh&amp;atilde;o Filho (todos do PCB), Fernando Santa Cruz e Eduardo Collier Filho (ambos da APML), Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva (ambos da ALN); em 1975, como Armando Frutuoso (PCdoB).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tamb&amp;eacute;m do ponto de vista geogr&amp;aacute;fico a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; plaus&amp;iacute;vel, pois quase todos esses militantes passaram pelos c&amp;aacute;rceres do Destacamento de Opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Centro de Opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Ex&amp;eacute;rcito, na rua Bar&amp;atilde;o de Mesquita, no Rio de Janeiro, e v&amp;aacute;rios foram sabidamente conduzidos &amp;agrave; &amp;ldquo;Casa da Morte&amp;rdquo;, em Petr&amp;oacute;polis. Portanto a usina Cambahyba era relativamente pr&amp;oacute;xima do local onde as pessoas foram assassinadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Frutuoso, membro do comit&amp;ecirc; central do PCdoB, foi assassinado em setembro de 1975, quando o general Le&amp;ocirc;nidas Pires Gon&amp;ccedil;alves chefiava o Estado-Maior do I Ex&amp;eacute;rcito, cabendo-lhe, neste posto, o comando do respectivo CODI. Portanto, os torturadores do DOI se reportavam a Le&amp;ocirc;nidas. Mais tarde ministro do Ex&amp;eacute;rcito no governo Sarney, ele sempre negou ter havido torturas (at&amp;eacute; mesmo em 2010, em c&amp;iacute;nica entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto para a Globonews). Mas a morte violenta e o desaparecimento do corpo de Frutuoso foram obra de seus comandados, deram-se portanto sob sua responsabilidade. Destaque-se, contudo, que Guerra n&amp;atilde;o cita o general.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Outra revela&amp;ccedil;&amp;atilde;o importante diz respeito ao paradeiro do corpo de Nestor Veras, militante que ingressou ainda jovem no PCB, nos anos 1940, desaparecido desde abril de 1975 sem qualquer pista. Guerra assume a execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Veras, que &amp;ldquo;tinha sido muito torturado e estava agonizando&amp;rdquo; na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte. &amp;ldquo;Eu lhe dei o tiro de miseric&amp;oacute;rdia, na verdade dois&amp;rdquo;, relata (p. 39). O membro do comit&amp;ecirc; central do PCB teria sido enterrado numa mata pr&amp;oacute;xima a Belo Horizonte, &amp;ldquo;na estrada para Itabira&amp;rdquo; (p. 64).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O ex-delegado descreve tamb&amp;eacute;m no livro como e onde aconteciam as reuni&amp;otilde;es dos comandantes da tortura no Rio de Janeiro: no restaurante Angu do Gomes, pr&amp;oacute;ximo &amp;agrave; Pra&amp;ccedil;a Mau&amp;aacute;, e numa sauna vizinha. Reportagem posterior &amp;agrave; publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos trechos do livro confirmou a exist&amp;ecirc;ncia do local, e o antigo dono atestou informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Guerra sobre os frequentadores. Entre eles, os coron&amp;eacute;is Freddie Perdig&amp;atilde;o, figura central do DOI-CODI do I Ex&amp;eacute;rcito, Marcelo Romeiro da Roza, Otelo da Costa Ortiga (p. 177), todos do Ex&amp;eacute;rcito, o comandante Antonio Vieira, da Marinha, e outros oficiais superiores.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Angu do Gomes, como explica o livro com riqueza de detalhes, servia de fachada &amp;agrave;s atividades da &amp;ldquo;comunidade de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;rdquo; e da entidade que lhes dava cobertura financeira, a Irmandade Santa Cruz dos Militares. Quando a conjuntura mudou e a extrema-direita militar abrigada nos DOI-CODI sentiu-se tra&amp;iacute;da pelo processo de abertura pol&amp;iacute;tica, o restaurante passou a ser o epicentro de uma permanente conspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;contra Geisel, Golbery e Figueiredo&amp;rdquo; (p. 119).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O cl&amp;iacute;max desse processo conspirativo foi o frustrado atentado ao Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, planejado pelos comandantes do DOI-CODI do I Ex&amp;eacute;rcito com a finalidade de acuar a esquerda (e o governo). Os conspiradores pretendiam explodir tr&amp;ecirc;s bombas no local, onde se realizava um grande show em homenagem ao Dia do Trabalho, com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de artistas de renome nacional. &amp;ldquo;Participei do atentado ao Riocentro e fiz parte das v&amp;aacute;rias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior trag&amp;eacute;dia, o grande golpe contra o projeto de abertura democr&amp;aacute;tica&amp;rdquo;, conta Guerra.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para azar dos assassinos e sorte de quem participava do show, uma das bombas explodiu acidentalmente no colo do sargento Guilherme do Ros&amp;aacute;rio, especialista em explosivos do DOI-CODI, que morreu dentro do carro em que ainda se encontrava com outro militar, o capit&amp;atilde;o Wilson Machado, que ficou gravemente ferido. O plano tresloucado, que poderia ter causado a morte de centenas de pessoas (as portas foram propositalmente trancadas, o policiamento previamente cancelado), foi rapidamente descoberto pela imprensa. Os nomes de Perdig&amp;atilde;o, Roza, Ortiga e outros constavam da caderneta do sargento.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Parece razoavelmente convincente a narrativa de Guerra sobre o atentado ao Riocentro. Uma das novidades, em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao que j&amp;aacute; se sabia, &amp;eacute; que o &amp;agrave; &amp;eacute;poca major (ou tenente-coronel) Carlos Alberto Brilhante Ustra, que na d&amp;eacute;cada anterior comandara o DOI-CODI do II Ex&amp;eacute;rcito, teria sido um de seus mentores, ao lado dos oficiais Perdig&amp;atilde;o e Vieira (p. 164). &amp;ldquo;Ustra, muito respeitado entre n&amp;oacute;s, veio de Bras&amp;iacute;lia para acompanhar o atentado&amp;rdquo;, relembra o ex-delegado (p. 169). At&amp;eacute; ent&amp;atilde;o, o que se sabia sobre esse militar, &amp;uacute;nico declarado torturador em senten&amp;ccedil;a judicial at&amp;eacute; agora, era seu envolvimento em diversos casos de tortura e morte de presos pol&amp;iacute;ticos. Obviamente, se confirmada, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do hoje coronel da reserva no planejamento de um atentado da magnitude do que se tentou no Riocentro em 1981 complicaria enormemente a sua situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na justi&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No livro, Ustra tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; apontado como um dos autores intelectuais da morte do delegado S&amp;eacute;rgio Paranhos Fleury, not&amp;oacute;rio assassino de presos comuns e presos pol&amp;iacute;ticos (p. 100). Contudo, a vers&amp;atilde;o apresentada por Guerra para a morte de Fleury, como resultante de uma opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o organizada pela pr&amp;oacute;pria &amp;ldquo;comunidade de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;rdquo;, carece de maior consist&amp;ecirc;ncia e foi contestada pelo jornalista Percival de Souza, autor da biografia do famigerado torturador (Aut&amp;oacute;psia do Medo).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;H&amp;aacute; muitos outros pontos do depoimento de Cl&amp;aacute;udio Guerra que, por sua relev&amp;acirc;ncia, merecem ser tratados em outro texto: &amp;eacute; o caso do envolvimento de artistas e jornalistas com o time de torturadores e assassinos do qual fazia parte o ex-delegado do DOPS-ES. O livro tem problemas, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel que algumas de suas afirma&amp;ccedil;&amp;otilde;es sejam incorretas ou inver&amp;iacute;dicas, mas &amp;eacute; ineg&amp;aacute;vel que ele joga luz sobre epis&amp;oacute;dios da Ditadura Militar que n&amp;atilde;o podem ser esquecidos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Publicado na coluna Mundos do Trabalho do blog &lt;a href=&quot;http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/notas-sobre-o-livro-bomba-do-ex-delegado-claudio-guerra.html&quot;&gt;Escrevinhador&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Thu, 10 May 2012 21:47:58 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Entrevista: Nalu Faria fala sobre a Marcha Mundial das Mulheres</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=224067</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/224086&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Entrevista concedida por Nalu Faria &amp;agrave; Carmen Susana Tornquist e Soraya Resende Fleischer, para a Revista de Estudos Feministas, publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o ligada ao Centro de Filosofia e Ci&amp;ecirc;ncias Humanas (CFH) e ao Centro de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Express&amp;atilde;o (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Publicado originalmente na Revista de Estudos Feministas - vol.20 no.1, de jan/abr 2012&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Os participantes dos f&amp;oacute;runs sociais mundiais, dos f&amp;oacute;runs sobre meio ambiente, da Marcha das Margaridas, dos 8 de mar&amp;ccedil;os e de outros movimentos sociais, de maneira geral, sabem o que significam as coloridas bandeiras e as &quot;batucadas da marcha&quot; que antecedem as confer&amp;ecirc;ncias e as mesas-redondas. Entrevistamos a feminista Nalu Faria, que atualmente coordena a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Nalu Faria &amp;eacute; psic&amp;oacute;loga, com especializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Psicodrama Pedag&amp;oacute;gico (Getep) e em  Psicologia Institucional (Sedes Sapientiae). Atua na Sempreviva Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Feminista (SOF) desde 1986, na qual desenvolve atividades de assessoria e forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista com grupos de mulheres, ONGs e gestores p&amp;uacute;blicos. Coordenou v&amp;aacute;rias publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es da SOF, como o boletim Mulher e Sa&amp;uacute;de (1993 a 2002), a cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cadernos Sempreviva (desde 1997) e o boletim Folha Feminista (desde 1999). Com Sonia Alvarez e Miriam Nobre, organizou o dossi&amp;ecirc; &quot;Feminismos no F&amp;oacute;rum Social Mundial&quot; para a Revista Estudos Feministas, publicada em 2003. &amp;Eacute; autora de v&amp;aacute;rios artigos sobre o movimento de mulheres, entre eles &quot;O feminismo latino-americano e caribenho: perspectivas diante do neoliberalismo&quot;. Foi integrante do Conselho Diretor da Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Perseu Abramo de 1996  a 2004.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Nesta entrevista procuramos conhecer como se articula no Brasil e em outros pa&amp;iacute;ses do mundo e quais s&amp;atilde;o os objetivos dessa rede de movimentos sociais (como pode ser classificada a MMM), bem como sua conex&amp;atilde;o com os movimentos altermundialista, campesino e ambientalista com os quais tem uma estreita parceria e compartilha agenda de mobiliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Esta entrevista foi realizada, em Porto  Alegre, nas depend&amp;ecirc;ncias do Sindicato dos Banc&amp;aacute;rios durante um encontro de mulheres da Democracia Socialista, em uma manh&amp;atilde; de maio de 2011.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Soraya Resende Fleischer:&lt;/strong&gt; Nalu, obrigada por ter aceitado nosso convite. Para come&amp;ccedil;ar, voc&amp;ecirc; poderia nos contar um pouco de sua trajet&amp;oacute;ria biogr&amp;aacute;fica, como chegou ao feminismo e &amp;agrave; participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica? Como voc&amp;ecirc; articula sua trajet&amp;oacute;ria no feminismo com sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o atual?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Nalu Faria:&lt;/strong&gt; Eu vivi em &amp;Aacute;gua Comprida, um pequeno munic&amp;iacute;pio a 40 km de Uberaba, no Tri&amp;acirc;ngulo Mineiro, at&amp;eacute; o fim do ensino fundamental. Estudei o ensino m&amp;eacute;dio e a faculdade em Uberaba. Cursei psicologia, entre 1978 e 1982, nas Faculdades Integradas de Uberaba (FIUBE), hoje UNIUBE. No primeiro ano comecei a participar do movimento estudantil a partir da luta pelo passe estudantil no transporte p&amp;uacute;blico. E logo em seguida entrei no Centro Acad&amp;ecirc;mico e no Diret&amp;oacute;rio Central dos Estudantes (DCE). Em 1980 fizemos o primeiro 8 de mar&amp;ccedil;o em Uberaba, nessa retomada do movimento de mulheres. Depois houve a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma entidade da qual participei, chamada Centro Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Mulher (CIM), e tamb&amp;eacute;m participei do PT desde a sua funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Vim para S&amp;atilde;o Paulo, no final de 1983, e aqui, a partir da minha milit&amp;acirc;ncia na Democracia Socialista (DS), tend&amp;ecirc;ncia interna do PT, passei a participar de um debate mais estruturado sobre o feminismo. Desenvolvi minha milit&amp;acirc;ncia no PT, no trabalho de mulheres nos sindicatos e na Central &amp;Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT), e, a partir de 1986, passei a atuar na Sempreviva Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Feminista (SOF) e, portanto, com muita presen&amp;ccedil;a no movimento popular.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Atuo na SOF desde 1986. Nesse per&amp;iacute;odo, atuava no trabalho com as mulheres dentro do movimento sindical na CUT. Depois que fui para a SOF, que tinha uma atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos bairros das zonas sul e leste de S&amp;atilde;o Paulo, continuei acompanhando a Comiss&amp;atilde;o Nacional sobre a Mulher Trabalhadora (CNMT) na CUT. No final de 1989, a SOF foi convidada pelo Instituto de Forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cajamar a organizar cursos de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o para mulheres. O Instituto Cajamar era uma escola de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o destinada a militantes do PT, do movimento sindical e popular, que funcionou at&amp;eacute; 1996. Formamos um grupo de que participavam representantes do Instituto Cajamar, da CNMT da CUT, da Cedi (uma ONG na &amp;eacute;poca) e da SOF. Os cursos do Cajamar foram muito importantes, pois envolviam mulheres do Brasil inteiro. E, a partir da&amp;iacute;, n&amp;oacute;s nos tornamos refer&amp;ecirc;ncia para forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista de v&amp;aacute;rios grupos em v&amp;aacute;rios estados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ao longo dos anos 1990 na SOF, questionamos muito sobre qual deveria ser uma estrat&amp;eacute;gia de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento de mulheres para incorporar os v&amp;aacute;rios setores e tamb&amp;eacute;m para ter uma agenda mais global que desse conta de pensar na totalidade da problem&amp;aacute;tica das mulheres. Nesse momento a agenda mais geral do movimento girava em torno dos temas de sa&amp;uacute;de, direitos reprodutivos e viol&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A partir dessa avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, propusemos organizar v&amp;aacute;rios semin&amp;aacute;rios que pudessem contribuir, de um lado, para pensar essa agenda mais geral e, de outro, que propiciassem uma maior articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o desses grupos, muito vinculados aos movimentos mistos que tinham uma atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o local e/ou setorial. Organizamos semin&amp;aacute;rios sobre agricultura familiar, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de, economia, sempre buscando realiz&amp;aacute;-los com parcerias e com uma reflex&amp;atilde;o a partir do debate feminista em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a esses temas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;Carmen Susana Tornquist:&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; poderia falar sobre a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), isto &amp;eacute;, como esse movimento se organizou e qual a sua vincula&amp;ccedil;&amp;atilde;o com ele?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF: &lt;/strong&gt;Foi nesse processo em 1998 que conhecemos a proposta da Marcha Mundial das Mulheres, que era uma iniciativa de mulheres do Quebec para realizar uma campanha mundial no ano 2000 contra a pobreza e a viol&amp;ecirc;ncia contra as mulheres. Avaliamos que era uma &amp;oacute;tima oportunidade para intervir, por um lado, naquela conjuntura marcada pelas pol&amp;iacute;ticas neoli-berais e, por outro, um movimento de mulheres absolutamente voltado para a agenda definida pela Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas (ONU) e o monitoramento das plataformas definidas em suas confer&amp;ecirc;ncias.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha Mundial das Mulheres partiu de uma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o realizada em 1995, no Quebec, no Canad&amp;aacute;, quando 850 mulheres marcharam 200  quil&amp;ocirc;metros pedindo, simbolicamente, &quot;P&amp;atilde;o e Rosas&quot;. A a&amp;ccedil;&amp;atilde;o marcou a retomada das mobiliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es das mulheres nas ruas, fazendo uma cr&amp;iacute;tica contundente ao sistema capitalista. Ao seu final, diversas conquistas foram alcan&amp;ccedil;adas, como o aumento do sal&amp;aacute;rio m&amp;iacute;nimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio &amp;agrave; economia solid&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;O Brasil participou da articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da MMM desde seu primeiro encontro internacional em 1998, no Quebec. Nesse primeiro encontro internacional se definiu a plataforma centrada em 17 pontos contra a pobreza e 17 pontos contra a viol&amp;ecirc;ncia. A proposta foi realizar um abaixo-assinado em torno dessas reivindica&amp;ccedil;&amp;otilde;es para ser entregue na ONU, no Banco Mundial e no Fundo Monet&amp;aacute;rio Internacional (FMI) em 17 de outubro. Ou seja, a MMM iniciou como uma campanha lan&amp;ccedil;ada no dia 8 de mar&amp;ccedil;o a 17 de outubro de 2000 (Dia Mundial de Luta contra a Pobreza).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;No Brasil, em outubro de 1999, foi realizada a primeira reuni&amp;atilde;o nacional, na qual constitu&amp;iacute;mos a MMM no Brasil. Nessa reuni&amp;atilde;o as mulheres da Confedera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) apresentaram a proposta de realizar a Marcha das Margaridas em agosto, em ades&amp;atilde;o &amp;agrave; MMM. Essa foi a atividade mais massiva naquele ano de 2000, com a presen&amp;ccedil;a de 20 mil mulheres. Entre 8 de mar&amp;ccedil;o e 17 de outubro de 2000, foram realizadas in&amp;uacute;meras atividades em todos os estados, sendo a maior delas a Marcha das Margaridas, organizada pelas trabalhadoras rurais da Contag e outras entidades em agosto daquele ano como forma de ades&amp;atilde;o &amp;agrave; MMM. Foi a partir do impacto desse amplo processo de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o que v&amp;aacute;rias brasileiras fizeram parte daquelas que propuseram a continuidade da Marcha como um movimento permanente em nosso pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A MMM trazia um debate cr&amp;iacute;tico &amp;agrave;s causas estruturais da pobreza e tamb&amp;eacute;m a possibilidade de construir uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica pelas mulheres em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; quest&amp;atilde;o da economia. Na &amp;eacute;poca, quem tinha mais proximidade com a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da MMM do Quebec eram as mulheres da CUT. Foram elas que, no ano de 1998, chamaram reuni&amp;otilde;es para definir as representantes brasileiras para o primeiro encontro internacional realizado no Quebec, em outubro de 1998. Ap&amp;oacute;s essa reuni&amp;atilde;o, voltamos muito comprometidas com a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa Marcha e passamos a articular, em conjunto com a CUT, as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para organizar nacionalmente, e isso incluiu mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, capta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de recursos etc. A MMM insere-se nas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es contr&amp;aacute;rias &amp;agrave; globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o capitalista pelo mundo, impulsionadas por movimentos de car&amp;aacute;ter anticapitalista que questionam os ditames desses organismos internacionais e daqueles que exaltam o livre-com&amp;eacute;rcio. Esse processo levou ao empobrecimento das mulheres e cada vez mais &amp;agrave; precariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o na sua inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o no mercado de trabalho, comprometendo ainda mais sua autonomia econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Nalu, voc&amp;ecirc; poderia explicar quais s&amp;atilde;o as formas de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o interna da MMM? H&amp;aacute; comit&amp;ecirc;s, diretorias, elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es etc.?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; No Brasil, n&amp;oacute;s nos organizamos a partir de comit&amp;ecirc;s estaduais que, em geral, s&amp;atilde;o compostos de representantes de outros movimentos, por exemplo, sindical, grupos de base, moradia, estudantil. Tamb&amp;eacute;m impulsionamos que se formem comit&amp;ecirc;s locais em universidades, munic&amp;iacute;pios, por exemplo. Mas muitas vezes o Comit&amp;ecirc; Estadual &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m o local de milit&amp;acirc;ncia para muitas mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Temos uma coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o executiva com oito membros e uma coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional com representantes dos comit&amp;ecirc;s estaduais, que s&amp;atilde;o rotativas e definidas pelos estados. A SOF &amp;eacute; a secretaria executiva, e somos respons&amp;aacute;veis pela comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e por outras tarefas executivas. Para o acompanhamento nos estados, dividimos as tarefas entre SOF e Centro Feminista 8 de Mar&amp;ccedil;o (CF8), de Mossor&amp;oacute;, no Rio Grande do Norte, que &amp;eacute; parte da executiva. Ent&amp;atilde;o, elas articulam mais a regi&amp;atilde;o Nordeste e n&amp;oacute;s, os outros estados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Como &amp;eacute; o sistema de financiamento/sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica da MMM no Brasil, assim como nos outros pa&amp;iacute;ses?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; A MMM &amp;eacute; um movimento com poucos recursos. Nos pa&amp;iacute;ses isso se d&amp;aacute; de diferentes formas. Logicamente uma parte tem apoio da Coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Internacional, mas tamb&amp;eacute;m h&amp;aacute; muitos recursos nacionais e tamb&amp;eacute;m iniciativas de autossustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. H&amp;aacute; pa&amp;iacute;ses na &amp;Aacute;frica, tal como Burkina Faso, com os quais todas as militantes da base contribuem regularmente, al&amp;eacute;m de elas terem um caf&amp;eacute; internet. No caso do Secretariado Internacional, tem apoio da Coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Internacional e h&amp;aacute; uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o das coordena&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Quais s&amp;atilde;o os pa&amp;iacute;ses que participam da Marcha e de que forma?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Em 2000, 167 pa&amp;iacute;ses aderiram. Depois, quando se definiu continuar como um movimento permanente, diminu&amp;iacute;ram os pa&amp;iacute;ses. Hoje tem coordena&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais em 60 pa&amp;iacute;ses e grupos de contato em outros 90. Al&amp;eacute;m disso, h&amp;aacute; diferentes formas de pertencimento. Em alguns pa&amp;iacute;ses se d&amp;aacute; uma din&amp;acirc;mica permanente, em outros se mobilizam como MMM a partir de chamadas internacionais, sobretudo as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es internacionais realizadas a cada cinco anos. Em alguns pa&amp;iacute;ses, tal como o Brasil, a Marcha serviu como uma forma de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento, outros aderiram a ela como uma campanha. Ou seja, um coletivo nacional que organizou a Marcha. A Marcha em n&amp;iacute;vel internacional tem um comit&amp;ecirc; internacional, com dois representantes por continente, e um secretariado internacional, com uma coordenadora internacional. Desde 2006 o Secretariado Internacional est&amp;aacute; no Brasil. A coordenadora internacional &amp;eacute; a Miriam Nobre, que &amp;eacute; da equipe da SOF e participou do Comit&amp;ecirc; Internacional da MMM desde o inicio, assim como da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST: &lt;/strong&gt;Existem diferen&amp;ccedil;as quanto aos pa&amp;iacute;ses centrais e aos situados no Sul Econ&amp;ocirc;mico? Como &amp;eacute; a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha com as dimens&amp;otilde;es de classe e etnia? Essas dimens&amp;otilde;es se articulam ou atravessam os movimentos de mulheres/feministas?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Um valor forte na MMM &amp;eacute; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de consensos a partir de realidades muito diferentes, tanto econ&amp;ocirc;micas quanto culturais, mas tamb&amp;eacute;m de processos do movimento de mulheres no pa&amp;iacute;s. Um ponto de partida fundamental para isso &amp;eacute; a vis&amp;atilde;o comum sobre a necessidade de mudan&amp;ccedil;as estruturais na sociedade e nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais para que se possa construir igualdade para as mulheres. H&amp;aacute; uma profunda compreens&amp;atilde;o de que a igualdade s&amp;oacute; se dar&amp;aacute; se alcan&amp;ccedil;ar o conjunto das mulheres. Isso remete n&amp;atilde;o s&amp;oacute; &amp;agrave; incorpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dimens&amp;atilde;o de classe, mas tamb&amp;eacute;m &amp;agrave;s outras formas de opress&amp;atilde;o e discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o com que vivem as mulheres. E a Marcha &amp;eacute; um movimento constru&amp;iacute;do a partir das mulheres de base, que t&amp;ecirc;m na organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e na mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o suas principais ferramentas; em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas realidades t&amp;atilde;o distintas e das formas de opress&amp;atilde;o que h&amp;aacute; em cada pa&amp;iacute;s. Muitas vezes em alguns pa&amp;iacute;ses certos temas s&amp;atilde;o mais dif&amp;iacute;ceis de serem assumidos por todas, em particular o tema do aborto e da sexualidade l&amp;eacute;sbica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; poderia abordar o tema da MMM e o processo das confer&amp;ecirc;ncias internacionais da ONU da d&amp;eacute;cada de 1990?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; A Marcha se constituiu na contram&amp;atilde;o das confer&amp;ecirc;ncias da ONU. A origem da MMM est&amp;aacute; vinculada &amp;agrave; experi&amp;ecirc;ncia da marcha chamada &quot;P&amp;atilde;o e Rosas&quot;, como comentei anteriormente. A motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa Marcha foi justamente a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que significava o Tratado Norte-Americano de Livre Com&amp;eacute;rcio (Nafta) para as mulheres em termos de mais empobrecimento. Ao mesmo tempo perceberam que, em mundo globalizado, se deveria construir uma resist&amp;ecirc;ncia mundial. Ent&amp;atilde;o em 1995, quando a grande maioria dos movimentos sociais investia toda sua energia na IV Confer&amp;ecirc;ncia Mundial da Mulher da ONU, realizada na China, as mulheres do Quebec iniciavam essa proposta de uma grande mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento social a partir de uma agenda pr&amp;oacute;pria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;As mulheres que iniciaram a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha estiveram na Confer&amp;ecirc;ncia de Pequim com o objetivo de discutir a Marcha, e n&amp;atilde;o com a vis&amp;atilde;o de que ali era o espa&amp;ccedil;o de defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o da agenda que depois pautaria o monitoramento dessas defini&amp;ccedil;&amp;otilde;es. A preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o era justamente como construir uma resposta a partir do movimento para a ofensiva conservadora em curso a partir das vit&amp;oacute;rias do neoliberalismo, com uma compreens&amp;atilde;o de como o patriarcado e o capitalismo se refor&amp;ccedil;am mutuamente. A meu ver, a MMM se constituiu como uma das mais importantes articula&amp;ccedil;&amp;otilde;es do movimento feminista nos &amp;uacute;ltimos anos. Um aspecto central para essa an&amp;aacute;lise &amp;eacute; o fato de ter possibilitado uma recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento de mulheres a partir de uma mudan&amp;ccedil;a de agenda. Para isso &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio retomar o que foi a din&amp;acirc;mica do movimento de mulheres no per&amp;iacute;odo anterior, em particular na Am&amp;eacute;rica Latina. Muito marcado pelos debates que se seguiram ap&amp;oacute;s a Queda do Muro de Berlim e de n&amp;atilde;o se reposicionar criticamente diante das profundas pol&amp;iacute;ticas de ajuste e da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do neoliberalismo, o movimento de mulheres entrou nessa din&amp;acirc;mica de ser propositivo, trabalhar em parceria, colocando como um grande horizonte o estabelecimento de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, mas sem questionar os limites dados pelo modelo de Estado vigente. Portanto, oscilando entre uma din&amp;acirc;mica de se fazer o poss&amp;iacute;vel e de considerar como grandes avan&amp;ccedil;os as plataformas aprovadas nas confer&amp;ecirc;ncias da ONU, em que pese o seu grau de generalidade e de n&amp;atilde;o questionamento do fato de que elas n&amp;atilde;o entram nos aspectos estruturantes das desigualdades. Existem diferen&amp;ccedil;as de como o movimento se moveu seja na Am&amp;eacute;rica Latina, &amp;Aacute;frica ou &amp;Aacute;sia, mas um dado &amp;eacute; comum: as confer&amp;ecirc;ncias da ONU foram os grandes espa&amp;ccedil;os de conflu&amp;ecirc;ncias durante quase toda a d&amp;eacute;cada de 1990. E podemos dizer que, enquanto o movimento de mulheres se empenhava na implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas focais e da incorpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de g&amp;ecirc;nero, o mercado organizava a vida das mulheres em todos os n&amp;iacute;veis, inclusive no n&amp;iacute;vel subjetivo. E foi com essa din&amp;acirc;mica que a MMM rompeu, propondo em 1995, pleno ano de Pequim (ano de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da IV Confer&amp;ecirc;ncia Mundial da Mulher), uma grande mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se diferenciava desse processo pelo m&amp;eacute;todo de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e pela plataforma. Foi uma das primeiras manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es em n&amp;iacute;vel mundial que questionaram abertamente o neoliberalismo e propuseram mudan&amp;ccedil;as estruturais, discutindo tamb&amp;eacute;m o sistema capitalista e n&amp;atilde;o apenas sua face neoliberal. Foi, portanto, constitutiva do movimento antiglobaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o iniciado com as manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es em Seattle. Para o feminismo significou mais, significou retomar um movimento amplo que coloca a quest&amp;atilde;o de g&amp;ecirc;nero e classe como coextensivos e coloca a necessidade de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o global do modelo. Foi no dia 18 de outubro de 2000, logo ap&amp;oacute;s a entrega dos abaixo-assinados e das audi&amp;ecirc;ncias na ONU e no FMI, que se prop&amp;ocirc;s que a Marcha continuasse como um movimento permanente. Isso se deu a partir do que foi seu impacto em v&amp;aacute;rios pa&amp;iacute;ses para articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento de mulheres. Mas n&amp;atilde;o havia nada pensado, e a proposta foi de nos encontrarmos no primeiro F&amp;oacute;rum Social Mundial (FSM) que estava sendo organizado para janeiro de 2001, em Porto  Alegre. Nesse primeiro f&amp;oacute;rum, a Marcha teve grande visibilidade, por ter realizado uma grande mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Teve uma fala em uma das confer&amp;ecirc;ncias, participamos da teleconfer&amp;ecirc;ncia com Davos e realizamos um semin&amp;aacute;rio autogestionado com grande presen&amp;ccedil;a de mulheres. A Marcha se envolveu com todo o processo de luta contra o livre-com&amp;eacute;rcio, e consideramos que foi parte da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do movimento por outra mundializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e teve como centro a luta contra a globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o neoliberal.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;No Brasil, a Marcha se envolveu com peso na campanha contra a &amp;Aacute;rea de Livre Com&amp;eacute;rcio das Am&amp;eacute;ricas (Alca) e, a partir dessa participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, articulou o debate e a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica &amp;agrave; mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo e da vida das mulheres, ao mesmo tempo que organizou uma campanha pela valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sal&amp;aacute;rio m&amp;iacute;nimo como parte das lutas pela distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da renda no Brasil e, portanto, contra a pobreza.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A luta contra a Alca e a Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mundial do Com&amp;eacute;rcio (OMC) marcou toda nossa presen&amp;ccedil;a na Am&amp;eacute;rica Latina e foi fundamental para a recomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um campo de esquerda na regi&amp;atilde;o e, em particular, no movimento de mulheres. Sa&amp;iacute;mos de um debate sobre os impactos positivos e negativos da globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de uma poss&amp;iacute;vel Alca para uma vis&amp;atilde;o antissist&amp;ecirc;mica e de cr&amp;iacute;tica global ao modelo, ao mesmo tempo que recuperamos que a mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a luta social s&amp;atilde;o nossas principais ferramentas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; O F&amp;oacute;rum Social Mundial tamb&amp;eacute;m foi um ponto importante para o desenvolvimento da Marcha?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; O processo do FSM foi fundamental. Mas desde o in&amp;iacute;cio n&amp;oacute;s, em conjunto com outros movimentos sociais, compreendemos esse espa&amp;ccedil;o como um espa&amp;ccedil;o geral em que se expressava uma grande variedade de vis&amp;otilde;es com aspectos comuns e tamb&amp;eacute;m conflitivos. [...] Mas era importante que os movimentos organizassem dentro do F&amp;oacute;rum um espa&amp;ccedil;o de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no qual se pudesse ir mais al&amp;eacute;m e organizar a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas. Por isso desde o in&amp;iacute;cio investimos tanto nas atividades e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es do F&amp;oacute;rum quanto na organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Assembleia de Movimentos Sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Do ponto de vista dos processos concretos, houve a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha no Comit&amp;ecirc; Internacional do FSM, no qual desenvolvemos uma forte rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de alian&amp;ccedil;a com a Via Campesina, atrav&amp;eacute;s das lutas conjuntas contra a Alca e a OMC e a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Assembleia de Movimentos Sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Articulamos tamb&amp;eacute;m um processo de alian&amp;ccedil;a entre movimentos de mulheres que se expressou, por exemplo, na organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma agenda comum nos f&amp;oacute;runs sociais mundiais e tamb&amp;eacute;m em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas de mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A partir da Assembleia de Movimentos Sociais, se intensificaram essas alian&amp;ccedil;as e a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas nas campanhas contra o livre-com&amp;eacute;rcio, a OMC e a guerra de Bush, no Iraque. Muitos atores/atrizes que estavam envolvidos no processo contra a Alca tamb&amp;eacute;m estavam envolvidos no processo de desenvolvimento da Assembleia de Movimentos Sociais, formando assim espa&amp;ccedil;os de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos quais atuam tanto a Via Campesina quanto os Amigos da Terra.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;No Brasil, al&amp;eacute;m da campanha contra a Alca, a partir de 2003 realizamos v&amp;aacute;rias a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas contra os transg&amp;ecirc;nicos, e tamb&amp;eacute;m houve a partir de 2005 uma maior aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com a MMM.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Como foi essa aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o MST e a Via Campesina, voc&amp;ecirc; pode explicar um pouco mais? Que temas e lutas os aproximaram?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Preciso retomar a segunda a&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional da MMM em 2005, pois foi um momento importante. Houve a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, na qual apresentamos nossa vis&amp;atilde;o de mundo que queremos construir e, por isso, aparecem os v&amp;aacute;rios temas. O lan&amp;ccedil;amento dessa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o se deu no Brasil com uma marcha de 30 mil mulheres em S&amp;atilde;o Paulo. Nessa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que tamb&amp;eacute;m foi de 8 de mar&amp;ccedil;o a 17 de outubro de 2005, a Carta percorreu 50 pa&amp;iacute;ses e, al&amp;eacute;m dos debates e da mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, foi constru&amp;iacute;da uma colcha feita a partir de retalhos em que cada pa&amp;iacute;s expressou sua vis&amp;atilde;o da Carta. Essa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o teve um impacto muito grande diante dos outros movimentos tamb&amp;eacute;m. A partir da avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos diversos pa&amp;iacute;ses, se realizou uma sistematiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos pontos mais discutidos e trabalhados nos pa&amp;iacute;ses. Vimos que o tema da soberania alimentar tinha bastante peso, assim como a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de camponesas. No Brasil j&amp;aacute; sab&amp;iacute;amos disso, tanto pela participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres da Contag e do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR/NE), como tamb&amp;eacute;m pela rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com mulheres da Via Campesina. Mas o que constatamos &amp;eacute; que isso era uma realidade mais ampla, ou seja, em v&amp;aacute;rios pa&amp;iacute;ses participavam camponesas na MMM e tratavam do tema de soberania alimentar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Nesse processo da alian&amp;ccedil;a com a Via Campesina e os Amigos da Terra, e em particular para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma vis&amp;atilde;o que integrasse uma vis&amp;atilde;o feminista, ecol&amp;oacute;gica na soberania alimentar, o F&amp;oacute;rum Ny&amp;eacute;l&amp;eacute;ni para a Soberania Alimentar foi fundamental. A partir de um convite da Via, se construiu uma comiss&amp;atilde;o organizadora ampla para a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse F&amp;oacute;rum, que ocorreu no Mali, em 2007. No processo preparat&amp;oacute;rio, fizemos um amplo processo de debate com as mulheres tanto no Brasil como na Am&amp;eacute;rica Latina e no Caribe.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Nesse processo de debates, sempre procuramos construir uma alian&amp;ccedil;a entre todas as mulheres envolvidas e mobilizadas, como, por exemplo, a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de documentos em  conjunto. Mas, sobretudo, nosso di&amp;aacute;logo nos espa&amp;ccedil;os mistos se d&amp;aacute; a partir da alian&amp;ccedil;a com as mulheres desses outros movimentos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;No ano de 2010, houve um semin&amp;aacute;rio que juntou a MMM, a Via e os Amigos da Terra, com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres africanas e asi&amp;aacute;ticas que foi muito interessante. O objetivo era avaliar se houve avan&amp;ccedil;os nas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas e na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa abordagem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; E &amp;eacute; f&amp;aacute;cil trabalhar nesses &quot;espa&amp;ccedil;os mistos&quot;, como voc&amp;ecirc; denominou?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Nesses processos, alguns temas s&amp;atilde;o mais f&amp;aacute;ceis de serem trabalhados, como, por exemplo, a quest&amp;atilde;o do trabalho, da cr&amp;iacute;tica global ao modelo hegem&amp;ocirc;nico de agricultura. J&amp;aacute; os temas, tais como o do aborto e o da sexualidade, s&amp;atilde;o mais dif&amp;iacute;ceis de abordar. A quest&amp;atilde;o da viol&amp;ecirc;ncia vem sendo crescentemente incorporada pelo conjunto dos movimentos sociais. As mulheres da Via Campesina, em 2008, em  sua V Confer&amp;ecirc;ncia Internacional, aprovaram a proposta de uma campanha contra a viol&amp;ecirc;ncia em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Do lado da MMM, temas como agroecologia e uma vis&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica da destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da natureza est&amp;atilde;o mais incorporados. Na Europa, ocorre um aumento significativo de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es em conjunto com mulheres da Via Campesina. Existe um processo de fortalecimento que chamamos de processo de contamina&amp;ccedil;&amp;atilde;o das agendas, ou seja, uma agenda contamina a outra, numa tentativa de abordagem global.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Nas experi&amp;ecirc;ncias e nas propostas de agricultura familiar e agroecologia, voc&amp;ecirc; acha que haveria certa &quot;idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o&quot; da fam&amp;iacute;lia tradicional? Essa &quot;idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o&quot; poderia tencionar com ideais feministas de autonomia e liberdade das mulheres, bem como com o questionamento em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos padr&amp;otilde;es da fam&amp;iacute;lia burguesa, heteronormativa etc.?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; O que devemos perceber &amp;eacute; que, a partir das suas realidades socioculturais, as mulheres percebem e encontram seus processos, suas trajet&amp;oacute;rias. As camponesas possuem um debate mais desenvolvido tanto de cr&amp;iacute;tica sist&amp;ecirc;mica ao modelo capitalista como de an&amp;aacute;lise feminista na quest&amp;atilde;o da agricultura e da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no movimento. Isso se deu a partir de uma trajet&amp;oacute;ria em que elas foram encontrando seus espa&amp;ccedil;os, seu caminho de fazer o debate, afirmando quest&amp;otilde;es com muito protagonismo na luta pelos direitos da terra, na resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave;s empresas transnacionais que ocupam seus territ&amp;oacute;rios e imp&amp;otilde;em seu modelo de agricultura capitalista. Elas foram reivindicando e visibilizando seus conhecimentos, seu papel e contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o hist&amp;oacute;ricos na agricultura e, assim, avan&amp;ccedil;ando fronteiras. A luta dessas mulheres era para garantir a terra, ao mesmo tempo que questionavam a exclus&amp;atilde;o dos filhos nos processos de heran&amp;ccedil;a das esposas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Acho que avan&amp;ccedil;ou inclusive no questionamento ao modelo de fam&amp;iacute;lia idealizada, a fam&amp;iacute;lia como espa&amp;ccedil;o de harmonia, de complementaridade. A garantia de espa&amp;ccedil;os de auto-organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres nos movimentos mistos &amp;eacute; fundamental para o debate entre elas para que possam aprofundar suas reflex&amp;otilde;es, colocar seus questionamentos, pensar formas conjuntas de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Creio que as mulheres avan&amp;ccedil;aram mais do que os homens em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao debate de outro modelo que incorpore n&amp;atilde;o s&amp;oacute; o feminismo, mas tamb&amp;eacute;m uma vis&amp;atilde;o ecol&amp;oacute;gica. Isso faz parte tamb&amp;eacute;m de um processo de conquista de mais autonomia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Quais as dificuldades que voc&amp;ecirc;s t&amp;ecirc;m encontrado para abordar o tema do aborto, uma vez que esse tema &amp;eacute; considerado delicado nos movimentos de mulheres que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o declaradamente feministas?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Nesse processo das alian&amp;ccedil;as, ainda tratamos pouco sobre o tema. Creio que o tema do aborto, em primeiro lugar, tem que ser trabalhado entre as mulheres e, a partir de um ac&amp;uacute;mulo, ir ampliando para outros setores. O que prevalece nesse caso &amp;eacute; fortalecer os espa&amp;ccedil;os nos quais discutimos entre mulheres o que levar para uma agenda geral. Mas isso tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; relativo e depende do grau de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que temos. Nesse caso, podemos citar que no Brasil e na Am&amp;eacute;rica Latina o tema do aborto &amp;eacute; parte da agenda da MMM. N&amp;oacute;s temos colocado em todos os documentos sobre integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o regional um item que prop&amp;otilde;e que um processo de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos povos s&amp;oacute; ocorrer&amp;aacute; se as mulheres tiverem soberania sobre seus corpos e suas vidas. Em alguns documentos da Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Movimentos Sociais (CMS) no Brasil colocamos a garantia do exerc&amp;iacute;cio dos direitos reprodutivos. Mas &amp;eacute; fato que ainda falta muito para que o tema do direito ao aborto seja incorporado por todos. No Brasil, tanto a CUT quanto a UNE em geral, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; as mulheres, t&amp;ecirc;m resolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o em favor da descriminaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da legaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do aborto. Em geral, nos pa&amp;iacute;ses da &amp;Aacute;frica &amp;eacute; onde sentimos mais dificuldades. Temos feito mais interc&amp;acirc;mbio de experi&amp;ecirc;ncias de como as mulheres vivem o aborto, mas ainda &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil a&amp;ccedil;&amp;otilde;es comuns, simult&amp;acirc;neas em todo o mundo. No Brasil, &amp;eacute; um pouco diferente, mas conseguimos expor, ampliar o debate dos direitos reprodutivos. &amp;Eacute; em um grupo grande, com v&amp;aacute;rios pa&amp;iacute;ses, que a pol&amp;ecirc;mica aparece mais claramente.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; No Brasil, na Marcha h&amp;aacute; uma maior representatividade de mulheres dos movimentos sociais do campo ou urbanos?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF: &lt;/strong&gt;A composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da MMM no Brasil &amp;eacute; bastante diversificada. Como &amp;eacute; um movimento bastante horizontal, temos dificuldade de ter dados muito exatos. O funcionamento cotidiano dos comit&amp;ecirc;s estaduais &amp;eacute; mais marcado pela presen&amp;ccedil;a das mulheres urbanas. Em muitos estados temos uma presen&amp;ccedil;a grande de jovens, em outros de mulheres da economia solid&amp;aacute;ria, em outros de mulheres do movimento sindical. Em alguns estados temos uma forte din&amp;acirc;mica rural, como &amp;eacute; o caso do Rio Grande do Norte, do Cear&amp;aacute;, e cresce na Bahia. Al&amp;eacute;m da grande presen&amp;ccedil;a das mulheres da Contag e do MMTR/NE.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Com as mulheres ind&amp;iacute;genas, existe di&amp;aacute;logo e participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em alguns estados, tal como Roraima, Amazonas, Alagoas e, na Bahia, que est&amp;aacute; aumentando. No Brasil, ampliamos muito a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres. A Marcha &amp;eacute; um espa&amp;ccedil;o de milit&amp;acirc;ncia, muitas n&amp;atilde;o participam de nenhum movimento, sindicato, mas s&amp;atilde;o militantes da Marcha. Estamos incentivando muito a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comit&amp;ecirc;s a partir das universidades, por exemplo. Desses comit&amp;ecirc;s participam mulheres de todas as organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e sindicatos. No entanto, nem todos os pa&amp;iacute;ses possuem essa organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ainda reproduzem a ideia de representatividade de entidades e institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Ent&amp;atilde;o, na pr&amp;aacute;tica, no cotidiano do trabalho, a Marcha &amp;eacute; composta da reuni&amp;atilde;o de mulheres de v&amp;aacute;rias ONGs, sindicatos, associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es comunit&amp;aacute;rias, movimentos ind&amp;iacute;genas, universidades, associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de bairros perif&amp;eacute;ricos etc., mas n&amp;atilde;o necessariamente como &quot;representantes&quot; de cada um desses lugares. Seria isso?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; &amp;Eacute; isso mesmo. Na verdade temos uma mistura dessas coisas. Em alguns estados est&amp;aacute; mais organizada a partir de representa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mas n&amp;atilde;o necessariamente algo formal, uma por organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e sim aquelas que querem participar. Em outros prevalecem v&amp;aacute;rios n&amp;uacute;cleos da Marcha por universidade, munic&amp;iacute;pio etc.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; &amp;Eacute; o &quot;feminismo de base&quot;, voc&amp;ecirc; concorda com essa ideia?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; N&amp;atilde;o. Temos uma vis&amp;atilde;o de que existe um movimento de mulheres que incorpora v&amp;aacute;rios setores e grupos, e n&amp;atilde;o existe uma separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre um movimento de mulheres e um movimento de feministas. Temos um movimento de mulheres com um setor feminista, e &amp;eacute; a partir do processo de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de radicaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o conjunto das mulheres vai incorporando de forma mais consciente e expl&amp;iacute;cita o feminismo. Pois, em geral, as mulheres que est&amp;atilde;o nos movimentos enfrentam algum n&amp;iacute;vel de confronta&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o patriarcado, imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da divis&amp;atilde;o sexual do trabalho. N&amp;oacute;s consideramos fundamental a incorpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dimens&amp;atilde;o de classe e temos que pensar como fazer essa integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o que altera tanto a din&amp;acirc;mica como a plataforma e as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Estamos mesmo organizando um livro sobre essa quest&amp;atilde;o [feminismo de base] junto com a Universidade do Pa&amp;iacute;s Basco.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Na &amp;uacute;ltima d&amp;eacute;cada, em que muitas lideran&amp;ccedil;as feministas chegaram ao poder como vereadoras, deputadas, senadoras e gestoras do Executivo, voc&amp;ecirc; entende que h&amp;aacute; uma coer&amp;ecirc;ncia com os princ&amp;iacute;pios feministas?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Quando uma pessoa opta em fazer parte de um governo, ela passa a fazer parte de uma gest&amp;atilde;o, por sua bagagem de conhecimento, por seu partido. E pode desenvolver muitas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es pr&amp;oacute;ximas das lutas do movimento das mulheres. Exemplo disso ocorre com os integrantes do PT, por exemplo. No momento em que assume um mandato, essa mulher ir&amp;aacute; desenvolver pol&amp;iacute;ticas coerentes com o seu discurso de quando era militante do movimento social dentro do partido. Mas entendemos que as companheiras feministas que neste momento fazem parte de um governo representam o governo e as for&amp;ccedil;as que est&amp;atilde;o nele. No entanto, elas continuam tendo rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o e podem fazer um di&amp;aacute;logo com o movimento de mulheres. E nossa expectativa &amp;eacute; de que essas companheiras feministas que est&amp;atilde;o no governo possam ter capacidade de di&amp;aacute;logo com os setores populares, reconhecendo a import&amp;acirc;ncia do protagonismo do setor popular, no nosso caso das mulheres. Esperamos que sua forma de exercer seu cargo propicie tamb&amp;eacute;m o protagonismo, isto &amp;eacute;, crie espa&amp;ccedil;o de debates, de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, para que as mulheres que est&amp;atilde;o organizadas possam ter voz.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Qual a vis&amp;atilde;o da MMM em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos pol&amp;ecirc;micos projetos de infraestrutura que v&amp;ecirc;m sendo feitos na Am&amp;eacute;rica do Sul e que sustentam o PAC brasileiro?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; O ponto de partida geral &amp;eacute; a vis&amp;atilde;o de qual modelo queremos construir. As perguntas b&amp;aacute;sicas s&amp;atilde;o o que produzir, como produzir, como consumir, como distribuir, como alterar a atual rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e reprodu&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a re/produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o coloca sob a responsabilidade quase exclusiva das mulheres o trabalho de cuidados com a vida humana.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Temos duas quest&amp;otilde;es bastante presentes: se falamos de energia, de infraestrutura, a pergunta &amp;eacute; para que e para quem? A outra quest&amp;atilde;o &amp;eacute; como se tomam as decis&amp;otilde;es? Ou seja, nossa recusa &amp;eacute; de tudo que est&amp;aacute; pensado para garantir o lucro das grandes empresas em detrimento de colocar o bem-estar de todos e todas como o centro do modelo e, portanto, um outro paradigma de sustentabilidade da vida humana.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ou seja, na Marcha temos muitos questionamentos sobre o atual paradigma hegem&amp;ocirc;nico baseado nessa ideia de desenvolvimento. Entendemos que n&amp;atilde;o &amp;eacute; um modelo sustent&amp;aacute;vel, &amp;eacute; baseado em valores de mercado, incompat&amp;iacute;veis com a sustentabilidade da vida humana centrada no bem-estar de todos e todas e de harmonia com a natureza. Para n&amp;oacute;s, a ideia que deve prevalecer &amp;eacute; a do modelo de bem-estar, que deve estar voltado para todos e todas. &amp;Eacute; uma ideia de sociedade totalmente antag&amp;ocirc;nica ao modelo hegem&amp;ocirc;nico em que vivemos atualmente. Vivemos nesse modelo de desenvolvimento que n&amp;atilde;o beneficia a todos e tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o &amp;eacute; um modelo desejado. Nossa dificuldade &amp;eacute; estabelecer um debate, pois a globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o atingiu os setores da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o numa rapidez surpreendente, mais r&amp;aacute;pido que nossa capacidade de gerar o debate. S&amp;oacute; para dar um exemplo, em qualquer canto do pa&amp;iacute;s, em lugares de dif&amp;iacute;cil acesso, em acampamentos, todas as pessoas possuem telefones celulares, que muitas vezes se tornaram a &amp;uacute;nica maneira de se comunicar, mas ao mesmo tempo querem trocar o aparelho sempre por um novo e mais sofisticado. Precisamos analisar o que significa isso do ponto de vista das quest&amp;otilde;es que hoje estamos pensando. Por isso n&amp;oacute;s entendemos que garantir essa transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; muito complexo perante os resultados da globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E tudo isso &amp;eacute;, muitas vezes, paradoxal, pois as comunidades t&amp;ecirc;m acesso ao celular, mas n&amp;atilde;o acessam outros bens mais necess&amp;aacute;rios e b&amp;aacute;sicos de consumo e sobreviv&amp;ecirc;ncia. &amp;Eacute; uma vis&amp;atilde;o bastante consensual, em grande parte dos movimentos, de que temos que fazer a transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para outra matriz energ&amp;eacute;tica que n&amp;atilde;o seja baseada nos combust&amp;iacute;veis f&amp;oacute;sseis, que &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio diversificar as fontes, buscar fontes renov&amp;aacute;veis e limpas, produzidas e gestionadas de forma descentralizada e democr&amp;aacute;tica. Entendemos tamb&amp;eacute;m que deve haver uma mudan&amp;ccedil;a do padr&amp;atilde;o de consumo. Nesse sentido, se no geral achamos que explorar g&amp;aacute;s &amp;eacute; parte do modelo que queremos superar, mas o que significa hoje dizer que a Bol&amp;iacute;via n&amp;atilde;o explore seu g&amp;aacute;s? Acreditamos que precisamos aprofundar esse debate sobre a transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse modelo. A velocidade do capitalismo brasileiro e a expans&amp;atilde;o de suas empresas hoje na regi&amp;atilde;o [cada vez mais na &amp;Aacute;frica], por exemplo, refor&amp;ccedil;am o modelo que questionamos das grandes obras, da explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de min&amp;eacute;rios, do extrativismo etc.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Temos que pensar, primeiro, no bem-estar da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Brasil possui potencial para constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma matriz energ&amp;eacute;tica descentralizada, usando outras fontes de energia. Nesse sentido, a resist&amp;ecirc;ncia dos movimentos camponeses e ind&amp;iacute;genas nos deu muitas li&amp;ccedil;&amp;otilde;es, visto que demonstrou como esses setores mais marginalizados podem resistir a situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es muito complexas. Um exemplo foram as li&amp;ccedil;&amp;otilde;es que aprendi com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a resist&amp;ecirc;ncia. Morei numa regi&amp;atilde;o onde houve inunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o a partir da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma barragem que nem era t&amp;atilde;o pr&amp;oacute;xima. E vi que um grande fazendeiro foi comprando o restante da terra n&amp;atilde;o inundada e se tornou um grande propriet&amp;aacute;rio na regi&amp;atilde;o. Mas &amp;eacute; muito impressionante como esse modelo &amp;eacute; perverso [...], &amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil reagir a esse processo. Ele &amp;eacute; dado como o &quot;custo do progresso&quot;, como dizem. Possu&amp;iacute;mos muita dificuldade de discutir de forma consistente esse projeto de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro dos movimentos sociais, porque vivemos em meio a contradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Por exemplo, a maioria dos movimentos apoia a explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Pr&amp;eacute;-Sal, mas questiona a usina de Belo Monte. O que vamos pesar nessa balan&amp;ccedil;a?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; poderia comentar sobre a contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da denominada economia feminista?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Magdalena Leon, economista feminista equatoriana, traz com peso essa ideia de economia ampliada. Ela tem como refer&amp;ecirc;ncia concreta a experi&amp;ecirc;ncia vivida no Equador, onde grande parte das pr&amp;aacute;ticas econ&amp;ocirc;micas ainda &amp;eacute; regida por outros valores que n&amp;atilde;o monet&amp;aacute;rios. No Brasil, o que ainda tem de economia n&amp;atilde;o monetarizada est&amp;aacute; muito fragmentado. As mulheres do campo t&amp;ecirc;m a sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o no quintal. Contribuem no ro&amp;ccedil;ado, mas isso &amp;eacute; visto como &quot;ajuda&quot;. Elas realizam o trabalho dom&amp;eacute;stico e de cuidados, mas quando &amp;eacute; vendida a safra, &amp;eacute; o dinheiro que aparece. N&amp;atilde;o aparece o produto desses cuidados, dessa reprodu&amp;ccedil;&amp;atilde;o cotidiana.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A economia feminista traz esse debate do reconhecimento de que a economia vai al&amp;eacute;m do mercantil e do monet&amp;aacute;rio, coloca a necessidade de reconhecimento de uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica das mulheres no trabalho dom&amp;eacute;stico, de cuidados, para o autoconsumo. Dessa forma, al&amp;eacute;m de incorporar, coloca essa necessidade de reconceitua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que &amp;eacute; &quot;economia&quot; e do que &amp;eacute; &quot;trabalho&quot; e questiona esse paradigma centrado no mercado. E reconceituar significa incorporar as pr&amp;aacute;ticas, os conhecimentos e as experi&amp;ecirc;ncias das mulheres em tudo que historicamente foi constru&amp;iacute;do. Hoje, na Am&amp;eacute;rica Latina, est&amp;aacute; presente o debate do reconhecimento dos direitos com a natureza, toda a quest&amp;atilde;o da Pachamama, principalmente pelos povos ind&amp;iacute;genas, e todo o debate na Bol&amp;iacute;via, no Equador etc. N&amp;oacute;s [as feministas] sempre tememos que isso nos levasse a uma quest&amp;atilde;o essencialista de identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da natureza com as mulheres em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da maternidade. No entanto, creio que esse di&amp;aacute;logo com as sociedades ind&amp;iacute;genas n&amp;atilde;o seja simplesmente incorporar uma vis&amp;atilde;o da complementaridade entre masculino e feminino (que &amp;eacute; outro aspecto presente nesse debate), mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o &amp;eacute; de confronta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Hoje essa recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da quest&amp;atilde;o de uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o harmoniosa com a natureza significa confrontar o capitalismo patriarcal, racista, degradante do meio ambiente. Ou seja, reconhecer que os impactos sobre a natureza n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o externos ao modelo econ&amp;ocirc;mico, assim como o trabalho dom&amp;eacute;stico e de cuidados tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o o s&amp;atilde;o. E n&amp;oacute;s temos compartilhado da an&amp;aacute;lise de que o tempo e o trabalho das mulheres, tal como a natureza, s&amp;atilde;o, por esse modelo, tidos como recursos inesgot&amp;aacute;veis. Historicamente, as mulheres foram identificadas com a natureza e isso gerou muita desvaloriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sobretudo porque os homens foram identificados com a cultura. O debate &amp;eacute; justamente avan&amp;ccedil;ar na cr&amp;iacute;tica ao androcentrismo desse modelo, mas tamb&amp;eacute;m ao antropocentrismo. Al&amp;eacute;m disso, h&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m o debate sobre, por exemplo, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre biodiversidade n&amp;atilde;o s&amp;oacute; como da natureza, mas fruto das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais, da intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre ser humano e natureza.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST: &lt;/strong&gt;Vamos aproveitar e relacionar as suas duas &amp;uacute;ltimas respostas, a dif&amp;iacute;cil quest&amp;atilde;o do desenvolvimento e os casos do Brasil e da Bol&amp;iacute;via. Como fica a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do desenvolvimento ao compararmos esses dois pa&amp;iacute;ses, em sua opini&amp;atilde;o?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Em abril de 2010, quando estivemos na Confer&amp;ecirc;ncia de Cochabamba, ficamos impressionadas com a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de alimentos e vimos que n&amp;atilde;o era fruto de uma agricultura marcada pela Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o Verde, uma vez que o peso da cultura e da economia camponesas ainda &amp;eacute; muito significativo. O Brasil &amp;eacute; fortemente marcado pela Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o Verde, por monocultivos e pelo agroneg&amp;oacute;cio. Felizmente, ainda existem muita resist&amp;ecirc;ncia dos ind&amp;iacute;genas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e cada vez mais o resgate da agroecologia. O problema, contudo, &amp;eacute; a velocidade desse desenvolvimento, sobretudo se voc&amp;ecirc; pensar no ritmo e nas dificuldades que possu&amp;iacute;mos para recuperar as pr&amp;aacute;ticas de agroecologia. Observamos que, em geral, s&amp;atilde;o as mulheres que incorporam primeiro as pr&amp;aacute;ticas agroecol&amp;oacute;gicas. Isso acontece por v&amp;aacute;rios motivos: o lugar das mulheres na agricultura &amp;eacute; na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do quintal, um lugar essencialmente prop&amp;iacute;cio para a agroecologia. Por outro lado, as mulheres foram exclu&amp;iacute;das da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o mecanizada da Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o Verde. Ent&amp;atilde;o, elas n&amp;atilde;o incorporaram as tecnologias de forma t&amp;atilde;o imediata, nem a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os bancos, com a comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com empresas. As mulheres ainda vendem seus produtos pr&amp;oacute;ximo &amp;agrave; sua comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Em seus debates, as mulheres do MAB, por exemplo, reconhecem que, na venda da terra, o dinheiro n&amp;atilde;o ficar&amp;aacute; com elas e que a subsist&amp;ecirc;ncia vem dessa terra. Elas t&amp;ecirc;m mais desconfian&amp;ccedil;a do mercado, sabem que poder&amp;aacute; surgir o endividamento, usam sua intui&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Com homens, devido &amp;agrave; quest&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a, j&amp;aacute; &amp;eacute; o contr&amp;aacute;rio. Eles acham que, com um pouco de dinheiro, v&amp;atilde;o se tornar empres&amp;aacute;rios. As mulheres s&amp;atilde;o ligadas &amp;agrave; natureza e os homens &amp;agrave; cultura? Essa n&amp;atilde;o &amp;eacute; nossa vis&amp;atilde;o, e temos procurado entender essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres com a natureza a partir de suas pr&amp;aacute;ticas sociais concretas, atrav&amp;eacute;s das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de g&amp;ecirc;nero e seu lugar na divis&amp;atilde;o social e sexual do trabalho. Mas &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio entrar na seguinte quest&amp;atilde;o: nem todas possuem essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a natureza.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;J&amp;aacute; na agroecologia, elas est&amp;atilde;o participando dos espa&amp;ccedil;os de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, reuni&amp;otilde;es, trocas de experi&amp;ecirc;ncias e saberes. E, pela primeira vez, elas ver&amp;atilde;o o seu trabalho valorizado. Agora, esse &amp;eacute; um processo contra-hegem&amp;ocirc;nico e, portanto, mais lento que o capitalismo e sua voracidade pelo lucro. Creio que n&amp;atilde;o &amp;eacute; correto falar mais lento, mas a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o tempo &amp;eacute; outra e se consideram, dessa forma, os tempos de regenera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da terra. Isso exige um forte reconhecimento por parte do Estado e o desenvolvimento de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para a agroecologia, tendo como ponto central a necessidade de uma reforma agr&amp;aacute;ria integral.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Quando as mulheres come&amp;ccedil;am a se organizar no movimento agroecol&amp;oacute;gico, elas come&amp;ccedil;am a perceber de outra forma sua contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o na agricultura, e isso contribui para uma consci&amp;ecirc;ncia cr&amp;iacute;tica sobre a dimens&amp;atilde;o de g&amp;ecirc;nero. E, por sua vez, uma nova identidade, a partir de um processo coletivo no movimento, traz mudan&amp;ccedil;as a essas mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ao mesmo tempo, a soberania alimentar s&amp;oacute; ser&amp;aacute; efetiva se envolver a cidade e se desmantelar esse modelo industrial de agricultura que chega at&amp;eacute; a comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos grandes supermercados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Mas esse n&amp;atilde;o &amp;eacute; um processo f&amp;aacute;cil. Primeiro, porque as grandes metr&amp;oacute;poles s&amp;atilde;o mais complexas, as pessoas t&amp;ecirc;m seus tempos muito ocupados, dificultando sua participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Existem temas que na cidade s&amp;atilde;o mais dif&amp;iacute;ceis de serem trabalhados, tais como a ecologia, os modelos de consumo e a soberania alimentar. Colocamos o tema da soberania alimentar e de padr&amp;otilde;es de consumo como parte de nossas tarefas na Marcha a serem desenvolvidas nas cidades, com os movimentos sociais urbanos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;ou esta &amp;uacute;ltima resposta falando do Brasil e da Bol&amp;iacute;via em termos de desenvolvimento e terminou trazendo uma reflex&amp;atilde;o sobre as mulheres do campo e sua participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na agroecologia. &amp;Eacute; interessante notar como esferas mais macrosc&amp;oacute;picas, relativas ao desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico, possuem rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com esferas microsc&amp;oacute;picas e cotidianas. Qual &amp;eacute; o impacto dessas novas trajet&amp;oacute;rias das mulheres rurais (e tamb&amp;eacute;m urbanas) e do trabalho dom&amp;eacute;stico?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; O tema trabalho dom&amp;eacute;stico &amp;eacute; complexo de abordar, mesmo dentro do movimento. N&amp;oacute;s fizemos um esfor&amp;ccedil;o n&amp;atilde;o s&amp;oacute; para incorporar esse tema em nossas an&amp;aacute;lises, nas plataformas, mas tamb&amp;eacute;m para discutir nas atividades de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e no cotidiano dos grupos. Mas a quest&amp;atilde;o da divis&amp;atilde;o do trabalho em casa, quando as mulheres s&amp;atilde;o casadas e com filhos, &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil abordar. Foi com isso que tentamos romper, pois ach&amp;aacute;vamos que dever&amp;iacute;amos ir al&amp;eacute;m dos nossos panfletos, das nossas an&amp;aacute;lises dentro da Marcha. E foi com esse objetivo que o incorporamos nas palavras de ordem da batucada. Por volta do ano de 2003, em uma a&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha, quando eram gritadas as palavras de ordem como &quot;viol&amp;ecirc;ncia&quot;, n&amp;atilde;o tinha rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos homens nas ruas. Mas quando grit&amp;aacute;vamos &quot;Jo&amp;atilde;o, Jo&amp;atilde;o, cozinha seu feij&amp;atilde;o!&quot; ou &quot;Jos&amp;eacute;, Jos&amp;eacute;, cozinha se quiser!&quot;, eles reagiam. Uma atividade que utilizamos em atividades de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a de abrir esse debate perguntando se houve mudan&amp;ccedil;as em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao trabalho dom&amp;eacute;stico depois que passaram a ser militantes. Essa foi uma das maneiras para visibilizar e fazer o debate pol&amp;iacute;tico-econ&amp;ocirc;mico.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; A MMM tem uma reflex&amp;atilde;o acerca da ind&amp;uacute;stria da beleza e do papel que ela joga tanto na subjuga&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mulheres, mercantilizando os corpos e re/produzindo padr&amp;otilde;es de beleza que movimentam uma economia significativa no mundo, e no Brasil, em particular. O Brasil &amp;eacute; um dos maiores consumidores de f&amp;aacute;rmacos, desde psicotr&amp;oacute;picos at&amp;eacute; os inibidores de apetite, e de produtos de beleza, campe&amp;atilde;o de cirurgias pl&amp;aacute;sticas e onde o estere&amp;oacute;tipo da &quot;mulher brasileira&quot; tem um peso muito grande. Voc&amp;ecirc; poderia contar um pouco dessa reflex&amp;atilde;o, como come&amp;ccedil;ou e o que a Marcha est&amp;aacute; fazendo nesse sentido?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; Acho que n&amp;oacute;s da SOF tivemos uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o nessa quest&amp;atilde;o ao mesmo tempo que encontramos muita receptividade nesse tema. Em primeiro lugar, na SOF essa preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o estava colocada desde antes da exist&amp;ecirc;ncia da MMM. Por exemplo, no boletim Mulher e Sa&amp;uacute;de, que publicamos na maior parte da d&amp;eacute;cada de 1990, tratamos esse tema junto com o debate de &quot;reposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o hormonal&quot;. Fal&amp;aacute;vamos da imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das cirurgias pl&amp;aacute;sticas etc. N&amp;oacute;s j&amp;aacute; abord&amp;aacute;vamos essa intensifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o sem usar esse nome.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Na Marcha, buscamos trabalhar desde o in&amp;iacute;cio o que significava a globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o neoliberal para as mulheres. E naquele momento t&amp;iacute;nhamos todo um discurso do avan&amp;ccedil;o do reconhecimento dos direitos das mulheres, os resultados das confer&amp;ecirc;ncias da ONU (que j&amp;aacute; abordamos acima). N&amp;oacute;s, ent&amp;atilde;o, na busca de construir uma an&amp;aacute;lise que desse conta do que realmente acontecia, constru&amp;iacute;mos essa abordagem de que, enquanto se reconheciam os direitos das mulheres nas confer&amp;ecirc;ncias da ONU, o mercado ia reorganizando a vida das mulheres. Al&amp;eacute;m disso, incorporamos a formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Dani&amp;egrave;le Kergoat sobre o fato de que a globaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o criou uma dualidade entre as mulheres. Daniele afirma que, pela primeira vez na hist&amp;oacute;ria do capitalismo, algumas mulheres tiveram acesso ao capital por elas mesmas e n&amp;atilde;o em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de parentesco e heran&amp;ccedil;a como filhas, esposas, amantes. Mas isso se deu em um momento que, para a grande maioria, significou ter trabalho prec&amp;aacute;rio e sem direitos, assim como mais sobrecarga com trabalho dom&amp;eacute;stico e de cuidados sob a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos direitos sociais no neoliberalismo.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ser contra a mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo e da vida das mulheres significa combater a l&amp;oacute;gica que transforma as mulheres em objetos a serem comprados, vendidos ou mesmo tomados &amp;agrave; for&amp;ccedil;a. A desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mecanismos do mercado, da explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho, das press&amp;otilde;es da m&amp;iacute;dia, passando pelas novas e velhas formas de controle do corpo, s&amp;atilde;o todos aspectos que v&amp;atilde;o ao cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sistema capitalista e nos permitem, a partir de experi&amp;ecirc;ncias cotidianas das mulheres, fazer rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre as situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de opress&amp;atilde;o e o funcionamento da ordem econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A MMM tem como um eixo estruturador de sua a&amp;ccedil;&amp;atilde;o a luta contra o livre-com&amp;eacute;rcio ou livre-mercado. Atuou na luta contra a OMC, denunciando que essa institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o serve apenas para a regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do com&amp;eacute;rcio, mas tem como objetivo a mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todas as dimens&amp;otilde;es da vida. Na campanha contra a Alca, em 2002,  a MMM elaborou como consigna&amp;ccedil;&amp;atilde;o &quot;O mundo n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma mercadoria! As mulheres tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o!&quot;. Essa consigna&amp;ccedil;&amp;atilde;o se transformou em um grito da batucada feminista: &quot;A nossa luta &amp;eacute; todo dia: somos mulheres e n&amp;atilde;o mercadoria!&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; E a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre a Marcha e a universidade? Como voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Tentamos estabelecer rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que nos ajudem a pensar os desafios colocados para n&amp;oacute;s. Existem muitas/os acad&amp;ecirc;micas/os que precisam de nossos materiais, que querem entender o processo. Mas nunca conseguirmos desenvolver bem a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o e avaliamos que temos essa dificuldade devido &amp;agrave;s agendas e &amp;agrave; falta de tempo. Mas outra dificuldade &amp;eacute; das/os pr&amp;oacute;prias/os acad&amp;ecirc;micas/os, por n&amp;atilde;o terem mais liga&amp;ccedil;&amp;otilde;es conosco. Na verdade precisamos de tempo e situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que alimentem essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Atualmente a Marcha est&amp;aacute; envolvida num processo, no Pa&amp;iacute;s Basco, junto &amp;agrave; Universidade, em projeto de que participamos n&amp;oacute;s com a Via Campesina. Tem companheiras da MMM e da Via fazendo um m&amp;aacute;ster o tema da coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Est&amp;atilde;o desenvolvendo uma pesquisa para pensar a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e isso &amp;eacute; bastante importante. No Brasil existem experi&amp;ecirc;ncias muito espor&amp;aacute;dicas, devido a nossas dificuldades de encontrar mecanismos para essa interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de um processo mais org&amp;acirc;nico. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; resist&amp;ecirc;ncia nossa. No nosso caso, participamos de muitas entrevistas feitas por pesquisadores, mas temos pouco retorno. E deveria ser pensado na forma de retorno, poderia ser, por exemplo, na forma de debate. Mas tamb&amp;eacute;m creio que temos um problema do ponto de partida: o que estudar. Sempre chegam com propostas do que querem estudar e somos as pesquisadas. Na verdade acho que seria importante uma defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjunta de estudos que nos ajudasse a aprofundar determinadas quest&amp;otilde;es que s&amp;atilde;o consideradas desafios para n&amp;oacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;CST:&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; poderia abordar a conhecida &quot;batucada&quot; da MMM, qual seu significado e como foi escolhida como uma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o singular da Marcha?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;NF:&lt;/strong&gt; A batucada na MMM, como uma express&amp;atilde;o de nossa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista, iniciou com as mulheres do Rio Grande do Norte no FSM, em 2003. Essa experi&amp;ecirc;ncia somou e inovou uma linguagem pr&amp;oacute;pria da MMM. Possibilitou ocupar plenamente o espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico desde os nossos sons, que produzimos dos tambores e das latas, e de nossas vozes, com gritos que fortalecem uma a&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista irreverente. O ritmo, o visual e a rebeldia da batucada feminista j&amp;aacute; apareceram nas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es do 8 de mar&amp;ccedil;o de 2003 em alguns estados.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;No F&amp;oacute;rum Social Brasileiro, realizado em novembro de 2003, em Belo Horizonte, em uma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjunta com o acampamento da juventude, ocupamos o Carrefour e etiquetamos os produtos transg&amp;ecirc;nicos. Nessa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o a batucada &quot;estourou&quot;, dando o ritmo da interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o com par&amp;oacute;dias cr&amp;iacute;ticas &amp;agrave;s m&amp;uacute;sicas de propagandas de produtos aliment&amp;iacute;cios.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;Ainda no ano de 2003 foram organizadas v&amp;aacute;rias oficinas de picha&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica aos cartazes sexistas, principalmente, de cervejas e de beleza. Nessas oficinas, voltadas principalmente para as jovens, se construiu uma reflex&amp;atilde;o sobre a imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do padr&amp;atilde;o de beleza e como ele j&amp;aacute; est&amp;aacute; presente na juventude.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A proposta de construir uma &quot;ofensiva contra a mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo e da vida&quot;, com o objetivo de articular e intensificar as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que j&amp;aacute; eram realizadas em v&amp;aacute;rios estados, surgiu em uma reuni&amp;atilde;o das jovens na MMM. A ofensiva foi lan&amp;ccedil;ada em 2004 como uma a&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, e n&amp;atilde;o como uma campanha que tem reivindica&amp;ccedil;&amp;atilde;o espec&amp;iacute;fica. Sua estrat&amp;eacute;gia inclui a reflex&amp;atilde;o e a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es feministas contra o machismo na sociedade de mercado e se materializa em colagem de cartazes, interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o em cartazes publicit&amp;aacute;rios, a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de rua com batucada, debates sobre letras de m&amp;uacute;sica, publicidade na TV e em revistas e padr&amp;otilde;es de beleza. A luta contra a mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi o eixo orientador das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es do dia 17 de outubro de 2004, no Brasil. V&amp;aacute;rios estados realizaram a&amp;ccedil;&amp;otilde;es relacionando a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o das transnacionais &amp;agrave; mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida e do corpo das mulheres. Dentre essas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, em S&amp;atilde;o Paulo, foi realizada uma interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o direta em outdoors, na Avenida Paulista, que tratavam a mulher como mercadoria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;A forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de batucadas e o fortalecimento das que j&amp;aacute; existiam foram importantes para afirmar a ofensiva como uma a&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista na qual h&amp;aacute; uma grande participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das jovens na MMM. No FSM de 2005, v&amp;aacute;rias atividades foram realizadas a partir do ac&amp;uacute;mulo das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es da ofensiva. A batucada se tornou uma marca de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marcha. No 1&amp;ordm; Encontro Nacional da MMM, realizado em 2006, em  Belo Horizonte, houve um avan&amp;ccedil;o na formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos conte&amp;uacute;dos que trabalhamos na ofensiva, aprofundando a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a luta contra o livre-com&amp;eacute;rcio e a OMC. Tamb&amp;eacute;m foram debatidas formas de criar novas refer&amp;ecirc;ncias culturais, novas pr&amp;aacute;ticas e maneira de lazer que se combinam com a cr&amp;iacute;tica da ind&amp;uacute;stria cultural, da imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de padr&amp;otilde;es de beleza e comportamento, e dos valores da sociedade de mercado. Em abril de 2008, numa reuni&amp;atilde;o nacional das jovens na MMM, decidiu-se intensificar as nossas atividades, atualizar os conte&amp;uacute;dos abordados no tema da mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ampliar nosso foco de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos temas da prostitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, do tr&amp;aacute;fico de mulheres e das transnacionais. Nossa estrat&amp;eacute;gia para realizar essas tarefas &amp;eacute; estabelecer uma din&amp;acirc;mica frequente de troca de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre os estados para socializar as atividades realizadas. Para viabilizar esse interc&amp;acirc;mbio, utilizaremos o s&amp;iacute;tio eletr&amp;ocirc;nico (blog) e outras formas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Outra tarefa dessa retomada &amp;eacute; a rearticula&amp;ccedil;&amp;atilde;o das batucadas nos estados, recuperando e acentuando seu sentido de aglutinador pol&amp;iacute;tico, al&amp;eacute;m de um espa&amp;ccedil;o permanente de auto-organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A luta contra a sociedade de mercado e a resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; mercantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do corpo e da vida das mulheres seguem como um eixo fundamental para uma a&amp;ccedil;&amp;atilde;o feminista que incorpore a perspectiva de classe e seja protagonista de uma transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o profunda da ordem social global, ou seja, para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um feminismo n&amp;atilde;o institucionalizado e militante.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify; &quot;&gt;&lt;strong&gt;SRF:&lt;/strong&gt; Nalu, agradecemos seu interesse e disponibilidade em dialogar conosco. Realmente, acreditamos que o p&amp;uacute;blico acad&amp;ecirc;mico, as feministas acad&amp;ecirc;micas, que s&amp;atilde;o grande parte do p&amp;uacute;blico da Revista de Estudos Feministas (REF), muito se beneficiar&amp;atilde;o de conhecer sua trajet&amp;oacute;ria e de aprender com os posicionamentos da SOF e da Marcha. Grata mesmo por essa d&amp;aacute;diva!&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Wed, 09 May 2012 02:05:39 GMT</pubDate>
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<title>Entrevista: Pepe Vargas fala sobre Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Rio + 20</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=225710</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/225729&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em entrevista &amp;agrave; Carta Maior, o ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas, fala sobre o papel das pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria e de fortalecimento da Agricultura Familiar no plano do governo de acabar com a pobreza extrema no meio rural. Pepe Vargas prev&amp;ecirc; que a presidenta Dilma Roussef vetar&amp;aacute; pontos da proposta de mudan&amp;ccedil;a do C&amp;oacute;digo Florestal, como a anistia a grandes desmatadores, e que o Brasil chegar&amp;aacute; muito bem &amp;agrave; Confer&amp;ecirc;ncia da ONU sobre Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Marco Aur&amp;eacute;lio Weissheimer&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O projeto de desenvolvimento em curso no Brasil baseia-se em tr&amp;ecirc;s pilares: inclus&amp;atilde;o social, preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos recursos naturais e redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da emiss&amp;atilde;o de gases de efeito estufa. Isso &amp;eacute; o que o governo entende por desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel e &amp;eacute; com essa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o Brasil participar&amp;aacute; da Confer&amp;ecirc;ncia das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel. A avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; do ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas, que rejeita a ideia de que o Brasil chegar&amp;aacute; numa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o defensiva e recuada a Rio+20.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em entrevista &amp;agrave; Carta Maior, Pepe Vargas defende que o Brasil ocupa uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ponta hoje no debate ambiental mundial, prev&amp;ecirc; que a presidenta Dilma Roussef vai vetar pontos da proposta de mudan&amp;ccedil;a do C&amp;oacute;digo Florestal (como a anistia aos grandes desmatadores) e fala dos planos de sua gest&amp;atilde;o para as pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria e de fortalecimento da Agricultura Familiar no pa&amp;iacute;s.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Um dos principais objetivos do governo federal para os pr&amp;oacute;ximos anos &amp;eacute; acabar com a pobreza extrema no meio rural. Considerando a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, quais s&amp;atilde;o as pol&amp;iacute;ticas que j&amp;aacute; existem hoje para travar esse combate?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A principal pol&amp;iacute;tica do governo federal para atingir essa meta &amp;eacute; o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, plano coordenado pelo Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Social. Segundo os dados oficiais, cerca de 16 milh&amp;otilde;es de pessoas vivem hoje abaixo da linha da pobreza no Brasil. Deste universo, aproximadamente a metade vive no meio rural. Ent&amp;atilde;o, h&amp;aacute; um conjunto de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que dizem respeito diretamente &amp;agrave; atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio. N&amp;oacute;s temos algumas metas que estamos antecipando. Cerca de 180 mil fam&amp;iacute;lias est&amp;atilde;o sendo atendidas pelo Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, incluindo ainda agricultores familiares, comunidades e povos tradicionais e assentados da reforma agr&amp;aacute;ria. At&amp;eacute; 2014, devem ser atendidas 250 mil fam&amp;iacute;lias. No caso do MDA, esse atendimento ocorre de diversas formas, incluindo servi&amp;ccedil;os diferenciados de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica e extens&amp;atilde;o rural, entrega de sementes e tecnologia apropriada para cada regi&amp;atilde;o. As nossas pol&amp;iacute;ticas para novos assentamentos tamb&amp;eacute;m caminhar&amp;atilde;o nesta dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria prev&amp;ecirc; um acompanhamento continuado dessas fam&amp;iacute;lias. O programa iniciou o ano passado na regi&amp;atilde;o Nordeste e, este ano, vamos come&amp;ccedil;ar a trabalhar nas regi&amp;otilde;es Sudeste e Sul, por meio de conv&amp;ecirc;nios com os governos estaduais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, cerca de 6 mil fam&amp;iacute;lias ser&amp;atilde;o atendidas. A assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica ser&amp;aacute; feita pela Emater (Empresa de Assist&amp;ecirc;ncia T&amp;eacute;cnica e Extens&amp;atilde;o Rural) e n&amp;oacute;s entraremos com a parte do fomento. Cabe destacar que o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria identifica e inscreve pessoas que precisam e ainda n&amp;atilde;o recebem o Bolsa Fam&amp;iacute;lia. Al&amp;eacute;m disso, no meio rural, os agricultores recebem um fomento (n&amp;atilde;o-reembols&amp;aacute;vel) no valor de R$ 2,4 mil, destinado a melhorias nas propriedades, al&amp;eacute;m dos servi&amp;ccedil;os de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica. As nossas pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria se inserem nesta estrat&amp;eacute;gia geral.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Falando em Reforma Agr&amp;aacute;ria, o MST desencadeou recentemente o Abril Vermelho, realizando uma s&amp;eacute;rie de protestos contra o que chama de lentid&amp;atilde;o no processo de Reforma Agr&amp;aacute;ria. Como foram as negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o movimento, que chegou a ocupar a sede do minist&amp;eacute;rio, e qual sua avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre as cr&amp;iacute;ticas dirigidas ao governo?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O papel dos movimentos &amp;eacute; esse mesmo, mobilizar, pressionar para que os governos sejam mais c&amp;eacute;leres. N&amp;atilde;o podia ser diferente. Mantivemos uma mesa de negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o quase que permanente neste processo. Cabe lembrar que, al&amp;eacute;m do MST, existem outros movimentos que lutam pela Reforma Agr&amp;aacute;ria, que tamb&amp;eacute;m t&amp;ecirc;m suas mobiliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e demandas. No marco dessa mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do MST, n&amp;oacute;s j&amp;aacute; anunciamos algumas medidas. Em primeiro lugar, n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; contingenciamento de recursos para a obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Em segundo, encaminhamos 15 novos decretos de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Tamb&amp;eacute;m liberamos 250 milh&amp;otilde;es de reais para o Incra em TDAs (T&amp;iacute;tulos da D&amp;iacute;vida Agr&amp;aacute;ria ). Al&amp;eacute;m disso, liberamos outros 44 milh&amp;otilde;es de reais para pagamento de benfeitorias em processo de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Somente essa &amp;uacute;ltima medida beneficiar&amp;aacute; cerca de 11 mil fam&amp;iacute;lias.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O mais importante a&amp;iacute;, do ponto de vista estrutural, &amp;eacute; que vamos mudar a forma pela qual o Incra trabalha hoje. Hoje, o Incra vai na terra fazer a vistoria e, se constata que a &amp;aacute;rea &amp;eacute; pass&amp;iacute;vel de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, encaminha o decreto para este fim. Depois tem que voltar &amp;agrave; &amp;aacute;rea e fazer a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do im&amp;oacute;vel. Isso vai mudar. A mesma equipe que fizer o laudo de vistoria far&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pre&amp;ccedil;o da terra.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Temos um outro problema a resolver relativo ao pre&amp;ccedil;o das terras em caso de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A MP 2183, de 2001, estabeleceu um texto de 6% para os juros compensat&amp;oacute;rios a serem pagos em caso de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Uma decis&amp;atilde;o posterior do STJ suspendeu essa medida e fixou esse &amp;iacute;ndice de juros compensat&amp;oacute;rios em 12%. Cabe lembrar que estamos com uma taxa Selic de 9%. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada hoje no sistema financeiro brasileiro que remunere a uma taxa de 12%. Isso eleva o valor das desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;agrave;s alturas, cerca de 50 ou 60% a mais, provocando um forte impacto no or&amp;ccedil;amento do Incra. O assunto est&amp;aacute; no Supremo aguardando decis&amp;atilde;o final h&amp;aacute; v&amp;aacute;rios anos. Trata-se de uma amarra importante no processo de Reforma Agr&amp;aacute;ria.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Voltando ao tema das nossas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, n&amp;oacute;s estamos implantando uma nova pol&amp;iacute;tica para os acampamentos e assentamentos. A tend&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; que, em 2012, atinjamos a universaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Bolsa Fam&amp;iacute;lia. N&amp;oacute;s temos hoje um n&amp;uacute;mero &amp;ldquo;x&amp;rdquo; de acampados, um n&amp;uacute;mero que &amp;eacute; sempre muito vol&amp;aacute;til, cada movimento trabalha com um n&amp;uacute;mero. Mas independente de qual seja esse n&amp;uacute;mero, todos ser&amp;atilde;o inscritos no cadastro &amp;uacute;nico do governo federal que d&amp;aacute; acesso ao Bolsa Fam&amp;iacute;lia. Assim, essas pessoas ingressar&amp;atilde;o no primeiro piso de acesso a direitos sociais, elas sair&amp;atilde;o da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de marginalidade e passar&amp;atilde;o a ter uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o Estado brasileiro. O segundo passo ser&amp;aacute; tratar de assegurar a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o produtiva dessas pessoas.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;No que diz respeito aos assentamentos, estamos implantando novas formas de fomento. A habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por exemplo, hoje est&amp;aacute; dentro do cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O assentado recebe 15 mil reais com tr&amp;ecirc;s anos de car&amp;ecirc;ncia e 17 para pagar, um empr&amp;eacute;stimo indexado pela Selic. J&amp;aacute; o programa Minha Casa, Minha Vida prev&amp;ecirc; um cr&amp;eacute;dito de 25 mil que &amp;eacute; 96% subsidiado. O cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra n&amp;atilde;o tem esse subs&amp;iacute;dio. Agora, ela passar&amp;aacute; a ter os mesmos crit&amp;eacute;rios do Minha Casa, Minha Vida. Teremos tamb&amp;eacute;m um novo cr&amp;eacute;dito de fomento, mais subsidiado, para os assentados, pois a inadimpl&amp;ecirc;ncia hoje &amp;eacute; enorme. Al&amp;eacute;m disso, vamos implementar um processo de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica mais continuado.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Se fizermos tudo isso, teremos uma pol&amp;iacute;tica de Reforma Agr&amp;aacute;ria mais global, articulada com outras pol&amp;iacute;ticas j&amp;aacute; existentes do governo federal, como o &amp;Aacute;gua para Todos, o Luz para Todos e o Pronacampo, para citar tr&amp;ecirc;s exemplos. Os assentamentos hoje est&amp;atilde;o fora desses programas e iremos mudar isso. O assunto &amp;ldquo;assentamento&amp;rdquo; n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; de responsabilidade do Incra, mas sim de v&amp;aacute;rias &amp;aacute;reas do governo. Trata-se de um universo muito expressivo. N&amp;oacute;s temos hoje 8.864 assentamentos no pa&amp;iacute;s, abrigando 931 mil fam&amp;iacute;lias em uma &amp;aacute;rea total de 87 milh&amp;otilde;es de hectares, o que representa cerca de 10% da &amp;aacute;rea agricult&amp;aacute;vel do pa&amp;iacute;s.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A Rio+20 representa um grande desafio para o governo brasileiro, que est&amp;aacute; sendo pressionado em temas como o do C&amp;oacute;digo Florestal. Qual deve ser, na sua opini&amp;atilde;o, a estrat&amp;eacute;gia do Brasil para a confer&amp;ecirc;ncia mundial da ONU?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O Brasil est&amp;aacute; numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito melhor do que a maioria dos outros pa&amp;iacute;ses nesta &amp;aacute;rea. Em 2011, tivemos o menor &amp;iacute;ndice de desmatamento dos &amp;uacute;ltimos 20 anos. H&amp;aacute; muita gente falando sobre esse tema e que passou por governos anteriores, inclusive no governo Lula, sem obter esse resultado. Acredito que, em 2012, seguiremos essa tend&amp;ecirc;ncia de queda. No tema do C&amp;oacute;digo Florestal, a posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do governo brasileiro &amp;eacute; progressista. N&amp;atilde;o foi o governo, mas o Congresso, que produziu a lamban&amp;ccedil;a. Tenho convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a presidenta Dilma vetar&amp;aacute; itens como o da anistia para grandes desmatadores e preservar&amp;aacute; o que &amp;eacute; positivo. E, &amp;eacute; importante destacar, h&amp;aacute; pontos positivos e avan&amp;ccedil;os no texto. Pelo C&amp;oacute;digo Florestal atual, os assentamentos de Reforma Agr&amp;aacute;ria e 90% da agricultura familiar est&amp;atilde;o na ilegalidade. N&amp;atilde;o podemos tratar igualmente os desiguais. O menor m&amp;oacute;dulo fiscal hoje no Brasil &amp;eacute; de 5 hectares. O que mais aparece &amp;eacute; o de 20 hectares. Ora, n&amp;atilde;o podemos tratar da mesma maneira quem tem entre 5 e 20 hectares e quem tem 100 ou 200 m&amp;oacute;dulos fiscais.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Por outro lado, a ideia do veta tudo, que n&amp;atilde;o p&amp;otilde;e nada no lugar, expressa o ponto de vista de um conservacionismo elitista. Essa n&amp;atilde;o &amp;eacute; a nossa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Brasil vai chegar muito bem na Rio+20. &amp;Eacute; o governo que mais combate o desmatamento, &amp;eacute; um dos poucos pa&amp;iacute;ses do mundo que est&amp;aacute; cumprindo a proposta de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de emiss&amp;atilde;o de gases do efeito estufa. Precisamos ter em mente que o conceito de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel tem componentes econ&amp;ocirc;micos e sociais. N&amp;atilde;o podemos aceitar que a ideia de economia verde se torne um substituto do conceito de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Por que n&amp;atilde;o?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Qualquer economia hoje, n&amp;atilde;o importa o nome que demos a ela, deve visar inclus&amp;atilde;o social, preservar os recursos naturais e reduzir as emiss&amp;otilde;es de gases. Se cumprirmos esses tr&amp;ecirc;s crit&amp;eacute;rios, estaremos construindo um desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel. Esse conceito n&amp;atilde;o pode significar barreiras comerciais ou exclus&amp;atilde;o de pa&amp;iacute;ses de linhas de financiamento internacionais. O conservacionismo elitista vai se manifestar na Rio+20, assim como tamb&amp;eacute;m v&amp;atilde;o se manifestar aqueles que querem transformar a natureza em mercadoria. N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o estamos em nenhuma dessas posi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O Brasil est&amp;aacute; numa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ponta hoje neste debate.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;J&amp;aacute; h&amp;aacute; previs&amp;atilde;o de data para uma decis&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre vetos &amp;agrave; proposta do C&amp;oacute;digo Florestal aprovada na C&amp;acirc;mara dos Deputados?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O projeto chegou ontem (7) &amp;agrave; Presid&amp;ecirc;ncia da Rep&amp;uacute;blica. A decis&amp;atilde;o final, obviamente, &amp;eacute; da presidenta, mas tenho convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que haver&amp;aacute; vetos, mas n&amp;atilde;o o veto total que fa&amp;ccedil;a todo esse debate voltar &amp;agrave; estaca zero. Tem gente neste debate que est&amp;aacute; usando os pequenos agricultores como bucha de canh&amp;atilde;o. Como disse antes, n&amp;atilde;o podemos tratar igualmente os desiguais. Fazer isso &amp;eacute; seguir uma pol&amp;iacute;tica conservadora.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;O MDA vem implementando nos &amp;uacute;ltimos anos uma s&amp;eacute;rie de pol&amp;iacute;ticas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar. O que ainda precisa ser feito nesta &amp;aacute;rea para que o Brasil caminhe na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo padr&amp;atilde;o de desenvolvimento rural?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;N&amp;oacute;s temos hoje uma agricultura familiar de ponta no Brasil, uma outra em fase de desenvolvimento e uma outra que vive em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de extrema pobreza. Para esta &amp;uacute;ltima, foi criado o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, como referimos anteriormente. Para os setores j&amp;aacute; desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento estamos procurando estimular o fortalecimento das organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas, sejam cooperativas ou associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &amp;Eacute; claro que aquele que quiser se desenvolver individualmente tem todo o direito de faz&amp;ecirc;-lo. Na Rede Brasil Rural, lan&amp;ccedil;ada este ano, os primeiros que est&amp;atilde;o sendo cadastrados s&amp;atilde;o as cooperativas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de produtores.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Estamos procurando tamb&amp;eacute;m dar um foco de sustentabilidade a nossas pol&amp;iacute;ticas. Isso vale n&amp;atilde;o somente para a agroecologia (via tratamento tribut&amp;aacute;rio e fomento diferenciados), mas tamb&amp;eacute;m para quem produz de forma tradicional. Para estes, nosso objetivo &amp;eacute; que tenham um manejo mais adequado no uso de agrot&amp;oacute;xicos, no cuidado com a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eros&amp;atilde;o em beira de rios, etc. Para tanto, dispomos de um conjunto de instrumentos de cr&amp;eacute;dito, de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica, de est&amp;iacute;mulo &amp;agrave; produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o da propriedade, seja ela individual ou n&amp;atilde;o. O fortalecimento econ&amp;ocirc;mico desse setor passa por essas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es: cr&amp;eacute;dito, seguro, pol&amp;iacute;tica de pre&amp;ccedil;o m&amp;iacute;nimo, apoio &amp;agrave; comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;Em entrevista ao site da Carta Maior, o ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas, fala sobre o papel das pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria e de fortalecimento da Agricultura Familiar no plano do governo de acabar com a pobreza extrema no meio rural. Pepe Vargas prev&amp;ecirc; que a presidenta Dilma Roussef vetar&amp;aacute; pontos da proposta de mudan&amp;ccedil;a do C&amp;oacute;digo Florestal, como a anistia a grandes desmatadores, e que o Brasil chegar&amp;aacute; muito bem &amp;agrave; Confer&amp;ecirc;ncia da ONU sobre Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Marco Aur&amp;eacute;lio Weissheimer&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O projeto de desenvolvimento em curso no Brasil baseia-se em tr&amp;ecirc;s pilares: inclus&amp;atilde;o social, preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos recursos naturais e redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da emiss&amp;atilde;o de gases de efeito estufa. Isso &amp;eacute; o que o governo entende por desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel e &amp;eacute; com essa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o Brasil participar&amp;aacute; da Confer&amp;ecirc;ncia das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel. A avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; do ministro do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, Pepe Vargas, que rejeita a ideia de que o Brasil chegar&amp;aacute; numa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o defensiva e recuada a Rio+20.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Na entrevista, Pepe Vargas defende que o Brasil ocupa uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ponta hoje no debate ambiental mundial, prev&amp;ecirc; que a presidenta Dilma Roussef vai vetar pontos da proposta de mudan&amp;ccedil;a do C&amp;oacute;digo Florestal (como a anistia aos grandes desmatadores) e fala dos planos de sua gest&amp;atilde;o para as pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria e de fortalecimento da Agricultura Familiar no pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Um dos principais objetivos do governo federal para os pr&amp;oacute;ximos anos &amp;eacute; acabar com a pobreza extrema no meio rural. Considerando a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio, quais s&amp;atilde;o as pol&amp;iacute;ticas que j&amp;aacute; existem hoje para travar esse combate?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A principal pol&amp;iacute;tica do governo federal para atingir essa meta &amp;eacute; o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, plano coordenado pelo Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Social. Segundo os dados oficiais, cerca de 16 milh&amp;otilde;es de pessoas vivem hoje abaixo da linha da pobreza no Brasil. Deste universo, aproximadamente a metade vive no meio rural. Ent&amp;atilde;o, h&amp;aacute; um conjunto de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que dizem respeito diretamente &amp;agrave; atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento Agr&amp;aacute;rio. N&amp;oacute;s temos algumas metas que estamos antecipando. Cerca de 180 mil fam&amp;iacute;lias est&amp;atilde;o sendo atendidas pelo Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, incluindo ainda agricultores familiares, comunidades e povos tradicionais e assentados da reforma agr&amp;aacute;ria. At&amp;eacute; 2014, devem ser atendidas 250 mil fam&amp;iacute;lias. No caso do MDA, esse atendimento ocorre de diversas formas, incluindo servi&amp;ccedil;os diferenciados de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica e extens&amp;atilde;o rural, entrega de sementes e tecnologia apropriada para cada regi&amp;atilde;o. As nossas pol&amp;iacute;ticas para novos assentamentos tamb&amp;eacute;m caminhar&amp;atilde;o nesta dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria prev&amp;ecirc; um acompanhamento continuado dessas fam&amp;iacute;lias. O programa iniciou o ano passado na regi&amp;atilde;o Nordeste e, este ano, vamos come&amp;ccedil;ar a trabalhar nas regi&amp;otilde;es Sudeste e Sul, por meio de conv&amp;ecirc;nios com os governos estaduais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, cerca de 6 mil fam&amp;iacute;lias ser&amp;atilde;o atendidas. A assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica ser&amp;aacute; feita pela Emater (Empresa de Assist&amp;ecirc;ncia T&amp;eacute;cnica e Extens&amp;atilde;o Rural) e n&amp;oacute;s entraremos com a parte do fomento. Cabe destacar que o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria identifica e inscreve pessoas que precisam e ainda n&amp;atilde;o recebem o Bolsa Fam&amp;iacute;lia. Al&amp;eacute;m disso, no meio rural, os agricultores recebem um fomento (n&amp;atilde;o-reembols&amp;aacute;vel) no valor de R$ 2,4 mil, destinado a melhorias nas propriedades, al&amp;eacute;m dos servi&amp;ccedil;os de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica. As nossas pol&amp;iacute;ticas de Reforma Agr&amp;aacute;ria se inserem nesta estrat&amp;eacute;gia geral.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Falando em Reforma Agr&amp;aacute;ria, o MST desencadeou recentemente o Abril Vermelho, realizando uma s&amp;eacute;rie de protestos contra o que chama de lentid&amp;atilde;o no processo de Reforma Agr&amp;aacute;ria. Como foram as negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o movimento, que chegou a ocupar a sede do minist&amp;eacute;rio, e qual sua avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre as cr&amp;iacute;ticas dirigidas ao governo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O papel dos movimentos &amp;eacute; esse mesmo, mobilizar, pressionar para que os governos sejam mais c&amp;eacute;leres. N&amp;atilde;o podia ser diferente. Mantivemos uma mesa de negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o quase que permanente neste processo. Cabe lembrar que, al&amp;eacute;m do MST, existem outros movimentos que lutam pela Reforma Agr&amp;aacute;ria, que tamb&amp;eacute;m t&amp;ecirc;m suas mobiliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e demandas. No marco dessa mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do MST, n&amp;oacute;s j&amp;aacute; anunciamos algumas medidas. Em primeiro lugar, n&amp;atilde;o haver&amp;aacute; contingenciamento de recursos para a obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Em segundo, encaminhamos 15 novos decretos de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de terras. Tamb&amp;eacute;m liberamos 250 milh&amp;otilde;es de reais para o Incra em TDAs (T&amp;iacute;tulos da D&amp;iacute;vida Agr&amp;aacute;ria ). Al&amp;eacute;m disso, liberamos outros 44 milh&amp;otilde;es de reais para pagamento de benfeitorias em processo de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Somente essa &amp;uacute;ltima medida beneficiar&amp;aacute; cerca de 11 mil fam&amp;iacute;lias.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O mais importante a&amp;iacute;, do ponto de vista estrutural, &amp;eacute; que vamos mudar a forma pela qual o Incra trabalha hoje. Hoje, o Incra vai na terra fazer a vistoria e, se constata que a &amp;aacute;rea &amp;eacute; pass&amp;iacute;vel de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, encaminha o decreto para este fim. Depois tem que voltar &amp;agrave; &amp;aacute;rea e fazer a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do im&amp;oacute;vel. Isso vai mudar. A mesma equipe que fizer o laudo de vistoria far&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pre&amp;ccedil;o da terra.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Temos um outro problema a resolver relativo ao pre&amp;ccedil;o das terras em caso de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A MP 2183, de 2001, estabeleceu um texto de 6% para os juros compensat&amp;oacute;rios a serem pagos em caso de desapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Uma decis&amp;atilde;o posterior do STJ suspendeu essa medida e fixou esse &amp;iacute;ndice de juros compensat&amp;oacute;rios em 12%. Cabe lembrar que estamos com uma taxa Selic de 9%. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada hoje no sistema financeiro brasileiro que remunere a uma taxa de 12%. Isso eleva o valor das desapropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;agrave;s alturas, cerca de 50 ou 60% a mais, provocando um forte impacto no or&amp;ccedil;amento do Incra. O assunto est&amp;aacute; no Supremo aguardando decis&amp;atilde;o final h&amp;aacute; v&amp;aacute;rios anos. Trata-se de uma amarra importante no processo de Reforma Agr&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Voltando ao tema das nossas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, n&amp;oacute;s estamos implantando uma nova pol&amp;iacute;tica para os acampamentos e assentamentos. A tend&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; que, em 2012, atinjamos a universaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Bolsa Fam&amp;iacute;lia. N&amp;oacute;s temos hoje um n&amp;uacute;mero &amp;ldquo;x&amp;rdquo; de acampados, um n&amp;uacute;mero que &amp;eacute; sempre muito vol&amp;aacute;til, cada movimento trabalha com um n&amp;uacute;mero. Mas independente de qual seja esse n&amp;uacute;mero, todos ser&amp;atilde;o inscritos no cadastro &amp;uacute;nico do governo federal que d&amp;aacute; acesso ao Bolsa Fam&amp;iacute;lia. Assim, essas pessoas ingressar&amp;atilde;o no primeiro piso de acesso a direitos sociais, elas sair&amp;atilde;o da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de marginalidade e passar&amp;atilde;o a ter uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o Estado brasileiro. O segundo passo ser&amp;aacute; tratar de assegurar a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o produtiva dessas pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No que diz respeito aos assentamentos, estamos implantando novas formas de fomento. A habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por exemplo, hoje est&amp;aacute; dentro do cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O assentado recebe 15 mil reais com tr&amp;ecirc;s anos de car&amp;ecirc;ncia e 17 para pagar, um empr&amp;eacute;stimo indexado pela Selic. J&amp;aacute; o programa Minha Casa, Minha Vida prev&amp;ecirc; um cr&amp;eacute;dito de 25 mil que &amp;eacute; 96% subsidiado. O cr&amp;eacute;dito de instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Incra n&amp;atilde;o tem esse subs&amp;iacute;dio. Agora, ela passar&amp;aacute; a ter os mesmos crit&amp;eacute;rios do Minha Casa, Minha Vida. Teremos tamb&amp;eacute;m um novo cr&amp;eacute;dito de fomento, mais subsidiado, para os assentados, pois a inadimpl&amp;ecirc;ncia hoje &amp;eacute; enorme. Al&amp;eacute;m disso, vamos implementar um processo de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica mais continuado.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Se fizermos tudo isso, teremos uma pol&amp;iacute;tica de Reforma Agr&amp;aacute;ria mais global, articulada com outras pol&amp;iacute;ticas j&amp;aacute; existentes do governo federal, como o &amp;Aacute;gua para Todos, o Luz para Todos e o Pronacampo, para citar tr&amp;ecirc;s exemplos. Os assentamentos hoje est&amp;atilde;o fora desses programas e iremos mudar isso. O assunto &amp;ldquo;assentamento&amp;rdquo; n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; de responsabilidade do Incra, mas sim de v&amp;aacute;rias &amp;aacute;reas do governo. Trata-se de um universo muito expressivo. N&amp;oacute;s temos hoje 8.864 assentamentos no pa&amp;iacute;s, abrigando 931 mil fam&amp;iacute;lias em uma &amp;aacute;rea total de 87 milh&amp;otilde;es de hectares, o que representa cerca de 10% da &amp;aacute;rea agricult&amp;aacute;vel do pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;A Rio+20 representa um grande desafio para o governo brasileiro, que est&amp;aacute; sendo pressionado em temas como o do C&amp;oacute;digo Florestal. Qual deve ser, na sua opini&amp;atilde;o, a estrat&amp;eacute;gia do Brasil para a confer&amp;ecirc;ncia mundial da ONU?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Brasil est&amp;aacute; numa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito melhor do que a maioria dos outros pa&amp;iacute;ses nesta &amp;aacute;rea. Em 2011, tivemos o menor &amp;iacute;ndice de desmatamento dos &amp;uacute;ltimos 20 anos. H&amp;aacute; muita gente falando sobre esse tema e que passou por governos anteriores, inclusive no governo Lula, sem obter esse resultado. Acredito que, em 2012, seguiremos essa tend&amp;ecirc;ncia de queda. No tema do C&amp;oacute;digo Florestal, a posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do governo brasileiro &amp;eacute; progressista. N&amp;atilde;o foi o governo, mas o Congresso, que produziu a lamban&amp;ccedil;a. Tenho convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a presidenta Dilma vetar&amp;aacute; itens como o da anistia para grandes desmatadores e preservar&amp;aacute; o que &amp;eacute; positivo. E, &amp;eacute; importante destacar, h&amp;aacute; pontos positivos e avan&amp;ccedil;os no texto. Pelo C&amp;oacute;digo Florestal atual, os assentamentos de Reforma Agr&amp;aacute;ria e 90% da agricultura familiar est&amp;atilde;o na ilegalidade. N&amp;atilde;o podemos tratar igualmente os desiguais. O menor m&amp;oacute;dulo fiscal hoje no Brasil &amp;eacute; de 5 hectares. O que mais aparece &amp;eacute; o de 20 hectares. Ora, n&amp;atilde;o podemos tratar da mesma maneira quem tem entre 5 e 20 hectares e quem tem 100 ou 200 m&amp;oacute;dulos fiscais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Por outro lado, a ideia do veta tudo, que n&amp;atilde;o p&amp;otilde;e nada no lugar, expressa o ponto de vista de um conservacionismo elitista. Essa n&amp;atilde;o &amp;eacute; a nossa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Brasil vai chegar muito bem na Rio+20. &amp;Eacute; o governo que mais combate o desmatamento, &amp;eacute; um dos poucos pa&amp;iacute;ses do mundo que est&amp;aacute; cumprindo a proposta de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de emiss&amp;atilde;o de gases do efeito estufa. Precisamos ter em mente que o conceito de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel tem componentes econ&amp;ocirc;micos e sociais. N&amp;atilde;o podemos aceitar que a ideia de economia verde se torne um substituto do conceito de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Por que n&amp;atilde;o?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Qualquer economia hoje, n&amp;atilde;o importa o nome que demos a ela, deve visar inclus&amp;atilde;o social, preservar os recursos naturais e reduzir as emiss&amp;otilde;es de gases. Se cumprirmos esses tr&amp;ecirc;s crit&amp;eacute;rios, estaremos construindo um desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel. Esse conceito n&amp;atilde;o pode significar barreiras comerciais ou exclus&amp;atilde;o de pa&amp;iacute;ses de linhas de financiamento internacionais. O conservacionismo elitista vai se manifestar na Rio+20, assim como tamb&amp;eacute;m v&amp;atilde;o se manifestar aqueles que querem transformar a natureza em mercadoria. N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o estamos em nenhuma dessas posi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O Brasil est&amp;aacute; numa posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ponta hoje neste debate.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;J&amp;aacute; h&amp;aacute; previs&amp;atilde;o de data para uma decis&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre vetos &amp;agrave; proposta do C&amp;oacute;digo Florestal aprovada na C&amp;acirc;mara dos Deputados?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O projeto chegou ontem (7) &amp;agrave; Presid&amp;ecirc;ncia da Rep&amp;uacute;blica. A decis&amp;atilde;o final, obviamente, &amp;eacute; da presidenta, mas tenho convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que haver&amp;aacute; vetos, mas n&amp;atilde;o o veto total que fa&amp;ccedil;a todo esse debate voltar &amp;agrave; estaca zero. Tem gente neste debate que est&amp;aacute; usando os pequenos agricultores como bucha de canh&amp;atilde;o. Como disse antes, n&amp;atilde;o podemos tratar igualmente os desiguais. Fazer isso &amp;eacute; seguir uma pol&amp;iacute;tica conservadora.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;O MDA vem implementando nos &amp;uacute;ltimos anos uma s&amp;eacute;rie de pol&amp;iacute;ticas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar. O que ainda precisa ser feito nesta &amp;aacute;rea para que o Brasil caminhe na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um novo padr&amp;atilde;o de desenvolvimento rural?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;N&amp;oacute;s temos hoje uma agricultura familiar de ponta no Brasil, uma outra em fase de desenvolvimento e uma outra que vive em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de extrema pobreza. Para esta &amp;uacute;ltima, foi criado o Brasil Sem Mis&amp;eacute;ria, como referimos anteriormente. Para os setores j&amp;aacute; desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento estamos procurando estimular o fortalecimento das organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas, sejam cooperativas ou associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &amp;Eacute; claro que aquele que quiser se desenvolver individualmente tem todo o direito de faz&amp;ecirc;-lo. Na Rede Brasil Rural, lan&amp;ccedil;ada este ano, os primeiros que est&amp;atilde;o sendo cadastrados s&amp;atilde;o as cooperativas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de produtores.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Estamos procurando tamb&amp;eacute;m dar um foco de sustentabilidade a nossas pol&amp;iacute;ticas. Isso vale n&amp;atilde;o somente para a agroecologia (via tratamento tribut&amp;aacute;rio e fomento diferenciados), mas tamb&amp;eacute;m para quem produz de forma tradicional. Para estes, nosso objetivo &amp;eacute; que tenham um manejo mais adequado no uso de agrot&amp;oacute;xicos, no cuidado com a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eros&amp;atilde;o em beira de rios, etc. Para tanto, dispomos de um conjunto de instrumentos de cr&amp;eacute;dito, de assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica, de est&amp;iacute;mulo &amp;agrave; produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da gest&amp;atilde;o da propriedade, seja ela individual ou n&amp;atilde;o. O fortalecimento econ&amp;ocirc;mico desse setor passa por essas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es: cr&amp;eacute;dito, seguro, pol&amp;iacute;tica de pre&amp;ccedil;o m&amp;iacute;nimo, apoio &amp;agrave; comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Wed, 09 May 2012 01:57:19 GMT</pubDate>
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<title>Entrevista: Mercosul não deve adotar políticas recessivas, diz Samuel Pinheiro Guimarães</title>
<link>http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=225295</link>
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<description>&lt;img src=&quot;http://www.urucumbrasil.com.br/democraciasocialista/noticias/image/225314&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Vivian Virissimo&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;A integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica e pol&amp;iacute;tica de pa&amp;iacute;ses que se organizam em blocos, como &amp;eacute; o caso do Mercosul e da Comunidade Europeia, &amp;eacute; um vi&amp;eacute;s relevante para an&amp;aacute;lise dos efeitos da crise econ&amp;ocirc;mica mundial. Para abordar o assunto, o site Sul21 entrevistou o embaixador Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto, que foi secret&amp;aacute;rio-geral do Itamaraty entre 2003 e 2010 e hoje atua como Alto Representante do Mercosul.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Questionado sobre as principais li&amp;ccedil;&amp;otilde;es da crise da zona do euro para os pa&amp;iacute;ses do Mercosul, Guimar&amp;atilde;es Neto foi enf&amp;aacute;tico: &amp;ldquo;A principal li&amp;ccedil;&amp;atilde;o da zona do euro &amp;eacute; que n&amp;atilde;o devemos adotar esse tipo de pol&amp;iacute;tica. H&amp;aacute; certo consenso de que essas pol&amp;iacute;ticas v&amp;atilde;o agravar a recess&amp;atilde;o&amp;rdquo;, disse. Segundo ele, essas pol&amp;iacute;ticas recessivas significam restri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de despesas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Estado e privatiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &amp;ldquo;Felizmente aqui no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai n&amp;atilde;o estamos adotando pol&amp;iacute;ticas recessivas&amp;rdquo;, completou.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Em v&amp;aacute;rios momentos da conversa, o embaixador ressaltou o crescimento da China na economia mundial como um sinal da nova correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as do capitalismo. Novo centro do capitalismo mundial, a economia chinesa vem crescendo 10% ao ano nos &amp;uacute;ltimos 30 anos. Diante do avan&amp;ccedil;o da China na economia dos pa&amp;iacute;ses do Mercusol, Guimar&amp;atilde;es Neto alertou para o risco de reprimariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da economia. &amp;ldquo;Se os chineses v&amp;ecirc;m participar desse com&amp;eacute;rcio com pre&amp;ccedil;os muito baixos eles n&amp;atilde;o s&amp;oacute; afetam as ind&amp;uacute;strias locais, como aumentam o desemprego e tamb&amp;eacute;m desestimulam investimento da ind&amp;uacute;stria&amp;rdquo;, analisou.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Quais as principais li&amp;ccedil;&amp;otilde;es que o Mercosul pode aprender com a crise do bloco da zona do euro?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - A principal li&amp;ccedil;&amp;atilde;o da zona do euro &amp;eacute; que n&amp;atilde;o devemos adotar esse tipo de pol&amp;iacute;tica. S&amp;atilde;o pol&amp;iacute;ticas de restri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de despesas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Estado, privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;atilde;o pol&amp;iacute;ticas que levam a um agravamento da recess&amp;atilde;o, ao contr&amp;aacute;rio do que eles esperam. H&amp;aacute; certo consenso de que essas pol&amp;iacute;ticas v&amp;atilde;o agravar a recess&amp;atilde;o. Ent&amp;atilde;o felizmente aqui no Brasil, na Argentina, no Paraguai, Uruguai n&amp;atilde;o estamos adotando pol&amp;iacute;ticas recessivas, ao contr&amp;aacute;rio: estamos procurando estimular a economia, manter o n&amp;iacute;vel de demanda.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Qual sua avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da crise capitalista e como ela pode atingir os direitos trabalhistas num contexto de economia globalizada?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - Eu acho que a crise existe principalmente nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais, nos Estados Unidos e na Europa. Essa crise do capitalismo tem que ser vista do &amp;acirc;ngulo das empresas, pois o capitalismo &amp;eacute; uma abstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o existe capitalismo. E qual &amp;eacute; a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das empresas? De um lado existe o setor financeiro e outros setores que foram socorridos pelos seus Estados. De outro lado, o novo centro do capitalismo mundial com a economia chinesa, que vem crescendo 10% ao ano nos &amp;uacute;ltimos 30 anos. Isso significa que as empresas que trabalham com as mais modernas m&amp;aacute;quinas e que utilizam m&amp;atilde;o-de-obra com sal&amp;aacute;rios muito baixos t&amp;ecirc;m margens de lucros extraordin&amp;aacute;rias e n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o sendo afetadas pela crise.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; E de que forma isso est&amp;aacute; atingindo as pequenas e m&amp;eacute;dias empresas nos Estados Unidos e na Europa?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - &amp;Eacute; claro que nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais, as pequenas e m&amp;eacute;dias empresas sofrem com a relocaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, ind&amp;uacute;strias que se mudaram para a China, assim como a concorr&amp;ecirc;ncia dos produtos importados na China, &amp;agrave;s vezes das pr&amp;oacute;prias ind&amp;uacute;strias que estavam l&amp;aacute; (nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais). Como por exemplo quando n&amp;oacute;s observamos os produtos chineses feitos por uma grande empresa multinacional. Ent&amp;atilde;o digamos que &amp;eacute; uma crise em termos de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de emprego, falta de investimento e que est&amp;aacute; se verificando at&amp;eacute; mais na Europa do que nos Estados Unidos. Com isso, as pol&amp;iacute;ticas necess&amp;aacute;rias para uma recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o efetiva da economia n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o tomadas porque, inclusive nos seus pa&amp;iacute;ses tradicionais, elas teriam que muitas vezes concorrer com a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o que vem da China. Ent&amp;atilde;o digamos que o capitalista, o empres&amp;aacute;rio, v&amp;aacute; construir uma nova f&amp;aacute;brica. Onde ele vai construir? Num pa&amp;iacute;s europeu ou na China? Na China. Claro que tudo isso tem muitos detalhes, muitas nuances, que n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel uma generaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Al&amp;eacute;m disso, enquanto h&amp;aacute; um enorme aumento do emprego na China, houve uma redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do emprego nos pa&amp;iacute;ses tradicionais. E, ao mesmo tempo, a pretexto de enfrentar a competitividade chinesa &amp;ndash; digo &amp;ldquo;a pretexto&amp;rdquo; porque n&amp;atilde;o seria suficiente ao meu ju&amp;iacute;zo -, se combate os direitos trabalhistas atrav&amp;eacute;s da modifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho, aumento de horas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vantagens trabalhistas e dos programas sociais.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; H&amp;aacute; negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es no Mercosul para que seja assinada a Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Sociolaboral, que prev&amp;ecirc; uma s&amp;eacute;rie de garantias de direitos sociais. Seria uma forma de proteger os trabalhadores que atuam no bloco. Qual seria a import&amp;acirc;ncia de aprovar uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste tipo diante de um contexto de supress&amp;atilde;o de direitos trabalhistas em &amp;acirc;mbito internacional?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto -Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o trabalhista de cada pa&amp;iacute;s do Mercosul est&amp;aacute; diretamente conectada &amp;agrave;s legisla&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais, ou seja, o que rege as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de trabalho no Brasil, por exemplo, &amp;eacute; a legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira. Essa (Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Sociolaboral) &amp;eacute; uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Ali&amp;aacute;s, acho que nem foi totalmente aprovada, pois n&amp;atilde;o h&amp;aacute; uma concord&amp;acirc;ncia total. A import&amp;acirc;ncia dessa declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; gerar um compromisso dos Estados, naturalmente. Ao assinar uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional se comprometendo a obedecer e a respeitar certos direitos, isso gera um compromisso dos Estados com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a esses direitos, o que &amp;eacute; importante. Essas declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es fazem com que os Estados menos avan&amp;ccedil;ados naquele campo sejam induzidos a adotar legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o compat&amp;iacute;vel com a declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Proteger direitos trabalhistas j&amp;aacute; garantidos &amp;eacute; ainda mais importante nesse momento de crise econ&amp;ocirc;mica mundial.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - N&amp;oacute;s corremos o risco (de supress&amp;atilde;o de direitos trabalhistas) aqui porque essa crise &amp;eacute; uma crise social, porque os bancos est&amp;atilde;o em muito boas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, as empresas tamb&amp;eacute;m. As que est&amp;atilde;o mal s&amp;atilde;o as micro, pequenas e m&amp;eacute;dia empresas e os trabalhadores que est&amp;atilde;o desempregados. Ent&amp;atilde;o j&amp;aacute; estamos vendo na Europa que, sob o pretexto de reativar o mercado, aplica-se toda uma s&amp;eacute;rie de medidas para reduzir os direitos do trabalho, para reduzir os custos do trabalho. Isso pode nos atingir eventualmente, sob a alega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tornar a economia brasileira mais competitiva com a economia chinesa e at&amp;eacute; com a norte-americana, j&amp;aacute; que no ano passado o Brasil teve um d&amp;eacute;ficit comercial com os Estados Unidos de US$ 8 bilh&amp;otilde;es. A competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; chinesa, tamb&amp;eacute;m vem de outras partes e isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o mencionado na imprensa. Ent&amp;atilde;o com isso pode haver uma tend&amp;ecirc;ncia, em especial quando se fala em aumentar competitividade da ind&amp;uacute;stria, que significa no fundo redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de impostos &amp;mdash; o que vai, consequentemente, reduzir em programas sociais.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Diante deste cen&amp;aacute;rio de ascens&amp;atilde;o da China e de press&amp;atilde;o para aumentar a competitividade da economia corre-se o risco de enfraquecer a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bloco?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - No caso espec&amp;iacute;fico do Mercosul, o que afeta de um lado &amp;eacute; a import&amp;acirc;ncia crescente da China na economia mundial e de outro, a import&amp;acirc;ncia crescente da China na economia dos pa&amp;iacute;ses do Mercosul. A China j&amp;aacute; &amp;eacute; o primeiro parceiro comercial do Brasil, passou os Estados Unidos. J&amp;aacute; &amp;eacute; o segundo ou terceiro maior parceiro comercial da Argentina, do Uruguai, do Paraguai. O que acontece &amp;eacute; que a China tem uma demanda muito grande por recursos naturais, produtos agr&amp;iacute;colas, soja, min&amp;eacute;rios e o Brasil e a pr&amp;oacute;pria Argentina, Uruguai, Paraguai s&amp;atilde;o capazes de produzir em grande escala esses produtos. A quest&amp;atilde;o &amp;eacute; que, ao mesmo tempo, a China &amp;eacute; uma grande exportadora de produtos manufaturados muito baratos, o que afeta a ind&amp;uacute;stria local. O importante do Mercosul, entre outras coisas, s&amp;atilde;o os la&amp;ccedil;os de com&amp;eacute;rcio, mas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o os la&amp;ccedil;os de com&amp;eacute;rcio agr&amp;iacute;cola, inclusive porque os pa&amp;iacute;ses produzem produtos semelhantes: a Argentina, Paraguai, Brasil produzem soja. O com&amp;eacute;rcio industrial brasileiro &amp;eacute; muito intenso com a Am&amp;eacute;rica do Sul e com o Mercosul. Se os chineses v&amp;ecirc;m participar desse com&amp;eacute;rcio com pre&amp;ccedil;os muito baixos eles n&amp;atilde;o s&amp;oacute; afetam as ind&amp;uacute;strias locais, aumentam o desemprego e tamb&amp;eacute;m desestimulam investimento da ind&amp;uacute;stria. Se f&amp;ocirc;ssemos perguntar a um capitalista se ele iria abrir uma f&amp;aacute;brica de algum produto que hoje &amp;eacute; importado da China, ele analisaria os pre&amp;ccedil;os e veria que n&amp;atilde;o poderia competir. Ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o vai mais investir na ind&amp;uacute;stria, o que diminui o investimento nesse setor e aumenta o investimento na agropecu&amp;aacute;ria e na minera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ou seja, vai reprimarizando a economia dos pa&amp;iacute;ses, ao mesmo tempo que vai tornando mais fr&amp;aacute;geis os la&amp;ccedil;os entre esses pa&amp;iacute;ses.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Isso acontece tamb&amp;eacute;m com os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos? Al&amp;eacute;m da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica, outro objetivo do Mercosul seria uma maior integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, via Parlamento do Mercosul. Que avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o o senhor faz da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica no bloco?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - Isso tamb&amp;eacute;m afeta os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos. Os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos, naturalmente, t&amp;ecirc;m a ver com as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas. No caso os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos s&amp;atilde;o importantes diante dessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional muito complexa e o aumento da coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica seria extremamente importante. Os presidentes do Mercosul se re&amp;uacute;nem ocasionalmente, &amp;agrave; margem das reuni&amp;otilde;es internacionais. O presidente da Fran&amp;ccedil;a Nicolas Sarkozy e a chanceler da Alemanha, primeira-ministra Angela Merkel, se re&amp;uacute;nem a cada quinze dias. Aqui no Mercosul se re&amp;uacute;nem esporadicamente. Eles precisam mais coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que significa troca de ideias, conhecimento, confian&amp;ccedil;a. E para isso &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio que as pessoas se conhe&amp;ccedil;am melhor, se vejam mais, para depois ent&amp;atilde;o combinar atitudes comuns.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Existem negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es para ampliar a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Mercosul, por exemplo criando uma moeda &amp;uacute;nica, novas taxas para serem compartilhadas entre os pa&amp;iacute;ses?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - O que existe &amp;eacute; um sistema de com&amp;eacute;rcio de moeda local entre o Brasil e Argentina e que est&amp;aacute; em negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre Brasil e Uruguai e, eventualmente, com os outros pa&amp;iacute;ses do Mercosul. Isto &amp;eacute; algo que j&amp;aacute; est&amp;aacute;, digamos, em curso, mas n&amp;atilde;o ainda a ponto de se adotar uma moeda comum, apenas um pa&amp;iacute;s aceita a moeda do outro, para certo tipo de transa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; para qualquer tipo, &amp;eacute; mais relacionado a com&amp;eacute;rcio, na &amp;aacute;rea de servi&amp;ccedil;os, pagamentos previdenci&amp;aacute;rios e assim por diante.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Como o Mercosul tem encarado a quest&amp;atilde;o da livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas em suas fronteiras?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto -Com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Mercosul existe um acordo de resid&amp;ecirc;ncia em que os cidad&amp;atilde;os do Mercosul que v&amp;atilde;o para outro pa&amp;iacute;s com visto tempor&amp;aacute;rio podem pedir visto permanente depois de dois anos. A partir da&amp;iacute; passam a ter todos os direitos binacionais, inclusive em termos de previd&amp;ecirc;ncia social, trabalhos, todos os direitos civis, ainda que n&amp;atilde;o os pol&amp;iacute;ticos. Isso tudo j&amp;aacute; existe no &amp;acirc;mbito do Mercosul. Hoje em dia a livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas a titulo provis&amp;oacute;rio nos pa&amp;iacute;ses do Mercosul permite a entrada de qualquer outro cidad&amp;atilde;o de outro pa&amp;iacute;s apresentando somente carteira de identidade. N&amp;atilde;o precisa nem de visto, nem de passaporte. Isso facilita muito a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas. Mas existem outras quest&amp;otilde;es relativas a exerc&amp;iacute;cio profissional que s&amp;atilde;o quest&amp;otilde;es mais complexas. Por exemplo, na &amp;aacute;rea da Medicina e do Direito. Para ser advogado no Brasil &amp;eacute; preciso fazer curso do Direito, prova da OAB e ter licen&amp;ccedil;a para advogar, na medicina a mesma coisa. Al&amp;eacute;m disso, no caso do Direito, os curr&amp;iacute;culos s&amp;atilde;o diferentes porque as pr&amp;oacute;prias legisla&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o diferentes.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; J&amp;aacute; que estamos falando em educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, gostaria que o senhor relatasse a experi&amp;ecirc;ncia da Unila, a Universidade Latino Americana (Unila) em Foz do Igua&amp;ccedil;u e Ciudad del Este.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - A Unila &amp;eacute; uma universidade federal brasileira, ela n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma universidade dos quatro pa&amp;iacute;ses. Ela &amp;eacute; uma interessante tentativa. A ideia &amp;eacute; que metade dos alunos sejam brasileiros e a outra metade estrangeiros da Am&amp;eacute;rica Latina, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; da Am&amp;eacute;rica do Sul, e que haja professores brasileiros e professores de outros pa&amp;iacute;ses. Essa iniciativa tem corrido bem, com dificuldades naturais de uma iniciativa pioneira em cidades pequenas. Foz do Igua&amp;ccedil;u e Ciudad del Este t&amp;ecirc;m enfrentado dificuldades na fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos professores e dos alunos, mas isso tem progredido. Al&amp;eacute;m da Unila, na &amp;aacute;rea educacional h&amp;aacute; v&amp;aacute;rios sistemas de bolsas de estudos pela Capes para Am&amp;eacute;rica do Sul. Mas haveria muito que fazer nessa &amp;aacute;rea.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Que outras a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas t&amp;ecirc;m sido desenvolvidas no Mercosul e que merecem destaque?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - H&amp;aacute; um programa de extrema import&amp;acirc;ncia que ter&amp;aacute; um impacto muito grande sobre o emprego nos pa&amp;iacute;ses menores do Mercosul: os projetos do Fundo de Converg&amp;ecirc;ncia Estrutural do Mercosul, cuja abrevia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; Forcem. Esse fundo &amp;eacute; composto por cota&amp;ccedil;&amp;otilde;es no valor de US$ 100 milh&amp;otilde;es por ano. O Brasil contribui com 70%, a Argentina com 27% e o Uruguai com 2% e o Paraguai com 1%. Os projetos s&amp;atilde;o apresentados ao fundo pelos governos e s&amp;atilde;o principalmente, mas n&amp;atilde;o unicamente, na &amp;aacute;rea da infraestrutura, estradas, saneamento e assim por diante. Esse fundo tamb&amp;eacute;m pode receber contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es volunt&amp;aacute;rias: no caso de um projeto que &amp;eacute; aprovado tecnicamente por um sistema de desembolso, o pa&amp;iacute;s tem que entrar com 15% do valor do projeto e os outros 85% s&amp;atilde;o doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o tem que pagar. O Forcem j&amp;aacute; est&amp;aacute; em andamento h&amp;aacute; cinco ou seis anos e ningu&amp;eacute;m sabe. Inclusive o Brasil fez uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de US$500 milh&amp;otilde;es para a linha de transmiss&amp;atilde;o de energia el&amp;eacute;trica entre Itaipu e Assun&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Paraguai &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s pequeno que tem a maior potencial de explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de energia el&amp;eacute;trica do mundo per capita. E ainda hoje h&amp;aacute; apag&amp;atilde;o em certos lugares, porque nunca fizeram a linha de transmiss&amp;atilde;o. O Brasil fez essa doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e est&amp;aacute; sendo constru&amp;iacute;da essa linha que vai transformar a economia paraguaia, porque sem energia el&amp;eacute;trica n&amp;atilde;o h&amp;aacute; ind&amp;uacute;stria e nem h&amp;aacute; servi&amp;ccedil;os modernos. Ent&amp;atilde;o o fato de estender essa linha de transmiss&amp;atilde;o vai fazer com que Assun&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha um surto industrial. Isso vai ser uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o na economia paraguaia. Temos tamb&amp;eacute;m o Programa Estrat&amp;eacute;gico de A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Social, que faz um levantamento de todos as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es no campo social nos diferentes minist&amp;eacute;rios e que est&amp;aacute; num processo ainda lento de implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tamb&amp;eacute;m tem a chamada Unidade de Participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Social que foi criada no final de 2010, mas que ainda n&amp;atilde;o foi instalada por quest&amp;otilde;es organizacionais, que visa a fortalecer a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de movimentos da sociedade civil nas atividades do Mercosul.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; E que outros pa&amp;iacute;ses podem integrar o Mercosul e que ainda n&amp;atilde;o aderiram?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto - A Venezuela. Toda a etapa de ades&amp;atilde;o da Venezuela j&amp;aacute; foi aprovada no Brasil, na Argentina e no Uruguai, s&amp;oacute; falta ser aprovado no Senado do Paraguai, est&amp;aacute; l&amp;aacute; h&amp;aacute; meses e isso &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;tica interna entre governo e Congresso. A Venezuela &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s riqu&amp;iacute;ssimo em termos de recursos minerais. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; petr&amp;oacute;leo, mas tamb&amp;eacute;m min&amp;eacute;rio de ferro e outros produtos, al&amp;eacute;m de que &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s que decidiu fazer um programa de industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tem uma popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o razo&amp;aacute;vel de 20 milh&amp;otilde;es de pessoas, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; um mercado razo&amp;aacute;vel. A Venezuela resolveu se empenhar nesse processo de industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e fazer isso com a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos pa&amp;iacute;ses da Am&amp;eacute;rica do Sul, principalmente Brasil e Argentina, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; um mercado muito importante tanto para os pa&amp;iacute;ses do Mercosul quanto para a pr&amp;oacute;pria Venezuela. E outros que poderiam fazer parte s&amp;atilde;o o Equador, que manifestou interesse e que vai come&amp;ccedil;ar as negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es em maio, a Bol&amp;iacute;via e o Suriname. Os que n&amp;atilde;o podem ingressar s&amp;atilde;o o Peru, o Chile e a Col&amp;ocirc;mbia, que t&amp;ecirc;m acordos de livre com&amp;eacute;rcio com os Estados Unidos.&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Sul21 &amp;ndash; Pra finalizar essa entrevista, como o senhor avalia o est&amp;aacute;gio de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Mercosul?&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;_mcePaste&quot; style=&quot;position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;&quot;&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto -Eu acho que se avan&amp;ccedil;ou de uma forma extraordin&amp;aacute;ria. Desde que foi criado o Mercosul em 1998, o com&amp;eacute;rcio se multiplicou por mais de dez vezes. Isso &amp;eacute; extraordin&amp;aacute;rio, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; aumentou em termos absolutos como se diversificou. Os investimentos brasileiros na Argentina, Uruguai e Paraguai se multiplicaram de uma forma muito extraordin&amp;aacute;ria. Na Argentina o n&amp;uacute;mero de empresas brasileiras &amp;eacute; muito grande. Na &amp;aacute;rea da infraestrutura tamb&amp;eacute;m crescemos atrav&amp;eacute;s do Forcem, al&amp;eacute;m dos empr&amp;eacute;stimos feitos pelo BNDES para obras de infraestrutura nos pa&amp;iacute;ses do Mercosul. Ent&amp;atilde;o houve um progresso muito grande, al&amp;eacute;m da coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, do melhor entendimento entre os pa&amp;iacute;ses. Eu acho que o saldo &amp;eacute; muito positivo. Apesar de agora estarmos diante desse desafio da China e dos outros pa&amp;iacute;ses altamente industrializados que procuram gerar um excedente de exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para os outros pa&amp;iacute;ses. Enfim, os pa&amp;iacute;ses do Mercosul devem enfrentar em conjunto o desafio da crise, da emerg&amp;ecirc;ncia da China e a quest&amp;atilde;o ambiental.&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Entrevista concedida a Vivian Virissimo e publicada originalmente no site &lt;a href=&quot;http://sul21.com.br/jornal/2012/04/mercosul-nao-deve-adotar-politicas-recessivas-defende-representante-do-bloco/&quot;&gt;Sul 21&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica e pol&amp;iacute;tica de pa&amp;iacute;ses que se organizam em blocos, como &amp;eacute; o caso do Mercosul e da Comunidade Europeia, &amp;eacute; um vi&amp;eacute;s relevante para an&amp;aacute;lise dos efeitos da crise econ&amp;ocirc;mica mundial. Para abordar o assunto, o site Sul21 entrevistou o embaixador Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto, que foi secret&amp;aacute;rio-geral do Itamaraty entre 2003 e 2010 e hoje atua como Alto Representante do Mercosul.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Questionado sobre as principais li&amp;ccedil;&amp;otilde;es da crise da zona do euro para os pa&amp;iacute;ses do Mercosul, Guimar&amp;atilde;es Neto foi enf&amp;aacute;tico: &amp;ldquo;A principal li&amp;ccedil;&amp;atilde;o da zona do euro &amp;eacute; que n&amp;atilde;o devemos adotar esse tipo de pol&amp;iacute;tica. H&amp;aacute; certo consenso de que essas pol&amp;iacute;ticas v&amp;atilde;o agravar a recess&amp;atilde;o&amp;rdquo;, disse. Segundo ele, essas pol&amp;iacute;ticas recessivas significam restri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de despesas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Estado e privatiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &amp;ldquo;Felizmente aqui no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai n&amp;atilde;o estamos adotando pol&amp;iacute;ticas recessivas&amp;rdquo;, completou.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em v&amp;aacute;rios momentos da conversa, o embaixador ressaltou o crescimento da China na economia mundial como um sinal da nova correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as do capitalismo. Novo centro do capitalismo mundial, a economia chinesa vem crescendo 10% ao ano nos &amp;uacute;ltimos 30 anos. Diante do avan&amp;ccedil;o da China na economia dos pa&amp;iacute;ses do Mercusol, Guimar&amp;atilde;es Neto alertou para o risco de reprimariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da economia. &amp;ldquo;Se os chineses v&amp;ecirc;m participar desse com&amp;eacute;rcio com pre&amp;ccedil;os muito baixos eles n&amp;atilde;o s&amp;oacute; afetam as ind&amp;uacute;strias locais, como aumentam o desemprego e tamb&amp;eacute;m desestimulam investimento da ind&amp;uacute;stria&amp;rdquo;, analisou.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Quais as principais li&amp;ccedil;&amp;otilde;es que o Mercosul pode aprender com a crise do bloco da zona do euro?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - A principal li&amp;ccedil;&amp;atilde;o da zona do euro &amp;eacute; que n&amp;atilde;o devemos adotar esse tipo de pol&amp;iacute;tica. S&amp;atilde;o pol&amp;iacute;ticas de restri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de despesas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Estado, privatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;atilde;o pol&amp;iacute;ticas que levam a um agravamento da recess&amp;atilde;o, ao contr&amp;aacute;rio do que eles esperam. H&amp;aacute; certo consenso de que essas pol&amp;iacute;ticas v&amp;atilde;o agravar a recess&amp;atilde;o. Ent&amp;atilde;o felizmente aqui no Brasil, na Argentina, no Paraguai, Uruguai n&amp;atilde;o estamos adotando pol&amp;iacute;ticas recessivas, ao contr&amp;aacute;rio: estamos procurando estimular a economia, manter o n&amp;iacute;vel de demanda.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Qual sua avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da crise capitalista e como ela pode atingir os direitos trabalhistas num contexto de economia globalizada?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - Eu acho que a crise existe principalmente nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais, nos Estados Unidos e na Europa. Essa crise do capitalismo tem que ser vista do &amp;acirc;ngulo das empresas, pois o capitalismo &amp;eacute; uma abstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o existe capitalismo. E qual &amp;eacute; a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das empresas? De um lado existe o setor financeiro e outros setores que foram socorridos pelos seus Estados. De outro lado, o novo centro do capitalismo mundial com a economia chinesa, que vem crescendo 10% ao ano nos &amp;uacute;ltimos 30 anos. Isso significa que as empresas que trabalham com as mais modernas m&amp;aacute;quinas e que utilizam m&amp;atilde;o-de-obra com sal&amp;aacute;rios muito baixos t&amp;ecirc;m margens de lucros extraordin&amp;aacute;rias e n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o sendo afetadas pela crise.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; E de que forma isso est&amp;aacute; atingindo as pequenas e m&amp;eacute;dias empresas nos Estados Unidos e na Europa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - &amp;Eacute; claro que nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais, as pequenas e m&amp;eacute;dias empresas sofrem com a relocaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou seja, ind&amp;uacute;strias que se mudaram para a China, assim como a concorr&amp;ecirc;ncia dos produtos importados na China, &amp;agrave;s vezes das pr&amp;oacute;prias ind&amp;uacute;strias que estavam l&amp;aacute; (nos pa&amp;iacute;ses capitalistas tradicionais). Como por exemplo quando n&amp;oacute;s observamos os produtos chineses feitos por uma grande empresa multinacional. Ent&amp;atilde;o digamos que &amp;eacute; uma crise em termos de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de emprego, falta de investimento e que est&amp;aacute; se verificando at&amp;eacute; mais na Europa do que nos Estados Unidos. Com isso, as pol&amp;iacute;ticas necess&amp;aacute;rias para uma recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o efetiva da economia n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o tomadas porque, inclusive nos seus pa&amp;iacute;ses tradicionais, elas teriam que muitas vezes concorrer com a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o que vem da China. Ent&amp;atilde;o digamos que o capitalista, o empres&amp;aacute;rio, v&amp;aacute; construir uma nova f&amp;aacute;brica. Onde ele vai construir? Num pa&amp;iacute;s europeu ou na China? Na China. Claro que tudo isso tem muitos detalhes, muitas nuances, que n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel uma generaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Al&amp;eacute;m disso, enquanto h&amp;aacute; um enorme aumento do emprego na China, houve uma redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do emprego nos pa&amp;iacute;ses tradicionais. E, ao mesmo tempo, a pretexto de enfrentar a competitividade chinesa &amp;ndash; digo &amp;ldquo;a pretexto&amp;rdquo; porque n&amp;atilde;o seria suficiente ao meu ju&amp;iacute;zo -, se combate os direitos trabalhistas atrav&amp;eacute;s da modifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho, aumento de horas, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vantagens trabalhistas e dos programas sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; H&amp;aacute; negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es no Mercosul para que seja assinada a Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Sociolaboral, que prev&amp;ecirc; uma s&amp;eacute;rie de garantias de direitos sociais. Seria uma forma de proteger os trabalhadores que atuam no bloco. Qual seria a import&amp;acirc;ncia de aprovar uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste tipo diante de um contexto de supress&amp;atilde;o de direitos trabalhistas em &amp;acirc;mbito internacional?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o trabalhista de cada pa&amp;iacute;s do Mercosul est&amp;aacute; diretamente conectada &amp;agrave;s legisla&amp;ccedil;&amp;otilde;es nacionais, ou seja, o que rege as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de trabalho no Brasil, por exemplo, &amp;eacute; a legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira. Essa (Declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o Sociolaboral) &amp;eacute; uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Ali&amp;aacute;s, acho que nem foi totalmente aprovada, pois n&amp;atilde;o h&amp;aacute; uma concord&amp;acirc;ncia total. A import&amp;acirc;ncia dessa declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; gerar um compromisso dos Estados, naturalmente. Ao assinar uma declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional se comprometendo a obedecer e a respeitar certos direitos, isso gera um compromisso dos Estados com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a esses direitos, o que &amp;eacute; importante. Essas declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es fazem com que os Estados menos avan&amp;ccedil;ados naquele campo sejam induzidos a adotar legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o compat&amp;iacute;vel com a declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Proteger direitos trabalhistas j&amp;aacute; garantidos &amp;eacute; ainda mais importante nesse momento de crise econ&amp;ocirc;mica mundial.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - N&amp;oacute;s corremos o risco (de supress&amp;atilde;o de direitos trabalhistas) aqui porque essa crise &amp;eacute; uma crise social, porque os bancos est&amp;atilde;o em muito boas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, as empresas tamb&amp;eacute;m. As que est&amp;atilde;o mal s&amp;atilde;o as micro, pequenas e m&amp;eacute;dia empresas e os trabalhadores que est&amp;atilde;o desempregados. Ent&amp;atilde;o j&amp;aacute; estamos vendo na Europa que, sob o pretexto de reativar o mercado, aplica-se toda uma s&amp;eacute;rie de medidas para reduzir os direitos do trabalho, para reduzir os custos do trabalho. Isso pode nos atingir eventualmente, sob a alega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tornar a economia brasileira mais competitiva com a economia chinesa e at&amp;eacute; com a norte-americana, j&amp;aacute; que no ano passado o Brasil teve um d&amp;eacute;ficit comercial com os Estados Unidos de US$ 8 bilh&amp;otilde;es. A competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; chinesa, tamb&amp;eacute;m vem de outras partes e isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o mencionado na imprensa. Ent&amp;atilde;o com isso pode haver uma tend&amp;ecirc;ncia, em especial quando se fala em aumentar competitividade da ind&amp;uacute;stria, que significa no fundo redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de impostos &amp;mdash; o que vai, consequentemente, reduzir em programas sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Diante deste cen&amp;aacute;rio de ascens&amp;atilde;o da China e de press&amp;atilde;o para aumentar a competitividade da economia corre-se o risco de enfraquecer a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bloco?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - No caso espec&amp;iacute;fico do Mercosul, o que afeta de um lado &amp;eacute; a import&amp;acirc;ncia crescente da China na economia mundial e de outro, a import&amp;acirc;ncia crescente da China na economia dos pa&amp;iacute;ses do Mercosul. A China j&amp;aacute; &amp;eacute; o primeiro parceiro comercial do Brasil, passou os Estados Unidos. J&amp;aacute; &amp;eacute; o segundo ou terceiro maior parceiro comercial da Argentina, do Uruguai, do Paraguai. O que acontece &amp;eacute; que a China tem uma demanda muito grande por recursos naturais, produtos agr&amp;iacute;colas, soja, min&amp;eacute;rios e o Brasil e a pr&amp;oacute;pria Argentina, Uruguai, Paraguai s&amp;atilde;o capazes de produzir em grande escala esses produtos. A quest&amp;atilde;o &amp;eacute; que, ao mesmo tempo, a China &amp;eacute; uma grande exportadora de produtos manufaturados muito baratos, o que afeta a ind&amp;uacute;stria local. O importante do Mercosul, entre outras coisas, s&amp;atilde;o os la&amp;ccedil;os de com&amp;eacute;rcio, mas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o os la&amp;ccedil;os de com&amp;eacute;rcio agr&amp;iacute;cola, inclusive porque os pa&amp;iacute;ses produzem produtos semelhantes: a Argentina, Paraguai, Brasil produzem soja. O com&amp;eacute;rcio industrial brasileiro &amp;eacute; muito intenso com a Am&amp;eacute;rica do Sul e com o Mercosul. Se os chineses v&amp;ecirc;m participar desse com&amp;eacute;rcio com pre&amp;ccedil;os muito baixos eles n&amp;atilde;o s&amp;oacute; afetam as ind&amp;uacute;strias locais, aumentam o desemprego e tamb&amp;eacute;m desestimulam investimento da ind&amp;uacute;stria. Se f&amp;ocirc;ssemos perguntar a um capitalista se ele iria abrir uma f&amp;aacute;brica de algum produto que hoje &amp;eacute; importado da China, ele analisaria os pre&amp;ccedil;os e veria que n&amp;atilde;o poderia competir. Ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o vai mais investir na ind&amp;uacute;stria, o que diminui o investimento nesse setor e aumenta o investimento na agropecu&amp;aacute;ria e na minera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ou seja, vai reprimarizando a economia dos pa&amp;iacute;ses, ao mesmo tempo que vai tornando mais fr&amp;aacute;geis os la&amp;ccedil;os entre esses pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Isso acontece tamb&amp;eacute;m com os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos? Al&amp;eacute;m da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica, outro objetivo do Mercosul seria uma maior integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, via Parlamento do Mercosul. Que avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o o senhor faz da integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica no bloco?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - Isso tamb&amp;eacute;m afeta os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos. Os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos, naturalmente, t&amp;ecirc;m a ver com as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas. No caso os la&amp;ccedil;os pol&amp;iacute;ticos s&amp;atilde;o importantes diante dessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional muito complexa e o aumento da coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica seria extremamente importante. Os presidentes do Mercosul se re&amp;uacute;nem ocasionalmente, &amp;agrave; margem das reuni&amp;otilde;es internacionais. O presidente da Fran&amp;ccedil;a Nicolas Sarkozy e a chanceler da Alemanha, primeira-ministra Angela Merkel, se re&amp;uacute;nem a cada quinze dias. Aqui no Mercosul se re&amp;uacute;nem esporadicamente. Eles precisam mais coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que significa troca de ideias, conhecimento, confian&amp;ccedil;a. E para isso &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio que as pessoas se conhe&amp;ccedil;am melhor, se vejam mais, para depois ent&amp;atilde;o combinar atitudes comuns.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Existem negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es para ampliar a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Mercosul, por exemplo criando uma moeda &amp;uacute;nica, novas taxas para serem compartilhadas entre os pa&amp;iacute;ses?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - O que existe &amp;eacute; um sistema de com&amp;eacute;rcio de moeda local entre o Brasil e Argentina e que est&amp;aacute; em negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre Brasil e Uruguai e, eventualmente, com os outros pa&amp;iacute;ses do Mercosul. Isto &amp;eacute; algo que j&amp;aacute; est&amp;aacute;, digamos, em curso, mas n&amp;atilde;o ainda a ponto de se adotar uma moeda comum, apenas um pa&amp;iacute;s aceita a moeda do outro, para certo tipo de transa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; para qualquer tipo, &amp;eacute; mais relacionado a com&amp;eacute;rcio, na &amp;aacute;rea de servi&amp;ccedil;os, pagamentos previdenci&amp;aacute;rios e assim por diante.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Como o Mercosul tem encarado a quest&amp;atilde;o da livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas em suas fronteiras?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - Com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Mercosul existe um acordo de resid&amp;ecirc;ncia em que os cidad&amp;atilde;os do Mercosul que v&amp;atilde;o para outro pa&amp;iacute;s com visto tempor&amp;aacute;rio podem pedir visto permanente depois de dois anos. A partir da&amp;iacute; passam a ter todos os direitos binacionais, inclusive em termos de previd&amp;ecirc;ncia social, trabalhos, todos os direitos civis, ainda que n&amp;atilde;o os pol&amp;iacute;ticos. Isso tudo j&amp;aacute; existe no &amp;acirc;mbito do Mercosul. Hoje em dia a livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas a titulo provis&amp;oacute;rio nos pa&amp;iacute;ses do Mercosul permite a entrada de qualquer outro cidad&amp;atilde;o de outro pa&amp;iacute;s apresentando somente carteira de identidade. N&amp;atilde;o precisa nem de visto, nem de passaporte. Isso facilita muito a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas. Mas existem outras quest&amp;otilde;es relativas a exerc&amp;iacute;cio profissional que s&amp;atilde;o quest&amp;otilde;es mais complexas. Por exemplo, na &amp;aacute;rea da Medicina e do Direito. Para ser advogado no Brasil &amp;eacute; preciso fazer curso do Direito, prova da OAB e ter licen&amp;ccedil;a para advogar, na medicina a mesma coisa. Al&amp;eacute;m disso, no caso do Direito, os curr&amp;iacute;culos s&amp;atilde;o diferentes porque as pr&amp;oacute;prias legisla&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o diferentes.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; J&amp;aacute; que estamos falando em educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, gostaria que o senhor relatasse a experi&amp;ecirc;ncia da Unila, a Universidade Latino Americana (Unila) em Foz do Igua&amp;ccedil;u e Ciudad del Este.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - A Unila &amp;eacute; uma universidade federal brasileira, ela n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma universidade dos quatro pa&amp;iacute;ses. Ela &amp;eacute; uma interessante tentativa. A ideia &amp;eacute; que metade dos alunos sejam brasileiros e a outra metade estrangeiros da Am&amp;eacute;rica Latina, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; da Am&amp;eacute;rica do Sul, e que haja professores brasileiros e professores de outros pa&amp;iacute;ses. Essa iniciativa tem corrido bem, com dificuldades naturais de uma iniciativa pioneira em cidades pequenas. Foz do Igua&amp;ccedil;u e Ciudad del Este t&amp;ecirc;m enfrentado dificuldades na fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos professores e dos alunos, mas isso tem progredido. Al&amp;eacute;m da Unila, na &amp;aacute;rea educacional h&amp;aacute; v&amp;aacute;rios sistemas de bolsas de estudos pela Capes para Am&amp;eacute;rica do Sul. Mas haveria muito que fazer nessa &amp;aacute;rea.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Que outras a&amp;ccedil;&amp;otilde;es conjuntas t&amp;ecirc;m sido desenvolvidas no Mercosul e que merecem destaque?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - H&amp;aacute; um programa de extrema import&amp;acirc;ncia que ter&amp;aacute; um impacto muito grande sobre o emprego nos pa&amp;iacute;ses menores do Mercosul: os projetos do Fundo de Converg&amp;ecirc;ncia Estrutural do Mercosul, cuja abrevia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; Forcem. Esse fundo &amp;eacute; composto por cota&amp;ccedil;&amp;otilde;es no valor de US$ 100 milh&amp;otilde;es por ano. O Brasil contribui com 70%, a Argentina com 27% e o Uruguai com 2% e o Paraguai com 1%. Os projetos s&amp;atilde;o apresentados ao fundo pelos governos e s&amp;atilde;o principalmente, mas n&amp;atilde;o unicamente, na &amp;aacute;rea da infraestrutura, estradas, saneamento e assim por diante. Esse fundo tamb&amp;eacute;m pode receber contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es volunt&amp;aacute;rias: no caso de um projeto que &amp;eacute; aprovado tecnicamente por um sistema de desembolso, o pa&amp;iacute;s tem que entrar com 15% do valor do projeto e os outros 85% s&amp;atilde;o doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o tem que pagar. O Forcem j&amp;aacute; est&amp;aacute; em andamento h&amp;aacute; cinco ou seis anos e ningu&amp;eacute;m sabe. Inclusive o Brasil fez uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de US$500 milh&amp;otilde;es para a linha de transmiss&amp;atilde;o de energia el&amp;eacute;trica entre Itaipu e Assun&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Paraguai &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s pequeno que tem a maior potencial de explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de energia el&amp;eacute;trica do mundo per capita. E ainda hoje h&amp;aacute; apag&amp;atilde;o em certos lugares, porque nunca fizeram a linha de transmiss&amp;atilde;o. O Brasil fez essa doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e est&amp;aacute; sendo constru&amp;iacute;da essa linha que vai transformar a economia paraguaia, porque sem energia el&amp;eacute;trica n&amp;atilde;o h&amp;aacute; ind&amp;uacute;stria e nem h&amp;aacute; servi&amp;ccedil;os modernos. Ent&amp;atilde;o o fato de estender essa linha de transmiss&amp;atilde;o vai fazer com que Assun&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha um surto industrial. Isso vai ser uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o na economia paraguaia. Temos tamb&amp;eacute;m o Programa Estrat&amp;eacute;gico de A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Social, que faz um levantamento de todos as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es no campo social nos diferentes minist&amp;eacute;rios e que est&amp;aacute; num processo ainda lento de implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tamb&amp;eacute;m tem a chamada Unidade de Participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Social que foi criada no final de 2010, mas que ainda n&amp;atilde;o foi instalada por quest&amp;otilde;es organizacionais, que visa a fortalecer a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de movimentos da sociedade civil nas atividades do Mercosul.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; E que outros pa&amp;iacute;ses podem integrar o Mercosul e que ainda n&amp;atilde;o aderiram?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - A Venezuela. Toda a etapa de ades&amp;atilde;o da Venezuela j&amp;aacute; foi aprovada no Brasil, na Argentina e no Uruguai, s&amp;oacute; falta ser aprovado no Senado do Paraguai, est&amp;aacute; l&amp;aacute; h&amp;aacute; meses e isso &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;tica interna entre governo e Congresso. A Venezuela &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s riqu&amp;iacute;ssimo em termos de recursos minerais. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; petr&amp;oacute;leo, mas tamb&amp;eacute;m min&amp;eacute;rio de ferro e outros produtos, al&amp;eacute;m de que &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s que decidiu fazer um programa de industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tem uma popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o razo&amp;aacute;vel de 20 milh&amp;otilde;es de pessoas, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; um mercado razo&amp;aacute;vel. A Venezuela resolveu se empenhar nesse processo de industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e fazer isso com a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos pa&amp;iacute;ses da Am&amp;eacute;rica do Sul, principalmente Brasil e Argentina, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; um mercado muito importante tanto para os pa&amp;iacute;ses do Mercosul quanto para a pr&amp;oacute;pria Venezuela. E outros que poderiam fazer parte s&amp;atilde;o o Equador, que manifestou interesse e que vai come&amp;ccedil;ar as negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es em maio, a Bol&amp;iacute;via e o Suriname. Os que n&amp;atilde;o podem ingressar s&amp;atilde;o o Peru, o Chile e a Col&amp;ocirc;mbia, que t&amp;ecirc;m acordos de livre com&amp;eacute;rcio com os Estados Unidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Sul21 &amp;ndash; Pra finalizar essa entrevista, como o senhor avalia o est&amp;aacute;gio de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Mercosul?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Samuel Pinheiro Guimar&amp;atilde;es Neto&lt;/strong&gt; - Eu acho que se avan&amp;ccedil;ou de uma forma extraordin&amp;aacute;ria. Desde que foi criado o Mercosul em 1998, o com&amp;eacute;rcio se multiplicou por mais de dez vezes. Isso &amp;eacute; extraordin&amp;aacute;rio, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; aumentou em termos absolutos como se diversificou. Os investimentos brasileiros na Argentina, Uruguai e Paraguai se multiplicaram de uma forma muito extraordin&amp;aacute;ria. Na Argentina o n&amp;uacute;mero de empresas brasileiras &amp;eacute; muito grande. Na &amp;aacute;rea da infraestrutura tamb&amp;eacute;m crescemos atrav&amp;eacute;s do Forcem, al&amp;eacute;m dos empr&amp;eacute;stimos feitos pelo BNDES para obras de infraestrutura nos pa&amp;iacute;ses do Mercosul. Ent&amp;atilde;o houve um progresso muito grande, al&amp;eacute;m da coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, do melhor entendimento entre os pa&amp;iacute;ses. Eu acho que o saldo &amp;eacute; muito positivo. Apesar de agora estarmos diante desse desafio da China e dos outros pa&amp;iacute;ses altamente industrializados que procuram gerar um excedente de exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para os outros pa&amp;iacute;ses. Enfim, os pa&amp;iacute;ses do Mercosul devem enfrentar em conjunto o desafio da crise, da emerg&amp;ecirc;ncia da China e a quest&amp;atilde;o ambiental.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
<pubDate>Tue, 08 May 2012 20:41:58 GMT</pubDate>
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