<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0">
<channel>
<title>News</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/</link>
<description>Notícias</description>
<generator>OpenACS 5.0</generator>
<lastBuildDate>Sat, 18 May 2013 14:34:13 GMT</lastBuildDate>
<image>
<title>News</title>
<url>http://www.urucumbrasil.com.br/rss-support/images/rss-feed-assinar-123.gif</url>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/</link>
<width>256</width>
<height>256</height>
</image>
<item>
<title>Teste</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=703708</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=703708</guid>
<description><![CDATA[<p>Teste</p>]]></description>
<pubDate>Sat, 18 May 2013 14:34:13 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Combater a homofobia é defender a democracia e os direitos humanos</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=696453</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=696453</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/696460"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em 17 de maio de 1990, a Assembleia Mundial da Sa&uacute;de - principal &oacute;rg&atilde;o controlador da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), retirou a homossexualidade da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID). O fato, que significou um enorme avan&ccedil;o para o reconhecimento da cidadania LGBT, ficou consagrado no calend&aacute;rio das lutas sociais como o Dia Mundial de Combate &agrave; Homofobia. Posteriormente, o Estado brasileiro e o Distrito Federal tamb&eacute;m institu&iacute;ram a data nos calend&aacute;rios nacional e distrital.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Passadas mais de duas d&eacute;cadas desde sua cria&ccedil;&atilde;o, o Dia Mundial de Combate &agrave; Homofobia ser&aacute; marcado, esse ano, por lament&aacute;veis amea&ccedil;as de retrocesso aos direitos arduamente conquistados pela popula&ccedil;&atilde;o LGBT no Brasil.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A elei&ccedil;&atilde;o do Pastor Marco Feliciano - conhecido por suas declara&ccedil;&otilde;es racistas e homof&oacute;bicas - para presidir a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara dos Deputados e a revoga&ccedil;&atilde;o do Decreto que regulamentaria a Lei Distrital 2.615/2000 s&atilde;o exemplos simb&oacute;licos de uma ofensiva conservadora que vem ganhando espa&ccedil;o em todas as esferas da sociedade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Al&eacute;m de negar o direito &agrave; cidadania a uma parte da popula&ccedil;&atilde;o, expressando um profundo desprezo &agrave; pr&oacute;pria democracia, setores fundamentalistas insistem em impor suas cren&ccedil;as e dogmas particulares ao conjunto da sociedade, apropriando-se da f&eacute; de seus &ldquo;irm&atilde;os" para us&aacute;-la como barganha em seu projeto de poder. &nbsp;Numa l&oacute;gica obscurantista, ao tempo em que se posicionam contr&aacute;rios &agrave; uni&atilde;o civil entre pessoas do mesmo sexo e &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia, defendem ardorosamente propostas como a da &ldquo;bolsa estupro&rdquo; - contida no PL 478/2007 - que visa instituir o estatuto do nascituro, e da &ldquo;cura gay&rdquo; - que pretende &ldquo;reincorporar&rdquo; a homossexualidade &agrave; CID, sugerindo a &ldquo;convers&atilde;o&rdquo; de pessoas homossexuais &agrave; heterossexualidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Se, por um lado, o Executivo Federal conseguiu implementar algumas pol&iacute;ticas que promovem a cidadania LGBT, a exemplo da realiza&ccedil;&atilde;o de duas Confer&ecirc;ncias Nacionais e da elabora&ccedil;&atilde;o de um Plano de pol&iacute;ticas para o segmento, por outro, a articula&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as conservadoras no Congresso Nacional tem conseguido barrar projetos importantes, como PLC 122, que est&aacute; em tramita&ccedil;&atilde;o desde 2007. O Projeto, que prop&otilde;e a criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia no Brasil ganha ainda mais relev&acirc;ncia diante das estat&iacute;sticas da viol&ecirc;ncia contra a popula&ccedil;&atilde;o LGBT.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), nos primeiros 11 meses de 2012, o Disque 100 j&aacute; havia recebido 2.830 den&uacute;ncias de viol&ecirc;ncia homof&oacute;bica. Somado aos casos registrados pelas Delegacias Especializadas de Atendimento &agrave; Mulher (DEAM&rsquo;s) e pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), o n&uacute;mero de den&uacute;ncias chegou a 6.809 casos no m&ecirc;s de novembro, tendo sido o DF a Unidade da Federa&ccedil;&atilde;o com maior n&uacute;mero de registros, proporcionalmente &agrave; sua popula&ccedil;&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia letal contra a popula&ccedil;&atilde;o LGBT, houve um aumento de 27% dos homic&iacute;dios em 2012, em compara&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. O Brasil &eacute; hoje, vergonhosamente, o l&iacute;der mundial do ranking de homic&iacute;dios contra homossexuais, sendo que os 338 assassinatos de LGBT ocorridos ao longo do &uacute;ltimo ano representam 44% das execu&ccedil;&otilde;es mundiais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Ou seja, enquanto verificamos um cen&aacute;rio claro de retrocesso na garantia e defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana - consequ&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o de grupos conservadores-, observamos tamb&eacute;m, concretamente, a exist&ecirc;ncia de demandas reais, como os dados de viol&ecirc;ncia homof&oacute;bica, que exigem uma resposta efetiva do Estado para todos aqueles que foram ou poder&atilde;o vir a ser v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia baseada em preconceitos e discrimina&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Estes fatos e estes dados &eacute; que devem ser orientadores da a&ccedil;&atilde;o estatal - a&iacute; inclu&iacute;das as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a elabora&ccedil;&atilde;o legislativa - na busca pela promo&ccedil;&atilde;o da cidadania e pela garantia dos direitos humanos para todos, sem distin&ccedil;&otilde;es. O presente momento nos convoca, portanto, a reafirmar a democracia, a laicidade do Estado, e os direitos humanos, que s&atilde;o fundamentos de nossa Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; N&atilde;o podemos permitir que o Brasil se transforme numa Rep&uacute;blica de Talib&atilde;s. Por isso, nesse dia 17 de maio, quando formos &agrave;s ruas reivindicar a erradica&ccedil;&atilde;o da homofobia, tamb&eacute;m precisamos elevar nossas vozes pelo fim de todas as formas de preconceito, viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">*Arlete Sampaio &eacute; Deputada Distrital, L&iacute;der de Governo na CLDF e membro da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por Arlete Sampaio</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 17 de maio de 1990, a Assembleia Mundial da Sa&uacute;de - principal &oacute;rg&atilde;o controlador da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), retirou a homossexualidade da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID). O fato, que significou um enorme avan&ccedil;o para o reconhecimento da cidadania LGBT, ficou consagrado no calend&aacute;rio das lutas sociais como o Dia Mundial de Combate &agrave; Homofobia. Posteriormente, o Estado brasileiro e o Distrito Federal tamb&eacute;m institu&iacute;ram a data nos calend&aacute;rios nacional e distrital.<br /><br />Passadas mais de duas d&eacute;cadas desde sua cria&ccedil;&atilde;o, o Dia Mundial de Combate &agrave; Homofobia ser&aacute; marcado, esse ano, por lament&aacute;veis amea&ccedil;as de retrocesso aos direitos arduamente conquistados pela popula&ccedil;&atilde;o LGBT no Brasil.<br /><br />A elei&ccedil;&atilde;o do Pastor Marco Feliciano - conhecido por suas declara&ccedil;&otilde;es racistas e homof&oacute;bicas - para presidir a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara dos Deputados e a revoga&ccedil;&atilde;o do Decreto que regulamentaria a Lei Distrital 2.615/2000 s&atilde;o exemplos simb&oacute;licos de uma ofensiva conservadora que vem ganhando espa&ccedil;o em todas as esferas da sociedade.<br /><br />Al&eacute;m de negar o direito &agrave; cidadania a uma parte da popula&ccedil;&atilde;o, expressando um profundo desprezo &agrave; pr&oacute;pria democracia, setores fundamentalistas insistem em impor suas cren&ccedil;as e dogmas particulares ao conjunto da sociedade, apropriando-se da f&eacute; de seus &ldquo;irm&atilde;os" para us&aacute;-la como barganha em seu projeto de poder. &nbsp;Numa l&oacute;gica obscurantista, ao tempo em que se posicionam contr&aacute;rios &agrave; uni&atilde;o civil entre pessoas do mesmo sexo e &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia, defendem ardorosamente propostas como a da &ldquo;bolsa estupro&rdquo; - contida no PL 478/2007 - que visa instituir o estatuto do nascituro, e da &ldquo;cura gay&rdquo; - que pretende &ldquo;reincorporar&rdquo; a homossexualidade &agrave; CID, sugerindo a &ldquo;convers&atilde;o&rdquo; de pessoas homossexuais &agrave; heterossexualidade.<br /><br />Se, por um lado, o Executivo Federal conseguiu implementar algumas pol&iacute;ticas que promovem a cidadania LGBT, a exemplo da realiza&ccedil;&atilde;o de duas Confer&ecirc;ncias Nacionais e da elabora&ccedil;&atilde;o de um Plano de pol&iacute;ticas para o segmento, por outro, a articula&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as conservadoras no Congresso Nacional tem conseguido barrar projetos importantes, como PLC 122, que est&aacute; em tramita&ccedil;&atilde;o desde 2007. O Projeto, que prop&otilde;e a criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia no Brasil ganha ainda mais relev&acirc;ncia diante das estat&iacute;sticas da viol&ecirc;ncia contra a popula&ccedil;&atilde;o LGBT.<br /><br />Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), nos primeiros 11 meses de 2012, o Disque 100 j&aacute; havia recebido 2.830 den&uacute;ncias de viol&ecirc;ncia homof&oacute;bica. Somado aos casos registrados pelas Delegacias Especializadas de Atendimento &agrave; Mulher (DEAM&rsquo;s) e pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), o n&uacute;mero de den&uacute;ncias chegou a 6.809 casos no m&ecirc;s de novembro, tendo sido o DF a Unidade da Federa&ccedil;&atilde;o com maior n&uacute;mero de registros, proporcionalmente &agrave; sua popula&ccedil;&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia letal contra a popula&ccedil;&atilde;o LGBT, houve um aumento de 27% dos homic&iacute;dios em 2012, em compara&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. O Brasil &eacute; hoje, vergonhosamente, o l&iacute;der mundial do ranking de homic&iacute;dios contra homossexuais, sendo que os 338 assassinatos de LGBT ocorridos ao longo do &uacute;ltimo ano representam 44% das execu&ccedil;&otilde;es mundiais.<br /><br />Ou seja, enquanto verificamos um cen&aacute;rio claro de retrocesso na garantia e defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana - consequ&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o de grupos conservadores-, observamos tamb&eacute;m, concretamente, a exist&ecirc;ncia de demandas reais, como os dados de viol&ecirc;ncia homof&oacute;bica, que exigem uma resposta efetiva do Estado para todos aqueles que foram ou poder&atilde;o vir a ser v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia baseada em preconceitos e discrimina&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual.<br /><br />Estes fatos e estes dados &eacute; que devem ser orientadores da a&ccedil;&atilde;o estatal - a&iacute; inclu&iacute;das as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a elabora&ccedil;&atilde;o legislativa - na busca pela promo&ccedil;&atilde;o da cidadania e pela garantia dos direitos humanos para todos, sem distin&ccedil;&otilde;es. O presente momento nos convoca, portanto, a reafirmar a democracia, a laicidade do Estado, e os direitos humanos, que s&atilde;o fundamentos de nossa Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<br /><br />N&atilde;o podemos permitir que o Brasil se transforme numa Rep&uacute;blica de Talib&atilde;s. Por isso, nesse dia 17 de maio, quando formos &agrave;s ruas reivindicar a erradica&ccedil;&atilde;o da homofobia, tamb&eacute;m precisamos elevar nossas vozes pelo fim de todas as formas de preconceito, viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><strong>*Arlete Sampaio &eacute; Deputada Distrital, L&iacute;der de Governo na CLDF e membro da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Fri, 17 May 2013 13:00:47 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Segundo debate sobre Classes Sociais discute estratos emergentes e cultura política</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=699344</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=699344</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/699351"><br><p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo (FPA) e a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES) realizaram nesta quinta-feira, 16, o segundo debate, de uma s&eacute;rie de nove, sobre Classes Sociais. Nesta edi&ccedil;&atilde;o foram apresentados os resultados da pesquisa, in&eacute;dita, "Estratos sociais emergentes e cultura pol&iacute;tica", produzida por Gustavo Venturi e Vilma Bokany, do N&uacute;cleo de Pesquisas e Opini&atilde;o P&uacute;blica da FPA.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na apresenta&ccedil;&atilde;o, Venturi destacou a import&acirc;ncia do estudo, ressaltando que "duas de cada cinco pessoas tiveram mobilidade social [nos &uacute;ltimos anos], por&eacute;m isso n&atilde;o significou mudan&ccedil;a na vis&atilde;o de mundo". A pesquisa mostra tamb&eacute;m que a sustentabilidade do modelo atual deve ter como horizonte a transforma&ccedil;&atilde;o social, e que as desigualdades merecem tratamento espec&iacute;fico, diz Venturi.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">J&aacute; o diretor da FPA, e moderador do debate, Joaquim Soriano, lembrou que "as altera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do pa&iacute;s n&atilde;o podem ser avaliadas sem lembrar que sa&iacute;mos de um abismo muito grande e profundo". Isso significa que, apesar da mobilidade social estar ocorrendo, ainda h&aacute; um grande n&uacute;mero de pessoas que n&atilde;o s&atilde;o atingidas por pol&iacute;ticas sociais ou a&ccedil;&otilde;es do Estado. Soriano lembrou que h&aacute; quest&otilde;es ainda n&atilde;o respondidas neste contexto, sobre &ldquo;como trazer a classe trabalhadora para os debates variados, ou como faremos para organiz&aacute;-la e politiz&aacute;-la.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A defini&ccedil;&atilde;o do que seria classe m&eacute;dia, conservadorismo, quest&otilde;es raciais e de g&ecirc;nero, o modelo atual de consumo e de desenvolvimento, al&eacute;m da complexidade da estrutura do Estado, foram tamb&eacute;m temas apresentados e debatidos. Para Jean Tible, da FES, &ldquo;os n&uacute;meros da pesquisa fazem com que o assunto mere&ccedil;a as preocupa&ccedil;&otilde;es da esquerda e de governos progressistas.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Um tema relevante abordado foi o suposto conservadorismo do subproletariado. Para Andr&eacute; Singer, o professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e membro do Conselho Curador da FPA, este estrato social quer mudan&ccedil;as. &ldquo;H&aacute; um desejo de altera&ccedil;&otilde;es via a&ccedil;&atilde;o do Estado para gerar igualdade desde que dentro da ordem estabelecida&rdquo;, diz Singer, ressaltando, por&eacute;m, que &ldquo;apesar da grande formaliza&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, ainda n&atilde;o superamos o alto &iacute;ndice de informalidade&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O pr&oacute;ximo debate sobre as classes sociais acontece no dia 13 de junho, com a participa&ccedil;&atilde;o do professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jess&eacute; de Souza. O v&iacute;deo com a &iacute;ntegra do debate desta quinta-feira estar&aacute; dispon&iacute;vel em breve na Ag&ecirc;ncia FPA.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Fa&ccedil;a o download da apresenta&ccedil;&atilde;o da pesquisa:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">PARTE 1</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">PARTE 2</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site da <a href="http://novo.fpabramo.org.br/content/segundo-debate-sobre-classes-sociais-discute-estratos-emergentes-e-cultura-politica">FPA</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo (FPA) e a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES) realizaram nesta quinta-feira, 16, o segundo debate, de uma s&eacute;rie de nove, sobre Classes Sociais. Nesta edi&ccedil;&atilde;o foram apresentados os resultados da pesquisa, in&eacute;dita, "Estratos sociais emergentes e cultura pol&iacute;tica", produzida por Gustavo Venturi e Vilma Bokany, do N&uacute;cleo de Pesquisas e Opini&atilde;o P&uacute;blica da FPA.<br /><br />Na apresenta&ccedil;&atilde;o, Venturi destacou a import&acirc;ncia do estudo, ressaltando que "duas de cada cinco pessoas tiveram mobilidade social [nos &uacute;ltimos anos], por&eacute;m isso n&atilde;o significou mudan&ccedil;a na vis&atilde;o de mundo". A pesquisa mostra tamb&eacute;m que a sustentabilidade do modelo atual deve ter como horizonte a transforma&ccedil;&atilde;o social, e que as desigualdades merecem tratamento espec&iacute;fico, diz Venturi.<br /><br />J&aacute; o diretor da FPA, e moderador do debate, Joaquim Soriano, lembrou que "as altera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do pa&iacute;s n&atilde;o podem ser avaliadas sem lembrar que sa&iacute;mos de um abismo muito grande e profundo". Isso significa que, apesar da mobilidade social estar ocorrendo, ainda h&aacute; um grande n&uacute;mero de pessoas que n&atilde;o s&atilde;o atingidas por pol&iacute;ticas sociais ou a&ccedil;&otilde;es do Estado. Soriano lembrou que h&aacute; quest&otilde;es ainda n&atilde;o respondidas neste contexto, sobre &ldquo;como trazer a classe trabalhadora para os debates variados, ou como faremos para organiz&aacute;-la e politiz&aacute;-la.&rdquo;<br /><br />A defini&ccedil;&atilde;o do que seria classe m&eacute;dia, conservadorismo, quest&otilde;es raciais e de g&ecirc;nero, o modelo atual de consumo e de desenvolvimento, al&eacute;m da complexidade da estrutura do Estado, foram tamb&eacute;m temas apresentados e debatidos. Para Jean Tible, da FES, &ldquo;os n&uacute;meros da pesquisa fazem com que o assunto mere&ccedil;a as preocupa&ccedil;&otilde;es da esquerda e de governos progressistas.&rdquo;<br /><br />Um tema relevante abordado foi o suposto conservadorismo do subproletariado. Para Andr&eacute; Singer, o professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e membro do Conselho Curador da FPA, este estrato social quer mudan&ccedil;as. &ldquo;H&aacute; um desejo de altera&ccedil;&otilde;es via a&ccedil;&atilde;o do Estado para gerar igualdade desde que dentro da ordem estabelecida&rdquo;, diz Singer, ressaltando, por&eacute;m, que &ldquo;apesar da grande formaliza&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, ainda n&atilde;o superamos o alto &iacute;ndice de informalidade&rdquo;.<br /><br />O pr&oacute;ximo debate sobre as classes sociais acontece no dia 13 de junho, com a participa&ccedil;&atilde;o do professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jess&eacute; de Souza. O v&iacute;deo com a &iacute;ntegra do debate desta quinta-feira estar&aacute; dispon&iacute;vel em breve na Ag&ecirc;ncia FPA.<br /><br /><strong>Fa&ccedil;a o download da apresenta&ccedil;&atilde;o da pesquisa:</strong><br /><br /><a href="http://novo.fpabramo.org.br/media/4313#overlay-context=">PARTE 1</a><br /><br /><a href="http://novo.fpabramo.org.br/media/4309#overlay-context=">PARTE 2</a></p>
</p>]]></description>
<pubDate>Fri, 17 May 2013 02:34:05 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Eleições, o impasse da Alemanha e suas lições</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=696512</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=696512</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/696519"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&Uacute;ltimas pesquisas v&ecirc;m anunciando que nas elei&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s em setembro pr&oacute;ximo poderia dar &ldquo;tilt&rdquo; &ndash; aquela parada de funcionamento nas m&aacute;quinas de jogos quando algo ou algu&eacute;m bate nelas e perturba a carreira das bolinhas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Qual &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o? &Eacute; a da possibilidade de n&atilde;o resultar das elei&ccedil;&otilde;es nenhuma maioria clara nem coaliz&atilde;o poss&iacute;vel. A &uacute;ltima pesquisa feita &ndash; pelo instituto Forsa para, entre outros clientes, a revista &lsquo;Der Spiegel&rsquo; &ndash; apontava para os seguintes resultados:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Uni&atilde;o Democrata Crist&atilde; (da chanceler Angela Mekel) + sua co-irm&atilde; Uni&atilde;o Social Crist&atilde;, da Baviera (ambas de s&oacute;lida vota&ccedil;&atilde;o, mas sem ter maioria) &ndash; 40%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">FDP (como costumo dizer, um DEM sem tradi&ccedil;&atilde;o de coron&eacute;is, de fato liberal, participante da atual coliga&ccedil;&atilde;o de governo) &ndash; 4%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">SPD (o Partido Social-Democrata que, sob a lideran&ccedil;a de Peer Steinbr&uuml;ck, tem oscilado demais nas pesquisas, com leve tend&ecirc;ncia para baixa gra&ccedil;as a declara&ccedil;&otilde;es desastradas de seu l&iacute;der) &ndash; 23%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Verdes (&agrave;s voltas com um &ldquo;pequeno ou grande esc&acirc;ndalo&rdquo; gra&ccedil;as &agrave; admiss&atilde;o por Daniel Cohn-Bendit, um dos &ldquo;her&oacute;is de 68&rdquo;, de que teria praticado alguma forma de transa sexual com crian&ccedil;as h&aacute; trinta ou quarenta anos atr&aacute;s) &ndash; 14%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Linke (&agrave; esquerda, partido profusamente atacado ou desprezado pelos demais como &ldquo;remanescente da DDR) &ndash; 9%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Piratas (alguns meses atr&aacute;s, a sensa&ccedil;&atilde;o do momento, hoje em queda) &ndash; 3%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Alternativa para a Alemanha (anti-euro) &ndash; 2%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre os n&uacute;meros:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">1)<span style="white-space: pre;"> </span>A CDU/CSU fica por a&iacute;. N&atilde;o vai crescer nem decrescer muito, a menos que haja algum terremoto escandaloso, o que n&atilde;o &eacute; prov&aacute;vel.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">2)<span style="white-space: pre;"> </span>Com 4%, o FDP ficaria fora do Bundestag, comprometendo a coliga&ccedil;&atilde;o hoje no governo. A cl&aacute;usula de barreira &eacute; de 5%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">3)<span style="white-space: pre;"> </span>Peer Steinbr&uuml;ck j&aacute; declarou que s&oacute; faria coliga&ccedil;&atilde;o com os Verdes. Mas... a ver.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">4)<span style="white-space: pre;"> </span>Esta coliga&ccedil;&atilde;o teria 37% dos votos no Parlamento. Insuficientes para formar um governo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">5)<span style="white-space: pre;"> </span>9% para a Linke seria um bom resultado. O partido j&aacute; andou pelos 6%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">6)<span style="white-space: pre;"> </span>Linke + SPD + Verdes = 46%, pr&oacute;ximo do que os analistas alem&atilde;es consideram razo&aacute;vel para formar um governo. Mas a coliga&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel. A esquerda da Linke a rejeitaria, a direita do SPD e o cora&ccedil;&atilde;o dos Verdes tamb&eacute;m. Divisor de &aacute;guas, al&eacute;m de quest&otilde;es econ&ocirc;micas: SPD + Verdes s&atilde;o entusiastas da OTAN. A Linke n&atilde;o.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">7)<span style="white-space: pre;"> </span>Os Piratas se enredaram nas pr&oacute;prias pernas, com delcara&ccedil;&otilde;es desastradas de algumas de suas lideran&ccedil;as, entre elas a de que o seu crescimento vertiginoso anterior s&oacute; teria paralelo na do Partido Nacional-Socialista (Nazista) antes da Segunda Guerra. Cabelos se erri&ccedil;aram, adrenalina circulou, etc. Eles n&atilde;o tem nada a ver com o anterior e (felizmente) finado PNS, mas s&oacute; a compara&ccedil;&atilde;o derribou-os nas pesquisas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">8)<span style="white-space: pre;"> </span>Para o Alternativa, qualquer vota&ccedil;&atilde;o igual ou acima de 3% seria uma vit&oacute;ria no momento, como partido criado h&aacute; um m&ecirc;s atr&aacute;s, mesmo sem entrar no Bundestag. S&oacute; o fato de roubarem votos do FDP, e assim impedir que este partido permane&ccedil;a no Parlamento e no governo lhes valeria um cacife em pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es. A chanceler Merkel tem procurado fazer &ldquo;vista grossa&rdquo; para o Alternativa, mas esta estrat&eacute;gia vem sendo contestada no interior de seu pr&oacute;prio partido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A menos que o SPD e a CDU/CSU decidissem reeditar a j&aacute; famosa e surrada &ldquo;Grande Coaliz&atilde;o&rdquo;, a forma&ccedil;&atilde;o de um governo alem&atilde;o, neste quadro, ficaria &ldquo;sub judice&rdquo; no plano pol&iacute;tico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O que isto demonstra? Demonstra que apesar de declara&ccedil;&otilde;es &ldquo;otimistas&rdquo; em contr&aacute;rio, a cena pol&iacute;tica alem&atilde; est&aacute; bastante complicada. E a complica&ccedil;&atilde;o vem das diferentes avalia&ccedil;&otilde;es sobre o cen&aacute;rio europeu, tanto da parte das lideran&ccedil;as quanto da parte dos liderados. H&aacute; o temor de que a Zona do Euro se desagregue, o que provocaria uma violenta queda, pelo menos imediatamente, nas exporta&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s, com agravamento do desemprego. H&aacute; o temor de que ent&atilde;o a pr&oacute;pria Uni&atilde;o Europ&eacute;ia se desagregasse, fazendo o desemprego explodir mais ainda, al&eacute;m de provocar o renascimento/recrudescimento de tens&otilde;es e conflitos nacionais e regionais. H&aacute; o temor de que a Alemanha consolide a vis&atilde;o alheia de ser, ao mesmo tempo, o primo rico e o cisne (patinho, n&atilde;o!) feio da U. E., opressor e arrogante.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Enfim, a elei&ccedil;&atilde;o parece pautada pelo temor, mais do que pelo desejo, ou pela prefer&ecirc;ncia por projetos. At&eacute; porque a distin&ccedil;&atilde;o entre os projetos &ndash; da CDU/CSU/FDP, face ao SPD/Verdes &ndash; n&atilde;o &eacute; muito clara, todos se pautando, nos fundamentos, pelas op&ccedil;&otilde;es emanadas da ortodoxia econ&ocirc;mica hoje dominante entre as lideran&ccedil;as da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Enquanto isto, a(s) esquerda(s) permanecem desunidas. N&atilde;o se pode negar que tanto Verdes quanto Linke(s) cresceram por serem ou atra&iacute;rem dissid&ecirc;ncias do SPD, quando este se tornou um partido dominado por geriatrias e aderiu ao programa neo-capitalista p&oacute;s-Reagan, Tatcher, Jo&atilde;o Paulo II e Cia. Ilimitada. Mas os Verdes se deixaram atrair por este redemoinho neo-liberal, em grande parte &ndash; o que ajuda a explicar o crescimento regional dos Piratas em algumas elei&ccedil;&otilde;es anteriores.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Houve uma alian&ccedil;a inst&aacute;vel, durante algum tempo, entre os tr&ecirc;s partidos &uacute;ltimos citados, na prefeitura de Berlim, por exemplo. Os Verdes a romperam, quando da &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o, por quererem apresentar candidatura pr&oacute;pria. Na elei&ccedil;&atilde;o que se seguiu, o candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, pelo SPD, Klaus Wowereit, com o maior n&uacute;mero de votos, se decidiu por fazer uma alian&ccedil;a com a CDU/CSU, para ter uma maioria s&oacute;lida no Parlamento da cidade. Com os Verdes a maioria seria muito pequena, e com a Linke apenas, n&atilde;o haveria esta maioria.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Este &ldquo;impasse equilibrado&rdquo; no pa&iacute;s-chave para as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas na Europa mostra que a dificuldade pol&iacute;tica em que a U. E. est&aacute; imersa &eacute; maior do que parece &agrave; primeira vista. E que a crise pode durar muito mais do que se pensa inicialmente: ali&aacute;s, segundo o relat&oacute;rio elaborado pelo National Intelligence Council para o presidente Obama, entregue na Casa Branca em janeiro de 2013, depois da sua posse para o segundo mandato, ela deve durar pelo menos um dec&ecirc;nio.</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por Fl&aacute;vio Aguiar, na <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22049">Carta Maior</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">As ultimas pesquisas v&ecirc;m anunciando que poderia dar &ldquo;tilt&rdquo; &ndash; aquela parada de funcionamento nas m&aacute;quinas de jogos quando algo ou algu&eacute;m bate nelas e perturba a carreira das bolinhas - nas elei&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s, em setembro pr&oacute;ximo.<br /><br />Qual &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o? A possibilidade de n&atilde;o resultar, das elei&ccedil;&otilde;es, nenhuma maioria clara nem coaliz&atilde;o poss&iacute;vel. A &uacute;ltima pesquisa feita pelo instituto Forsa para, entre outros clientes, a revista &lsquo;Der Spiegel&rsquo;, apontava para os seguintes resultados:<br /><br />Uni&atilde;o Democrata Crist&atilde; (da chanceler Angela Mekel) + sua co-irm&atilde; Uni&atilde;o Social Crist&atilde;, da Baviera (ambas de s&oacute;lida vota&ccedil;&atilde;o, mas sem ter maioria) &ndash; 40%.<br /><br />FDP (como costumo dizer, um DEM sem tradi&ccedil;&atilde;o de coron&eacute;is, de fato liberal, participante da atual coliga&ccedil;&atilde;o de governo) &ndash; 4%.<br /><br />SPD (o Partido Social-Democrata que, sob a lideran&ccedil;a de Peer Steinbr&uuml;ck, tem oscilado demais nas pesquisas, com leve tend&ecirc;ncia para baixa gra&ccedil;as a declara&ccedil;&otilde;es desastradas de seu l&iacute;der) &ndash; 23%.<br /><br />Verdes (&agrave;s voltas com um &ldquo;pequeno ou grande esc&acirc;ndalo&rdquo; gra&ccedil;as &agrave; admiss&atilde;o por Daniel Cohn-Bendit, um dos &ldquo;her&oacute;is de 68&rdquo;, de que teria praticado alguma forma de transa sexual com crian&ccedil;as h&aacute; trinta ou quarenta anos atr&aacute;s) &ndash; 14%.<br /><br />Linke (&agrave; esquerda, partido profusamente atacado ou desprezado pelos demais como &ldquo;remanescente da DDR) &ndash; 9%.<br /><br />Piratas (alguns meses atr&aacute;s, a sensa&ccedil;&atilde;o do momento, hoje em queda) &ndash; 3%.<br /><br />Alternativa para a Alemanha (anti-euro) &ndash; 2%.<br /><br /><strong>Algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre os n&uacute;meros:<br /><br /></strong>1)<span style="white-space: pre;"> </span>A CDU/CSU fica por a&iacute;. N&atilde;o vai crescer nem decrescer muito, a menos que haja algum terremoto escandaloso, o que n&atilde;o &eacute; prov&aacute;vel.<br /><br />2)<span style="white-space: pre;"> </span>Com 4%, o FDP ficaria fora do Bundestag, comprometendo a coliga&ccedil;&atilde;o hoje no governo. A cl&aacute;usula de barreira &eacute; de 5%.<br /><br />3)<span style="white-space: pre;"> </span>Peer Steinbr&uuml;ck j&aacute; declarou que s&oacute; faria coliga&ccedil;&atilde;o com os Verdes. Mas... a ver.<br /><br />4)<span style="white-space: pre;"> </span>Esta coliga&ccedil;&atilde;o teria 37% dos votos no Parlamento. Insuficientes para formar um governo.<br /><br />5)<span style="white-space: pre;"> </span>9% para a Linke seria um bom resultado. O partido j&aacute; andou pelos 6%.<br /><br />6)<span style="white-space: pre;"> </span>Linke + SPD + Verdes = 46%, pr&oacute;ximo do que os analistas alem&atilde;es consideram razo&aacute;vel para formar um governo. Mas a coliga&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel. A esquerda da Linke a rejeitaria, a direita do SPD e o cora&ccedil;&atilde;o dos Verdes tamb&eacute;m. Divisor de &aacute;guas, al&eacute;m de quest&otilde;es econ&ocirc;micas: SPD + Verdes s&atilde;o entusiastas da OTAN. A Linke n&atilde;o. <br /><br />7)<span style="white-space: pre;"> </span>Os Piratas se enredaram nas pr&oacute;prias pernas, com delcara&ccedil;&otilde;es desastradas de algumas de suas lideran&ccedil;as, entre elas a de que o seu crescimento vertiginoso anterior s&oacute; teria paralelo na do Partido Nacional-Socialista (Nazista) antes da Segunda Guerra. Cabelos se erri&ccedil;aram, adrenalina circulou, etc. Eles n&atilde;o tem nada a ver com o anterior e (felizmente) finado PNS, mas s&oacute; a compara&ccedil;&atilde;o derribou-os nas pesquisas.<br /><br />8)<span style="white-space: pre;"> </span>Para o Alternativa, qualquer vota&ccedil;&atilde;o igual ou acima de 3% seria uma vit&oacute;ria no momento, como partido criado h&aacute; um m&ecirc;s atr&aacute;s, mesmo sem entrar no Bundestag. S&oacute; o fato de roubarem votos do FDP, e assim impedir que este partido permane&ccedil;a no Parlamento e no governo lhes valeria um cacife em pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es. A chanceler Merkel tem procurado fazer &ldquo;vista grossa&rdquo; para o Alternativa, mas esta estrat&eacute;gia vem sendo contestada no interior de seu pr&oacute;prio partido.<br /><br />A menos que o SPD e a CDU/CSU decidissem reeditar a j&aacute; famosa e surrada &ldquo;Grande Coaliz&atilde;o&rdquo;, a forma&ccedil;&atilde;o de um governo alem&atilde;o, neste quadro, ficaria &ldquo;sub judice&rdquo; no plano pol&iacute;tico.<br /><br />O que isto demonstra? Demonstra que apesar de declara&ccedil;&otilde;es &ldquo;otimistas&rdquo; em contr&aacute;rio, a cena pol&iacute;tica alem&atilde; est&aacute; bastante complicada. E a complica&ccedil;&atilde;o vem das diferentes avalia&ccedil;&otilde;es sobre o cen&aacute;rio europeu, tanto da parte das lideran&ccedil;as quanto da parte dos liderados. H&aacute; o temor de que a Zona do Euro se desagregue, o que provocaria uma violenta queda -pelo menos imediatamente - nas exporta&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s, com agravamento do desemprego, al&eacute;m de provocar o renascimento/recrudescimento de tens&otilde;es e conflitos nacionais e regionais.<br /><br />H&aacute; o temor de que a Alemanha consolide a vis&atilde;o alheia de ser, ao mesmo tempo, o primo rico e o cisne (patinho, n&atilde;o!) feio da U. E., opressor e arrogante.<br /><br />Enfim, a elei&ccedil;&atilde;o parece pautada pelo temor, mais do que pelo desejo, ou pela prefer&ecirc;ncia por projetos. At&eacute; porque a distin&ccedil;&atilde;o entre os projetos &ndash; da CDU/CSU/FDP, face ao SPD/Verdes &ndash; n&atilde;o &eacute; muito clara, todos se pautando, nos fundamentos, pelas op&ccedil;&otilde;es emanadas da ortodoxia econ&ocirc;mica hoje dominante entre as lideran&ccedil;as da Uni&atilde;o Europeia.<br /><br />Enquanto isto, a(s) esquerda(s) permanecem desunidas. N&atilde;o se pode negar que tanto Verdes quanto Linke(s) cresceram por serem ou atra&iacute;rem dissid&ecirc;ncias do SPD, quando este se tornou um partido dominado por geriatrias e aderiu ao programa neo-capitalista p&oacute;s-Reagan, Tatcher, Jo&atilde;o Paulo II e Cia. Ilimitada. Mas os Verdes se deixaram atrair por este redemoinho neo-liberal, em grande parte &ndash; o que ajuda a explicar o crescimento regional dos Piratas em algumas elei&ccedil;&otilde;es anteriores.<br /><br />Houve uma alian&ccedil;a inst&aacute;vel, durante algum tempo, entre os tr&ecirc;s partidos &uacute;ltimos citados, na prefeitura de Berlim, por exemplo. Os Verdes a romperam, quando da &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o, por quererem apresentar candidatura pr&oacute;pria. Na elei&ccedil;&atilde;o que se seguiu, o candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, pelo SPD, Klaus Wowereit, com o maior n&uacute;mero de votos, se decidiu por fazer uma alian&ccedil;a com a CDU/CSU, para ter uma maioria s&oacute;lida no Parlamento da cidade. Com os Verdes a maioria seria muito pequena, e com a Linke apenas, n&atilde;o haveria esta maioria.<br /><br />Este &ldquo;impasse equilibrado&rdquo; no pa&iacute;s-chave para as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas na Europa mostra que a dificuldade pol&iacute;tica em que a U. E. est&aacute; imersa &eacute; maior do que parece &agrave; primeira vista. E que a crise pode durar muito mais do que se pensa inicialmente: ali&aacute;s, segundo o relat&oacute;rio elaborado pelo National Intelligence Council para o presidente Obama, entregue na Casa Branca em janeiro de 2013, depois da sua posse para o segundo mandato, ela deve durar pelo menos um dec&ecirc;nio.</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Thu, 16 May 2013 16:57:35 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>FPA promove debate sobre classes sociais nesta quinta</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=694716</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=694716</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/694723"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo (FPA) e a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES) promovem no dia 16 de maio mais uma rodada dos debates do ciclo sobre classes sociais. Este ser&aacute; o segundo, de uma s&eacute;rie de nove encontros, com o objetivo de analisar com profundidade temas como: as classes sociais no Brasil hoje, o capitalismo contempor&acirc;neo, quem &eacute;, o que pensa e como luta a &ldquo;nova classe&rdquo;, e as mudan&ccedil;as em curso e os desafios para a esquerda.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A partir das 9h30 acontece o segundo debate, que contar&aacute; com a apresenta&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;meros e significados da pesquisa feita pelo N&uacute;cleo de Pesquisas e Opini&atilde;o P&uacute;blica da FPA sobre classes sociais, produzida pelos pesquisadores Gustavo Venturi e Vilma Bokany.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O primeiro convidado foi o cientista pol&iacute;tico, professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e jornalista Andr&eacute; Singer, que debate o Lulismo e seus aspectos para o desenvolvimento das classes sociais. A &iacute;ntegra do debate pode ser vista aqui.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O formato proposto envolve uma apresenta&ccedil;&atilde;o inicial dos(as) convidados(as), com dura&ccedil;&atilde;o aproximada de 30 minutos, seguida de debates com todos os participantes. Os eventos s&atilde;o fechados ao p&uacute;blico, mas contar&atilde;o com transmiss&atilde;o online, e em tempo real, por meio do portal da FPA.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Servi&ccedil;o</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Debate sobre classes sociais</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Convidados: Gustavo Venturi e Vilma Bokany</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Data: dia 16 de maio</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Hora: 9h30</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Transmiss&atilde;o online: www.fpabramo.org.br</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site da <a href="http://novo.fpabramo.org.br/node/9290">FPA</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo (FPA) e a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES) promovem no dia 16 de maio mais uma rodada dos debates do ciclo sobre classes sociais. Este ser&aacute; o segundo, de uma s&eacute;rie de nove encontros, com o objetivo de analisar com profundidade temas como: as classes sociais no Brasil hoje, o capitalismo contempor&acirc;neo, quem &eacute;, o que pensa e como luta a &ldquo;nova classe&rdquo;, e as mudan&ccedil;as em curso e os desafios para a esquerda.<br /><br />A partir das 9h30 acontece o segundo debate, que contar&aacute; com a apresenta&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;meros e significados da pesquisa feita pelo N&uacute;cleo de Pesquisas e Opini&atilde;o P&uacute;blica da FPA sobre classes sociais, produzida pelos pesquisadores Gustavo Venturi e Vilma Bokany.<br /><br />O primeiro convidado foi o cientista pol&iacute;tico, professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e jornalista Andr&eacute; Singer, que debate o Lulismo e seus aspectos para o desenvolvimento das classes sociais. A &iacute;ntegra do debate pode ser vista aqui.<br /><br />O formato proposto envolve uma apresenta&ccedil;&atilde;o inicial dos(as) convidados(as), com dura&ccedil;&atilde;o aproximada de 30 minutos, seguida de debates com todos os participantes. Os eventos s&atilde;o fechados ao p&uacute;blico, mas contar&atilde;o com transmiss&atilde;o online, e em tempo real, por meio do portal da FPA.<br /><br /><strong>Servi&ccedil;o<br />Debate sobre classes sociais<br />Convidados: Gustavo Venturi e Vilma Bokany<br />Data: dia 16 de maio<br />Hora: 9h30</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Transmiss&atilde;o online: <a href="http://aovivo.fpabramo.org.br/html5.html">www.fpabramo.org.br</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Thu, 16 May 2013 12:53:17 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Onda de greves no fast-food dos Estados Unidos</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=692425</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=692425</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/692432"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A paralisa&ccedil;&atilde;o em Detroitfoi divulgada pelo site detroit15.org e &eacute; apoiada por uma coliga&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as locais, que inclui ativistas do trabalho, personalidades locais e religiosas, e teve tamb&eacute;m o apoio da Service Employees International Union (Sindicato Internacional dos Trabalhadores dos Servi&ccedil;os). Esta central sindical representa 1,9 milh&otilde;es de trabalhadores nos Estados Unidos e no Canad&aacute; e tem crescido significativamente nos &uacute;ltimos anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">As grandes cadeias do fast-food s&atilde;o um dos poucos setores da economia americana onde tem aumentado o emprego. Atualmente o setor emprega 53.000 pessoas em Detroit, segundo o jornal &ldquo;The Washington Post&rdquo;, o dobro do que ocupa a ind&uacute;stria autom&oacute;vel na cidade norte-americana historicamente simbolizada por esta ind&uacute;stria.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Os trabalhadores do fast-food recebem, em geral, o sal&aacute;rio m&iacute;nimo de 7,40 d&oacute;lares por hora, um sal&aacute;rio que quase n&atilde;o lhes permite sobreviver e muito menos viver com dignidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Nos Estados Unidos, os empregos que t&ecirc;m sido criados ap&oacute;s 2007 t&ecirc;m sal&aacute;rios baixos, na esmagadora maioria. De acordo com um relat&oacute;rio do National Employment Law Project, citado pelo jornal &ldquo;The Washington Post&rdquo;, 60% dos empregos destru&iacute;dos pela recess&atilde;o nos EUA foram de trabalhadores que recebiam um sal&aacute;rio m&eacute;dio, entre 14 e 21 d&oacute;lares por hora, mas na ligeira retoma apenas 22% dos empregos criados t&ecirc;m sal&aacute;rios m&eacute;dios. Pelo contr&aacute;rio, 58% dos empregos agora criados s&atilde;o de baixos sal&aacute;rios, entre 7 e 13 d&oacute;lares, enquanto representavam apenas 22% dos empregos destru&iacute;dos pela recess&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Os trabalhadores do setor do fast-food protestam tamb&eacute;m contra as persegui&ccedil;&otilde;es e humilha&ccedil;&otilde;es de que s&atilde;o alvo e reivindicam o direito a organizarem-se sindicalmente, sem serem perseguidos. Segundo refere o jornal &ldquo;The Nation&rdquo;, numa loja do grupo Jimmy John de St. Louis, os trabalhadores denunciaram humilha&ccedil;&otilde;es que sofrem, nomeadamente mensagens afixadas publicamente onde o seu trabalho &eacute; criticado, com frases como &ldquo;Eu hoje fiz 3 sandu&iacute;ches mal&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A busca de nova estrat&eacute;gia nas lutas do trabalho</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Tradicionalmente, a sindicaliza&ccedil;&atilde;o no setor do fast-food &eacute; extremamente baixa. De acordo com o &ldquo;The Nation&rdquo;, as greves da passada sexta-feira em Detroit, assim como a de St. Louis, igualmente na semana passada, e as de New York e Chicago, no m&ecirc;s passado, t&ecirc;m tra&ccedil;os comuns e parecem incorporar-se na tentativa de encontrar uma nova estrat&eacute;gia nas lutas do trabalho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">T&ecirc;m o apoio geral da Service Employees International Union e agregam diferentes grupos de ativistas e figuras locais em cada comunidade. Por exemplo, em Detroit, a greve contou com o apoio do pastor de uma igreja batista, assim como de outras personalidades, incluindo alguns deputados e autarcas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A forma de luta tamb&eacute;m &eacute; espec&iacute;fica. N&atilde;o &eacute; uma greve numa mesma cadeia de lojas, nem procura de imediato paralisar todos os trabalhadores. A greve &eacute; lan&ccedil;ada por uma minoria de trabalhadores em cada loja, mas juntando trabalhadores das diversas cadeias do fast-food de uma mesma &aacute;rea.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na greve os trabalhadores concentram-se junto &agrave;s lojas com cartazes, pancartas e gritam palavras de ordem. Para essas concentra&ccedil;&otilde;es confluem tamb&eacute;m os ativistas e apoiantes da coliga&ccedil;&atilde;o local. Essas concentra&ccedil;&otilde;es tentam ganhar ades&otilde;es &agrave; greve, nomeadamente dos trabalhadores chamados a substituir os grevistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">As concentra&ccedil;&otilde;es e o apoio das coliga&ccedil;&otilde;es locais visam tamb&eacute;m dissuadir os patr&otilde;es de reprimirem e despedirem as pessoas que participaram na greve.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em Detroit, a greve levou ao encerramento total de, pelo menos, quatro lojas. Numa delas, com 20 trabalhadores, a empresa tentou substituir os grevistas por outros trabalhadores, mas estes acabaram por aderir tamb&eacute;m &agrave; paralisa&ccedil;&atilde;o. Segundo os trabalhadores em luta, nesta cidade ter&atilde;o paralisado mais de 400 pessoas, ultrapassando o n&uacute;mero de grevistas de Nova York (200) e tornando-se a maior greve de sempre no setor do fast-food nos Estados Unidos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Obama prometeu aumentar o sal&aacute;rio m&iacute;nimo, mas em mar&ccedil;o passado a C&acirc;mara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou por 233 contra 184 votos o aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo federal para 10,10 d&oacute;lares por hora.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Estas greves no setor do fast-food, seguem-se &agrave;s da Walmart, e denunciam as dif&iacute;ceis condi&ccedil;&otilde;es de vida das trabalhadoras e dos trabalhadores mais mal pagos do setor de servi&ccedil;os.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">De salientar a sua vontade de lutar, por vezes em condi&ccedil;&otilde;es muito dif&iacute;ceis, e a procura de novos caminhos e estrat&eacute;gias de luta. Se conseguir&atilde;o agora obrigar os patr&otilde;es do setor a negociar est&aacute; por ver, como assinala o jornal &ldquo;The Nation&rdquo;, mas marcam um caminho, apontam para a mudan&ccedil;a de pol&iacute;ticas e refor&ccedil;am a luta pelo aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo.</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site <a href="http://www.esquerda.net/artigo/onda-de-greves-no-fast-food-dos-estados-unidos/27847">Esquerda.net</a></strong><br /><br />Em Detroit, na passada sexta-feira 10 de maio, centenas de trabalhadoras e trabalhadores de dezenas de lojas McDonald e de outras cadeias de fast-food dos Estados Unidos estiveram em greve. Reivindicam aumento de sal&aacute;rios, de 7,4 d&oacute;lares para 15 d&oacute;lares por hora, e a liberdade de formarem sindicato sem serem perseguidos. Esta greve segue-se a outras semelhantes em Nova York, Chicago e St. Louis.<br /><br />A paralisa&ccedil;&atilde;o em Detroit foi divulgada pelo site <a href="http://detroit15.org/">detroit15.org</a> e &eacute; apoiada por uma coliga&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as locais, que inclui ativistas do trabalho, personalidades locais e religiosas, e teve tamb&eacute;m o apoio da Service Employees International Union (Sindicato Internacional dos Trabalhadores dos Servi&ccedil;os). Esta central sindical representa 1,9 milh&otilde;es de trabalhadores nos Estados Unidos e no Canad&aacute; e tem crescido significativamente nos &uacute;ltimos anos.<br /><br />As grandes cadeias do fast-food s&atilde;o um dos poucos setores da economia americana onde tem aumentado o emprego. Atualmente o setor emprega 53.000 pessoas em Detroit, segundo o jornal &ldquo;The Washington Post&rdquo;, o dobro do que ocupa a ind&uacute;stria autom&oacute;vel na cidade norte-americana historicamente simbolizada por esta ind&uacute;stria.<br /><br />Os trabalhadores do fast-food recebem, em geral, o sal&aacute;rio m&iacute;nimo de 7,40 d&oacute;lares por hora, um sal&aacute;rio que quase n&atilde;o lhes permite sobreviver e muito menos viver com dignidade.<br /><br />Nos Estados Unidos, os empregos que t&ecirc;m sido criados ap&oacute;s 2007 t&ecirc;m sal&aacute;rios baixos, na esmagadora maioria. De acordo com um relat&oacute;rio do National Employment Law Project, citado pelo jornal &ldquo;The Washington Post&rdquo;, 60% dos empregos destru&iacute;dos pela recess&atilde;o nos EUA foram de trabalhadores que recebiam um sal&aacute;rio m&eacute;dio, entre 14 e 21 d&oacute;lares por hora, mas na ligeira retoma apenas 22% dos empregos criados t&ecirc;m sal&aacute;rios m&eacute;dios. Pelo contr&aacute;rio, 58% dos empregos agora criados s&atilde;o de baixos sal&aacute;rios, entre 7 e 13 d&oacute;lares, enquanto representavam apenas 22% dos empregos destru&iacute;dos pela recess&atilde;o.<br /><br />Os trabalhadores do setor do fast-food protestam tamb&eacute;m contra as persegui&ccedil;&otilde;es e humilha&ccedil;&otilde;es de que s&atilde;o alvo e reivindicam o direito a organizarem-se sindicalmente, sem serem perseguidos. Segundo refere o jornal &ldquo;The Nation&rdquo;, numa loja do grupo Jimmy John de St. Louis, os trabalhadores denunciaram humilha&ccedil;&otilde;es que sofrem, nomeadamente mensagens afixadas publicamente onde o seu trabalho &eacute; criticado, com frases como &ldquo;Eu hoje fiz 3 sandu&iacute;ches mal&rdquo;.<br /><br /><strong>A busca de nova estrat&eacute;gia nas lutas do trabalho</strong><br /><br />Tradicionalmente, a sindicaliza&ccedil;&atilde;o no setor do fast-food &eacute; extremamente baixa. De acordo com o &ldquo;The Nation&rdquo;, as greves da passada sexta-feira em Detroit, assim como a de St. Louis, igualmente na semana passada, e as de New York e Chicago, no m&ecirc;s passado, t&ecirc;m tra&ccedil;os comuns e parecem incorporar-se na tentativa de encontrar uma nova estrat&eacute;gia nas lutas do trabalho.<br /><br />T&ecirc;m o apoio geral da Service Employees International Union e agregam diferentes grupos de ativistas e figuras locais em cada comunidade. Por exemplo, em Detroit, a greve contou com o apoio do pastor de uma igreja batista, assim como de outras personalidades, incluindo alguns deputados e autarcas.<br /><br />A forma de luta tamb&eacute;m &eacute; espec&iacute;fica. N&atilde;o &eacute; uma greve numa mesma cadeia de lojas, nem procura de imediato paralisar todos os trabalhadores. A greve &eacute; lan&ccedil;ada por uma minoria de trabalhadores em cada loja, mas juntando trabalhadores das diversas cadeias do fast-food de uma mesma &aacute;rea.<br /><br />Na greve os trabalhadores concentram-se junto &agrave;s lojas com cartazes, pancartas e gritam palavras de ordem. Para essas concentra&ccedil;&otilde;es confluem tamb&eacute;m os ativistas e apoiantes da coliga&ccedil;&atilde;o local. Essas concentra&ccedil;&otilde;es tentam ganhar ades&otilde;es &agrave; greve, nomeadamente dos trabalhadores chamados a substituir os grevistas.<br /><br />As concentra&ccedil;&otilde;es e o apoio das coliga&ccedil;&otilde;es locais visam tamb&eacute;m dissuadir os patr&otilde;es de reprimirem e despedirem as pessoas que participaram na greve.<br /><br />Em Detroit, a greve levou ao encerramento total de, pelo menos, quatro lojas. Numa delas, com 20 trabalhadores, a empresa tentou substituir os grevistas por outros trabalhadores, mas estes acabaram por aderir tamb&eacute;m &agrave; paralisa&ccedil;&atilde;o. Segundo os trabalhadores em luta, nesta cidade ter&atilde;o paralisado mais de 400 pessoas, ultrapassando o n&uacute;mero de grevistas de Nova York (200) e tornando-se a maior greve de sempre no setor do fast-food nos Estados Unidos.<br /><br />Obama prometeu aumentar o sal&aacute;rio m&iacute;nimo, mas em mar&ccedil;o passado a C&acirc;mara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou por 233 contra 184 votos o aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo federal para 10,10 d&oacute;lares por hora.<br /><br />Estas greves no setor do fast-food, seguem-se &agrave;s da Walmart, e denunciam as dif&iacute;ceis condi&ccedil;&otilde;es de vida das trabalhadoras e dos trabalhadores mais mal pagos do setor de servi&ccedil;os.<br /><br />De salientar a sua vontade de lutar, por vezes em condi&ccedil;&otilde;es muito dif&iacute;ceis, e a procura de novos caminhos e estrat&eacute;gias de luta. Se conseguir&atilde;o agora obrigar os patr&otilde;es do setor a negociar est&aacute; por ver, como assinala o jornal &ldquo;The Nation&rdquo;, mas marcam um caminho, apontam para a mudan&ccedil;a de pol&iacute;ticas e refor&ccedil;am a luta pelo aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo.</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Wed, 15 May 2013 18:22:07 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>As consequências antidemocráticas da concentração de riqueza</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=690836</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=690836</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/690843"><br><p style="text-align: justify;"><strong>Por Vicen&ccedil; Navarro, na <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22030">Carta Capital</a><br /><br /></strong>Uma das caracter&iacute;sticas da situa&ccedil;&atilde;o dos dois lados do Atl&acirc;ntico Norte foi o enorme crescimento das desigualdades, com uma grande concentra&ccedil;&atilde;o dos rendimentos e da propriedade, unida &agrave; grande deteriora&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, causada por esta concentra&ccedil;&atilde;o. As institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dos pa&iacute;ses est&atilde;o muito influenciadas por poderes financeiros e econ&ocirc;micos e pelos setores com maior riqueza, que induzem as interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas a favorecer os interesses destes poderes e setores &agrave; custa dos da maioria da popula&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Isto est&aacute; criando uma perda de legitimidade e de apoio popular &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es chamadas representativas, junto com a dilui&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a que a cidadania tinha no poder do Estado (dirigido pelas autoridades pol&iacute;ticas) para garantir um progresso do desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s, de tal maneira que as gera&ccedil;&otilde;es novas vivessem melhor que as anteriores. Esta esperan&ccedil;a desapareceu. Na realidade, grandes setores da popula&ccedil;&atilde;o, que em alguns pa&iacute;ses chegam &agrave; maioria, s&atilde;o conscientes de que &ldquo;os filhos n&atilde;o viver&atilde;o melhor do que os seus pais&rdquo;. Este sentimento ficou muito bem refletido nas declara&ccedil;&otilde;es do candidato, mais tarde presidente de Fran&ccedil;a, Fran&ccedil;ois Hollande, expressadas durante a campanha eleitoral naquele pa&iacute;s. &ldquo;At&eacute; h&aacute; pouco &ndash; disse Hollande &ndash; todos t&iacute;nhamos a convic&ccedil;&atilde;o de que os nossos filhos teriam melhores vidas que n&oacute;s. J&aacute; n&atilde;o &eacute; assim. Esta convic&ccedil;&atilde;o, que respondia a uma realidade, est&aacute; a desaparecer&rdquo;. Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; paradoxal, pois a riqueza dos pa&iacute;ses (incluindo a Fran&ccedil;a) continua a crescer, na medida em que cresce a sua economia, realidade que s&oacute; se interrompeu recentemente com a Grande Recess&atilde;o. Mas esta convic&ccedil;&atilde;o (e realidade que a sustenta) j&aacute; existia antes da recess&atilde;o, ainda que se tenha acentuado mais com a crise atual.<br /><br />Como &eacute; poss&iacute;vel que a sociedade seja mais rica e que, em contrapartida, os filhos v&atilde;o viver pior que os seus pais?<br /><br />A resposta a esta pergunta &eacute; que o crescimento econ&ocirc;mico se distribui muito desigualmente, concentrando-se nos rendimentos superiores, como resultado das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que se aplicaram na maioria dos pa&iacute;ses do Atl&acirc;ntico Norte. Estas pol&iacute;ticas foram iniciadas pelo presidente Reagan nos EUA e pela Sra. Thatcher na Gr&atilde;-Bretanha, na d&eacute;cada de oitenta do passado s&eacute;culo.<br /><br />No seu artigo &ldquo;The Rich get Richer. Neo-liberalism and Soaring Inequality in the United States&rdquo; na revista de economia norte-americana Challenge (mar&ccedil;o-abril de 2013), o autor, Tim Koechlin, detalha a grande concentra&ccedil;&atilde;o dos rendimentos e da riqueza nos EUA como consequ&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o destas pol&iacute;ticas. Em 1979, os 1% da popula&ccedil;&atilde;o com maiores rendimentos (os super ricos) ganhavam 9% de todo o rendimento dos Estados Unidos. Em 2007, esta percentagem aumentou para 24%, a mais elevada registrada desde 1920, quando se iniciou a Grande Depress&atilde;o nos EUA.<br /><br />De onde procede esta concentra&ccedil;&atilde;o dos rendimentos e da riqueza? A resposta reside na m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza criada pelo mundo do trabalho. Os dados mostram-no claramente. A produtividade do trabalhador durante o per&iacute;odo 1973-2008 praticamente duplicou. Isto &eacute;, um trabalhador produzia por hora quase mais duas vezes em 2008 do que o que produzia em 1973. O seu sal&aacute;rio, no entanto, cresceu s&oacute; 10% durante o mesmo per&iacute;odo. Mas os diretores das grandes empresas viram crescer os seus rendimentos desmesuradamente. Enquanto o CEO (Chief Executive Officer) de uma grande empresa recebia em 1973 22 vezes mais que o trabalhador m&eacute;dio da sua empresa, em 2008 esta rela&ccedil;&atilde;o subiu para 231 vezes (segundo Lawrence Mishel, The State of Working America. A report of the Economic Policy Institute. 2012, table 4.33).<br /><br />Uma situa&ccedil;&atilde;o ainda mais acentuada ocorre quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos elementos da propriedade que geram renda (tais como terras, a&ccedil;&otilde;es, b&ocirc;nus, etc.). Entre 1983 e 2010, os 5% da popula&ccedil;&atilde;o com maior propriedade viram-na crescer 83%, enquanto os 80% de toda a popula&ccedil;&atilde;o (a grande maioria da cidadania) viam descer a sua propriedade em 3,2%. Em consequ&ecirc;ncia, os 1% da popula&ccedil;&atilde;o com maior riqueza, que tinham 20% de toda a riqueza em 1971, passaram a ter 35% em 2007. Os 10% dos super ricos em 2007 tinham 73% de toda a riqueza, enquanto os 40% das fam&iacute;lias (as classes populares) tinham s&oacute; 4,2% de toda a propriedade. A concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza atingia n&iacute;veis ainda mais exuberantes em alguns tipos de propriedade. Assim, os 10% da popula&ccedil;&atilde;o tinham 98,5% de todos os valores financeiros (a&ccedil;&otilde;es e outros t&iacute;tulos de cr&eacute;dito), enquanto os 90% restantes tinham s&oacute; 1,5%.<br /><br />A concentra&ccedil;&atilde;o de poder econ&ocirc;mico e financeiro enfraquece enormemente a democracia, at&eacute; o ponto de elimin&aacute;-la em muitos pa&iacute;ses.<br /><br />Esta enorme concentra&ccedil;&atilde;o dos rendimentos e da riqueza dificulta e impede o desenvolvimento democr&aacute;tico de um pa&iacute;s, pois os sectores ricos e super ricos da popula&ccedil;&atilde;o exercem uma enorme influ&ecirc;ncia, poderia dizer-se controlo, sobre os aparelhos dos seus Estados e os seus ramos executivos, legislativas e judiciais. Mais, estes grupos e setores desenvolvem as suas pr&oacute;prias redes, associa&ccedil;&otilde;es e confer&ecirc;ncias (nas quais s&atilde;o incorporados dirigentes pol&iacute;ticos de todas as sensibilidades pol&iacute;ticas), promovendo as suas ideologias, que coesionam e defendem os seus interesses, apresentando-os como os &uacute;nicos aceit&aacute;veis ou respeit&aacute;veis, e as suas pol&iacute;ticas (que favorecem os seus interesses) como as &uacute;nicas poss&iacute;veis.<br /><br />As alian&ccedil;as destas elites desempenham um papel chave nas realidades pol&iacute;ticas. O casamento entre os super ricos e ricos, por um lado, e os pol&iacute;ticos conservadores e liberais (e de uma maneira crescente algumas personagens da social-democracia), pelo outro, &eacute; uma constante nos sistemas pol&iacute;ticos, fonte de cont&iacute;nua corrup&ccedil;&atilde;o. H&aacute; m&uacute;ltiplos exemplos disso. A influ&ecirc;ncia da fam&iacute;lia que governa um sistema quase feudal, o Qatar, nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas europeias n&atilde;o &eacute; menor. O presidente Nicolas Sarkozy deu amplas vantagens fiscais aos interesses dessa fam&iacute;lia, que lhe subvencionou as campanhas eleitorais e mais tarde as suas atividades p&oacute;s-presidenciais. Tony Blair &eacute; um dos assessores melhor pagos do J.P. Morgan (e &eacute; frequentemente convidado por funda&ccedil;&otilde;es e grupos de reflex&atilde;o para dar li&ccedil;&otilde;es sobre o futuro da social-democracia). E estou escrevendo estas linhas no mesmo dia em que o Sr. Giuliano Amato foi proposto como Presidente da It&aacute;lia pelo Partido Democr&aacute;tico da Esquerda italiana, sendo esse pol&iacute;tico um assessor bem pago do Deutsche Bank. Na Espanha, a lista de Presidentes, Ministros e autoridades pol&iacute;ticas dos partidos majorit&aacute;rios em grandes empresas e nas suas CEO (Endesa, Telef&oacute;nica, Repsol, etc.) &eacute; enorme. N&atilde;o &eacute; casualidade que o pre&ccedil;o da eletricidade e das chamadas telef&ocirc;nicas, bem como o do petr&oacute;leo, sejam dos mais caros da UE. Esta cumplicidade entre os grupos financeiros e econ&ocirc;micos e a classe pol&iacute;tica dominante &eacute; a caracter&iacute;stica destes tempos. A imunidade da banca, com os seus conhecidos para&iacute;sos fiscais, baseia-se precisamente nesta cumplicidade.<br /><br />N&atilde;o &eacute; preciso dizer que h&aacute; muitos pol&iacute;ticos que n&atilde;o fazem parte desta engrenagem de cumplicidades. Mas as elites dirigentes est&atilde;o sim plenamente entrela&ccedil;adas com interesses f&aacute;ticos que configuram em grande maneira as suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Da&iacute; que a grande maioria destes super ricos e ricos n&atilde;o pague impostos, ou pague muito menos em termos proporcionais, que o cidad&atilde;o normal e corrente, coisa que &eacute; feita at&eacute; com a lei na sua m&atilde;o, sem precisar de comportamentos ilegais (sem excluir, no entanto, estas pr&aacute;ticas, que est&atilde;o tamb&eacute;m generalizadas).<br /><br />Este sistema est&aacute; em profunda crise. O casamento do poder financeiro-econ&ocirc;mico com o poder pol&iacute;tico &eacute; o eixo do descr&eacute;dito das institui&ccedil;&otilde;es chamadas democr&aacute;ticas, que tem a sua origem (causa e consequ&ecirc;ncia) nas enormes desigualdades. A excessiva proximidade entre a classe pol&iacute;tica dominante e as classes sociais dominantes (as elites financeiras e empresariais e os sectores afins de rendimentos superiores) mostra-se com toda a clareza na dist&acirc;ncia existente entre as elites dirigentes e as suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, por um lado, e as classes populares, que constituem a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, pelo outro. Estas &uacute;ltimas desejam pol&iacute;ticas diferentes e opostas &agrave;s que as primeiras est&atilde;o a promover e implementar. Existem m&uacute;ltiplos exemplos disso. A grande maioria das popula&ccedil;&otilde;es do Atl&acirc;ntico Norte consideram que 1) os rendimentos do capital deveriam ser taxados na mesma propor&ccedil;&atilde;o que os rendimentos do trabalho, sem que isso tenha sido aceito pelos governos; 2) o pagamento de imposto deveria ser progressivo, de maneira que os super ricos e ricos pagassem (na realidade, e n&atilde;o s&oacute; nominalmente) em impostos tantas vezes mais do que o cidad&atilde;o normal e corrente paga quanto seja a diferen&ccedil;a de rendimentos e propriedade entre os super ricos e ricos, e o cidad&atilde;o normal e corrente; 3) dever-se-iam eliminar os para&iacute;sos fiscais; 4) dever-se-ia estabelecer um m&aacute;ximo de riqueza e de n&iacute;vel de rendimentos, como mecanismo de redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades; 5) dever-se-iam reduzir as desigualdades que (os 78% de cidad&atilde;os como m&eacute;dia da UE) consideram excessivas; 6) dever-se-ia eliminar a influ&ecirc;ncia do dinheiro nas campanhas pol&iacute;ticas e na solv&ecirc;ncia dos partidos pol&iacute;ticos; 7) dever-se-ia romper o casamento entre institui&ccedil;&otilde;es financeiras e empresariais e o mundo pol&iacute;tico; 8 ) um pol&iacute;tico n&atilde;o deveria poder trabalhar no setor que regulava ou vigiava na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, nos primeiros cinco anos ap&oacute;s deixar o cargo; 9) o Estado deveria intervir no setor financeiro para garantir a disponibilidade do cr&eacute;dito a fam&iacute;lias, indiv&iacute;duos e m&eacute;dias e pequenas empresas; 10) deveria haver um sal&aacute;rio m&iacute;nimo que permita uma vida decente e que aumente de acordo com o aumento dos pre&ccedil;os; 11) dever-se-iam garantir os servi&ccedil;os p&uacute;blicos do Estado de Bem-estar, evitando a sua privatiza&ccedil;&atilde;o; e assim um longo etc. Nenhuma destas pol&iacute;ticas est&aacute; a ser levada a cabo nestes pa&iacute;ses. E, a n&iacute;vel macroecon&ocirc;mico, a maioria da cidadania deseja o fim das pol&iacute;ticas de austeridade e quer pol&iacute;ticas de expans&atilde;o dirigidas a criar pleno emprego. O fato de que n&atilde;o se realize cada um destes pontos deve-se &agrave; excessiva influ&ecirc;ncia que os grupos que concentram os rendimentos e a riqueza t&ecirc;m sobre o Estado. E aqui est&aacute; o problema da democracia. Frente a esta realidade, limitar o debate &agrave; reforma pol&iacute;tica sobre se devem ou n&atilde;o haver listas abertas, parece-me muito, mas muito insuficiente.<br /><br /><strong>*Artigo publicado originalmente por Vicen&ccedil; Navarro na coluna &ldquo;Dom&iacute;nio P&uacute;blico&rdquo; do di&aacute;rio P&Uacute;BLICO (Espanha), 9 de maio de 2013. Tradu&ccedil;&atilde;o de Luis Leiria para o Esquerda.net</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Wed, 15 May 2013 18:17:07 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Pela primeira vez, o Palácio do Planalto foi uma casa de todos os brasileiros, diz Lula</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=688020</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=688020</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/688027"><br><p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva participou na noite desta segunda-feira (13) do debate de lan&ccedil;amento do livro &ldquo;10 anos de governos p&oacute;s-neoliberais no Brasil &ndash; Lula e Dilma&rdquo;. Em sua fala, Lula disse que o maior legado que deixou em sua presid&ecirc;ncia n&atilde;o foi nenhum dos programas sociais de &ecirc;xito, mas sim ter mostrado que &eacute; poss&iacute;vel &ldquo;governar de forma republicana sem aqueles que me odiavam&rdquo;. Para o ex-presidente, &ldquo;o pal&aacute;cio, que at&eacute; ent&atilde;o era para reis e rainhas, banqueiros e grandes empres&aacute;rios, continuou sendo. Mas com uma diferen&ccedil;a: &eacute; que l&aacute; entravam tamb&eacute;m os &iacute;ndios, os hansenianos, os moradores de rua, os favelados, fazendo com que, pela primeira vez, aquela fosse uma casa de todos e n&atilde;o apenas de uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para baixar imagens em alta resolu&ccedil;&atilde;o, visite o Picasa do Instituto Lula.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Lula participou do debate com o economista Marcio Pochmann, presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, da fil&oacute;sofa Marilena Chau&iacute; e do soci&oacute;logo e organizador do livro, Emir Sader.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O ex-presidente lembrou das 74 confer&ecirc;ncias nacionais que fez, &ldquo;sobre todos os temas que voc&ecirc;s possam imaginar. E eu ia l&aacute; para ouvir mais do que falar&rdquo;. Nessas confer&ecirc;ncias, Lula abriu as portas do planalto para catadores de recicl&aacute;veis, de hansenianos, para deficientes visuais acompanhados de c&atilde;es-guia, e para os sem-teto, entre outros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sobre as cr&iacute;ticas que recebeu desde o in&iacute;cio de seu governo, Lula foi direto: &ldquo;eu tinha consci&ecirc;ncia que meu problema com parte da elite pol&iacute;tica desse pa&iacute;s e da elite da imprensa brasileira era meu sucesso. Se eu fracassasse, eles falariam bem de mim: &lsquo;coitadinho do oper&aacute;rio. Coitadinho chegou l&aacute;, mas n&atilde;o tem culpa, n&atilde;o tava preparado, n&atilde;o fez nossa escola&rsquo;.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Lula provou que n&atilde;o era preciso esperar o bolo crescer para depois dividir</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O economista e atual presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo lembrou de mudan&ccedil;as estruturais pelas quais o Brasil passou. E fez um mea-culpa em nome dos economistas, que apostaram durante d&eacute;cadas que era preciso primeiro crescer para depois dividir o bolo, ideia que Lula provou estar errada. &ldquo;Em 1980, o Brasil era a oitava economia do mundo, enquanto um em cada dois brasileiros vivia em condi&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria&rdquo;, lembrou. &ldquo;No ano 2000, j&aacute; t&iacute;nhamos ca&iacute;do para a 13&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre as maiores economias do mundo, atr&aacute;s do M&eacute;xico na Am&eacute;rica Latina, t&iacute;nhamos 11 milh&otilde;es de desempregados&rdquo;, disse, enquanto lembrou que o Brasil vive situa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima ao pleno emprego atualmente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mudan&ccedil;as que n&atilde;o foram conquistadas nem com 60 anos de movimento feminista</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A professora Marilena Chau&iacute; citou o Bolsa Fam&iacute;lia, o Prouni e a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova classe trabalhadora no Brasil como exemplos da transforma&ccedil;&atilde;o que o Brasil viveu. Para Marilena Chau&iacute;, &ldquo;o efeito do Bolsa Fam&iacute;lia para as mulheres, conseguiu alterar o conceito e o modo de opera&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de um jeito que seis d&eacute;cadas de feminismo n&atilde;o conseguiram&rdquo;. No programa Bolsa Fam&iacute;lia, &eacute; a mulher quem recebe o cart&atilde;o com o benef&iacute;cio, e ela tem autonomia para escolher como gast&aacute;-lo. A professora diz ainda que o criticado Prouni, ao lado do Enem e das cotas est&atilde;o preparando uma revolu&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o brasileira no longo prazo, ao serem capazes de acabar com a ind&uacute;stria do vestibular e provocar uma reestrutura&ccedil;&atilde;o do ensino. Por fim, ela lembrou que o Brasil tem agora n&atilde;o uma nova classe m&eacute;dia, mas uma nova classe trabalhadora como sujeito pol&iacute;tico de comportamento bastante diferente da classe m&eacute;dia tradicional.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O livro</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Essencialmente uma reflex&atilde;o sobre os rumos da pol&iacute;tica brasileira na &uacute;ltima d&eacute;cada, o livro ofere&ccedil;e um panorama dos desafios enfrentados pelo Pa&iacute;s. Al&eacute;m de trazer uma rara e in&eacute;dita entrevista com o ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, a obra re&uacute;ne 21 artigos de alguns dos principais intelectuais engajados e ativamente envolvidos na pol&iacute;tica dos &uacute;ltimos anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Clique aqui para saber mais detalhes sobre o livro, no site da editora Boitempo.</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site do <a href="http://www.institutolula.org/ao-vivo-lula-participa-de-debate-sobre-10-anos-de-governos-pos-liberais-a-partir-das-19h/#.UZJ5sbWsiSo">Instituto Lula</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva participou na noite desta segunda-feira (13) do debate de lan&ccedil;amento do livro &ldquo;10 anos de governos p&oacute;s-neoliberais no Brasil &ndash; Lula e Dilma&rdquo;. Em sua fala, Lula disse que o maior legado que deixou em sua presid&ecirc;ncia n&atilde;o foi nenhum dos programas sociais de &ecirc;xito, mas sim ter mostrado que &eacute; poss&iacute;vel &ldquo;governar de forma republicana sem aqueles que me odiavam&rdquo;. Para o ex-presidente, &ldquo;o pal&aacute;cio, que at&eacute; ent&atilde;o era para reis e rainhas, banqueiros e grandes empres&aacute;rios, continuou sendo. Mas com uma diferen&ccedil;a: &eacute; que l&aacute; entravam tamb&eacute;m os &iacute;ndios, os hansenianos, os moradores de rua, os favelados, fazendo com que, pela primeira vez, aquela fosse uma casa de todos e n&atilde;o apenas de uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;.<br /><br />Lula participou do debate com o economista Marcio Pochmann, presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, da fil&oacute;sofa Marilena Chau&iacute; e do soci&oacute;logo e organizador do livro, Emir Sader.<br /><br />O ex-presidente lembrou das 74 confer&ecirc;ncias nacionais que fez, &ldquo;sobre todos os temas que voc&ecirc;s possam imaginar. E eu ia l&aacute; para ouvir mais do que falar&rdquo;. Nessas confer&ecirc;ncias, Lula abriu as portas do planalto para catadores de recicl&aacute;veis, de hansenianos, para deficientes visuais acompanhados de c&atilde;es-guia, e para os sem-teto, entre outros.<br /><br />Sobre as cr&iacute;ticas que recebeu desde o in&iacute;cio de seu governo, Lula foi direto: &ldquo;eu tinha consci&ecirc;ncia que meu problema com parte da elite pol&iacute;tica desse pa&iacute;s e da elite da imprensa brasileira era meu sucesso. Se eu fracassasse, eles falariam bem de mim: &lsquo;coitadinho do oper&aacute;rio. Coitadinho chegou l&aacute;, mas n&atilde;o tem culpa, n&atilde;o tava preparado, n&atilde;o fez nossa escola&rsquo;.&rdquo;<br /><br /><strong>Lula provou que n&atilde;o era preciso esperar o bolo crescer para depois dividir</strong><br /><br />Marcio Pochmann lembrou de mudan&ccedil;as estruturais pelas quais o Brasil passou. E fez um mea-culpa em nome dos economistas, que apostaram durante d&eacute;cadas que era preciso primeiro crescer para depois dividir o bolo, ideia que Lula provou estar errada. &ldquo;Em 1980, o Brasil era a oitava economia do mundo, enquanto um em cada dois brasileiros vivia em condi&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria&rdquo;, lembrou. &ldquo;No ano 2000, j&aacute; t&iacute;nhamos ca&iacute;do para a 13&ordf; posi&ccedil;&atilde;o entre as maiores economias do mundo, atr&aacute;s do M&eacute;xico na Am&eacute;rica Latina, t&iacute;nhamos 11 milh&otilde;es de desempregados&rdquo;, disse, enquanto lembrou que o Brasil vive situa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima ao pleno emprego atualmente.<br /><br /><strong>Mudan&ccedil;as que n&atilde;o foram conquistadas nem com 60 anos de movimento feminista</strong><br /><br />A professora Marilena Chau&iacute; citou o Bolsa Fam&iacute;lia, o Prouni e a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova classe trabalhadora no Brasil como exemplos da transforma&ccedil;&atilde;o que o Brasil viveu. Para Marilena Chau&iacute;, &ldquo;o efeito do Bolsa Fam&iacute;lia para as mulheres, conseguiu alterar o conceito e o modo de opera&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de um jeito que seis d&eacute;cadas de feminismo n&atilde;o conseguiram&rdquo;. No programa Bolsa Fam&iacute;lia, &eacute; a mulher quem recebe o cart&atilde;o com o benef&iacute;cio, e ela tem autonomia para escolher como gast&aacute;-lo. A professora diz ainda que o criticado Prouni, ao lado do Enem e das cotas est&atilde;o preparando uma revolu&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o brasileira no longo prazo, ao serem capazes de acabar com a ind&uacute;stria do vestibular e provocar uma reestrutura&ccedil;&atilde;o do ensino. Por fim, ela lembrou que o Brasil tem agora n&atilde;o uma nova classe m&eacute;dia, mas uma nova classe trabalhadora como sujeito pol&iacute;tico de comportamento bastante diferente da classe m&eacute;dia tradicional.<br /><br /><strong>O livro</strong><br /><br />Essencialmente uma reflex&atilde;o sobre os rumos da pol&iacute;tica brasileira na &uacute;ltima d&eacute;cada, o livro ofere&ccedil;e um panorama dos desafios enfrentados pelo Pa&iacute;s. Al&eacute;m de trazer uma rara e in&eacute;dita entrevista com o ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, a obra re&uacute;ne 21 artigos de alguns dos principais intelectuais engajados e ativamente envolvidos na pol&iacute;tica dos &uacute;ltimos anos.<br /><br />Clique <a href="http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-328-8">aqui</a> para saber mais detalhes sobre o livro, no site da editora Boitempo.</p>
</p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 17:57:14 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Sharif será novamente o premier do Paquistão</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=687872</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=687872</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/687879"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O &uacute;ltimo s&aacute;bado (11) foi um dos dias mais importantes na hist&oacute;ria do Paquist&atilde;o. Nas primeiras legislativas em que ocorre a transfer&ecirc;ncia de um governo civil a outro desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1947, quatro bombas explodiram pa&iacute;s afora, 30 pessoas perderam a vida, centenas ficaram feridas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">J&aacute; na manh&atilde; de s&aacute;bado, 11 pessoas morreram em uma explos&atilde;o na sede principal de uma legenda laica, em Karachi, o centro econ&ocirc;mico do pa&iacute;s de 180 milh&otilde;es de habitantes. No mesmo atentado, cerca de 40 pessoas ficaram feridas, segundo a BBC.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O atentado foi reivindicado pelo Taleban paquistan&ecirc;s, formalmente conhecido como Tehreek e-Taliban Pakistan (TTP).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Desde o in&iacute;cio da campanha, em mar&ccedil;o, o Taleban reivindicou a maioria de mais de 130 cidad&atilde;os assassinados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O TTP tamb&eacute;m aconselhou os paquistaneses a &ldquo;evitar&rdquo; as urnas &ndash; se quisessem permanecer vivos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;A democracia&rdquo;, dita um comunicado do Taleban, &ldquo;&eacute; um sistema n&atilde;o isl&acirc;mico, de infi&eacute;is&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mesmo assim, Nawaz Sharif, o l&iacute;der da Liga Mu&ccedil;ulmana do Paquist&atilde;o (PML &ndash;N), ser&aacute; o primeiro pol&iacute;tico a ocupar o cargo por tr&ecirc;s vezes nos 66 anos de exist&ecirc;ncia do Paquist&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Imran Khan, l&iacute;der do Movimento pela Justi&ccedil;a do Paquist&atilde;o (PTI), disputa o segundo lugar com o Partido Popular do Paquist&atilde;o (PPP), atualmente no governo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No entanto, ao obter pelo menos 100 das 272 cadeiras diretamente eleitas da Assembleia Nacional (C&acirc;mara Baixa do Parlamento), Sharif provavelmente formar&aacute; uma alian&ccedil;a com legendas menores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A julgar pelos coment&aacute;rios de uma pletora de observadores, tratou-se uma vit&oacute;ria da democracia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">De sa&iacute;da, essas s&atilde;o as primeiras elei&ccedil;&otilde;es ditas democr&aacute;ticas nas quais um governo civil &eacute; transferido para outro em 66 anos, quando houve a parti&ccedil;&atilde;o do subcontinente indiano. Foi ent&atilde;o que Muhammad Ali Jinnah fundou o Paquist&atilde;o, com suas diversas etnias e credos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Segundo o Col&eacute;gio Eleitoral, foram &agrave;s urnas entre 60 e 80% dos 85 milh&otilde;es de cidad&atilde;os registrados para votar tanto naqueles a integrar a Assembleia Nacional quanto nos quatro l&iacute;deres das Assembleias das quatro Prov&iacute;ncias. Um n&iacute;vel de comparecimento elevado, particularmente quando comparado ao de 2008, de 44%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A presen&ccedil;a de 600 mil policiais, Rangers (protegem as fronteiras do pa&iacute;s) e militares n&atilde;o intimidou os eleitores, mas n&atilde;o tranquilizou todas as almas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;Se o Taleban quiser atacar eles o far&atilde;o. Como parar um homem com uma bomba em uma sacola?&rdquo;, indaga uma senhora com um v&eacute;u.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Marcaram presen&ccedil;a eleitores e eleitoras seculares, com v&eacute;us ou burqas, com frequ&ecirc;ncia acompanhadas por crian&ccedil;as. &ldquo;As mulheres querem mudar esse pa&iacute;s, independentemente de sua etnia ou religi&atilde;o&rdquo;, me disse Naila Madani, da tev&ecirc; estatal Pakistan.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">As elei&ccedil;&otilde;es, como dito acima, n&atilde;o foram democr&aacute;ticas por pelo menos dois motivos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Irregularidades n&atilde;o escassearam, inclusive em Karachi. Passei por pelo menos dois col&eacute;gios eleitorais com as portas fechadas, e o povo, fora, a reclamar seu direito de votar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&Agrave; frente do col&eacute;gio eleitoral F. G. Girls College, a maioria dos eleitores faz parte de uma minoria, os crist&atilde;os. Em uma fila quilom&eacute;trica debaixo de um sol a pino de 42 graus cent&iacute;grados indago a Imran Bashir se ele n&atilde;o tem medo das bombas do Taleban.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;O que o senhor quer que eu fa&ccedil;a?&rdquo; Ficar em casa, com medo do Taleban, e n&atilde;o tentar mudar o futuro do meu pa&iacute;s?&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Segundo Bashir, a demora para votar &ndash; ou n&atilde;o votar &ndash; se deve ao fato de o col&eacute;gio eleitoral ser composto por pessoas a discriminar contra minorias como os crist&atilde;os. &ldquo;N&atilde;o votamos nos religiosos islamitas.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Outro motivo pelo qual o pleito n&atilde;o foi democr&aacute;tico: os terroristas atacaram e puseram um fim nos com&iacute;cios dos tr&ecirc;s partidos liberais. Ao mesmo tempo, favorizaram as legenda pelo menos n&atilde;o contr&aacute;rias ao seu credo fundamentalista. N&atilde;o interferiram nos meetings da Liga Mu&ccedil;ulmana de Sharif, nem dos do PTI, do carism&aacute;tico Imran Khan, her&oacute;i nacional por ter vencido a copa do mundo de cr&iacute;quete, em 1992.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Assim como Sharif, Khan &eacute; contra teleguiados norte-americanos. Ademais, Khan concorda com Sharif que os Pashtun (grupo com origens no Ir&atilde; que fala o pashto e vive nas zonas tribais nas fronteiras do Afeganist&atilde;o e no Paquist&atilde;o) &ndash; e numerosos deles apoiam o Taleban &ndash;, n&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis a uma guerra religiosa, mas sim a uma ofensiva contra a invas&atilde;o de estrangeiros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Se por um lado, Sharif agrada &eacute; porque h&aacute; quem creia na sua capacidade em colocar o pa&iacute;s em ordem, no sentido econ&ocirc;mico. Ele &eacute; lembrado nos anos 1990, quando foi premier duas vezes, pela constru&ccedil;&atilde;o de rodovias.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Agora ter&aacute; de lidar com um pa&iacute;s onde falta &aacute;gua pot&aacute;vel para um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o. Apag&atilde;o s&atilde;o frequentes. Apenas 56% do povo &eacute; alfabetizado. Apenas 1% da popula&ccedil;&atilde;o paga impostos. A maioria dos parlamentares n&atilde;o declara seus bens. Al&eacute;m da corrup&ccedil;&atilde;o, a viol&ecirc;ncia, como vimos, rola solta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sharif inquieta a &ldquo;comunidade internacional&rdquo; devido a uma tang&iacute;vel guinada conservadora nos quesitos social e religioso. Ele &eacute; pr&oacute;ximo, por exemplo, da legenda Jamaat e-Islami, esta pr&oacute;xima da Irmandade Mu&ccedil;ulmana. Nos anos 1990 solidificou leis isl&acirc;micas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sharif j&aacute; disse alto e claro que acabar&aacute; com a &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;, iniciada por Bush Jr. Em suma, se ap&oacute;s 11 de setembro havia colabora&ccedil;&atilde;o entre os EUA e o Paquist&atilde;o, n&atilde;o vai mais haver coopera&ccedil;&atilde;o entre seus servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia (CIA e ISI) e ex&eacute;rcitos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mais: Sharif n&atilde;o disse ainda se organizar&aacute; opera&ccedil;&otilde;es militares contra o Taleban e contra o Al-Qaeda. Sabe-se, por&eacute;m, que ele quer negociar com o Taleban.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;O Taleban criou uma clara divis&atilde;o entre o povo paquistan&ecirc;s&rdquo;, opina, na sede do Movimento Muttathida Qaumi (MQM), sub&uacute;rbios de Karachi, o deputado Syed Haider Abbas Rizvi.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para Abbas Rizvi, o colapso do Paquist&atilde;o significaria um influxo ainda maior de extremistas no Sul da &Aacute;sia e isso desestabilizaria ainda mais o Oriente M&eacute;dio. &ldquo;A programada sa&iacute;da dos Estados Unidos e da Otan do Afeganist&atilde;o no pr&oacute;ximo ano deixaria o pa&iacute;s em um estado de anarquia. Outras na&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m do Afeganist&atilde;o, seriam afetadas, como, por exemplo, a &Iacute;ndia, tamb&eacute;m uma pot&ecirc;ncia militar com a qual o Paquist&atilde;o teve tr&ecirc;s graves entreveros por causa da Caxemira, administrada pela &Iacute;ndia. Houve tamb&eacute;m contendas sobre a secess&atilde;o de Bangladesh, em 1971, com o aux&iacute;lio da &Iacute;ndia.&ldquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Como prev&ecirc; o jornalista Ahmed Rashid, a &Aacute;sia Central poder&aacute; ser o novo centro para a milit&acirc;ncia do Al-Qaeda.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O problema &eacute; que Barack Obama queria apenas se desfazer do Al-Qaeda de Bin Laden e do pr&oacute;prio. E ao agir sem envolver o Paquist&atilde;o criou inimigos nos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia e no ex&eacute;rcito.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O que Sharif far&aacute; com os extremistas da regi&atilde;o?</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por Giani Carta, na Carta Capital</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O &uacute;ltimo s&aacute;bado (11) foi um dos dias mais importantes na hist&oacute;ria do Paquist&atilde;o. Nas primeiras legislativas em que ocorre a transfer&ecirc;ncia de um governo civil a outro desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1947, quatro bombas explodiram pa&iacute;s afora, 30 pessoas perderam a vida, centenas ficaram feridas.<br /><br />J&aacute; na manh&atilde; de s&aacute;bado, 11 pessoas morreram em uma explos&atilde;o na sede principal de uma legenda laica, em Karachi, o centro econ&ocirc;mico do pa&iacute;s de 180 milh&otilde;es de habitantes. No mesmo atentado, cerca de 40 pessoas ficaram feridas, segundo a BBC.<br /><br />O atentado foi reivindicado pelo Taleban paquistan&ecirc;s, formalmente conhecido como Tehreek e-Taliban Pakistan (TTP).<br /><br />Desde o in&iacute;cio da campanha, em mar&ccedil;o, o Taleban reivindicou a maioria de mais de 130 cidad&atilde;os assassinados.&nbsp;O TTP tamb&eacute;m aconselhou os paquistaneses a &ldquo;evitar&rdquo; as urnas &ndash; se quisessem permanecer vivos.<br /><br />&ldquo;A democracia&rdquo;, dita um comunicado do Taleban, &ldquo;&eacute; um sistema n&atilde;o isl&acirc;mico, de infi&eacute;is&rdquo;.<br /><br />Mesmo assim, Nawaz Sharif, o l&iacute;der da Liga Mu&ccedil;ulmana do Paquist&atilde;o (PML &ndash;N), ser&aacute; o primeiro pol&iacute;tico a ocupar o cargo por tr&ecirc;s vezes nos 66 anos de exist&ecirc;ncia do Paquist&atilde;o.<br /><br />Imran Khan, l&iacute;der do Movimento pela Justi&ccedil;a do Paquist&atilde;o (PTI), disputa o segundo lugar com o Partido Popular do Paquist&atilde;o (PPP), atualmente no governo.<br /><br />No entanto, ao obter pelo menos 100 das 272 cadeiras diretamente eleitas da Assembleia Nacional (C&acirc;mara Baixa do Parlamento), Sharif provavelmente formar&aacute; uma alian&ccedil;a com legendas menores.<br /><br />A julgar pelos coment&aacute;rios de uma pletora de observadores, tratou-se uma vit&oacute;ria da democracia.<br /><br />De sa&iacute;da, essas s&atilde;o as primeiras elei&ccedil;&otilde;es ditas democr&aacute;ticas nas quais um governo civil &eacute; transferido para outro em 66 anos, quando houve a parti&ccedil;&atilde;o do subcontinente indiano. Foi ent&atilde;o que Muhammad Ali Jinnah fundou o Paquist&atilde;o, com suas diversas etnias e credos.<br /><br />Segundo o Col&eacute;gio Eleitoral, foram &agrave;s urnas entre 60 e 80% dos 85 milh&otilde;es de cidad&atilde;os registrados para votar tanto naqueles a integrar a Assembleia Nacional quanto nos quatro l&iacute;deres das Assembleias das quatro Prov&iacute;ncias. Um n&iacute;vel de comparecimento elevado, particularmente quando comparado ao de 2008, de 44%.<br /><br />A presen&ccedil;a de 600 mil policiais, Rangers (protegem as fronteiras do pa&iacute;s) e militares n&atilde;o intimidou os eleitores, mas n&atilde;o tranquilizou todas as almas.<br /><br />&ldquo;Se o Taleban quiser atacar eles o far&atilde;o. Como parar um homem com uma bomba em uma sacola?&rdquo;, indaga uma senhora com um v&eacute;u.<br /><br />Marcaram presen&ccedil;a eleitores e eleitoras seculares, com v&eacute;us ou burqas, com frequ&ecirc;ncia acompanhadas por crian&ccedil;as. &ldquo;As mulheres querem mudar esse pa&iacute;s, independentemente de sua etnia ou religi&atilde;o&rdquo;, me disse Naila Madani, da tev&ecirc; estatal Pakistan.<br /><br />As elei&ccedil;&otilde;es, como dito acima, n&atilde;o foram democr&aacute;ticas por pelo menos dois motivos.&nbsp;Irregularidades n&atilde;o escassearam, inclusive em Karachi. Passei por pelo menos dois col&eacute;gios eleitorais com as portas fechadas, e o povo, fora, a reclamar seu direito de votar. &Agrave; frente do col&eacute;gio eleitoral F. G. Girls College, a maioria dos eleitores faz parte de uma minoria, os crist&atilde;os. Em uma fila quilom&eacute;trica debaixo de um sol a pino de 42 graus cent&iacute;grados indago a Imran Bashir se ele n&atilde;o tem medo das bombas do Taleban.<br /><br />&ldquo;O que o senhor quer que eu fa&ccedil;a?&rdquo; Ficar em casa, com medo do Taleban, e n&atilde;o tentar mudar o futuro do meu pa&iacute;s?&rdquo;<br /><br />Segundo Bashir, a demora para votar &ndash; ou n&atilde;o votar &ndash; se deve ao fato de o col&eacute;gio eleitoral ser composto por pessoas a discriminar contra minorias como os crist&atilde;os. &ldquo;N&atilde;o votamos nos religiosos islamitas.&rdquo;<br /><br />Outro motivo pelo qual o pleito n&atilde;o foi democr&aacute;tico: os terroristas atacaram e puseram um fim nos com&iacute;cios dos tr&ecirc;s partidos liberais. Ao mesmo tempo, favorizaram as legenda pelo menos n&atilde;o contr&aacute;rias ao seu credo fundamentalista. N&atilde;o interferiram nos meetings da Liga Mu&ccedil;ulmana de Sharif, nem dos do PTI, do carism&aacute;tico Imran Khan, her&oacute;i nacional por ter vencido a copa do mundo de cr&iacute;quete, em 1992.<br /><br />Assim como Sharif, Khan &eacute; contra teleguiados norte-americanos. Ademais, Khan concorda com Sharif que os Pashtun (grupo com origens no Ir&atilde; que fala o pashto e vive nas zonas tribais nas fronteiras do Afeganist&atilde;o e no Paquist&atilde;o) &ndash; e numerosos deles apoiam o Taleban &ndash;, n&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis a uma guerra religiosa, mas sim a uma ofensiva contra a invas&atilde;o de estrangeiros.<br /><br />Se por um lado, Sharif agrada &eacute; porque h&aacute; quem creia na sua capacidade em colocar o pa&iacute;s em ordem, no sentido econ&ocirc;mico. Ele &eacute; lembrado nos anos 1990, quando foi premier duas vezes, pela constru&ccedil;&atilde;o de rodovias.<br /><br />Agora ter&aacute; de lidar com um pa&iacute;s onde falta &aacute;gua pot&aacute;vel para um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o. Apag&atilde;o s&atilde;o frequentes. Apenas 56% do povo &eacute; alfabetizado. Apenas 1% da popula&ccedil;&atilde;o paga impostos. A maioria dos parlamentares n&atilde;o declara seus bens. Al&eacute;m da corrup&ccedil;&atilde;o, a viol&ecirc;ncia, como vimos, rola solta.<br /><br />Sharif inquieta a &ldquo;comunidade internacional&rdquo; devido a uma tang&iacute;vel guinada conservadora nos quesitos social e religioso. Ele &eacute; pr&oacute;ximo, por exemplo, da legenda Jamaat e-Islami, esta pr&oacute;xima da Irmandade Mu&ccedil;ulmana. Nos anos 1990 solidificou leis isl&acirc;micas.<br /><br />Sharif j&aacute; disse alto e claro que acabar&aacute; com a &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;, iniciada por Bush Jr. Em suma, se ap&oacute;s 11 de setembro havia colabora&ccedil;&atilde;o entre os EUA e o Paquist&atilde;o, n&atilde;o vai mais haver coopera&ccedil;&atilde;o entre seus servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia (CIA e ISI) e ex&eacute;rcitos.<br /><br />Mais: Sharif n&atilde;o disse ainda se organizar&aacute; opera&ccedil;&otilde;es militares contra o Taleban e contra o Al-Qaeda. Sabe-se, por&eacute;m, que ele quer negociar com o Taleban.<br /><br />&ldquo;O Taleban criou uma clara divis&atilde;o entre o povo paquistan&ecirc;s&rdquo;, opina, na sede do Movimento Muttathida Qaumi (MQM), sub&uacute;rbios de Karachi, o deputado Syed Haider Abbas Rizvi.<br /><br />Para Abbas Rizvi, o colapso do Paquist&atilde;o significaria um influxo ainda maior de extremistas no Sul da &Aacute;sia e isso desestabilizaria ainda mais o Oriente M&eacute;dio. &ldquo;A programada sa&iacute;da dos Estados Unidos e da Otan do Afeganist&atilde;o no pr&oacute;ximo ano deixaria o pa&iacute;s em um estado de anarquia. Outras na&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m do Afeganist&atilde;o, seriam afetadas, como, por exemplo, a &Iacute;ndia, tamb&eacute;m uma pot&ecirc;ncia militar com a qual o Paquist&atilde;o teve tr&ecirc;s graves entreveros por causa da Caxemira, administrada pela &Iacute;ndia. Houve tamb&eacute;m contendas sobre a secess&atilde;o de Bangladesh, em 1971, com o aux&iacute;lio da &Iacute;ndia.&ldquo;<br /><br />Como prev&ecirc; o jornalista Ahmed Rashid, a &Aacute;sia Central poder&aacute; ser o novo centro para a milit&acirc;ncia do Al-Qaeda.<br /><br />O problema &eacute; que Barack Obama queria apenas se desfazer do Al-Qaeda de Bin Laden e do pr&oacute;prio. E ao agir sem envolver o Paquist&atilde;o criou inimigos nos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia e no ex&eacute;rcito.<br /><br />O que Sharif far&aacute; com os extremistas da regi&atilde;o?</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 17:38:35 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Paulo Teixeira realiza plenárias no Rio de Janeiro, Vitória e Manaus</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=687719</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=687719</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/687726"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No &uacute;ltimo fim de semana, o deputado federal Paulo Teixeira realizou dois grandes eventos de lan&ccedil;amento de sua candidatura para a presid&ecirc;ncia nacional do PT, na regi&atilde;o sudeste.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na sexta-feira (10), cerca de 400 militantes, vindos de 25 munic&iacute;pios do Rio de Janeiro, lotaram o audit&oacute;rio da sede do CREA, no Centro da capital, para o lan&ccedil;amento conjunto da candidatura nacional de Paulo Teixeira e da candidatura estadual do atual presidente e aspirante &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, Jorge Flor&ecirc;ncio.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Entre as principais lideran&ccedil;as que marcaram presen&ccedil;a no evento est&atilde;o o vice-prefeito do Rio de Janeiro Adilson Pires, os deputados federais Jorge Bittar e Alessandro Molon, os deputados estaduais Robson Leite, Cida Diogo e Nilton Salom&atilde;o, al&eacute;m da ex-deputada estadual Jurema Batista e do presidente do CREA-RJ, Agostinho Guerreiro. Impossibilitado de comparecer ao evento, o secret&aacute;rio Estadual do Ambiente e ex-ministro do Meio Ambiente no governo Lula, Carlos Minc, fez quest&atilde;o de mandar uma sauda&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ando seu apoio &agrave; candidatura de Teixeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Esp&iacute;rito Santo</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">J&aacute; no s&aacute;bado (11) foi a vez da milit&acirc;ncia petista do Esp&iacute;rito Santo realizar um grande ato de apoio ao nome de Teixeira para a presid&ecirc;ncia do PT. Mais de 300 militantes petistas, representando quase todos os 78 munic&iacute;pios do estado, se reuniram no Espa&ccedil;o Vit&oacute;ria, na capital capixaba, para o evento.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Al&eacute;m do vice-governador Givaldo Vieira, quatro dos cinco deputados estaduais do PT compareceram ao lan&ccedil;amento: Lucia Dornellas, Roberto Carlos, Rodrigo Coelho e Genivaldo Lievore. Tamb&eacute;m marcaram presen&ccedil;a o ex-prefeito de Vit&oacute;ria Jo&atilde;o Coser e os secret&aacute;rios estaduais de Assist&ecirc;ncia Social e Direitos Humanos, Helder Salom&atilde;o, e de Turismo, Alexandre Passos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Manaus</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No in&iacute;cio deste m&ecirc;s, o deputado tamb&eacute;m esteve em Manaus para fazer o lan&ccedil;amento de sua candidatura em conjunto com a candidatura. No mesmo evento, realizado no dia 2 de maio, foi lan&ccedil;ada a candidatura do l&iacute;der do PT na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Jos&eacute; Ricardo Wendling, para a presid&ecirc;ncia do PT estadual.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O evento contou com a presen&ccedil;a de cerca de 300 militantes, incluindo o deputado federal Francisco Praciano e o l&iacute;der do PT na C&acirc;mara de Vereadores de Manaus, Waldemir Jos&eacute;, al&eacute;m de lideran&ccedil;as de movimentos sociais do estado e vereadores da capital e de todo o interior do Amazonas. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Lan&ccedil;amento oficial</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O lan&ccedil;amento oficial da candidatura do deputado federal Paulo Teixeira &agrave; presid&ecirc;ncia nacional do PT aconteceu no dia 22 de mar&ccedil;o, durante ato no Encontro Nacional da Mensagem ao Partido, em Bras&iacute;lia. Mais de 500 militantes marcaram presen&ccedil;a no evento, que contou com a presen&ccedil;a dos ministros Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, e Jos&eacute; Eduardo Cardozo, da Justi&ccedil;a, al&eacute;m do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e da ex-governadora do Par&aacute;, Ana J&uacute;lia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Clique aqui para saber como foi o evento. &nbsp;</div>
<p style="text-align: justify;">No &uacute;ltimo fim de semana, o deputado federal Paulo Teixeira realizou dois grandes eventos de lan&ccedil;amento de sua candidatura para a presid&ecirc;ncia nacional do PT, na regi&atilde;o sudeste.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sexta-feira (10), cerca de 400 militantes, vindos de 25 munic&iacute;pios do Rio de Janeiro, lotaram o audit&oacute;rio da sede do CREA, no Centro da capital, para o lan&ccedil;amento conjunto da candidatura nacional de Paulo Teixeira e da candidatura estadual do atual presidente e aspirante &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, Jorge Flor&ecirc;ncio.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Entre as principais lideran&ccedil;as que marcaram presen&ccedil;a no evento est&atilde;o o vice-prefeito do Rio de Janeiro Adilson Pires, os deputados federais Jorge Bittar e Alessandro Molon, os deputados estaduais Robson Leite, Cida Diogo e Nilton Salom&atilde;o, al&eacute;m da ex-deputada estadual Jurema Batista e do presidente do CREA-RJ, Agostinho Guerreiro. Impossibilitado de comparecer ao evento, o secret&aacute;rio Estadual do Ambiente e ex-ministro do Meio Ambiente no governo Lula, Carlos Minc, fez quest&atilde;o de mandar uma sauda&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ando seu apoio &agrave; candidatura de Teixeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esp&iacute;rito Santo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">J&aacute; no s&aacute;bado (11) foi a vez da milit&acirc;ncia petista do Esp&iacute;rito Santo realizar um grande ato de apoio ao nome de Teixeira para a presid&ecirc;ncia do PT. Mais de 300 militantes petistas, representando quase todos os 78 munic&iacute;pios do estado, se reuniram no Espa&ccedil;o Vit&oacute;ria, na capital capixaba, para o evento.&nbsp;<img style="float: right; margin: 5px;" title="Plen&aacute;ria realizada em Vit&oacute;ria (ES)" src="https://pbs.twimg.com/media/BKA9znWCMAEwBfb.jpg:large" alt="Plen&aacute;ria realizada em Vit&oacute;ria (ES)" width="400" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Al&eacute;m do vice-governador Givaldo Vieira, quatro dos cinco deputados estaduais do PT compareceram ao lan&ccedil;amento: Lucia Dornellas, Roberto Carlos, Rodrigo Coelho e Genivaldo Lievore. Tamb&eacute;m marcaram presen&ccedil;a o ex-prefeito de Vit&oacute;ria Jo&atilde;o Coser e os secret&aacute;rios estaduais de Assist&ecirc;ncia Social e Direitos Humanos, Helder Salom&atilde;o, e de Turismo, Alexandre Passos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Manaus</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No in&iacute;cio deste m&ecirc;s, o deputado tamb&eacute;m esteve em Manaus para fazer o lan&ccedil;amento de sua candidatura. No mesmo evento, realizado no dia 2 de maio, foi lan&ccedil;ada a candidatura do l&iacute;der do PT na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Jos&eacute; Ricardo Wendling, para a presid&ecirc;ncia do PT estadual.&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O evento contou com a presen&ccedil;a de cerca de 300 militantes, incluindo o deputado federal Francisco Praciano e o l&iacute;der do PT na C&acirc;mara de Vereadores de Manaus, Waldemir Jos&eacute;, al&eacute;m de lideran&ccedil;as de movimentos sociais do estado e vereadores da capital e de todo o interior do Amazonas.<br />
<div style="text-align: justify;"><strong style="text-align: left;"><br />Lan&ccedil;amento oficial</strong></div>
</p>
<p style="text-align: justify;">O lan&ccedil;amento oficial da candidatura do deputado federal Paulo Teixeira &agrave; presid&ecirc;ncia nacional do PT aconteceu no dia 22 de mar&ccedil;o, durante ato no Encontro Nacional da Mensagem ao Partido, em Bras&iacute;lia. Mais de 500 militantes marcaram presen&ccedil;a no evento, que contou com a presen&ccedil;a dos ministros Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, e Jos&eacute; Eduardo Cardozo, da Justi&ccedil;a, al&eacute;m do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e da ex-governadora do Par&aacute;, Ana J&uacute;lia. (Clique <a href="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item_id=501492">aqui</a> para saber como foi o evento)<strong>&nbsp;</strong>&nbsp;</p>
<p><img style="left: 0px;" title="Plen&aacute;ria do Rio de Janeiro" src="http://sphotos-c.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/p480x480/945861_459863330765573_162506173_n.jpg" alt="Plen&aacute;ria do Rio de Janeiro" width="506" height="378" /></p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 17:26:33 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Governo vai aumentar limite de compras de alimentos da agricultura familiar</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=686684</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=686684</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/686691"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (13) que o governo federal vai aumentar o limite de compras de alimentos da agricultura familiar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No programa semanal Caf&eacute; com a Presidenta, ela lembrou que, em 2003, quando come&ccedil;ou o Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA), o governo comprava at&eacute; R$ 2,5 mil de cada agricultor familiar por ano. Atualmente, o limite est&aacute; em R$ 4, 8 mil e deve aumentar ainda mais a partir de junho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">"O governo tem dado um grande apoio para a agricultura familiar. J&aacute; compramos R$ 2,25 bilh&otilde;es de alimentos produzidos pela agricultura familiar e isso tem ajudado a gerar emprego, a gerar renda para os nossos trabalhadores no campo e tamb&eacute;m alimenta muita gente que precisa pelo Brasil afora."</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ainda de acordo com a presidenta, o n&uacute;mero de agricultores familiares atendidos cresceu 20% no governo Dilma e chega a quase 200 mil. "Eles sabem que parte de sua produ&ccedil;&atilde;o tem comprador certo e o mais importante: tem um pre&ccedil;o justo", disse. "Somente com o PAA, o meu governo j&aacute; comprou 830 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar. Isso significa um investimento de R$ 1,75 bilh&atilde;o. E os nossos investimentos no PAA v&atilde;o continuar crescendo este ano de 2013, com a compra de R$ 1,4 bilh&atilde;o em alimentos."</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Da <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-13/governo-vai-aumentar-limite-de-compras-de-alimentos-da-agricultura-familiar">Ag&ecirc;ncia Brasil</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (13) que o governo federal vai aumentar o limite de compras de alimentos da agricultura familiar.<br /><br />No programa semanal Caf&eacute; com a Presidenta, ela lembrou que, em 2003, quando come&ccedil;ou o Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA), o governo comprava at&eacute; R$ 2,5 mil de cada agricultor familiar por ano. Atualmente, o limite est&aacute; em R$ 4, 8 mil e deve aumentar ainda mais a partir de junho.<br /><br />"O governo tem dado um grande apoio para a agricultura familiar. J&aacute; compramos R$ 2,25 bilh&otilde;es de alimentos produzidos pela agricultura familiar e isso tem ajudado a gerar emprego, a gerar renda para os nossos trabalhadores no campo e tamb&eacute;m alimenta muita gente que precisa pelo Brasil afora."<br /><br />Ainda de acordo com a presidenta, o n&uacute;mero de agricultores familiares atendidos cresceu 20% no governo Dilma e chega a quase 200 mil. "Eles sabem que parte de sua produ&ccedil;&atilde;o tem comprador certo e o mais importante: tem um pre&ccedil;o justo", disse. "Somente com o PAA, o meu governo j&aacute; comprou 830 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar. Isso significa um investimento de R$ 1,75 bilh&atilde;o. E os nossos investimentos no PAA v&atilde;o continuar crescendo este ano de 2013, com a compra de R$ 1,4 bilh&atilde;o em alimentos."</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 17:16:48 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Assentamento sergipano inaugura nova forma de implantação de projetos de reforma agrária</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=681398</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=681398</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/681405"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A longa espera que marcou as vidas de Rosemary dos Santos, 26 anos, e de sua filha Katlen, de apenas quatro anos, chegou ao fim. &ldquo;Foi muito sofrimento. Fiquei gr&aacute;vida, tive minha filha e vivi quase cinco anos debaixo de uma lona quente, &agrave; beira da estrada. Mas valeu a pena, hoje o sonho foi realizado&rdquo;, afirmou a agricultora.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Nesta sexta-feira (10), no Alto Sert&atilde;o Sergipano, ela e outros 44 novos benefici&aacute;rios da reforma agr&aacute;ria acompanharam a assinatura, pelo ministro do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, Pepe Vargas, pelo presidente do Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra), Carlos Guedes e o superintendente regional da autarquia, Leonardo G&oacute;es, da portaria de cria&ccedil;&atilde;o do 29&ordm; projeto de assentamento do munic&iacute;pio de Canind&eacute; do S&atilde;o Francisco.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Batizado como Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola Daniel Ricardo dos Santos, o assentamento &eacute; o primeiro de Sergipe criado sob o novo modelo de implanta&ccedil;&atilde;o estabelecido pelo Incra. "Em dois anos, vamos dotar esse assentamento de toda a infraestrutura e de todo o apoio t&eacute;cnico necess&aacute;rio para que as fam&iacute;lias possam desenvolver a sua produ&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um compromisso que n&oacute;s estamos assumindo", adiantou o presidente do Incra.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Guedes ressaltou a import&acirc;ncia das parcerias celebradas entre o Instituto e prefeituras para acelerar o desenvolvimento das &aacute;reas de reforma agr&aacute;ria. "Hoje, temos condi&ccedil;&otilde;es de dar a terra e garantir a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, fechando parcerias com as prefeituras que compram alimentos e nos ajudam a melhorar a infraestrutura dos nossos assentamentos. Essa &eacute; a reforma agr&aacute;ria que queremos, abrindo porteiras e criando oportunidades", frisou o presidente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Di&aacute;logo</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O ministro Pepe Vargas enfatizou a import&acirc;ncia do di&aacute;logo com os movimentos sociais, o que est&aacute; permitindo muitos avan&ccedil;os na pol&iacute;tica de reforma agr&aacute;ria. "Movimento social mobilizado e organizado &eacute; nosso parceiro. Nos ajuda demais a mudar a realidade social desse pa&iacute;s", salientou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na avalia&ccedil;&atilde;o do ministro, a cria&ccedil;&atilde;o do assentamento demonstra, mais uma vez, o esfor&ccedil;o do Governo Federal em criar novas &aacute;reas de reforma agr&aacute;ria, sem abrir m&atilde;o de qualificar as j&aacute; existentes. "N&atilde;o h&aacute; contradi&ccedil;&atilde;o entre qualificar assentamentos e criar novos projetos de reforma agr&aacute;ria. Vamos seguir lutando pelo desenvolvimento dos assentamentos, sem deixar de buscar novas &aacute;reas.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O vice-governador de Sergipe, Jackson Barreto, destacou as mudan&ccedil;as institu&iacute;das pelo Incra na reforma agr&aacute;ria, que agora vem junto com outras pol&iacute;ticas de governo - como os programas Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, &Aacute;gua para Todos, PAC Equipamentos, al&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. "O pa&iacute;s s&oacute; ser&aacute; independente quando o povo puder comer e exportar. Esse &eacute; o caminho que o Brasil est&aacute; trilhando", ressaltou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">981 hectares</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O assentamento Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola Daniel Ricardo dos Santos foi criado sobre a &aacute;rea da antiga Fazenda Jap&atilde;o e possui 981 hectares. &Eacute; fruto de conv&ecirc;nio estabelecido entre o Incra e o governo de Sergipe em 2007 e que viabilizou a destina&ccedil;&atilde;o de 29 &aacute;reas para a reforma agr&aacute;ria. As 45 fam&iacute;lias beneficiadas com lotes no assentamento ser&atilde;o atendidas por equipes de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica do Incra desde a implanta&ccedil;&atilde;o do projeto.</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site do <a href="http://www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=13038009">MDA</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A longa espera que marcou as vidas de Rosemary dos Santos, 26 anos, e de sua filha Katlen, de apenas quatro anos, chegou ao fim. &ldquo;Foi muito sofrimento. Fiquei gr&aacute;vida, tive minha filha e vivi quase cinco anos debaixo de uma lona quente, &agrave; beira da estrada. Mas valeu a pena, hoje o sonho foi realizado&rdquo;, afirmou a agricultora.</p>
<p style="text-align: justify;">Na &uacute;ltima sexta-feira (10), no Alto Sert&atilde;o Sergipano, ela e outros 44 novos benefici&aacute;rios da reforma agr&aacute;ria acompanharam a assinatura, pelo ministro do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, Pepe Vargas, pelo presidente do Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra), Carlos Guedes e o superintendente regional da autarquia, Leonardo G&oacute;es, da portaria de cria&ccedil;&atilde;o do 29&ordm; projeto de assentamento do munic&iacute;pio de Canind&eacute; do S&atilde;o Francisco.</p>
<p style="text-align: justify;">Batizado como Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola Daniel Ricardo dos Santos, o assentamento &eacute; o primeiro de Sergipe criado sob o novo modelo de implanta&ccedil;&atilde;o estabelecido pelo Incra. "Em dois anos, vamos dotar esse assentamento de toda a infraestrutura e de todo o apoio t&eacute;cnico necess&aacute;rio para que as fam&iacute;lias possam desenvolver a sua produ&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um compromisso que n&oacute;s estamos assumindo", adiantou o presidente do Incra.</p>
<p style="text-align: justify;">Guedes ressaltou a import&acirc;ncia das parcerias celebradas entre o Instituto e prefeituras para acelerar o desenvolvimento das &aacute;reas de reforma agr&aacute;ria. "Hoje, temos condi&ccedil;&otilde;es de dar a terra e garantir a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica, fechando parcerias com as prefeituras que compram alimentos e nos ajudam a melhorar a infraestrutura dos nossos assentamentos. Essa &eacute; a reforma agr&aacute;ria que queremos, abrindo porteiras e criando oportunidades", frisou o presidente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Di&aacute;logo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ministro Pepe Vargas enfatizou a import&acirc;ncia do di&aacute;logo com os movimentos sociais, o que est&aacute; permitindo muitos avan&ccedil;os na pol&iacute;tica de reforma agr&aacute;ria. "Movimento social mobilizado e organizado &eacute; nosso parceiro. Nos ajuda demais a mudar a realidade social desse pa&iacute;s", salientou.</p>
<p style="text-align: justify;">Na avalia&ccedil;&atilde;o do ministro, a cria&ccedil;&atilde;o do assentamento demonstra, mais uma vez, o esfor&ccedil;o do Governo Federal em criar novas &aacute;reas de reforma agr&aacute;ria, sem abrir m&atilde;o de qualificar as j&aacute; existentes. "N&atilde;o h&aacute; contradi&ccedil;&atilde;o entre qualificar assentamentos e criar novos projetos de reforma agr&aacute;ria. Vamos seguir lutando pelo desenvolvimento dos assentamentos, sem deixar de buscar novas &aacute;reas.&rdquo;</p>
<p style="text-align: justify;">O vice-governador de Sergipe, Jackson Barreto, destacou as mudan&ccedil;as institu&iacute;das pelo Incra na reforma agr&aacute;ria, que agora vem junto com outras pol&iacute;ticas de governo - como os programas Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, &Aacute;gua para Todos, PAC Equipamentos, al&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. "O pa&iacute;s s&oacute; ser&aacute; independente quando o povo puder comer e exportar. Esse &eacute; o caminho que o Brasil est&aacute; trilhando", ressaltou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>981 hectares</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O assentamento Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola Daniel Ricardo dos Santos foi criado sobre a &aacute;rea da antiga Fazenda Jap&atilde;o e possui 981 hectares. &Eacute; fruto de conv&ecirc;nio estabelecido entre o Incra e o governo de Sergipe em 2007 e que viabilizou a destina&ccedil;&atilde;o de 29 &aacute;reas para a reforma agr&aacute;ria. As 45 fam&iacute;lias beneficiadas com lotes no assentamento ser&atilde;o atendidas por equipes de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica do Incra desde a implanta&ccedil;&atilde;o do projeto.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 13:17:56 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Lançamento da Revista da DS acontecerá em São Paulo</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=673133</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=673133</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/673140"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ser&aacute; lan&ccedil;ada oficialmente no pr&oacute;ximo dia 24 a revista da impressa da Democracia Socialista. O lan&ccedil;amento acontecer&aacute; no Hotel San Michel (Largo do Arouche, 200), que fica na regi&atilde;o central da cidade de S&atilde;o Paulo, &agrave;s 18h.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Esse material impresso dever&aacute; &ldquo;cumprir o papel de alimentar debates estrat&eacute;gicos, reflex&otilde;es mais aprofundadas e de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo; da DS, como ficou acordado na resolu&ccedil;&atilde;o da X Confer&ecirc;ncia Nacional da DS.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ap&oacute;s um per&iacute;odo de consulta a respeito do nome da publica&ccedil;&atilde;o, optou-se pela simplicidade e por um nome de associa&ccedil;&atilde;o direta &agrave; corrente. Com isso, a publica&ccedil;&atilde;o foi batizada como &ldquo;Revista Democracia Socialista&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A revista da Democracia Socialista pretende organizar um debate program&aacute;tico sobre os rumos da Revolu&ccedil;&atilde;o Brasileira. Neste sentido, insere-se numa trajet&oacute;ria e busca resgatar a tradi&ccedil;&atilde;o marxista e revolucion&aacute;ria da qual nos reivindicamos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Nestes &uacute;ltimos dez anos ousamos dizer que tentamos produzir uma teoria revolucion&aacute;ria em tempos n&atilde;o revolucion&aacute;rios. Partimos de uma tradi&ccedil;&atilde;o onde o conceito de disputa do poder (e n&atilde;o s&oacute; "pelo poder") pressup&otilde;e a constru&ccedil;&atilde;o de partidos socialistas revolucion&aacute;rios. Mantemos a firme convic&ccedil;&atilde;o que para destruir o velho sistema &eacute; necess&aacute;rio conquistar o poder pol&iacute;tico, em um processo democr&aacute;tico em que a natureza mesma desse poder seja colocada em quest&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para desenvolver uma teoria revolucion&aacute;ria &eacute; preciso ter um terreno social. No nosso caso, esse terreno &eacute;, sobretudo, a experi&ecirc;ncia brasileira, sem isol&aacute;-la de suas rela&ccedil;&otilde;es com outras. &Eacute; poss&iacute;vel buscar universalidades a partir de uma experi&ecirc;ncia concreta e, ao mesmo tempo, buscar contrapontos e aproxima&ccedil;&otilde;es com o debate internacionalista. Nossa contribui&ccedil;&atilde;o funda-se na compreens&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; teoria sem pr&aacute;tica pol&iacute;tica, praxis, que precisa partir de acontecimentos hist&oacute;ricos e da inser&ccedil;&atilde;o ativa neles. Essa vis&atilde;o n&atilde;o &eacute; exclusivista: felizmente, desde a nossa origem, n&atilde;o nos consideramos os &uacute;nicos a desenvolver o marxismo, nem no Brasil e nem, muito menos, no mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O primeiro ponto de uma contribui&ccedil;&atilde;o a uma teoria revolucion&aacute;ria, a partir do Brasil, &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o de partido, a constru&ccedil;&atilde;o do PT como partido socialista e revolucion&aacute;rio. Essa grande experi&ecirc;ncia nos fez nascer e crescer, nos mostrou impasses e temos desafios a responder em torno a ela. Desenvolvemos uma concep&ccedil;&atilde;o, ao longo dos anos de funda&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o do PT, de que a constru&ccedil;&atilde;o de um partido revolucion&aacute;rio no Brasil basear-se-ia em um partido de classe e de massas e na constru&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de uma corrente marxista-revolucion&aacute;ria no seu interior. &nbsp;Hoje temos o desafio de enfrentar impasses e explorar potencialidades dessa constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica-pr&aacute;tica</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A conquista da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 2002 nos apresentou novos dilemas, mas em meio a novas potencialidades. A recomposi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social da classe trabalhadora e os v&iacute;nculos dela com o PT, manifestados sobretudo pela via eleitoral, &eacute; o fator objetivo mais favor&aacute;vel &agrave; concep&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria que defendemos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A crise do neoliberalismo reacende centelhas e ati&ccedil;a a nossa esperan&ccedil;a revolucion&aacute;ria. O pensamento &uacute;nico ruiu, a globaliza&ccedil;&atilde;o encalhou. Entendemos a abertura de um novo per&iacute;odo que permite retomar ousadias ut&oacute;picas. Permite propor a luta pela hegemonia do socialismo democr&aacute;tico nas transforma&ccedil;&otilde;es em curso no pa&iacute;s, na esquerda e no PT.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sendo o PT dirigente do governo brasileiro, exige pensar a transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil, o que chamamos de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. A quest&atilde;o fundamental &eacute; combinar reformas com a forma&ccedil;&atilde;o dos sujeitos revolucion&aacute;rios da transforma&ccedil;&atilde;o, vale dizer, com a hegemonia socialista-democr&aacute;tica. Nossa revista deve evidenciar e denunciar o estreitamento conservador da democracia pol&iacute;tica brasileira em contradi&ccedil;&atilde;o profunda com a amplia&ccedil;&atilde;o da base social de uma democracia real em potencial. A luta pelo aprofundamento da democracia e pela democracia direta e participativa &eacute; orientadora do que fazemos. E sem ela &eacute; imposs&iacute;vel propor supera&ccedil;&otilde;es dos limites atuais. A democracia - socialista em sua perspectiva - organiza nossa abordagem face &agrave; sociedade, ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, ao fortalecimento social da classe trabalhadora, &agrave; disputa dos setores m&eacute;dios, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. A constru&ccedil;&atilde;o dos sujeitos da revolu&ccedil;&atilde;o social exige o combate pela democracia direta e participativa. Democracia direta e participativa liga-se &agrave; luta pela igualdade, questiona mudan&ccedil;as estanques e apenas indiretas, questiona a hip&oacute;tese de uma revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica passiva.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Isso j&aacute; delineia um amplo campo de trabalho para a revista.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ele tamb&eacute;m se relaciona com contrapontos cr&iacute;ticos necess&aacute;rios a uma despartidariza&ccedil;&atilde;o que corroeu nosso meio. O PT passou a ser considerado por muitos uma esp&eacute;cie de instrumento &uacute;til, incapaz de ser sujeito. Pol&iacute;tica sem partido, governo sem partido, movimento sem partido, programa sem partido, revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica sem partido: essas formas diversas de redu&ccedil;&atilde;o do papel hist&oacute;rico do PT devem ser combatidas pela nossa revista.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Uma repartidariza&ccedil;&atilde;o socialista-democr&aacute;tica - e petista - &eacute; fundamental e nossa revista deve estar a esse servi&ccedil;o. Ela tem implica&ccedil;&otilde;es internas de reconstru&ccedil;&atilde;o da identidade do nosso partido, como viemos salientando em nossas confer&ecirc;ncias. Uma conquista fundamental dessa luta - o novo Estatuto do PT - deve merecer toda nossa aten&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o de transformar em pr&aacute;tica uma nova pol&iacute;tica organizativa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Socialismo e democracia s&atilde;o marcas fundadoras da nossa corrente, Democracia Socialista, que precisa elevar-se, ela mesma, ao potencial program&aacute;tico daquilo que historicamente prop&otilde;e. O patamar comum de ativismo em torno a uma tradi&ccedil;&atilde;o mantida pela coes&atilde;o program&aacute;tica e pela democracia interna tem sido exuberante, mas &eacute; insuficiente. Uma corrente marxista-revolucion&aacute;ria deve buscar um n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia no limiar do horizonte ideol&oacute;gico do programa. A revista deve, portanto, ser um instrumento para a pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o da corrente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Uma revista marxista para a revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ao aprovar em sua X Confer&ecirc;ncia Nacional &ldquo;diretrizes de um programa para a revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&rdquo;, a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista do PT prop&ocirc;s para si e em di&aacute;logo com o Partido dos Trabalhadores um novo e promissor per&iacute;odo de possibilidade de fus&atilde;o entre o marxismo revolucion&aacute;rio e a cultura do partido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">As teses aprovadas na X Confer&ecirc;ncia Nacional da DS identificaram um novo per&iacute;odo da luta de classes a partir de quatro vit&oacute;rias estrat&eacute;gicas estabelecidas contra o neoliberalismo no pa&iacute;s e da crise internacional, sem perspectivas de solu&ccedil;&atilde;o no horizonte, do neoliberalismo, como express&atilde;o pol&iacute;tica de um per&iacute;odo de globaliza&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A partir deste diagn&oacute;stico, as teses propuseram o esfor&ccedil;o hist&oacute;rico da constru&ccedil;&atilde;o do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, entendida como um per&iacute;odo de &nbsp;supera&ccedil;&atilde;o dos impasses estruturais capitalistas e dos limites liberais da democratiza&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro, diagnosticados ap&oacute;s os grandes anos de transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil a partir dos governos Lula. Propunha diretrizes exatamente por conceber que a elabora&ccedil;&atilde;o do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica deveria ser fruto da pr&oacute;pria pr&aacute;xis transformadora dos trabalhadores e do povo brasileiro, das mulheres e dos negros, com o protagonismo do PT e das for&ccedil;as de esquerda em seu pluralismo de tradi&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em seu item 14, as teses da X confer&ecirc;ncia conclamavam: &ldquo;Um programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica dialoga e prop&otilde;e a construir um novo ascenso dos movimentos sociais, um novo protagonismo da cidadania ativa, uma nova consci&ecirc;ncia cidad&atilde; afim aos valores do socialismo democr&aacute;tico no Brasil. Este novo e mais alto ascenso reclama um novo ethos socialista democr&aacute;tico do PT e dos partidos da esquerda brasileira, dos pr&oacute;prios movimentos sociais que estruturam este bloco hist&oacute;rico. &Eacute; este novo bloco hist&oacute;rico em forma&ccedil;&atilde;o que pode sustentar um processo de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Brasil&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&Eacute; com este novo ascenso dos valores do socialismo democr&aacute;tico que a funda&ccedil;&atilde;o pela Democracia Socialista de uma revista marxista revolucion&aacute;ria quer se relacionar, como espa&ccedil;o de di&aacute;logo e cria&ccedil;&atilde;o, de teoria e pr&aacute;tica, de tradi&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e abertura para os novos desafios do s&eacute;culo XXI, de reflex&atilde;o sobre a experi&ecirc;ncia nacional e interlocu&ccedil;&atilde;o com as grandes experi&ecirc;ncias internacionais de emancipa&ccedil;&atilde;o em curso, em particular as latino-americanas.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Se os tempos de c&oacute;lera do neoliberalismo foram anos sombrios de resist&ecirc;ncia do socialismo e de uma infinita press&atilde;o sobre as culturas do marxismo, os tempos do p&oacute;s-neoliberalismo podem e devem ser os tempos criativos de um socialismo democr&aacute;tico e de um marxismo revolucion&aacute;rio renovados e enriquecidos em seu esfor&ccedil;o de auto-cr&iacute;tica e reelabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, em sua indigna&ccedil;&atilde;o com as opress&otilde;es capitalistas e em sua esperan&ccedil;a que uma nova ordem mundial &eacute; poss&iacute;vel.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Um marxismo-revolucion&aacute;rio para os tempos do p&oacute;s-neoliberalismo</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Como tend&ecirc;ncia marxista revolucion&aacute;ria, a Democracia Socialista tomou consci&ecirc;ncia logo no in&iacute;cio dos anos noventa, ap&oacute;s a queda da URSS engolfada em uma dire&ccedil;&atilde;o neoliberal, da press&atilde;o inaudita aberta sobre a cultura do socialismo e, em particular, sobre o marxismo enquanto uma teoria explicativa do capitalismo e propositora de sua revolu&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">De acordo com os liberais, o marxismo estaria morto, seria um passado e um erro brutal. Apesar das inten&ccedil;&otilde;es libert&aacute;rias de seu criador, a sua teoria, que os seus desdobramentos hist&oacute;ricos teriam aclarado, seria a principal respons&aacute;vel por legitimar as opress&otilde;es totalit&aacute;rias e seus crimes hist&oacute;ricos contra a humanidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O valor da liberdade e da emancipa&ccedil;&atilde;o que pulsa t&atilde;o forte em toda a obra de Marx e Engels, todas as imensas contribui&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas das tradi&ccedil;&otilde;es marxistas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos direitos que comp&otilde;e o n&uacute;cleo mesmo do que entendemos como conquistas civilizat&oacute;rias da democracia, em todos os campos, dos direitos do trabalho aos direitos da mulher, do direito &agrave; auto-determina&ccedil;&atilde;o nacional &nbsp;&agrave; soberania popular, todas as dignas e riqu&iacute;ssimas tradi&ccedil;&otilde;es anti-estalinistas do marxismo, cl&aacute;ssicas e contempor&acirc;neas, tudo isto foi esquecido neste per&iacute;odo hist&oacute;rico de m&aacute;xima satura&ccedil;&atilde;o liberal, com seus dogmatismos e seu estreitamento intelectual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mas era apenas o in&iacute;cio dos tempos neoliberais, em sua pretens&atilde;o de ter finalizado a hist&oacute;ria, de ser o alfa e o &ocirc;mega da civiliza&ccedil;&atilde;o, de ter proscrito da hist&oacute;ria todas as culturas alternativas ou advers&aacute;rias. Durante este per&iacute;odo, com seu dom&iacute;nio mercantil e de poder pol&iacute;tico, os liberais exerceram com intoler&acirc;ncia e obscurantismo os procedimentos de censura e exclus&atilde;o, de persegui&ccedil;&atilde;o e an&aacute;tema - at&eacute; mesmo ao ponto de &nbsp;reescrever a hist&oacute;ria &ndash; para negar ao marxismo e ao pluralismo de suas tradi&ccedil;&otilde;es o direito &agrave; cidadania cultural.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Nestes tempos de persegui&ccedil;&atilde;o cultural e de crise, muitas editoras marxistas fecharam suas portas, cursos universit&aacute;rios marxistas ou marxizantes foram proscritos, jornais e revistas socialistas sob press&atilde;o deixaram de existir, circuitos internacionais foram interrompidos, tradi&ccedil;&otilde;es de dignidade hist&oacute;rica sofreram descontinuidade. Tornado refr&atilde;o propagand&iacute;stico, o anti-marxismo ocupou totalitariamente a m&iacute;dia empresarial, calou vozes, censurou jornalistas e articulistas, pregou a intoler&acirc;ncia como m&eacute;todo.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em meio a esta press&atilde;o anti-pluralista e intolerante, mesmo os partidos de esquerda, que ainda continuavam a se reclamar das tradi&ccedil;&otilde;es marxistas, at&eacute; &nbsp;as tend&ecirc;ncias que faziam desta rela&ccedil;&atilde;o uma auto-identidade, sofreram graves recuos na organiza&ccedil;&atilde;o interna e p&uacute;blica de sua cultura marxista.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Muitos partidos, movimentos sociais e intelectuais deixaram de ter o marxismo como refer&ecirc;ncia. Pior: muitos ex-marxistas passaram a desafinar o coro do anti-marxismo. Novos movimentos sociais, mesmo alguns que se inscrevem certamente em um horizonte da emancipa&ccedil;&atilde;o e at&eacute; com algumas perspectivas anti-capitalistas, passaram a se nomear como p&oacute;s-marxistas. Jovens militantes socialistas, formados em um tempo de escassez ou retrocessos da cultura marxista, adaptaram-se &agrave; escola do pragmatismo. Mesmo a linguagem p&uacute;blica da esquerda, passou a evitar ou substituir conceitos e termos chaves que compunham a linguagem das correntes marxistas como classes dominantes, explora&ccedil;&atilde;o, aliena&ccedil;&atilde;o, mais-valia, imperialismo, etc. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Como teoria e cultura, no entanto, que nasceu, deu os seus primeiros passos e formou as suas primeiras identidades p&uacute;blicas sob a censura e o ex&iacute;lio, sob a proscri&ccedil;&atilde;o legal e sob brutal repress&atilde;o, o marxismo, em sua hist&oacute;ria, sempre soube sobreviver aos tempos dif&iacute;ceis. Faz parte da sua pr&oacute;pria identidade revolucion&aacute;ria crescer e se enriquecer atrav&eacute;s da crise e da cr&iacute;tica. N&atilde;o foi diferente nos tempos do neoliberalismo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Por tr&ecirc;s raz&otilde;es singulares &agrave; esta &eacute;poca hist&oacute;rica, a cultura do marxismo sobreviveu e se enriqueceu neste per&iacute;odo, alimentando e alimentando-se das lutas de resist&ecirc;ncia ao neoliberalismo:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">- a cultura do marxismo desprendeu-se, de modo mais radical e generalizado, da &acirc;ncora pesada do estalinismo, que por sua irradia&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica longa, havia se difundido e impregnado profundamente a cultura do marxismo nas v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">- a revisita&ccedil;&atilde;o da obra dos fundadores do marxismo se fez com um conhecimento mais hist&oacute;rico e informado de seus limites e, por isso mesmo, de seu imenso potencial emancipat&oacute;rio ainda a ser desenvolvido;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">- o pluralismo da cultura marxista incentivou uma s&eacute;rie de incurs&otilde;es te&oacute;ricas novas sobre realidades emergentes do capitalismo mundial e tamb&eacute;m sobre novas perspectivas anti-capitalistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ao contr&aacute;rio do que pretendeu o chamado &ldquo;pensamento &uacute;nico&rdquo;, a cultura do marxismo nestes princ&iacute;pios de tempos p&oacute;s-neoliberais est&aacute; mais viva do que nunca, pulsa e reclama por um novo per&iacute;odo de desenvolvimento como linguagem da emancipa&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Hoje se conhece mais a obra de Marx (h&aacute; inclusive uma nova edi&ccedil;&atilde;o integral em curso, que amplia em muito o universo de escritos at&eacute; agora dispon&iacute;vel), o seu processo de forma&ccedil;&atilde;o com seus di&aacute;logos e rupturas, as fronteiras de sua pesquisa ao final da sua vida e as tens&otilde;es criativas de sua teoria. Valoriza-se e compreende-se mais a singularidade das contribui&ccedil;&otilde;es de Engels.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Cole&ccedil;&otilde;es, antologias e estudos monogr&aacute;ficos sobre a hist&oacute;ria do marxismo permitem hoje uma vis&atilde;o muito mais ampla, profunda e sistem&aacute;tica sobre a hist&oacute;ria do marxismo e suas rela&ccedil;&otilde;es com os movimentos oper&aacute;rios, com os movimentos feministas e de liberta&ccedil;&atilde;o nacional. Sabe-se hoje muito mais, inclusive com a abertura dos arquivos da antiga URSS, sobre a hist&oacute;ria dos descaminhos da revolu&ccedil;&atilde;o russa sob a &eacute;gide do estalinismo. Em particular, o lugar do marxismo na hist&oacute;ria cultural do mundo pode ser hoje mais avaliado e apreciado.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Os estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre rep&uacute;blica, marxismo e democracia, que devem muito aos desenvolvimentos contempor&acirc;neos da filosofia pol&iacute;tica, em suas tradi&ccedil;&otilde;es do humanismo c&iacute;vico, permitem entender melhor toda a singularidade, a pertin&ecirc;ncia e a reposi&ccedil;&atilde;o plena da atualidade da cr&iacute;tica de Marx ao capitalismo para uma cultura contempor&acirc;nea da emancipa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;Experi&ecirc;ncias inovadoras de democracia participativa e deliberativa, por sua vez, incentivam novas s&iacute;nteses sobre as formas de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica ao socialismo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Novos estudos de longa dura&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e de vis&atilde;o muito ampla e sist&ecirc;mica sobre a forma&ccedil;&atilde;o da chamada modernidade capitalista permitem um olhar renovado sobre as tend&ecirc;ncias atuais do capitalismo. Em particular, toda uma cultura de novos estudos econ&ocirc;micos sobre as dimens&otilde;es de financeiriza&ccedil;&atilde;o do capitalismo possibilitam identificar o centro disruptivo de suas atuais contradi&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, toda uma gama de estudos sociol&oacute;gicos sobre as novas configura&ccedil;&otilde;es das classes trabalhadoras, a partir dos impactos das muta&ccedil;&otilde;es tecnologias recentes, permitem e incentivam reelabora&ccedil;&otilde;es sobre os sujeitos hist&oacute;ricos das transforma&ccedil;&otilde;es.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Amplos desenvolvimentos da cultura do feminismo &ndash; de sua hist&oacute;ria, de suas tradi&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias e populares, de seus questionamentos &agrave; cultura patriarcal, da forma&ccedil;&atilde;o de novos direitos &ndash; cobram e esperam do marxismo revolucion&aacute;rio novas s&iacute;nteses libert&aacute;rias. Sem o di&aacute;logo com a capacidade cr&iacute;tica do marxismo ao capitalismo, inclusive &agrave;s suas estrat&eacute;gias contempor&acirc;neas de opress&atilde;o, nenhuma teoria feminista plena da emancipa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; se construir.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Novos estudos hist&oacute;ricos que permitem entender, de modo mais profundo e central, o impacto da escravid&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista, a elabora&ccedil;&atilde;o de culturas democr&aacute;ticas multiculturais e, principalmente, um est&aacute;gio mais avan&ccedil;ado das lutas dos povos africanos, inclusive com a hist&oacute;rica luta de derrubada do apartheid na &Aacute;frica do Sul, colocam na ordem do dia novas s&iacute;nteses te&oacute;ricas da cultura do marxismo com as tradi&ccedil;&otilde;es de luta anti-racistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sob a press&atilde;o da crise ecol&oacute;gica mundial, uma promissora forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura eco-socialista, como releituras e atualiza&ccedil;&otilde;es da obra de Marx &nbsp;e de cl&aacute;ssicos do marxismo, constituem os elementos de uma nova economia ecol&oacute;gica marxista ou de um marxismo ecol&oacute;gico. A cr&iacute;tica &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do capital, &agrave; sua l&oacute;gica de preda&ccedil;&atilde;o imanente da natureza, da mercantiliza&ccedil;&atilde;o e da privatiza&ccedil;&atilde;o dos bens p&uacute;blicos, de suas crises c&iacute;clicas permitem &agrave;s vertentes marxistas da ecologia diagnosticar mais profundamente os impasses das vertentes liberais ecol&oacute;gicas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Da cr&iacute;tica hist&oacute;rica &agrave; mercantiliza&ccedil;&atilde;o da cultura e da forma&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o mercantis de massa ao diagn&oacute;stico da &ldquo;sociedade do espet&aacute;culo&rdquo; contempor&acirc;nea, passando pela rica tradi&ccedil;&atilde;o dos estudos culturais inspirados no marxismo, formou-se toda uma literatura promissora da democratiza&ccedil;&atilde;o da cultura e da forma&ccedil;&atilde;o de uma opini&atilde;o p&uacute;blica democr&aacute;tica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A luta pelos direitos dos gays, l&eacute;sbiscas e transexuais certamente expandem e trazem novos desafios para certas culturas do marxismo que sempre se propuseram a criar uma nova moral sexual, modos libert&aacute;rios e anti-tradicionalistas de viver.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Um balan&ccedil;o hist&oacute;rico das rela&ccedil;&otilde;es entre as v&aacute;rias teologias da liberta&ccedil;&atilde;o e a cultura do marxismo &eacute; imensamente positivo no sentido de superar certas tend&ecirc;ncias redutoramente racionalistas do marxismo, inaptas a compreender que certos motivos religiosos, certas inst&acirc;ncias da f&eacute;, algumas tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s &nbsp;igualit&aacute;rias ou mesmo cosmol&oacute;gicas, podem formar perspectivas anti-capitalistas e emancipat&oacute;rias. A partir da&iacute;, criou-se todo um rico di&aacute;logo entre marxismo e teologias da liberta&ccedil;&atilde;o, motivadora de novas transcend&ecirc;ncias e reconhecimentos de dignidades. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Por fim, a partir das experi&ecirc;ncias do F&oacute;rum Social Mundial, uma nova agenda de lutas para o s&eacute;culo XXI foi se formando, desde a luta pela paz at&eacute; o direito dos povos &agrave; soberania alimentar, desde a cr&iacute;tica &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es mundiais que dirigem a globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal at&eacute; a experimenta&ccedil;&atilde;o de novas formas comunit&aacute;rias de produzir. Em particular na Am&eacute;rica Latina, experi&ecirc;ncias recentes de governos progressistas t&ecirc;m renovado os programas de unidade latino-americana, mobilizado exig&ecirc;ncias hist&oacute;ricas dos povos origin&aacute;rios da Am&eacute;rica, renovado a rela&ccedil;&atilde;o da cultura do marxismo com as tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas nacionalistas e emancipat&oacute;rias do continente. &nbsp;Na Europa, a crise da social-democracia, em suas vertentes contempor&acirc;neas, tem permitido aflorar novas experi&ecirc;ncias de movimentos sociais, de coaliz&otilde;es de partidos e programas &agrave; esquerda. A cultura e as bases de um novo internacionalismo anti-capitalista, mais plural e multi-continental, parecem estar se formando.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Pela for&ccedil;a social e institucional de seus partidos e correntes de esquerda contempor&acirc;nea, que se formaram nas tradi&ccedil;&otilde;es do anti-estalinismo e sobreviveram aos per&iacute;odos dominados pelo neoliberalismo, pela riqueza das tradi&ccedil;&otilde;es que formam a hist&oacute;ria das lutas dos oprimidos e explorados, pela qualidade de sua hist&oacute;ria intelectual, pela sua inser&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria mundial, ao mesmo tempo europ&eacute;ia, latina, &iacute;ndia e africana, o Brasil &eacute; hoje um lugar prop&iacute;cio para contribui&ccedil;&otilde;es significativas a uma nova s&iacute;ntese do marxismo revolucion&aacute;rio do s&eacute;culo XXI em di&aacute;logo com as experi&ecirc;ncias internacionais de emancipa&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O socialismo petista do s&eacute;culo XXI e o marxismo revolucion&aacute;rio</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No item 3 da Resolu&ccedil;&atilde;o &ldquo;Socialismo petista&rdquo;, aprovada pelo PT em seu 7&ordm; Encontro Nacional em 1990, se afirmava: &ldquo; Outra dimens&atilde;o visceralmente democr&aacute;tica do PT &eacute; o seu pluralismo ideol&oacute;gico-cultural. Somos, de fato, uma s&iacute;ntese de culturas libert&aacute;rias, unidade na diversidade. Conflu&iacute;ram para a cria&ccedil;&atilde;o do PT, como express&atilde;o de sujeitos sociais concretos, mais ou menos institucionalizados, diferentes correntes de pensamento democr&aacute;tico e transformador: o cristianismo social, marxismos v&aacute;rios, socialismos n&atilde;o-marxistas, democratismos radicais, doutrinas laicas de revolu&ccedil;&atilde;o comportamental, etc.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E acrescentava: &ldquo;O ide&aacute;rio do Partido n&atilde;o expressa, unilateralmente, nenhum desses caudais. O PT n&atilde;o possui filosofia oficial. As distintas forma&ccedil;&otilde;es doutrin&aacute;rias convivem em dial&eacute;tica tens&atilde;o, sem preju&iacute;zo de s&iacute;nteses din&acirc;micas no plano da elabora&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica concreta. O que une essas v&aacute;rias culturas pol&iacute;ticas libert&aacute;rias, nem sempre textualmente codificadas, &eacute; o projeto comum de uma nova sociedade, que favore&ccedil;a o fim de toda explora&ccedil;&atilde;o capitalista&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Apoiadora e mesmo co-elaboradora desta hist&oacute;rica resolu&ccedil;&atilde;o do PT, a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista &eacute; certamente a corrente petista marxista revolucion&aacute;ria mais longeva e de maior influ&ecirc;ncia. A sua rela&ccedil;&atilde;o com a tradi&ccedil;&atilde;o do marxismo revolucion&aacute;rio n&atilde;o se d&aacute; no plano da elei&ccedil;&atilde;o de uma doutrina oficial, nem atrav&eacute;s da escolha unilateral e dogm&aacute;tica de uma tradi&ccedil;&atilde;o marxista exclusiva e muito menos na op&ccedil;&atilde;o por uma determinada experi&ecirc;ncia de constru&ccedil;&atilde;o do socialismo tida como paradigm&aacute;tica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na medida em que esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; concebida como um processo hist&oacute;rico em curso de s&iacute;ntese de uma cultura marxista do socialismo democr&aacute;tico, esta identidade &eacute; plural (se reivindica das v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es e autores cl&aacute;ssicos do marxismo anti-estalinista), n&atilde;o dogm&aacute;tica (incentiva uma rela&ccedil;&atilde;o criativa, historicizada e cr&iacute;tica, com estas tradi&ccedil;&otilde;es), praxiol&oacute;gica (ela ser&aacute; desenvolvida em rela&ccedil;&atilde;o com as lutas anti-capitalistas e libert&aacute;rias do PT e dos movimentos sociais) e principalmente dialogal ( estabelece uma intera&ccedil;&atilde;o permanente com outras experi&ecirc;ncias e tradi&ccedil;&otilde;es emancipat&oacute;rias).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Da&iacute; que a defesa e desenvolvimento das tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio no interior do PT &eacute; para a DS, sem atribuir-se o monop&oacute;lio ou o exclusivo desta miss&atilde;o, um imperativo da sua pr&oacute;pria identidade e raz&atilde;o de ser. A pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o da DS com o PT pode e deve ser pensada a partir dos diferentes per&iacute;odos desta rela&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Como corrente nacional, o seu nascimento &eacute; praticamente simult&acirc;neo ao nascimento do PT. Podemos identificar a&iacute;, ent&atilde;o, um primeiro momento gen&eacute;tico: iniciava-se a rela&ccedil;&atilde;o entre a DS como corrente marxista- revolucion&aacute;ria e a constru&ccedil;&atilde;o do PT como partido classista, tendencialmente socialista e revolucion&aacute;rio.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O per&iacute;odo entre a funda&ccedil;&atilde;o do PT e o documento Socialismo Petista, de 1990, pode e deve ser compreendido como o de uma rela&ccedil;&atilde;o virtuosa entre o PT e o marxismo revolucion&aacute;rio. O contexto de grande ascenso das lutas classistas, a rela&ccedil;&atilde;o forte do PT com os movimentos sociais em um marco de institucionaliza&ccedil;&atilde;o inicial, o pr&oacute;prio posicionamento hist&oacute;rico decisivamente cr&iacute;tico &agrave; transi&ccedil;&atilde;o conservadora que culminou na campanha &eacute;pica de Lula &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 1989, formaram uma cultura do PT receptiva ao desenvolvimento de teses e conceitos caros ao marxismo revolucion&aacute;rio. No&ccedil;&otilde;es como auto-determina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, poder popular, programa marcado por reformas estruturais de sentido anti-capitalista em uma din&acirc;mica de revolu&ccedil;&atilde;o permanente, feminismo, solidariedade internacionalista aos processos revolucion&aacute;rios em curso, foram amplamente desenvolvidas nos Congressos petistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">J&aacute; o per&iacute;odo entre 1990 e 2002, quando a coaliz&atilde;o liderada pelo PT chega ao governo central do pa&iacute;s, pode ser caracterizado como de disputa de rumos estrat&eacute;gicos do PT. Neste per&iacute;odo, marcado internacionalmente pela massifica&ccedil;&atilde;o da crise do socialismo e pelo dom&iacute;nio do neoliberalismo, acabou prevalecendo, a partir de meados dos anos noventa, uma dire&ccedil;&atilde;o que afirmava nitidamente a prioridade do caminho da disputa institucional, o alargamento das alian&ccedil;as do PT para al&eacute;m dos marcos da esquerda mas tamb&eacute;m um horizonte program&aacute;tico de resist&ecirc;ncia &agrave;s pol&iacute;ticas neoliberais. Houve neste per&iacute;odo, sem d&uacute;vida, rebaixamento da cultura socialista do PT e, de forma mais clara, da presen&ccedil;a das culturas marxistas em seu interior. &nbsp;Assumiu neste quadro grande import&acirc;ncia uma s&eacute;rie de semin&aacute;rios realizados pela Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo sobre a atualiza&ccedil;&atilde;o do socialismo petista. Em meio a contradi&ccedil;&otilde;es, o PT reafirmava, a partir de seus la&ccedil;os aprofundados e mais nacionalizados com os movimentos dos trabalhadores e setores populares, a sua condi&ccedil;&atilde;o de principal p&uacute;blica refer&ecirc;ncia da esquerda brasileira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">De 2003 at&eacute; hoje, o PT continua a expressar valores de esquerda, embora em um quadro de forte institucionaliza&ccedil;&atilde;o da vida do partido e de crescimento do pragmatismo, tens&otilde;es obviamente decorrentes de sua condi&ccedil;&atilde;o de governar um pa&iacute;s no seio de um estado capitalista, portanto profundamente marcado por institui&ccedil;&otilde;es e leis liberais e conservadoras. Neste quadro, foram muito importantes as resolu&ccedil;&otilde;es do III Congresso do PT em 2007, reafirmando que &ldquo;as riquezas da humanidade s&atilde;o uma cria&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, coletiva e social&rdquo; e que &ldquo;o socialismo que almejamos s&oacute; existir&aacute; com efetiva democracia econ&ocirc;mica. Dever&aacute; organizar-se, portanto, a partir da propriedade social dos meios de produ&ccedil;&atilde;o.&rdquo; E tamb&eacute;m a resolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do IV Congresso Nacional Extraordin&aacute;rio, realizado em 2011, a qual afirma que o partido deve &ldquo;aprofundar seu compromisso com outra vis&atilde;o de mundo e com outro modelo de desenvolvimento, reafirmando a defesa da constru&ccedil;&atilde;o do socialismo.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ao defender para o PT a tarefa central de desenvolver o programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, o que a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista est&aacute; propondo &eacute; inaugurar um novo per&iacute;odo de fus&atilde;o entre a cultura petista e o marxismo revolucion&aacute;rio.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e o marxismo revolucion&aacute;rio</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A retomada e o desenvolvimento de um corpo te&oacute;rico que tem nas tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio a sua raiz &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o pleno desenvolvimento de um programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Esta condi&ccedil;&atilde;o de necessidade - que n&atilde;o tergiversa sobre a atualidade do marxismo revolucion&aacute;rio - &nbsp;n&atilde;o &eacute; uma declara&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica: ela pode ser demonstrada por tr&ecirc;s raz&otilde;es substantivas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em primeiro lugar, o marxismo revolucion&aacute;rio originou-se e tem por voca&ccedil;&atilde;o uma busca de totalidade &ndash; que est&aacute; no centro de sua condi&ccedil;&atilde;o potencialmente hegem&ocirc;nica &ndash; que concebe a unidade da hist&oacute;ria em suas dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas, culturais e sociais, propondo-lhes a constru&ccedil;&atilde;o de um sentido din&acirc;mico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ora, a coincid&ecirc;ncia entre a crise do socialismo e da cultura do marxismo e o dom&iacute;nio neoliberal provocou uma fort&iacute;ssima e ainda n&atilde;o superada cis&atilde;o entre as v&aacute;rias dimens&otilde;es da emancipa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; hoje um abismo n&atilde;o superado entre novos movimento sociais e partidos, entre lutas institucionais e lutas culturais, entre reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e lutas pela democratiza&ccedil;&atilde;o do poder. Formaram-se, no contexto destas cis&otilde;es, culturas da emancipa&ccedil;&atilde;o que dialogam pouco entre si ou que t&ecirc;m encontrado dificuldades recorrentes para convergir. Din&acirc;micas parciais e estanques acabaram criando tradi&ccedil;&otilde;es organizativas pr&oacute;prias. Novas teses passaram a transformar esta din&acirc;mica de cis&atilde;o em virtude, propondo horizontes de transforma&ccedil;&atilde;o social descentrados da disputa do pr&oacute;prio poder.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Precisamos de uma teoria coerente e unificadora da emancipa&ccedil;&atilde;o e para isto &nbsp;os conceitos e rela&ccedil;&otilde;es de sentido desenvolvidas pelo marxismo revolucion&aacute;rio s&atilde;o fundamentais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Em segundo lugar, a cultura do socialismo democr&aacute;tico n&atilde;o pode prescindir do conceito chave de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que deve contribuir para toda uma nova fase de desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio. Este conceito democr&aacute;tico de revolu&ccedil;&atilde;o pode vir a ser ant&iacute;doto e supera&ccedil;&atilde;o dos impasses hist&oacute;ricos na constru&ccedil;&atilde;o do socialismo, quando revolu&ccedil;&otilde;es anti-capitalistas n&atilde;o conseguiram criar uma nova din&acirc;mica real de socializa&ccedil;&atilde;o do poder.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Se em sua primeira fase de formula&ccedil;&atilde;o, o marxismo revolucion&aacute;rio, na &eacute;poca de seus fundadores, n&atilde;o p&ocirc;de se relacionar com a atualidade plena da revolu&ccedil;&atilde;o, a partir do impasse reformista da II Internacional e da degenera&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o russa, o marxismo revolucion&aacute;rio p&ocirc;de desenvolver a sua identidade defendendo, ao mesmo tempo, a revolu&ccedil;&atilde;o social e a revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o combate ao capitalismo e a luta pela supera&ccedil;&atilde;o da burocracia ou autonomiza&ccedil;&atilde;o do poder revolucion&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o a seus fundamentos democr&aacute;ticos. A no&ccedil;&atilde;o de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica pode ser vista como consci&ecirc;ncia e ant&iacute;doto contra a perda de sentido emancipat&oacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o, em um sentido cr&iacute;tico e negativo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Isto foi decisivo para a constru&ccedil;&atilde;o do PT, pois foi a conflu&ecirc;ncia das v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es anti-estalinistas que formaram o partido que possibilitou a sua sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica frente &agrave; crise final da URSS. Nesta conjuntura, o partido p&ocirc;de, ent&atilde;o, coerentemente reafirmar a sua proposta de um socialismo democr&aacute;tico. Partidos que ainda carregavam em sua tradi&ccedil;&atilde;o a heran&ccedil;a estalinista, mesmo j&aacute; em processo avan&ccedil;ado de cr&iacute;tica como no caso do eurocomunismo italiano, n&atilde;o conseguiram resistir: ao expor a dignidade fraturada de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, foram conduzidos a dar raz&atilde;o hist&oacute;rica ao liberalismo democr&aacute;tico, perdendo a raiz de sua identidade de esquerda.&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Agora, o desafio &eacute; o desenvolvimento afirmativo do conceito de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Atrav&eacute;s do marxismo revolucion&aacute;rio, &eacute; poss&iacute;vel compreender que a democracia n&atilde;o &eacute; um valor universal no sentido de que ela foi historicamente reinterpretada pelo liberalismo, que tornou-se a vis&atilde;o de mundo dominante nos pa&iacute;ses capitalistas centrais. Atrav&eacute;s do conceito de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; poss&iacute;vel desenvolver uma din&acirc;mica que coloca em quest&atilde;o os limites intranspon&iacute;veis que o liberalismo imp&otilde;e &agrave; liberdade, &agrave; universaliza&ccedil;&atilde;o sim&eacute;trica dos direitos, &agrave; justi&ccedil;a social, &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o das mulheres e &agrave; conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica dos povos em rela&ccedil;&atilde;o de m&uacute;tuo respeito e dignidade. Enfim, para desenvolver plenamente a liberdade e a democracia &eacute; preciso fazer o contr&aacute;rio do que se acomodar aos valores, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, &agrave; ordem dos direitos e deveres, pregados pelas correntes liberais, em seu pluralismo hist&oacute;rico e doutrin&aacute;rio. &Eacute; preciso, pois, superar os limites liberais da democracia em uma dire&ccedil;&atilde;o socialista, no sentido de criar uma liberdade qualitativamente profunda, plural, universal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mas h&aacute; uma terceira raz&atilde;o para defender a firme opini&atilde;o de que a retomada e o desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio &eacute; fundamental para desenvolver o programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. &Eacute; porque apenas atrav&eacute;s das tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo &eacute; poss&iacute;vel desenvolver uma an&aacute;lise e uma perspectiva internacional dos desenvolvimentos do capitalismo enquanto sistema mundial. As d&eacute;cadas da globaliza&ccedil;&atilde;o financeira, para al&eacute;m de seus mitos, corresponderam efetivamente a uma maior integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, financeira e cultural do mundo. A dial&eacute;tica entre emancipa&ccedil;&atilde;o nacional e emancipa&ccedil;&atilde;o internacional ganhou certamente uma rela&ccedil;&atilde;o mais combinada embora tamb&eacute;m mais desigual.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Na experi&ecirc;ncia de governar o Brasil, na reiterada internacionaliza&ccedil;&atilde;o das conjunturas, na evolu&ccedil;&atilde;o muito n&iacute;tida das conjunturas pol&iacute;ticas, inclusive no plano continental, fica claro que a perspectiva internacional n&atilde;o est&aacute; apenas no horizonte da emancipa&ccedil;&atilde;o mas est&aacute; inserida mesmo em sua din&acirc;mica. H&aacute; certamente uma rela&ccedil;&atilde;o de efeito m&uacute;tuo entre o prec&aacute;rio desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio nos anos recentes e os impasses da experi&ecirc;ncia internacionalista do F&oacute;rum Social Mundial. Como experi&ecirc;ncia rica de di&aacute;logo, encontro e converg&ecirc;ncias, o F&oacute;rum Social Mundial teve e tem que enfrentar as cis&otilde;es das culturas anti-capitalistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Defender a centralidade do marxismo revolucion&aacute;rio para o desenvolvimento do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; advogar, de forma auto-proclamada, a sua raz&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, &eacute; na medida mesmo que souber dialogar, atrav&eacute;s do pluralismo de &nbsp;suas tradi&ccedil;&otilde;es, com &nbsp;as vertentes do eco-socialismo, dos feminismos radicais e anti-capitalistas, dos movimentos antirracistas, dos movimentos sociais comunitaristas e anti-mercantis, com as correntes da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o, com as experi&ecirc;ncia radicais de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, com as novas configura&ccedil;&otilde;es internacionalistas, que este marxismo revolucion&aacute;rio pode exercer a sua pot&ecirc;ncia hist&oacute;rica de s&iacute;ntese, de unidade na diversidade, de hegemonia no pluralismo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Cinco fundamentos e um futuro</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A partir destas considera&ccedil;&otilde;es, seria poss&iacute;vel elencar cinco fundamentos centrais para a cria&ccedil;&atilde;o de uma revista marxista revolucion&aacute;ria hoje.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O primeiro fundamento &eacute; o da identidade: neste per&iacute;odo ainda marcado pro graves retrocessos da cultura p&uacute;blica do marxismo e de larga difus&atilde;o do pragmatismo na cultura do PT, &eacute; fundamental firmar a identidade da revista como de uma tend&ecirc;ncia historicamente vinculada ao PT e, ao mesmo tempo, marxista revolucion&aacute;ria. Isto &eacute;, que se proclama marxista revolucion&aacute;ria exatamente por ser construtora do PT desde as suas origens. H&aacute; aqui um valor para a pr&oacute;pria cultura socialista democr&aacute;tica do PT; mas h&aacute; tamb&eacute;m um valor necessariamente cr&iacute;tico &agrave;s correntes sect&aacute;rias que se servem muitas vezes doutrinariamente do marxismo para negar o imenso valor hist&oacute;rico de esquerda do PT, n&atilde;o apenas para os trabalhadores do Brasil mas do mundo inteiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O segundo fundamento &eacute; o sentido praxiol&oacute;gico da revista: ela n&atilde;o pretende ser uma revista de teoria marxista, em um sentido prioritariamente acad&ecirc;mico ou historicamente descentrado, mas exatamente o inverso. Inserida na rica tradi&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica petista, a sua agenda priorit&aacute;ria, o seu trabalho coletivo de elabora&ccedil;&atilde;o, os seus di&aacute;logos ser&atilde;o voltados exatamente para o desenvolvimento do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Brasil. &Eacute; ao procurar responder aos problemas hist&oacute;ricos da transforma&ccedil;&atilde;o no Brasil que a revista poder&aacute; ir desenvolvendo uma teoria coerente da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, em di&aacute;logo com a tradi&ccedil;&atilde;o e com as experi&ecirc;ncias internacionais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O terceiro fundamento &eacute; o sentido plural e dialogal da revista: ancorada na tradi&ccedil;&atilde;o da tend&ecirc;ncia Democracia Socialista, ela buscar&aacute; sempre o di&aacute;logo, a interlocu&ccedil;&atilde;o, a pol&ecirc;mica construtiva, a colabora&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica com os militantes e intelectuais marxistas e com os propositores de uma perspectiva do socialismo democr&aacute;tico. Este di&aacute;logo ser&aacute; feito prioritariamente com os companheiros do partido. Nem todo o espectro do marxismo revolucion&aacute;rio nem todos os militantes socialistas, no entanto, se inserem organicamente no PT e, a partir de sua identidade petista, a revista buscar&aacute; tamb&eacute;m a contribui&ccedil;&atilde;o destes companheiros e companheiras.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O quarto fundamento &eacute; o car&aacute;ter internacionalista da revista: sem estarem vinculados organicamente, h&aacute; muitos partidos, correntes e movimentos socialistas hoje no mundo, em particular na Am&eacute;rica Latina. N&uacute;cleos de estudos marxistas, vinculados a revistas independentes e a universidades ou funda&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se fazem presentes. Dentro dos marcos das rela&ccedil;&otilde;es internacionais do PT, diversos n&iacute;veis de conhecimento, coopera&ccedil;&atilde;o ou di&aacute;logo podem se estabelecer, naturalmente a partir de aproxima&ccedil;&otilde;es e de perspectivas comuns.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O quinto fundamento &eacute; contribuir para a continuidade e renova&ccedil;&atilde;o &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio. Como a revista n&atilde;o se prop&otilde;e a inaugurar uma tradi&ccedil;&atilde;o mas identificar a sua descontinuidade, estabelecer pontes entre o passado e o futuro, encorpar e colorir os sentidos das experi&ecirc;ncias vividas, fazer o cultivo da mem&oacute;ria, presentificar vidas e pensamentos revolucion&aacute;rios, ela ter&aacute; sempre o trabalho de revisitar as tradi&ccedil;&otilde;es. H&aacute; o diagn&oacute;stico, pela for&ccedil;a corrosiva dos tempos neoliberais rec&eacute;m vividos, de um d&eacute;ficit p&uacute;blico da dignidade e intelig&ecirc;ncia hist&oacute;rica do marxismo revolucion&aacute;rio e do socialismo democr&aacute;tico. A dignidade e intelig&ecirc;ncia desta revista estar&aacute; sempre exposta &agrave; dignidade e intelig&ecirc;ncia da tradi&ccedil;&atilde;o que visa encarnar e atualizar.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Cumprido o desafio de reunir estes cinco fundamentos, n&atilde;o temos d&uacute;vida que a revista que ora se inicia poder&aacute; vir a ser um marco hist&oacute;rico da luta pelo socialismo democr&aacute;tico no Brasil e no mundo.&nbsp;</div>
<p style="text-align: justify;">Ser&aacute; lan&ccedil;ada oficialmente no pr&oacute;ximo dia 24 a revista impressa da Democracia Socialista. O lan&ccedil;amento acontecer&aacute; no Hotel San Michel (Largo do Arouche, 200), que fica na regi&atilde;o central da cidade de S&atilde;o Paulo, &agrave;s 18h.<br /><br />Esse material dever&aacute; &ldquo;cumprir o papel de alimentar debates estrat&eacute;gicos, reflex&otilde;es mais aprofundadas e de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo; da DS, como ficou acordado na resolu&ccedil;&atilde;o da X Confer&ecirc;ncia Nacional da DS.<br /><br />Ap&oacute;s um per&iacute;odo de consulta a respeito do nome da publica&ccedil;&atilde;o, optou-se pela simplicidade e por um nome de associa&ccedil;&atilde;o direta &agrave; corrente. Com isso, a publica&ccedil;&atilde;o foi batizada como &ldquo;Revista Democracia Socialista&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os t&oacute;picos abordados no primeiro n&uacute;mero teremos uma reflex&atilde;o sobre o PT, a DS e o direito de tend&ecirc;ncia, um artigo sobre a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil diante da crise mundial e um texto sobre a dimens&atilde;o antirracista na constru&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica brasileira.&nbsp;<br /><br /><strong>Leia abaixo o texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da revista</strong><br /><br />A revista da Democracia Socialista pretende organizar um debate program&aacute;tico sobre os rumos da Revolu&ccedil;&atilde;o Brasileira. Neste sentido, insere-se numa trajet&oacute;ria e busca resgatar a tradi&ccedil;&atilde;o marxista e revolucion&aacute;ria da qual nos reivindicamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />Nestes &uacute;ltimos dez anos ousamos dizer que tentamos produzir uma teoria revolucion&aacute;ria em tempos n&atilde;o revolucion&aacute;rios. Partimos de uma tradi&ccedil;&atilde;o onde o conceito de disputa do poder (e n&atilde;o s&oacute; "pelo poder") pressup&otilde;e a constru&ccedil;&atilde;o de partidos socialistas revolucion&aacute;rios. Mantemos a firme convic&ccedil;&atilde;o que para destruir o velho sistema &eacute; necess&aacute;rio conquistar o poder pol&iacute;tico, em um processo democr&aacute;tico em que a natureza mesma desse poder seja colocada em quest&atilde;o.<br /><br />Para desenvolver uma teoria revolucion&aacute;ria &eacute; preciso ter um terreno social. No nosso caso, esse terreno &eacute;, sobretudo, a experi&ecirc;ncia brasileira, sem isol&aacute;-la de suas rela&ccedil;&otilde;es com outras. &Eacute; poss&iacute;vel buscar universalidades a partir de uma experi&ecirc;ncia concreta e, ao mesmo tempo, buscar contrapontos e aproxima&ccedil;&otilde;es com o debate internacionalista. Nossa contribui&ccedil;&atilde;o funda-se na compreens&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; teoria sem pr&aacute;tica pol&iacute;tica, praxis, que precisa partir de acontecimentos hist&oacute;ricos e da inser&ccedil;&atilde;o ativa neles. Essa vis&atilde;o n&atilde;o &eacute; exclusivista: felizmente, desde a nossa origem, n&atilde;o nos consideramos os &uacute;nicos a desenvolver o marxismo, nem no Brasil e nem, muito menos, no mundo.<br /><br />O primeiro ponto de uma contribui&ccedil;&atilde;o a uma teoria revolucion&aacute;ria, a partir do Brasil, &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o de partido, a constru&ccedil;&atilde;o do PT como partido socialista e revolucion&aacute;rio. Essa grande experi&ecirc;ncia nos fez nascer e crescer, nos mostrou impasses e temos desafios a responder em torno a ela. Desenvolvemos uma concep&ccedil;&atilde;o, ao longo dos anos de funda&ccedil;&atilde;o e implanta&ccedil;&atilde;o do PT, de que a constru&ccedil;&atilde;o de um partido revolucion&aacute;rio no Brasil basear-se-ia em um partido de classe e de massas e na constru&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea de uma corrente marxista-revolucion&aacute;ria no seu interior. Hoje temos o desafio de enfrentar impasses e explorar potencialidades dessa constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica-pr&aacute;tica.<br /><br />A conquista da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 2002 nos apresentou novos dilemas, mas em meio a novas potencialidades. A recomposi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social da classe trabalhadora e os v&iacute;nculos dela com o PT, manifestados sobretudo pela via eleitoral, &eacute; o fator objetivo mais favor&aacute;vel &agrave; concep&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria que defendemos.<br /><br />A crise do neoliberalismo reacende centelhas e ati&ccedil;a a nossa esperan&ccedil;a revolucion&aacute;ria. O pensamento &uacute;nico ruiu, a globaliza&ccedil;&atilde;o encalhou. Entendemos a abertura de um novo per&iacute;odo que permite retomar ousadias ut&oacute;picas. Permite propor a luta pela hegemonia do socialismo democr&aacute;tico nas transforma&ccedil;&otilde;es em curso no pa&iacute;s, na esquerda e no PT.<br /><br />Sendo o PT dirigente do governo brasileiro, exige pensar a transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil, o que chamamos de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. A quest&atilde;o fundamental &eacute; combinar reformas com a forma&ccedil;&atilde;o dos sujeitos revolucion&aacute;rios da transforma&ccedil;&atilde;o, vale dizer, com a hegemonia socialista-democr&aacute;tica. Nossa revista deve evidenciar e denunciar o estreitamento conservador da democracia pol&iacute;tica brasileira em contradi&ccedil;&atilde;o profunda com a amplia&ccedil;&atilde;o da base social de uma democracia real em potencial. A luta pelo aprofundamento da democracia e pela democracia direta e participativa &eacute; orientadora do que fazemos. E sem ela &eacute; imposs&iacute;vel propor supera&ccedil;&otilde;es dos limites atuais. A democracia - socialista em sua perspectiva - organiza nossa abordagem face &agrave; sociedade, ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, ao fortalecimento social da classe trabalhadora, &agrave; disputa dos setores m&eacute;dios, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. A constru&ccedil;&atilde;o dos sujeitos da revolu&ccedil;&atilde;o social exige o combate pela democracia direta e participativa. Democracia direta e participativa liga-se &agrave; luta pela igualdade, questiona mudan&ccedil;as estanques e apenas indiretas, questiona a hip&oacute;tese de uma revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica passiva.<br /><br />Isso j&aacute; delineia um amplo campo de trabalho para a revista.<br /><br />Ele tamb&eacute;m se relaciona com contrapontos cr&iacute;ticos necess&aacute;rios a uma despartidariza&ccedil;&atilde;o que corroeu nosso meio. O PT passou a ser considerado por muitos uma esp&eacute;cie de instrumento &uacute;til, incapaz de ser sujeito. Pol&iacute;tica sem partido, governo sem partido, movimento sem partido, programa sem partido, revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica sem partido: essas formas diversas de redu&ccedil;&atilde;o do papel hist&oacute;rico do PT devem ser combatidas pela nossa revista.<br /><br />Uma repartidariza&ccedil;&atilde;o socialista-democr&aacute;tica - e petista - &eacute; fundamental e nossa revista deve estar a esse servi&ccedil;o. Ela tem implica&ccedil;&otilde;es internas de reconstru&ccedil;&atilde;o da identidade do nosso partido, como viemos salientando em nossas confer&ecirc;ncias. Uma conquista fundamental dessa luta - o novo Estatuto do PT - deve merecer toda nossa aten&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;o de transformar em pr&aacute;tica uma nova pol&iacute;tica organizativa.<br /><br />Socialismo e democracia s&atilde;o marcas fundadoras da nossa corrente, Democracia Socialista, que precisa elevar-se, ela mesma, ao potencial program&aacute;tico daquilo que historicamente prop&otilde;e. O patamar comum de ativismo em torno a uma tradi&ccedil;&atilde;o mantida pela coes&atilde;o program&aacute;tica e pela democracia interna tem sido exuberante, mas &eacute; insuficiente. Uma corrente marxista-revolucion&aacute;ria deve buscar um n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia no limiar do horizonte ideol&oacute;gico do programa. A revista deve, portanto, ser um instrumento para a pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o da corrente.<br /><br /><strong>Uma revista marxista para a revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica</strong><br /><br />Ao aprovar em sua X Confer&ecirc;ncia Nacional &ldquo;diretrizes de um programa para a revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&rdquo;, a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista do PT prop&ocirc;s para si e em di&aacute;logo com o Partido dos Trabalhadores um novo e promissor per&iacute;odo de possibilidade de fus&atilde;o entre o marxismo revolucion&aacute;rio e a cultura do partido.<br /><br />As teses aprovadas na X Confer&ecirc;ncia Nacional da DS identificaram um novo per&iacute;odo da luta de classes a partir de quatro vit&oacute;rias estrat&eacute;gicas estabelecidas contra o neoliberalismo no pa&iacute;s e da crise internacional, sem perspectivas de solu&ccedil;&atilde;o no horizonte, do neoliberalismo, como express&atilde;o pol&iacute;tica de um per&iacute;odo de globaliza&ccedil;&atilde;o.<br /><br />A partir deste diagn&oacute;stico, as teses propuseram o esfor&ccedil;o hist&oacute;rico da constru&ccedil;&atilde;o do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, entendida como um per&iacute;odo de &nbsp;supera&ccedil;&atilde;o dos impasses estruturais capitalistas e dos limites liberais da democratiza&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro, diagnosticados ap&oacute;s os grandes anos de transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil a partir dos governos Lula. Propunha diretrizes exatamente por conceber que a elabora&ccedil;&atilde;o do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica deveria ser fruto da pr&oacute;pria pr&aacute;xis transformadora dos trabalhadores e do povo brasileiro, das mulheres e dos negros, com o protagonismo do PT e das for&ccedil;as de esquerda em seu pluralismo de tradi&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias.<br /><br />Em seu item 14, as teses da X confer&ecirc;ncia conclamavam: &ldquo;Um programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica dialoga e prop&otilde;e a construir um novo ascenso dos movimentos sociais, um novo protagonismo da cidadania ativa, uma nova consci&ecirc;ncia cidad&atilde; afim aos valores do socialismo democr&aacute;tico no Brasil. Este novo e mais alto ascenso reclama um novo ethos socialista democr&aacute;tico do PT e dos partidos da esquerda brasileira, dos pr&oacute;prios movimentos sociais que estruturam este bloco hist&oacute;rico. &Eacute; este novo bloco hist&oacute;rico em forma&ccedil;&atilde;o que pode sustentar um processo de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Brasil&rdquo;.<br /><br />&Eacute; com este novo ascenso dos valores do socialismo democr&aacute;tico que a funda&ccedil;&atilde;o pela Democracia Socialista de uma revista marxista revolucion&aacute;ria quer se relacionar, como espa&ccedil;o de di&aacute;logo e cria&ccedil;&atilde;o, de teoria e pr&aacute;tica, de tradi&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria e abertura para os novos desafios do s&eacute;culo XXI, de reflex&atilde;o sobre a experi&ecirc;ncia nacional e interlocu&ccedil;&atilde;o com as grandes experi&ecirc;ncias internacionais de emancipa&ccedil;&atilde;o em curso, em particular as latino-americanas.<br /><br />Se os tempos de c&oacute;lera do neoliberalismo foram anos sombrios de resist&ecirc;ncia do socialismo e de uma infinita press&atilde;o sobre as culturas do marxismo, os tempos do p&oacute;s-neoliberalismo podem e devem ser os tempos criativos de um socialismo democr&aacute;tico e de um marxismo revolucion&aacute;rio renovados e enriquecidos em seu esfor&ccedil;o de auto-cr&iacute;tica e reelabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, em sua indigna&ccedil;&atilde;o com as opress&otilde;es capitalistas e em sua esperan&ccedil;a que uma nova ordem mundial &eacute; poss&iacute;vel.<br /><br /><strong>Um marxismo-revolucion&aacute;rio para os tempos do p&oacute;s-neoliberalismo</strong><br /><br />Como tend&ecirc;ncia marxista revolucion&aacute;ria, a Democracia Socialista tomou consci&ecirc;ncia logo no in&iacute;cio dos anos noventa, ap&oacute;s a queda da URSS engolfada em uma dire&ccedil;&atilde;o neoliberal, da press&atilde;o inaudita aberta sobre a cultura do socialismo e, em particular, sobre o marxismo enquanto uma teoria explicativa do capitalismo e propositora de sua revolu&ccedil;&atilde;o.<br /><br />De acordo com os liberais, o marxismo estaria morto, seria um passado e um erro brutal. Apesar das inten&ccedil;&otilde;es libert&aacute;rias de seu criador, a sua teoria, que os seus desdobramentos hist&oacute;ricos teriam aclarado, seria a principal respons&aacute;vel por legitimar as opress&otilde;es totalit&aacute;rias e seus crimes hist&oacute;ricos contra a humanidade.<br /><br />O valor da liberdade e da emancipa&ccedil;&atilde;o que pulsa t&atilde;o forte em toda a obra de Marx e Engels, todas as imensas contribui&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas das tradi&ccedil;&otilde;es marxistas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos direitos que comp&otilde;e o n&uacute;cleo mesmo do que entendemos como conquistas civilizat&oacute;rias da democracia, em todos os campos, dos direitos do trabalho aos direitos da mulher, do direito &agrave; auto-determina&ccedil;&atilde;o nacional &nbsp;&agrave; soberania popular, todas as dignas e riqu&iacute;ssimas tradi&ccedil;&otilde;es anti-estalinistas do marxismo, cl&aacute;ssicas e contempor&acirc;neas, tudo isto foi esquecido neste per&iacute;odo hist&oacute;rico de m&aacute;xima satura&ccedil;&atilde;o liberal, com seus dogmatismos e seu estreitamento intelectual.<br /><br />Mas era apenas o in&iacute;cio dos tempos neoliberais, em sua pretens&atilde;o de ter finalizado a hist&oacute;ria, de ser o alfa e o &ocirc;mega da civiliza&ccedil;&atilde;o, de ter proscrito da hist&oacute;ria todas as culturas alternativas ou advers&aacute;rias. Durante este per&iacute;odo, com seu dom&iacute;nio mercantil e de poder pol&iacute;tico, os liberais exerceram com intoler&acirc;ncia e obscurantismo os procedimentos de censura e exclus&atilde;o, de persegui&ccedil;&atilde;o e an&aacute;tema - at&eacute; mesmo ao ponto de reescrever a hist&oacute;ria &ndash; para negar ao marxismo e ao pluralismo de suas tradi&ccedil;&otilde;es o direito &agrave; cidadania cultural.<br /><br />Nestes tempos de persegui&ccedil;&atilde;o cultural e de crise, muitas editoras marxistas fecharam suas portas, cursos universit&aacute;rios marxistas ou marxizantes foram proscritos, jornais e revistas socialistas sob press&atilde;o deixaram de existir, circuitos internacionais foram interrompidos, tradi&ccedil;&otilde;es de dignidade hist&oacute;rica sofreram descontinuidade. Tornado refr&atilde;o propagand&iacute;stico, o anti-marxismo ocupou totalitariamente a m&iacute;dia empresarial, calou vozes, censurou jornalistas e articulistas, pregou a intoler&acirc;ncia como m&eacute;todo.<br /><br />Em meio a esta press&atilde;o anti-pluralista e intolerante, mesmo os partidos de esquerda, que ainda continuavam a se reclamar das tradi&ccedil;&otilde;es marxistas, at&eacute; &nbsp;as tend&ecirc;ncias que faziam desta rela&ccedil;&atilde;o uma auto-identidade, sofreram graves recuos na organiza&ccedil;&atilde;o interna e p&uacute;blica de sua cultura marxista.<br /><br />Muitos partidos, movimentos sociais e intelectuais deixaram de ter o marxismo como refer&ecirc;ncia. Pior: muitos ex-marxistas passaram a desafinar o coro do anti-marxismo. Novos movimentos sociais, mesmo alguns que se inscrevem certamente em um horizonte da emancipa&ccedil;&atilde;o e at&eacute; com algumas perspectivas anti-capitalistas, passaram a se nomear como p&oacute;s-marxistas. Jovens militantes socialistas, formados em um tempo de escassez ou retrocessos da cultura marxista, adaptaram-se &agrave; escola do pragmatismo. Mesmo a linguagem p&uacute;blica da esquerda, passou a evitar ou substituir conceitos e termos chaves que compunham a linguagem das correntes marxistas como classes dominantes, explora&ccedil;&atilde;o, aliena&ccedil;&atilde;o, mais-valia, imperialismo, etc.<br /><br />Como teoria e cultura, no entanto, que nasceu, deu os seus primeiros passos e formou as suas primeiras identidades p&uacute;blicas sob a censura e o ex&iacute;lio, sob a proscri&ccedil;&atilde;o legal e sob brutal repress&atilde;o, o marxismo, em sua hist&oacute;ria, sempre soube sobreviver aos tempos dif&iacute;ceis. Faz parte da sua pr&oacute;pria identidade revolucion&aacute;ria crescer e se enriquecer atrav&eacute;s da crise e da cr&iacute;tica. N&atilde;o foi diferente nos tempos do neoliberalismo.<br /><br />Por tr&ecirc;s raz&otilde;es singulares &agrave; esta &eacute;poca hist&oacute;rica, a cultura do marxismo sobreviveu e se enriqueceu neste per&iacute;odo, alimentando e alimentando-se das lutas de resist&ecirc;ncia ao neoliberalismo:<br /><br />- a cultura do marxismo desprendeu-se, de modo mais radical e generalizado, da &acirc;ncora pesada do estalinismo, que por sua irradia&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica longa, havia se difundido e impregnado profundamente a cultura do marxismo nas v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo;<br /><br />- a revisita&ccedil;&atilde;o da obra dos fundadores do marxismo se fez com um conhecimento mais hist&oacute;rico e informado de seus limites e, por isso mesmo, de seu imenso potencial emancipat&oacute;rio ainda a ser desenvolvido;<br /><br />- o pluralismo da cultura marxista incentivou uma s&eacute;rie de incurs&otilde;es te&oacute;ricas novas sobre realidades emergentes do capitalismo mundial e tamb&eacute;m sobre novas perspectivas anti-capitalistas.<br /><br />Ao contr&aacute;rio do que pretendeu o chamado &ldquo;pensamento &uacute;nico&rdquo;, a cultura do marxismo nestes princ&iacute;pios de tempos p&oacute;s-neoliberais est&aacute; mais viva do que nunca, pulsa e reclama por um novo per&iacute;odo de desenvolvimento como linguagem da emancipa&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Hoje se conhece mais a obra de Marx (h&aacute; inclusive uma nova edi&ccedil;&atilde;o integral em curso, que amplia em muito o universo de escritos at&eacute; agora dispon&iacute;vel), o seu processo de forma&ccedil;&atilde;o com seus di&aacute;logos e rupturas, as fronteiras de sua pesquisa ao final da sua vida e as tens&otilde;es criativas de sua teoria. Valoriza-se e compreende-se mais a singularidade das contribui&ccedil;&otilde;es de Engels.<br /><br />Cole&ccedil;&otilde;es, antologias e estudos monogr&aacute;ficos sobre a hist&oacute;ria do marxismo permitem hoje uma vis&atilde;o muito mais ampla, profunda e sistem&aacute;tica sobre a hist&oacute;ria do marxismo e suas rela&ccedil;&otilde;es com os movimentos oper&aacute;rios, com os movimentos feministas e de liberta&ccedil;&atilde;o nacional. Sabe-se hoje muito mais, inclusive com a abertura dos arquivos da antiga URSS, sobre a hist&oacute;ria dos descaminhos da revolu&ccedil;&atilde;o russa sob a &eacute;gide do estalinismo. Em particular, o lugar do marxismo na hist&oacute;ria cultural do mundo pode ser hoje mais avaliado e apreciado.<br /><br />Os estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre rep&uacute;blica, marxismo e democracia, que devem muito aos desenvolvimentos contempor&acirc;neos da filosofia pol&iacute;tica, em suas tradi&ccedil;&otilde;es do humanismo c&iacute;vico, permitem entender melhor toda a singularidade, a pertin&ecirc;ncia e a reposi&ccedil;&atilde;o plena da atualidade da cr&iacute;tica de Marx ao capitalismo para uma cultura contempor&acirc;nea da emancipa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;Experi&ecirc;ncias inovadoras de democracia participativa e deliberativa, por sua vez, incentivam novas s&iacute;nteses sobre as formas de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica ao socialismo.<br /><br />Novos estudos de longa dura&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e de vis&atilde;o muito ampla e sist&ecirc;mica sobre a forma&ccedil;&atilde;o da chamada modernidade capitalista permitem um olhar renovado sobre as tend&ecirc;ncias atuais do capitalismo. Em particular, toda uma cultura de novos estudos econ&ocirc;micos sobre as dimens&otilde;es de financeiriza&ccedil;&atilde;o do capitalismo possibilitam identificar o centro disruptivo de suas atuais contradi&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, toda uma gama de estudos sociol&oacute;gicos sobre as novas configura&ccedil;&otilde;es das classes trabalhadoras, a partir dos impactos das muta&ccedil;&otilde;es tecnologias recentes, permitem e incentivam reelabora&ccedil;&otilde;es sobre os sujeitos hist&oacute;ricos das transforma&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Amplos desenvolvimentos da cultura do feminismo &ndash; de sua hist&oacute;ria, de suas tradi&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias e populares, de seus questionamentos &agrave; cultura patriarcal, da forma&ccedil;&atilde;o de novos direitos &ndash; cobram e esperam do marxismo revolucion&aacute;rio novas s&iacute;nteses libert&aacute;rias. Sem o di&aacute;logo com a capacidade cr&iacute;tica do marxismo ao capitalismo, inclusive &agrave;s suas estrat&eacute;gias contempor&acirc;neas de opress&atilde;o, nenhuma teoria feminista plena da emancipa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; se construir.<br /><br />Novos estudos hist&oacute;ricos que permitem entender, de modo mais profundo e central, o impacto da escravid&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista, a elabora&ccedil;&atilde;o de culturas democr&aacute;ticas multiculturais e, principalmente, um est&aacute;gio mais avan&ccedil;ado das lutas dos povos africanos, inclusive com a hist&oacute;rica luta de derrubada do apartheid na &Aacute;frica do Sul, colocam na ordem do dia novas s&iacute;nteses te&oacute;ricas da cultura do marxismo com as tradi&ccedil;&otilde;es de luta antirracistas.<br /><br />Sob a press&atilde;o da crise ecol&oacute;gica mundial, uma promissora forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura eco-socialista, como releituras e atualiza&ccedil;&otilde;es da obra de Marx &nbsp;e de cl&aacute;ssicos do marxismo, constituem os elementos de uma nova economia ecol&oacute;gica marxista ou de um marxismo ecol&oacute;gico. A cr&iacute;tica &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do capital, &agrave; sua l&oacute;gica de preda&ccedil;&atilde;o imanente da natureza, da mercantiliza&ccedil;&atilde;o e da privatiza&ccedil;&atilde;o dos bens p&uacute;blicos, de suas crises c&iacute;clicas permitem &agrave;s vertentes marxistas da ecologia diagnosticar mais profundamente os impasses das vertentes liberais ecol&oacute;gicas.<br /><br />Da cr&iacute;tica hist&oacute;rica &agrave; mercantiliza&ccedil;&atilde;o da cultura e da forma&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o mercantis de massa ao diagn&oacute;stico da &ldquo;sociedade do espet&aacute;culo&rdquo; contempor&acirc;nea, passando pela rica tradi&ccedil;&atilde;o dos estudos culturais inspirados no marxismo, formou-se toda uma literatura promissora da democratiza&ccedil;&atilde;o da cultura e da forma&ccedil;&atilde;o de uma opini&atilde;o p&uacute;blica democr&aacute;tica.<br /><br />A luta pelos direitos dos gays, l&eacute;sbiscas e transexuais certamente expandem e trazem novos desafios para certas culturas do marxismo que sempre se propuseram a criar uma nova moral sexual, modos libert&aacute;rios e anti-tradicionalistas de viver.<br /><br />Um balan&ccedil;o hist&oacute;rico das rela&ccedil;&otilde;es entre as v&aacute;rias teologias da liberta&ccedil;&atilde;o e a cultura do marxismo &eacute; imensamente positivo no sentido de superar certas tend&ecirc;ncias redutoramente racionalistas do marxismo, inaptas a compreender que certos motivos religiosos, certas inst&acirc;ncias da f&eacute;, algumas tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s &nbsp;igualit&aacute;rias ou mesmo cosmol&oacute;gicas, podem formar perspectivas anti-capitalistas e emancipat&oacute;rias. A partir da&iacute;, criou-se todo um rico di&aacute;logo entre marxismo e teologias da liberta&ccedil;&atilde;o, motivadora de novas transcend&ecirc;ncias e reconhecimentos de dignidades.<br /><br />Por fim, a partir das experi&ecirc;ncias do F&oacute;rum Social Mundial, uma nova agenda de lutas para o s&eacute;culo XXI foi se formando, desde a luta pela paz at&eacute; o direito dos povos &agrave; soberania alimentar, desde a cr&iacute;tica &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es mundiais que dirigem a globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal at&eacute; a experimenta&ccedil;&atilde;o de novas formas comunit&aacute;rias de produzir. Em particular na Am&eacute;rica Latina, experi&ecirc;ncias recentes de governos progressistas t&ecirc;m renovado os programas de unidade latino-americana, mobilizado exig&ecirc;ncias hist&oacute;ricas dos povos origin&aacute;rios da Am&eacute;rica, renovado a rela&ccedil;&atilde;o da cultura do marxismo com as tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas nacionalistas e emancipat&oacute;rias do continente. &nbsp;Na Europa, a crise da social-democracia, em suas vertentes contempor&acirc;neas, tem permitido aflorar novas experi&ecirc;ncias de movimentos sociais, de coaliz&otilde;es de partidos e programas &agrave; esquerda. A cultura e as bases de um novo internacionalismo anti-capitalista, mais plural e multi-continental, parecem estar se formando.<br /><br />Pela for&ccedil;a social e institucional de seus partidos e correntes de esquerda contempor&acirc;nea, que se formaram nas tradi&ccedil;&otilde;es do anti-estalinismo e sobreviveram aos per&iacute;odos dominados pelo neoliberalismo, pela riqueza das tradi&ccedil;&otilde;es que formam a hist&oacute;ria das lutas dos oprimidos e explorados, pela qualidade de sua hist&oacute;ria intelectual, pela sua inser&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria mundial, ao mesmo tempo europ&eacute;ia, latina, &iacute;ndia e africana, o Brasil &eacute; hoje um lugar prop&iacute;cio para contribui&ccedil;&otilde;es significativas a uma nova s&iacute;ntese do marxismo revolucion&aacute;rio do s&eacute;culo XXI em di&aacute;logo com as experi&ecirc;ncias internacionais de emancipa&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><strong>O socialismo petista do s&eacute;culo XXI e o marxismo revolucion&aacute;rio</strong><br /><br />No item 3 da Resolu&ccedil;&atilde;o &ldquo;Socialismo petista&rdquo;, aprovada pelo PT em seu 7&ordm; Encontro Nacional em 1990, se afirmava: &ldquo; Outra dimens&atilde;o visceralmente democr&aacute;tica do PT &eacute; o seu pluralismo ideol&oacute;gico-cultural. Somos, de fato, uma s&iacute;ntese de culturas libert&aacute;rias, unidade na diversidade. Conflu&iacute;ram para a cria&ccedil;&atilde;o do PT, como express&atilde;o de sujeitos sociais concretos, mais ou menos institucionalizados, diferentes correntes de pensamento democr&aacute;tico e transformador: o cristianismo social, marxismos v&aacute;rios, socialismos n&atilde;o-marxistas, democratismos radicais, doutrinas laicas de revolu&ccedil;&atilde;o comportamental, etc.&rdquo;<br /><br />E acrescentava: &ldquo;O ide&aacute;rio do Partido n&atilde;o expressa, unilateralmente, nenhum desses caudais. O PT n&atilde;o possui filosofia oficial. As distintas forma&ccedil;&otilde;es doutrin&aacute;rias convivem em dial&eacute;tica tens&atilde;o, sem preju&iacute;zo de s&iacute;nteses din&acirc;micas no plano da elabora&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica concreta. O que une essas v&aacute;rias culturas pol&iacute;ticas libert&aacute;rias, nem sempre textualmente codificadas, &eacute; o projeto comum de uma nova sociedade, que favore&ccedil;a o fim de toda explora&ccedil;&atilde;o capitalista&rdquo;.<br /><br />Apoiadora e mesmo co-elaboradora desta hist&oacute;rica resolu&ccedil;&atilde;o do PT, a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista &eacute; certamente a corrente petista marxista revolucion&aacute;ria mais longeva e de maior influ&ecirc;ncia. A sua rela&ccedil;&atilde;o com a tradi&ccedil;&atilde;o do marxismo revolucion&aacute;rio n&atilde;o se d&aacute; no plano da elei&ccedil;&atilde;o de uma doutrina oficial, nem atrav&eacute;s da escolha unilateral e dogm&aacute;tica de uma tradi&ccedil;&atilde;o marxista exclusiva e muito menos na op&ccedil;&atilde;o por uma determinada experi&ecirc;ncia de constru&ccedil;&atilde;o do socialismo tida como paradigm&aacute;tica.<br /><br />Na medida em que esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; concebida como um processo hist&oacute;rico em curso de s&iacute;ntese de uma cultura marxista do socialismo democr&aacute;tico, esta identidade &eacute; plural (se reivindica das v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es e autores cl&aacute;ssicos do marxismo anti-estalinista), n&atilde;o dogm&aacute;tica (incentiva uma rela&ccedil;&atilde;o criativa, historicizada e cr&iacute;tica, com estas tradi&ccedil;&otilde;es), praxiol&oacute;gica (ela ser&aacute; desenvolvida em rela&ccedil;&atilde;o com as lutas anti-capitalistas e libert&aacute;rias do PT e dos movimentos sociais) e principalmente dialogal ( estabelece uma intera&ccedil;&atilde;o permanente com outras experi&ecirc;ncias e tradi&ccedil;&otilde;es emancipat&oacute;rias).<br /><br />Da&iacute; que a defesa e desenvolvimento das tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio no interior do PT &eacute; para a DS, sem atribuir-se o monop&oacute;lio ou o exclusivo desta miss&atilde;o, um imperativo da sua pr&oacute;pria identidade e raz&atilde;o de ser. A pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o da DS com o PT pode e deve ser pensada a partir dos diferentes per&iacute;odos desta rela&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Como corrente nacional, o seu nascimento &eacute; praticamente simult&acirc;neo ao nascimento do PT. Podemos identificar a&iacute;, ent&atilde;o, um primeiro momento gen&eacute;tico: iniciava-se a rela&ccedil;&atilde;o entre a DS como corrente marxista- revolucion&aacute;ria e a constru&ccedil;&atilde;o do PT como partido classista, tendencialmente socialista e revolucion&aacute;rio.<br /><br />O per&iacute;odo entre a funda&ccedil;&atilde;o do PT e o documento Socialismo Petista, de 1990, pode e deve ser compreendido como o de uma rela&ccedil;&atilde;o virtuosa entre o PT e o marxismo revolucion&aacute;rio. O contexto de grande ascenso das lutas classistas, a rela&ccedil;&atilde;o forte do PT com os movimentos sociais em um marco de institucionaliza&ccedil;&atilde;o inicial, o pr&oacute;prio posicionamento hist&oacute;rico decisivamente cr&iacute;tico &agrave; transi&ccedil;&atilde;o conservadora que culminou na campanha &eacute;pica de Lula &agrave; presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em 1989, formaram uma cultura do PT receptiva ao desenvolvimento de teses e conceitos caros ao marxismo revolucion&aacute;rio. No&ccedil;&otilde;es como auto-determina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, poder popular, programa marcado por reformas estruturais de sentido anti-capitalista em uma din&acirc;mica de revolu&ccedil;&atilde;o permanente, feminismo, solidariedade internacionalista aos processos revolucion&aacute;rios em curso, foram amplamente desenvolvidas nos Congressos petistas.<br /><br />J&aacute; o per&iacute;odo entre 1990 e 2002, quando a coaliz&atilde;o liderada pelo PT chega ao governo central do pa&iacute;s, pode ser caracterizado como de disputa de rumos estrat&eacute;gicos do PT. Neste per&iacute;odo, marcado internacionalmente pela massifica&ccedil;&atilde;o da crise do socialismo e pelo dom&iacute;nio do neoliberalismo, acabou prevalecendo, a partir de meados dos anos noventa, uma dire&ccedil;&atilde;o que afirmava nitidamente a prioridade do caminho da disputa institucional, o alargamento das alian&ccedil;as do PT para al&eacute;m dos marcos da esquerda mas tamb&eacute;m um horizonte program&aacute;tico de resist&ecirc;ncia &agrave;s pol&iacute;ticas neoliberais. Houve neste per&iacute;odo, sem d&uacute;vida, rebaixamento da cultura socialista do PT e, de forma mais clara, da presen&ccedil;a das culturas marxistas em seu interior. &nbsp;Assumiu neste quadro grande import&acirc;ncia uma s&eacute;rie de semin&aacute;rios realizados pela Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo sobre a atualiza&ccedil;&atilde;o do socialismo petista. Em meio a contradi&ccedil;&otilde;es, o PT reafirmava, a partir de seus la&ccedil;os aprofundados e mais nacionalizados com os movimentos dos trabalhadores e setores populares, a sua condi&ccedil;&atilde;o de principal p&uacute;blica refer&ecirc;ncia da esquerda brasileira.<br /><br />De 2003 at&eacute; hoje, o PT continua a expressar valores de esquerda, embora em um quadro de forte institucionaliza&ccedil;&atilde;o da vida do partido e de crescimento do pragmatismo, tens&otilde;es obviamente decorrentes de sua condi&ccedil;&atilde;o de governar um pa&iacute;s no seio de um estado capitalista, portanto profundamente marcado por institui&ccedil;&otilde;es e leis liberais e conservadoras. Neste quadro, foram muito importantes as resolu&ccedil;&otilde;es do III Congresso do PT em 2007, reafirmando que &ldquo;as riquezas da humanidade s&atilde;o uma cria&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, coletiva e social&rdquo; e que &ldquo;o socialismo que almejamos s&oacute; existir&aacute; com efetiva democracia econ&ocirc;mica. Dever&aacute; organizar-se, portanto, a partir da propriedade social dos meios de produ&ccedil;&atilde;o.&rdquo; E tamb&eacute;m a resolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do IV Congresso Nacional Extraordin&aacute;rio, realizado em 2011, a qual afirma que o partido deve &ldquo;aprofundar seu compromisso com outra vis&atilde;o de mundo e com outro modelo de desenvolvimento, reafirmando a defesa da constru&ccedil;&atilde;o do socialismo.&rdquo;<br /><br />Ao defender para o PT a tarefa central de desenvolver o programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, o que a tend&ecirc;ncia Democracia Socialista est&aacute; propondo &eacute; inaugurar um novo per&iacute;odo de fus&atilde;o entre a cultura petista e o marxismo revolucion&aacute;rio.<br /><br /><strong>A revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e o marxismo revolucion&aacute;rio</strong><br /><br />A retomada e o desenvolvimento de um corpo te&oacute;rico que tem nas tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio a sua raiz &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o pleno desenvolvimento de um programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Esta condi&ccedil;&atilde;o de necessidade - que n&atilde;o tergiversa sobre a atualidade do marxismo revolucion&aacute;rio - &nbsp;n&atilde;o &eacute; uma declara&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica: ela pode ser demonstrada por tr&ecirc;s raz&otilde;es substantivas.<br /><br />Em primeiro lugar, o marxismo revolucion&aacute;rio originou-se e tem por voca&ccedil;&atilde;o uma busca de totalidade &ndash; que est&aacute; no centro de sua condi&ccedil;&atilde;o potencialmente hegem&ocirc;nica &ndash; que concebe a unidade da hist&oacute;ria em suas dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas, culturais e sociais, propondo-lhes a constru&ccedil;&atilde;o de um sentido din&acirc;mico.<br /><br />Ora, a coincid&ecirc;ncia entre a crise do socialismo e da cultura do marxismo e o dom&iacute;nio neoliberal provocou uma fort&iacute;ssima e ainda n&atilde;o superada cis&atilde;o entre as v&aacute;rias dimens&otilde;es da emancipa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; hoje um abismo n&atilde;o superado entre novos movimento sociais e partidos, entre lutas institucionais e lutas culturais, entre reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e lutas pela democratiza&ccedil;&atilde;o do poder. Formaram-se, no contexto destas cis&otilde;es, culturas da emancipa&ccedil;&atilde;o que dialogam pouco entre si ou que t&ecirc;m encontrado dificuldades recorrentes para convergir. Din&acirc;micas parciais e estanques acabaram criando tradi&ccedil;&otilde;es organizativas pr&oacute;prias. Novas teses passaram a transformar esta din&acirc;mica de cis&atilde;o em virtude, propondo horizontes de transforma&ccedil;&atilde;o social descentrados da disputa do pr&oacute;prio poder.<br /><br />Precisamos de uma teoria coerente e unificadora da emancipa&ccedil;&atilde;o e para isto &nbsp;os conceitos e rela&ccedil;&otilde;es de sentido desenvolvidas pelo marxismo revolucion&aacute;rio s&atilde;o fundamentais.<br /><br />Em segundo lugar, a cultura do socialismo democr&aacute;tico n&atilde;o pode prescindir do conceito chave de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que deve contribuir para toda uma nova fase de desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio. Este conceito democr&aacute;tico de revolu&ccedil;&atilde;o pode vir a ser ant&iacute;doto e supera&ccedil;&atilde;o dos impasses hist&oacute;ricos na constru&ccedil;&atilde;o do socialismo, quando revolu&ccedil;&otilde;es anti-capitalistas n&atilde;o conseguiram criar uma nova din&acirc;mica real de socializa&ccedil;&atilde;o do poder.<br /><br />Se em sua primeira fase de formula&ccedil;&atilde;o, o marxismo revolucion&aacute;rio, na &eacute;poca de seus fundadores, n&atilde;o p&ocirc;de se relacionar com a atualidade plena da revolu&ccedil;&atilde;o, a partir do impasse reformista da II Internacional e da degenera&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o russa, o marxismo revolucion&aacute;rio p&ocirc;de desenvolver a sua identidade defendendo, ao mesmo tempo, a revolu&ccedil;&atilde;o social e a revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o combate ao capitalismo e a luta pela supera&ccedil;&atilde;o da burocracia ou autonomiza&ccedil;&atilde;o do poder revolucion&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o a seus fundamentos democr&aacute;ticos. A no&ccedil;&atilde;o de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica pode ser vista como consci&ecirc;ncia e ant&iacute;doto contra a perda de sentido emancipat&oacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o, em um sentido cr&iacute;tico e negativo.<br /><br />Isto foi decisivo para a constru&ccedil;&atilde;o do PT, pois foi a conflu&ecirc;ncia das v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es anti-estalinistas que formaram o partido que possibilitou a sua sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica frente &agrave; crise final da URSS. Nesta conjuntura, o partido p&ocirc;de, ent&atilde;o, coerentemente reafirmar a sua proposta de um socialismo democr&aacute;tico. Partidos que ainda carregavam em sua tradi&ccedil;&atilde;o a heran&ccedil;a estalinista, mesmo j&aacute; em processo avan&ccedil;ado de cr&iacute;tica como no caso do eurocomunismo italiano, n&atilde;o conseguiram resistir: ao expor a dignidade fraturada de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, foram conduzidos a dar raz&atilde;o hist&oacute;rica ao liberalismo democr&aacute;tico, perdendo a raiz de sua identidade de esquerda.<br /><br />Agora, o desafio &eacute; o desenvolvimento afirmativo do conceito de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Atrav&eacute;s do marxismo revolucion&aacute;rio, &eacute; poss&iacute;vel compreender que a democracia n&atilde;o &eacute; um valor universal no sentido de que ela foi historicamente reinterpretada pelo liberalismo, que tornou-se a vis&atilde;o de mundo dominante nos pa&iacute;ses capitalistas centrais. Atrav&eacute;s do conceito de revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica &eacute; poss&iacute;vel desenvolver uma din&acirc;mica que coloca em quest&atilde;o os limites intranspon&iacute;veis que o liberalismo imp&otilde;e &agrave; liberdade, &agrave; universaliza&ccedil;&atilde;o sim&eacute;trica dos direitos, &agrave; justi&ccedil;a social, &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o das mulheres e &agrave; conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica dos povos em rela&ccedil;&atilde;o de m&uacute;tuo respeito e dignidade. Enfim, para desenvolver plenamente a liberdade e a democracia &eacute; preciso fazer o contr&aacute;rio do que se acomodar aos valores, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, &agrave; ordem dos direitos e deveres, pregados pelas correntes liberais, em seu pluralismo hist&oacute;rico e doutrin&aacute;rio. &Eacute; preciso, pois, superar os limites liberais da democracia em uma dire&ccedil;&atilde;o socialista, no sentido de criar uma liberdade qualitativamente profunda, plural, universal.<br /><br />Mas h&aacute; uma terceira raz&atilde;o para defender a firme opini&atilde;o de que a retomada e o desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio &eacute; fundamental para desenvolver o programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. &Eacute; porque apenas atrav&eacute;s das tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo &eacute; poss&iacute;vel desenvolver uma an&aacute;lise e uma perspectiva internacional dos desenvolvimentos do capitalismo enquanto sistema mundial. As d&eacute;cadas da globaliza&ccedil;&atilde;o financeira, para al&eacute;m de seus mitos, corresponderam efetivamente a uma maior integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, financeira e cultural do mundo. A dial&eacute;tica entre emancipa&ccedil;&atilde;o nacional e emancipa&ccedil;&atilde;o internacional ganhou certamente uma rela&ccedil;&atilde;o mais combinada embora tamb&eacute;m mais desigual.<br /><br />Na experi&ecirc;ncia de governar o Brasil, na reiterada internacionaliza&ccedil;&atilde;o das conjunturas, na evolu&ccedil;&atilde;o muito n&iacute;tida das conjunturas pol&iacute;ticas, inclusive no plano continental, fica claro que a perspectiva internacional n&atilde;o est&aacute; apenas no horizonte da emancipa&ccedil;&atilde;o mas est&aacute; inserida mesmo em sua din&acirc;mica. H&aacute; certamente uma rela&ccedil;&atilde;o de efeito m&uacute;tuo entre o prec&aacute;rio desenvolvimento do marxismo revolucion&aacute;rio nos anos recentes e os impasses da experi&ecirc;ncia internacionalista do F&oacute;rum Social Mundial. Como experi&ecirc;ncia rica de di&aacute;logo, encontro e converg&ecirc;ncias, o F&oacute;rum Social Mundial teve e tem que enfrentar as cis&otilde;es das culturas anti-capitalistas.<br /><br />Defender a centralidade do marxismo revolucion&aacute;rio para o desenvolvimento do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; advogar, de forma auto-proclamada, a sua raz&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, &eacute; na medida mesmo que souber dialogar, atrav&eacute;s do pluralismo de &nbsp;suas tradi&ccedil;&otilde;es, com &nbsp;as vertentes do eco-socialismo, dos feminismos radicais e anti-capitalistas, dos movimentos antirracistas, dos movimentos sociais comunitaristas e anti-mercantis, com as correntes da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o, com as experi&ecirc;ncia radicais de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, com as novas configura&ccedil;&otilde;es internacionalistas, que este marxismo revolucion&aacute;rio pode exercer a sua pot&ecirc;ncia hist&oacute;rica de s&iacute;ntese, de unidade na diversidade, de hegemonia no pluralismo.<br /><br /><strong>Cinco fundamentos e um futuro</strong><br /><br />A partir destas considera&ccedil;&otilde;es, seria poss&iacute;vel elencar cinco fundamentos centrais para a cria&ccedil;&atilde;o de uma revista marxista revolucion&aacute;ria hoje.<br /><br />O primeiro fundamento &eacute; o da identidade: neste per&iacute;odo ainda marcado pro graves retrocessos da cultura p&uacute;blica do marxismo e de larga difus&atilde;o do pragmatismo na cultura do PT, &eacute; fundamental firmar a identidade da revista como de uma tend&ecirc;ncia historicamente vinculada ao PT e, ao mesmo tempo, marxista revolucion&aacute;ria. Isto &eacute;, que se proclama marxista revolucion&aacute;ria exatamente por ser construtora do PT desde as suas origens. H&aacute; aqui um valor para a pr&oacute;pria cultura socialista democr&aacute;tica do PT; mas h&aacute; tamb&eacute;m um valor necessariamente cr&iacute;tico &agrave;s correntes sect&aacute;rias que se servem muitas vezes doutrinariamente do marxismo para negar o imenso valor hist&oacute;rico de esquerda do PT, n&atilde;o apenas para os trabalhadores do Brasil mas do mundo inteiro.<br /><br />O segundo fundamento &eacute; o sentido praxiol&oacute;gico da revista: ela n&atilde;o pretende ser uma revista de teoria marxista, em um sentido prioritariamente acad&ecirc;mico ou historicamente descentrado, mas exatamente o inverso. Inserida na rica tradi&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica petista, a sua agenda priorit&aacute;ria, o seu trabalho coletivo de elabora&ccedil;&atilde;o, os seus di&aacute;logos ser&atilde;o voltados exatamente para o desenvolvimento do programa da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica no Brasil. &Eacute; ao procurar responder aos problemas hist&oacute;ricos da transforma&ccedil;&atilde;o no Brasil que a revista poder&aacute; ir desenvolvendo uma teoria coerente da revolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, em di&aacute;logo com a tradi&ccedil;&atilde;o e com as experi&ecirc;ncias internacionais.<br /><br />O terceiro fundamento &eacute; o sentido plural e dialogal da revista: ancorada na tradi&ccedil;&atilde;o da tend&ecirc;ncia Democracia Socialista, ela buscar&aacute; sempre o di&aacute;logo, a interlocu&ccedil;&atilde;o, a pol&ecirc;mica construtiva, a colabora&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica com os militantes e intelectuais marxistas e com os propositores de uma perspectiva do socialismo democr&aacute;tico. Este di&aacute;logo ser&aacute; feito prioritariamente com os companheiros do partido. Nem todo o espectro do marxismo revolucion&aacute;rio nem todos os militantes socialistas, no entanto, se inserem organicamente no PT e, a partir de sua identidade petista, a revista buscar&aacute; tamb&eacute;m a contribui&ccedil;&atilde;o destes companheiros e companheiras.<br /><br />O quarto fundamento &eacute; o car&aacute;ter internacionalista da revista: sem estarem vinculados organicamente, h&aacute; muitos partidos, correntes e movimentos socialistas hoje no mundo, em particular na Am&eacute;rica Latina. N&uacute;cleos de estudos marxistas, vinculados a revistas independentes e a universidades ou funda&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se fazem presentes. Dentro dos marcos das rela&ccedil;&otilde;es internacionais do PT, diversos n&iacute;veis de conhecimento, coopera&ccedil;&atilde;o ou di&aacute;logo podem se estabelecer, naturalmente a partir de aproxima&ccedil;&otilde;es e de perspectivas comuns.<br /><br />O quinto fundamento &eacute; contribuir para a continuidade e renova&ccedil;&atilde;o &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es do marxismo revolucion&aacute;rio. Como a revista n&atilde;o se prop&otilde;e a inaugurar uma tradi&ccedil;&atilde;o mas identificar a sua descontinuidade, estabelecer pontes entre o passado e o futuro, encorpar e colorir os sentidos das experi&ecirc;ncias vividas, fazer o cultivo da mem&oacute;ria, presentificar vidas e pensamentos revolucion&aacute;rios, ela ter&aacute; sempre o trabalho de revisitar as tradi&ccedil;&otilde;es. H&aacute; o diagn&oacute;stico, pela for&ccedil;a corrosiva dos tempos neoliberais rec&eacute;m vividos, de um d&eacute;ficit p&uacute;blico da dignidade e intelig&ecirc;ncia hist&oacute;rica do marxismo revolucion&aacute;rio e do socialismo democr&aacute;tico. A dignidade e intelig&ecirc;ncia desta revista estar&aacute; sempre exposta &agrave; dignidade e intelig&ecirc;ncia da tradi&ccedil;&atilde;o que visa encarnar e atualizar.<br /><br />Cumprido o desafio de reunir estes cinco fundamentos, n&atilde;o temos d&uacute;vida que a revista que ora se inicia poder&aacute; vir a ser um marco hist&oacute;rico da luta pelo socialismo democr&aacute;tico no Brasil e no mundo.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Tue, 14 May 2013 13:13:35 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Clarissa Alves da Cunha: “É necessário inserir a luta feminista no centro da luta pela transformação da sociedade&quot;</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=684305</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=684305</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/684317"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Oito de mar&ccedil;o de 2007. Al&eacute;m das comemora&ccedil;&otilde;es do Dia Internacional da Mulher no Brasil, as ruas do pa&iacute;s estavam tomadas pelos movimentos sociais em protesto contra a presen&ccedil;a do presidente norte americano George W. Bush, o &ldquo;senhor da guerra&rdquo;, no pa&iacute;s. A estudante de Ci&ecirc;ncias Sociais da PUC-Rio, Clarissa Alves da Cunha, na &eacute;poca com 20 anos, lembra-se muito bem das manifesta&ccedil;&otilde;es na capital carioca.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para ela, era o come&ccedil;o de uma milit&acirc;ncia marcante no movimento estudantil que passaria depois pelo Diret&oacute;rio Central dos Estudantes da sua universidade, pela Uni&atilde;o Estadual dos Estudantes (UEE-RJ) e pela UNE, de qual seria eleita vice-presidenta na gest&atilde;o 2011/2013 que se encerra agora durante do 53&ordm; Congresso da entidade, em Goi&acirc;nia, de 29 de maio a 2 de junho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Clarissa se orgulha em ser de esquerda, socialista, feminista, e discursa sobre suas convic&ccedil;&otilde;es sem medo de aborrecer. Afirma que ainda existem obst&aacute;culos que impedem um debate mais amplo sobre o machismo. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio inserir a luta feminista no centro da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade&rdquo;, diz.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Critica o capitalismo e faz uma chamada a toda a juventude para rever os valores da atual sociedade. &ldquo;&Eacute; fundamental incorporar a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos sociais como algo mais importante do que o poder econ&ocirc;mico, a substitui&ccedil;&atilde;o da mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida por aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos&rdquo;, pontua.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&nbsp;Nessa entrevista, ap&oacute;s dois anos &agrave; frente da UNE, Clarissa diz que faz parte de uma gera&ccedil;&atilde;o que vai conquistar uma vit&oacute;ria de grandes dimens&otilde;es, os 10% do PIB para a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Defende a pol&iacute;tica de cotas e responde a cr&iacute;ticas feitas &agrave; entidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Confira a &iacute;ntegra abaixo:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">-- Como voc&ecirc; conheceu&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Eu conhecia a hist&oacute;ria da UNE, mas, meu primeiro contato foi atrav&eacute;s do meu Centro Acad&ecirc;mico (de Ci&ecirc;ncias Sociais) da PUC-Rio. J&aacute; a primeira atividade que participei foi a organiza&ccedil;&atilde;o da Semana Acad&ecirc;mica do meu curso. Um ato de rua marcante no in&iacute;cio da minha milit&acirc;ncia, foi o de 8 de mar&ccedil;o de 2007, que casava com a vinda do Bush ao Rio de Janeiro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Depois fui integrante do DCE da PUC-Rio durante algumas gest&otilde;es, ocasi&atilde;o em que fundei com algumas meninas o Coletivo de Mulheres Estudantes e alguns anos depois fui tamb&eacute;m da UEE-RJ de 2009 que conquistou a meia-passagem para cotistas e prounistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- Como &eacute; ser jovem</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Primeiro, acredito que exista hoje no Brasil um cen&aacute;rio de polariza&ccedil;&atilde;o entre basicamente dois grandes projetos em disputa na sociedade. Um deles foi implementado durante os anos 90, atrav&eacute;s dos governos FHC. O outro, foi implementado nos &uacute;ltimos 10 anos de governo do PT.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Se observarmos, qualquer posi&ccedil;&atilde;o fora desta disputa &eacute;, na pr&aacute;tica, meramente residual. Logo, na minha opini&atilde;o, se o modelo de governo implementado nos anos 90 foi o neoliberal, ser de esquerda hoje no Brasil &eacute; se contrapor a este projeto, portanto, &eacute; ser anti-neoliberal. Ou seja, defender o papel fundamental do Estado na organiza&ccedil;&atilde;o da economia, defender a participa&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e basicamente a substitui&ccedil;&atilde;o da mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida por aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No entanto, este campo de pol&iacute;ticas antineoliberais pode ser bem amplo, por isso, fa&ccedil;o sempre quest&atilde;o de afirmar que sou socialista e que, para al&eacute;m da disputa atual para a supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, tenho como objetivo maior a supera&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio capitalismo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- Atualmente,&nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Hoje as mulheres representam mais da metade do corpo discente da universidade, existe uma maior presen&ccedil;a delas nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos e muitas vezes isto &eacute; visto com mais clareza nos espa&ccedil;os de vanguarda pol&iacute;tica, como nos movimentos sociais. Tendo em vista que o machismo e o patriarcado ainda s&atilde;o pilares que sustentam o sistema atual vigente, o movimento social, por n&atilde;o ser uma ilha isolada da sociedade, n&atilde;o est&aacute; isento desta realidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Logo, dentro do pr&oacute;prio movimento estudantil ainda se reproduzem muitas pr&aacute;ticas machistas. E &eacute; sempre bom lembrar que o espa&ccedil;o p&uacute;blico, onde se situa a pol&iacute;tica e consequentemente o movimento estudantil, ainda &eacute; um espa&ccedil;o predominantemente masculino.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Tendo em vista esta avalia&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante destacar que a UNE vem avan&ccedil;ando no enfretamento ao machismo dentro e fora da entidade com grandes campanhas de combate ao machismo na sociedade e a ado&ccedil;&atilde;o de medidas importantes dentro da estrutura da entidade e nos seus f&oacute;runs</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- Na sua gest&atilde;o</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Um encontro apenas de mulheres garante o debate referenciado em experi&ecirc;ncias e pautas que somente as mulheres compartilham por sofrerem na pele a opress&atilde;o machista. A UNE chega ao seu 5&ordm; EME consolidando sua pol&iacute;tica no combate ao machismo. Os EMEs, que s&atilde;o f&oacute;runs auto-organizados, t&ecirc;m produzido formula&ccedil;&otilde;es com muita unidade na luta contra a opress&atilde;o das mulheres. A aprova&ccedil;&atilde;o da cota de 30% da diretoria da entidade, as campanhas contra trotes machistas, a luta por creches, a campanha pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, a garantia de mesas e debates referente &agrave; luta das mulheres nos f&oacute;runs da UNE, mecanismos de combate ao machismo no dia a dia do movimento estudantil s&atilde;o todas lutas que surgem e ganham corpo nos encontros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">S&atilde;o todas defesas apresentadas com muita unidade por todos os campos que comp&otilde;e o movimento estudantil. Al&eacute;m disso, o EME &eacute; um espa&ccedil;o onde muitas meninas pela primeira vez se sentem &agrave; vontade para falar em p&uacute;blico e serem ouvidas. Muitas, tamb&eacute;m, come&ccedil;am a participar do movimento estudantil atrav&eacute;s dos EME e de espa&ccedil;os auto-organizados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">-- como ser feminista</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&Eacute; importante tratar do debate feminista com seriedade dentro dos movimentos sociais, entendendo que qualquer afirma&ccedil;&atilde;o de vontade de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade, necessariamente, tem que passar pelo combate ao machismo. N&atilde;o se pode separar a luta feminista da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. Logo, a resist&ecirc;ncia que a luta feminista enfrenta no dia a dia da universidade tem como fundamento justamente o fato dela evidenciar com grande clareza as contradi&ccedil;&otilde;es da nossa sociedade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Assim, uma das formas de minimizar esta resist&ecirc;ncia &eacute; pautar com centralidade as bandeiras da luta feminista e n&atilde;o torn&aacute;-las secund&aacute;rias em prol de uma unidade que supostamente constitui pautas mais relevantes. O pr&oacute;prio fato de existir este estigma s&oacute; refor&ccedil;a a necessidade de inserir a luta feminista no centro da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. O fato dessa pauta apresentar mais resist&ecirc;ncia do que outras &eacute; que talvez haja ainda um obst&aacute;culo maior que os outros.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- Uma das pautas</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de mostram que metade das v&iacute;timas de homic&iacute;dios no Brasil t&ecirc;m entre 15 e 29 anos e sete de cada dez jovens assassinados s&atilde;o negros, sendo mais de 90% do sexo masculino. Esses dados s&atilde;o alarmantes! A UNE junto a outros movimentos de juventude tem se dedicado a essa luta. &Eacute; importante destacar a centralidade dada ao tema na Jornada de Lutas da Juventude Brasileira no in&iacute;cio desse ano.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E n&atilde;o s&oacute; isso. O fato da UNE ter uma Diretoria de Combate ao Racismo, que em di&aacute;logo com o movimento negro, tem constru&iacute;do pautas importantes para a juventude negra, tamb&eacute;m demonstra a import&acirc;ncia dada pela entidade para esta luta espec&iacute;fica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A defesa das cotas raciais, uma bandeira defendida j&aacute; h&aacute; muito tempo pela UNE como central para a democratiza&ccedil;&atilde;o da universidade e da sociedade, vem justamente da an&aacute;lise da entidade de que a juventude negra exerce um papel fundamental para o avan&ccedil;o de um projeto de esquerda.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- as pol&iacute;ticas de cotas</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sou favor&aacute;vel a todos os tipos de cotas. As cotas raciais s&atilde;o fundamentais para tentar minimizar uma diferen&ccedil;a social existente entre negros e brancos constru&iacute;da historicamente. Acredito que avan&ccedil;amos consideravelmente, na &uacute;ltima d&eacute;cada em especial. Logicamente ainda &eacute; algo a ser disputado na sociedade com grande prioridade, mas &eacute; ineg&aacute;vel que hoje temos a opini&atilde;o p&uacute;blica muito mais favor&aacute;vel. A aprova&ccedil;&atilde;o das cotas raciais no Congresso Nacional, o julgamento pela constitucionalidade de sua aplica&ccedil;&atilde;o e as recentes publica&ccedil;&otilde;es at&eacute; mesmo da grande m&iacute;dia dando conta dos resultados exitosos das pol&iacute;ticas de cotas s&atilde;o exemplos claros disto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E mais, vemos at&eacute; os representantes dos setores mais conservadores da sociedade ter que darem declara&ccedil;&otilde;es de que defendem tal pol&iacute;tica, como ACM Neto e Geraldo Alckmin. Ou seja, os setores mais conservadores que antes at&eacute; mesmo utilizavam a pauta anticotas para angariar alguns votos da esquerda, passaram a ter que defend&ecirc;-las para n&atilde;o perder votos. Passaram claramente da ofensiva para a defensiva.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- a une &eacute;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Como disse anteriormente, acredito que existem dois grandes projetos em disputa neste momento na sociedade e cabe a todos os atores do campo da esquerda dialogarem entre si para que a pautas hist&oacute;ricas e novas que significam avan&ccedil;os para a nossa sociedade sejam implementadas de fato. A partir do momento que avaliamos que o atual governo contribui para o projeto de supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, passa a ser fundamental que n&atilde;o o encaremos com uma postura id&ecirc;ntica da que tivemos contra um governo neoliberal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Mas isto n&atilde;o significa que cumpramos o mesmo papel que o governo, pois &eacute; algo fundamental para n&oacute;s que tenhamos independ&ecirc;ncia. Nossa rela&ccedil;&atilde;o com o governo &eacute; necessariamente uma rela&ccedil;&atilde;o de tens&atilde;o constante no sentido de tentarmos fazer valer as pautas dos movimentos sociais. Logicamente existem v&aacute;rias t&aacute;ticas para isto, que v&atilde;o do di&aacute;logo &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o p&uacute;blica em diferentes momentos e temas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Um bom exemplo desta rela&ccedil;&atilde;o que envolve di&aacute;logo, negocia&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o popular se deu agora para a aprova&ccedil;&atilde;o dos 10% do PIB e a destina&ccedil;&atilde;o dos royalties do petr&oacute;leo para a educa&ccedil;&atilde;o. Ambas as pautas foram constru&iacute;das pelos movimentos sociais, com destaque para a atua&ccedil;&atilde;o da UNE, sendo que foram v&aacute;rias as a&ccedil;&otilde;es adotadas para que tal pauta se tornasse prov&aacute;vel no presente momento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- durante o EME</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Nos &uacute;ltimos 10 anos existe uma luta pela supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo e esta luta desconstruiu importantes dogmas neoliberais, como a pol&iacute;tica de aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, pol&iacute;ticas de universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, inclusive no ensino superior, a redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade por interm&eacute;dio de a&ccedil;&otilde;es diretas do Estado etc. H&aacute; ainda um sentimento geral junto &agrave; nossa juventude de que o Brasil ter&aacute; um bom futuro pela frente. Agora, &eacute; fundamental que a juventude se paute por valores que contribuam nesta caminhada de um pa&iacute;s mais justo e solid&aacute;rio. Ou seja, ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&oacute;s-neoliberais, &eacute; importante que os valores que baseiam essas pol&iacute;ticas sejam incorporados como fundamentais para o avan&ccedil;o do nosso pa&iacute;s e que superemos os valores que sustentam o modelo neoliberal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Assim, &eacute; fundamental que a juventude incorpore a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos sociais como algo mais importante do que o poder econ&ocirc;mico de contratar servi&ccedil;os privados. Ou seja, trata-se reconstruir a import&acirc;ncia da primazia do p&uacute;blico sobre o privado. Pautas que claramente contribuem para isso s&atilde;o a da valoriza&ccedil;&atilde;o do SUS contra a expans&atilde;o dos planos de sa&uacute;de, a da Reforma Pol&iacute;tica com financiamento p&uacute;blico de campanha e o marco regulat&oacute;rio da m&iacute;dia, que coloca os cidad&atilde;os com mais direitos e os grandes conglomerados de m&iacute;dia nacionais com menos privil&eacute;gios econ&ocirc;micos, possibilitando sua democratiza&ccedil;&atilde;o.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">-- para sua gera&ccedil;&atilde;o</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&Eacute; a grande vit&oacute;ria da nossa gera&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; pelo significado da aprova&ccedil;&atilde;o de tal pol&iacute;tica, que faz com que se trate a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica prioridade in&eacute;dita ap&oacute;s a redemocratiza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pelo fato de tal luta ter sido constru&iacute;da desde o seu come&ccedil;o com protagonismo da UNE.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">--- como vice</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A op&ccedil;&atilde;o por militar &eacute; algo que, apesar de ser bem trabalhoso, &eacute; bastante gratificante. Logo, o tempo dedicado a ela &eacute; bem prazeroso. Mas sem d&uacute;vidas sempre temos que arrumar um tempinho para passar nosso tempo livre ao lado de pessoas queridas. Procuro, sempre que posso, passear. Gosto, principalmente, de ir ao cinema e, tamb&eacute;m, curtir minha sobrinha. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; leitura estou acabando o quinteto isl&acirc;mico do Tariq Ali.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Cristiane Tada e Rafael Minoro</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Fotos: F&aacute;bio Bardella</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Do site da <a href="http://www.une.org.br/2013/05/em-entrevista-clarissa-da-cunha-chama-juventude-para-mudanca-de-valores/">UNE</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Oito de mar&ccedil;o de 2007. Al&eacute;m das comemora&ccedil;&otilde;es do Dia Internacional da Mulher no Brasil, as ruas do pa&iacute;s estavam tomadas pelos movimentos sociais em protesto contra a presen&ccedil;a do presidente norte americano George W. Bush, o &ldquo;senhor da guerra&rdquo;, no pa&iacute;s. A estudante de Ci&ecirc;ncias Sociais da PUC-Rio, Clarissa Alves da Cunha, na &eacute;poca com 20 anos, lembra-se muito bem das manifesta&ccedil;&otilde;es na capital carioca.<br /><br />Para ela, era o come&ccedil;o de uma milit&acirc;ncia marcante no movimento estudantil que passaria depois pelo Diret&oacute;rio Central dos Estudantes da sua universidade, pela Uni&atilde;o Estadual dos Estudantes (UEE-RJ) e pela UNE, de qual seria eleita vice-presidenta na gest&atilde;o 2011/2013 que se encerra agora durante do 53&ordm; Congresso da entidade, em Goi&acirc;nia, de 29 de maio a 2 de junho.<br /><br />Clarissa se orgulha em ser de esquerda, socialista, feminista, e discursa sobre suas convic&ccedil;&otilde;es sem medo de aborrecer. Afirma que ainda existem obst&aacute;culos que impedem um debate mais amplo sobre o machismo. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio inserir a luta feminista no centro da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade&rdquo;, diz.<br /><br />Critica o capitalismo e faz uma chamada a toda a juventude para rever os valores da atual sociedade. &ldquo;&Eacute; fundamental incorporar a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos sociais como algo mais importante do que o poder econ&ocirc;mico, a substitui&ccedil;&atilde;o da mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida por aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos&rdquo;, pontua.<br /><br />Nessa entrevista, ap&oacute;s dois anos &agrave; frente da UNE, Clarissa diz que faz parte de uma gera&ccedil;&atilde;o que vai conquistar uma vit&oacute;ria de grandes dimens&otilde;es, os 10% do PIB para a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Defende a pol&iacute;tica de cotas e responde a cr&iacute;ticas feitas &agrave; entidade.<br /><br /><strong>Confira a &iacute;ntegra abaixo:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como voc&ecirc; conheceu o movimento estudantil ?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Clarissa Alves da Cunha</strong>&nbsp;- Eu conhecia a hist&oacute;ria da UNE, mas, meu primeiro contato foi atrav&eacute;s do meu Centro Acad&ecirc;mico (de Ci&ecirc;ncias Sociais) da PUC-Rio. J&aacute; a primeira atividade que participei foi a organiza&ccedil;&atilde;o da Semana Acad&ecirc;mica do meu curso. Um ato de rua marcante no in&iacute;cio da minha milit&acirc;ncia, foi o de 8 de mar&ccedil;o de 2007, que casava com a vinda do Bush ao Rio de Janeiro.<br /><br />Depois fui integrante do DCE da PUC-Rio durante algumas gest&otilde;es, ocasi&atilde;o em que fundei com algumas meninas o Coletivo de Mulheres Estudantes e alguns anos depois fui tamb&eacute;m da UEE-RJ de 2009 que conquistou a meia-passagem para cotistas e prounistas.<br /><br /><strong>Como &eacute; ser jovem e de esquerda, atualmente, no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, acredito que exista hoje no Brasil um cen&aacute;rio de polariza&ccedil;&atilde;o entre basicamente dois grandes projetos em disputa na sociedade. Um deles foi implementado durante os anos 90, atrav&eacute;s dos governos FHC. O outro, foi implementado nos &uacute;ltimos 10 anos de governo do PT.<br /><br />Se observarmos, qualquer posi&ccedil;&atilde;o fora desta disputa &eacute;, na pr&aacute;tica, meramente residual. Logo, na minha opini&atilde;o, se o modelo de governo implementado nos anos 90 foi o neoliberal, ser de esquerda hoje no Brasil &eacute; se contrapor a este projeto, portanto, &eacute; ser anti-neoliberal. Ou seja, defender o papel fundamental do Estado na organiza&ccedil;&atilde;o da economia, defender a participa&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e basicamente a substitui&ccedil;&atilde;o da mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida por aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos.<br /><br />No entanto, este campo de pol&iacute;ticas antineoliberais pode ser bem amplo, por isso, fa&ccedil;o sempre quest&atilde;o de afirmar que sou socialista e que, para al&eacute;m da disputa atual para a supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, tenho como objetivo maior a supera&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio capitalismo.<br /><br /><strong>Atualmente, presenciamos a participa&ccedil;&atilde;o bem consider&aacute;vel de mulheres na UNE. A diretoria executiva da entidade, por exemplo, tem quase a metade de integrantes mulheres. Existe ainda muito machismo no movimento estudantil?<br /><br /></strong>Hoje as mulheres representam mais da metade do corpo discente da universidade, existe uma maior presen&ccedil;a delas nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos e muitas vezes isto &eacute; visto com mais clareza nos espa&ccedil;os de vanguarda pol&iacute;tica, como nos movimentos sociais. Tendo em vista que o machismo e o patriarcado ainda s&atilde;o pilares que sustentam o sistema atual vigente, o movimento social, por n&atilde;o ser uma ilha isolada da sociedade, n&atilde;o est&aacute; isento desta realidade.<br /><br />Logo, dentro do pr&oacute;prio movimento estudantil ainda se reproduzem muitas pr&aacute;ticas machistas. E &eacute; sempre bom lembrar que o espa&ccedil;o p&uacute;blico, onde se situa a pol&iacute;tica e consequentemente o movimento estudantil, ainda &eacute; um espa&ccedil;o predominantemente masculino.<br /><br />Tendo em vista esta avalia&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante destacar que a UNE vem avan&ccedil;ando no enfretamento ao machismo dentro e fora da entidade com grandes campanhas de combate ao machismo na sociedade e a ado&ccedil;&atilde;o de medidas importantes dentro da estrutura da entidade e nos seus f&oacute;runs<br /><br /><strong>Na sua gest&atilde;o foi realizado o 5o encontro de Mulheres Estudantes da UNE (EME). Por que fazer um encontro autogestionado voltado somente para discutir os assuntos relacionados &agrave; luta das mulheres?<br /><br /></strong>Um encontro apenas de mulheres garante o debate referenciado em experi&ecirc;ncias e pautas que somente as mulheres compartilham por sofrerem na pele a opress&atilde;o machista. A UNE chega ao seu 5&ordm; EME consolidando sua pol&iacute;tica no combate ao machismo. Os EMEs, que s&atilde;o f&oacute;runs auto-organizados, t&ecirc;m produzido formula&ccedil;&otilde;es com muita unidade na luta contra a opress&atilde;o das mulheres. A aprova&ccedil;&atilde;o da cota de 30% da diretoria da entidade, as campanhas contra trotes machistas, a luta por creches, a campanha pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, a garantia de mesas e debates referente &agrave; luta das mulheres nos f&oacute;runs da UNE, mecanismos de combate ao machismo no dia a dia do movimento estudantil s&atilde;o todas lutas que surgem e ganham corpo nos encontros.<br /><br />S&atilde;o todas defesas apresentadas com muita unidade por todos os campos que comp&otilde;e o movimento estudantil. Al&eacute;m disso, o EME &eacute; um espa&ccedil;o onde muitas meninas pela primeira vez se sentem &agrave; vontade para falar em p&uacute;blico e serem ouvidas. Muitas, tamb&eacute;m, come&ccedil;am a participar do movimento estudantil atrav&eacute;s dos EME e de espa&ccedil;os auto-organizados.<br /><br /><strong>Como ser feminista no dia a dia, na universidade, sem parecer ranzinza ou separatista?<br /><br /></strong>&Eacute; importante tratar do debate feminista com seriedade dentro dos movimentos sociais, entendendo que qualquer afirma&ccedil;&atilde;o de vontade de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade, necessariamente, tem que passar pelo combate ao machismo. N&atilde;o se pode separar a luta feminista da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. Logo, a resist&ecirc;ncia que a luta feminista enfrenta no dia a dia da universidade tem como fundamento justamente o fato dela evidenciar com grande clareza as contradi&ccedil;&otilde;es da nossa sociedade.<br /><br />Assim, uma das formas de minimizar esta resist&ecirc;ncia &eacute; pautar com centralidade as bandeiras da luta feminista e n&atilde;o torn&aacute;-las secund&aacute;rias em prol de uma unidade que supostamente constitui pautas mais relevantes. O pr&oacute;prio fato de existir este estigma s&oacute; refor&ccedil;a a necessidade de inserir a luta feminista no centro da luta pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade. O fato dessa pauta apresentar mais resist&ecirc;ncia do que outras &eacute; que talvez haja ainda um obst&aacute;culo maior que os outros.<br /><br /><strong>Uma das pautas da Jornada de Lutas da Juventude foi a den&uacute;ncia do exterm&iacute;nio da juventude, principalmente os jovens negros da periferia. Como a UNE v&ecirc; essa quest&atilde;o?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de mostram que metade das v&iacute;timas de homic&iacute;dios no Brasil t&ecirc;m entre 15 e 29 anos e sete de cada dez jovens assassinados s&atilde;o negros, sendo mais de 90% do sexo masculino. Esses dados s&atilde;o alarmantes! A UNE junto a outros movimentos de juventude tem se dedicado a essa luta. &Eacute; importante destacar a centralidade dada ao tema na Jornada de Lutas da Juventude Brasileira no in&iacute;cio desse ano.<br /><br />E n&atilde;o s&oacute; isso. O fato da UNE ter uma Diretoria de Combate ao Racismo, que em di&aacute;logo com o movimento negro, tem constru&iacute;do pautas importantes para a juventude negra, tamb&eacute;m demonstra a import&acirc;ncia dada pela entidade para esta luta espec&iacute;fica.<br /><br />A defesa das cotas raciais, uma bandeira defendida j&aacute; h&aacute; muito tempo pela UNE como central para a democratiza&ccedil;&atilde;o da universidade e da sociedade, vem justamente da an&aacute;lise da entidade de que a juventude negra exerce um papel fundamental para o avan&ccedil;o de um projeto de esquerda.<br /><br /><strong>As pol&iacute;ticas de cotas ainda causam pol&ecirc;mica e ouvem-se e leem-se algumas posi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias. Qual a sua opini&atilde;o sobre a pol&iacute;tica de cotas? Para voc&ecirc;, a sociedade brasileira tem compreendido seu verdadeiro sentido?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sou favor&aacute;vel a todos os tipos de cotas. As cotas raciais s&atilde;o fundamentais para tentar minimizar uma diferen&ccedil;a social existente entre negros e brancos constru&iacute;da historicamente. Acredito que avan&ccedil;amos consideravelmente, na &uacute;ltima d&eacute;cada em especial. Logicamente ainda &eacute; algo a ser disputado na sociedade com grande prioridade, mas &eacute; ineg&aacute;vel que hoje temos a opini&atilde;o p&uacute;blica muito mais favor&aacute;vel. A aprova&ccedil;&atilde;o das cotas raciais no Congresso Nacional, o julgamento pela constitucionalidade de sua aplica&ccedil;&atilde;o e as recentes publica&ccedil;&otilde;es at&eacute; mesmo da grande m&iacute;dia dando conta dos resultados exitosos das pol&iacute;ticas de cotas s&atilde;o exemplos claros disto.<br /><br />E mais, vemos at&eacute; os representantes dos setores mais conservadores da sociedade ter que darem declara&ccedil;&otilde;es de que defendem tal pol&iacute;tica, como ACM Neto e Geraldo Alckmin. Ou seja, os setores mais conservadores que antes at&eacute; mesmo utilizavam a pauta anticotas para angariar alguns votos da esquerda, passaram a ter que defend&ecirc;-las para n&atilde;o perder votos. Passaram claramente da ofensiva para a defensiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A UNE &eacute; muito cobrada, principalmente por meio das redes sociais, por defender muitas bandeiras com o governo. Como voc&ecirc; responde a essas cr&iacute;ticas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como disse anteriormente, acredito que existem dois grandes projetos em disputa neste momento na sociedade e cabe a todos os atores do campo da esquerda dialogarem entre si para que a pautas hist&oacute;ricas e novas que significam avan&ccedil;os para a nossa sociedade sejam implementadas de fato. A partir do momento que avaliamos que o atual governo contribui para o projeto de supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, passa a ser fundamental que n&atilde;o o encaremos com uma postura id&ecirc;ntica da que tivemos contra um governo neoliberal.<br /><br />Mas isto n&atilde;o significa que cumpramos o mesmo papel que o governo, pois &eacute; algo fundamental para n&oacute;s que tenhamos independ&ecirc;ncia. Nossa rela&ccedil;&atilde;o com o governo &eacute; necessariamente uma rela&ccedil;&atilde;o de tens&atilde;o constante no sentido de tentarmos fazer valer as pautas dos movimentos sociais. Logicamente existem v&aacute;rias t&aacute;ticas para isto, que v&atilde;o do di&aacute;logo &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o p&uacute;blica em diferentes momentos e temas.<br /><br />Um bom exemplo desta rela&ccedil;&atilde;o que envolve di&aacute;logo, negocia&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o popular se deu agora para a aprova&ccedil;&atilde;o dos 10% do PIB e a destina&ccedil;&atilde;o dos royalties do petr&oacute;leo para a educa&ccedil;&atilde;o. Ambas as pautas foram constru&iacute;das pelos movimentos sociais, com destaque para a atua&ccedil;&atilde;o da UNE, sendo que foram v&aacute;rias as a&ccedil;&otilde;es adotadas para que tal pauta se tornasse prov&aacute;vel no presente momento.<br /><br /><strong>Durante o EME voc&ecirc; falou muito sobre mudan&ccedil;a de valores nos jovens brasileiros. Que mudan&ccedil;a &eacute; essa? Essa mudan&ccedil;a &eacute; poss&iacute;vel? O que te faz acreditar nisso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nos &uacute;ltimos 10 anos existe uma luta pela supera&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo e esta luta desconstruiu importantes dogmas neoliberais, como a pol&iacute;tica de aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, pol&iacute;ticas de universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, inclusive no ensino superior, a redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade por interm&eacute;dio de a&ccedil;&otilde;es diretas do Estado etc. H&aacute; ainda um sentimento geral junto &agrave; nossa juventude de que o Brasil ter&aacute; um bom futuro pela frente. Agora, &eacute; fundamental que a juventude se paute por valores que contribuam nesta caminhada de um pa&iacute;s mais justo e solid&aacute;rio. Ou seja, ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&oacute;s-neoliberais, &eacute; importante que os valores que baseiam essas pol&iacute;ticas sejam incorporados como fundamentais para o avan&ccedil;o do nosso pa&iacute;s e que superemos os valores que sustentam o modelo neoliberal.<br /><br />Assim, &eacute; fundamental que a juventude incorpore a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos direitos sociais como algo mais importante do que o poder econ&ocirc;mico de contratar servi&ccedil;os privados. Ou seja, trata-se reconstruir a import&acirc;ncia da primazia do p&uacute;blico sobre o privado. Pautas que claramente contribuem para isso s&atilde;o a da valoriza&ccedil;&atilde;o do SUS contra a expans&atilde;o dos planos de sa&uacute;de, a da Reforma Pol&iacute;tica com financiamento p&uacute;blico de campanha e o marco regulat&oacute;rio da m&iacute;dia, que coloca os cidad&atilde;os com mais direitos e os grandes conglomerados de m&iacute;dia nacionais com menos privil&eacute;gios econ&ocirc;micos, possibilitando sua democratiza&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><strong>Para a sua gera&ccedil;&atilde;o, o que representa a conquista dos 10% do PIB para a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&Eacute; a grande vit&oacute;ria da nossa gera&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; pelo significado da aprova&ccedil;&atilde;o de tal pol&iacute;tica, que faz com que se trate a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica prioridade in&eacute;dita ap&oacute;s a redemocratiza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pelo fato de tal luta ter sido constru&iacute;da desde o seu come&ccedil;o com protagonismo da UNE.<br /><br /><strong>Como vice-presidenta da UNE, imaginamos que o seu dia a dia deva ser bem corrido. Tem tempo de ir ao cinema, ler um livro, namorar? O que gosta de fazer no tempo livre?</strong><br /><br />A op&ccedil;&atilde;o por militar &eacute; algo que, apesar de ser bem trabalhoso, &eacute; bastante gratificante. Logo, o tempo dedicado a ela &eacute; bem prazeroso. Mas sem d&uacute;vidas sempre temos que arrumar um tempinho para passar nosso tempo livre ao lado de pessoas queridas. Procuro, sempre que posso, passear. Gosto, principalmente, de ir ao cinema e, tamb&eacute;m, curtir minha sobrinha. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; leitura estou acabando o quinteto isl&acirc;mico do Tariq Ali.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por Cristiane Tada e Rafael Minoro<br /></em><em>Fotos: F&aacute;bio Bardella</em></p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Mon, 13 May 2013 20:57:45 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>O homem errado</title>
<link>http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=677551</link>
<guid isPermaLink="true">http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/item?item%5fid=677551</guid>
<description><![CDATA[<img src="http://www.democraciasocialista.org.br/democraciasocialista/noticias/image/677558"><br><p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Por Emiliano Jos&eacute;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">N&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;do o debate em torno do papel da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica no impeachment de Collor. Nem t&atilde;o cedo estar&aacute;. H&aacute;, quase majoritariamente, fora da academia, uma vis&atilde;o que superestima esse papel e que, por isso, quem sabe, subestima a trajet&oacute;ria anterior, quase tenta esconder o fato de a esmagadora maioria dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o terem apoiado Collor na campanha e, tamb&eacute;m, sustentado entusiasticamente seu governo at&eacute; a eclos&atilde;o da crise, com a entrevista de Pedro Collor &agrave; revista Veja. Fundamental ressalvar a exce&ccedil;&atilde;o de Isto&Eacute;, que foi essencial, tanto na campanha quanto durante o governo de Collor nas den&uacute;ncias dos graves problemas que aparecer&atilde;o depois, como por m&aacute;gica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Eu pr&oacute;prio escrevi um livro sobre o assunto, abordando especialmente o papel da imprensa escrita. Creio ter me aproximado razoavelmente da an&aacute;lise das causas daquele epis&oacute;dio. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, quando nos encontramos ainda t&atilde;o pr&oacute;ximos dos acontecimentos, chegar a conclus&otilde;es seguras, mas &eacute; preciso ousar. Aqui, tentarei desenvolver um pouco mais o que iniciei nos estudos do Mestrado na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Bahia, e que resultou no livro Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas, j&aacute; com duas edi&ccedil;&otilde;es. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Uma crise pol&iacute;tica pode ser s&oacute; uma crise pol&iacute;tica. Dito de outra forma, ela pode n&atilde;o se ligar diretamente &agrave; economia, embora dificilmente se d&ecirc; de forma t&atilde;o limpa. Poulantzas diria que nada mais falso do que acreditar que uma crise pol&iacute;tica, uma condensa&ccedil;&atilde;o das lutas de classe a n&iacute;vel pol&iacute;tico e no seio do Estado, s&oacute; possa resultar de uma crise econ&ocirc;mica no sentido estrito. Nessa linha de combate ao economicismo, vamos encontrar um sem n&uacute;mero de autores, entre os quais, al&eacute;m de Poulantzas, devo destacar Antonio Gramsci, o not&aacute;vel intelectual e dirigente comunista italiano.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">S&oacute; que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel imaginar crises pol&iacute;ticas completamente deslocadas do mundo material, sem algum enlace com a vida econ&ocirc;mica, nem que de rasp&atilde;o, que acho foi o caso da crise que resultou na queda do presidente da Rep&uacute;blica. Ela n&atilde;o decorreu de uma crise econ&ocirc;mica, de modo nenhum. Mas, os atores econ&ocirc;micos n&atilde;o est&atilde;o inteiramente &agrave; margem dela. A seu modo, com seus espec&iacute;ficos movimentos e sinais, participam daquela conjuntura, interv&eacute;m nela. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O Brasil rec&eacute;m sa&iacute;ra de uma ditadura. Os ventos democr&aacute;ticos decorrentes da acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as ocorrida no pr&oacute;prio processo de luta contra o regime autorit&aacute;rio garantiram que a Constitui&ccedil;&atilde;o que se seguiu, a de 1988, tenha sido inegavelmente a melhor que o pa&iacute;s j&aacute; produzira, com um s&oacute;lido acento social-democrata, com uma matriz fortemente democr&aacute;tica. Foram esses ventos que n&atilde;o permitiram que o neoliberalismo se implantasse logo em seguida, que s&oacute; tenha tido a possibilidade de aparecer com sua face real nos meados dos anos 1990. Sarney fora um acidente hist&oacute;rico, decorrente da morte de Tancredo Neves. Foi um governo err&aacute;tico, especialmente depois da derrota do Plano Cruzado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para as primeiras elei&ccedil;&otilde;es diretas do p&oacute;s-ditadura, as classes dominantes brasileiras procuravam um ator que conseguisse levar &agrave; frente um programa que satisfizesse seus interesses, e estes estavam vinculados, n&atilde;o importa se muito claramente ou n&atilde;o, a uma perspectiva neoliberal, em ascens&atilde;o no mundo. Margaret Thatcher dava-lhes r&eacute;gua e compasso. &Agrave; falta de um ator melhor, foram buscar Collor, e com ele conseguiram a vit&oacute;ria, derrotando Lula no segundo turno. E dois anos de governo depois, irrompe a crise pol&iacute;tica. A pergunta que se imp&otilde;e: e por que raz&atilde;o a crise n&atilde;o explodiu antes, j&aacute; que a esmagadora maioria das coisas ditas por Pedro Collor, irm&atilde;o do presidente, &agrave; revista Veja, j&aacute; havia sido revelada por Isto&Eacute;?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Aqui &eacute; que a porca torce o rabo. A mim me parece que o governo Collor, muito cedo, atemorizou as classes dominantes, tanto quanto o fez em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s camadas m&eacute;dias, &agrave; pequena burguesia. Bernardo Kucinski chega a dizer que uma das melhores hip&oacute;teses para explicar o Collorgate &eacute; a de que Veja e Isto&Eacute; estivessem expressando um profundo sentimento da classe m&eacute;dia brasileira, que se considerava tra&iacute;da pelo presidente por conta do confisco da poupan&ccedil;a. Como parte da explica&ccedil;&atilde;o, sem d&uacute;vida. Creio que h&aacute;, no entanto, uma hip&oacute;tese mais ampla, sem que se elimine tamb&eacute;m a insatisfa&ccedil;&atilde;o das camadas m&eacute;dias como uma das causas. &nbsp;Penso que come&ccedil;ava a se insinuar, ent&atilde;o, uma crise de hegemonia pelo que tinha aquele governo de imprevis&iacute;vel, e as classes dominantes n&atilde;o gostam de governos imprevis&iacute;veis, e que, al&eacute;m de tudo, contrariem seus interesses de curto e longo prazo. O contrariar interesses, no caso Collor, dava-se mais pela falta de rumos claros, da aus&ecirc;ncia de &nbsp;aplica&ccedil;&atilde;o de um programa n&iacute;tido, do que por qualquer proposta reformista que pudesse assust&aacute;-las. Era um governo de direita, como pediram as classes dominantes, mas imprevis&iacute;vel, perigoso, assim. &Eacute; como se as classes dominantes come&ccedil;assem a dizer &ldquo;n&atilde;o foi isto o combinado&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Sempre tomando o cuidado de n&atilde;o pretender conferir similitude a situa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas diversas, n&atilde;o custa lembrar o que dizia Marx no 18 Brum&aacute;rio: diante daquela torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria que a Fran&ccedil;a vivia, a burguesia sentia-se autorizada a exigir que seus representantes pusessem fim &agrave;quele quadro e, simultaneamente, mantivessem o status quo. E pediram o aux&iacute;lio da espada.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">De alguma forma, o governo Collor como que colocou o Brasil numa torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria, gerando um clima de instabilidade permanente, que, como j&aacute; ressaltado, n&atilde;o interessa &agrave;s classes dominantes. Assim, a crise que eclode pelas p&aacute;ginas das revistas e jornais, e que tem uma vida relativamente breve &ndash; de maio a setembro de 1992, se tomamos a entrevista de Pedro Collor &agrave; revista Veja como in&iacute;cio e o impeachment como finaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; j&aacute; estava relativamente madura, vinha se desenvolvendo com a evidente perda de apoio social de Collor.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Por perda de apoio social, leia-se especialmente o apoio das classes dominantes, que come&ccedil;aram a torcer o nariz para ele desde que sentiram que o modelo alagoano levava em conta apenas e t&atilde;o-somente o pequeno grupo que cercava o presidente, e n&atilde;o o conjunto de interesses das classes dominantes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Assim, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil concluir que a velha m&iacute;dia entra no jogo quando as condi&ccedil;&otilde;es subjetivas est&atilde;o maduras, quando os de cima est&atilde;o desejando aquela interven&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o querendo que se bata o tambor, que a crise exploda com a devida intensidade. Poderia t&ecirc;-lo feito antes, e n&atilde;o o fez por sentir que ainda n&atilde;o era hora. Deixou a revista Isto&Eacute; clamando no deserto, solit&aacute;ria. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Claro que nada se d&aacute; de forma autom&aacute;tica, nem linear. Claro que h&aacute; din&acirc;micas pr&oacute;prias da m&iacute;dia, como alguns logo poder&atilde;o alertar, e h&aacute;. S&oacute; que a m&iacute;dia silenciou diante das mesmas coisas que o Pedro Collor dir&aacute; na entrevista &agrave; Veja, em maio de 1992. &Eacute; fato. At&eacute; ali, nada aconteceu, a n&atilde;o ser o estrondoso sil&ecirc;ncio diante do not&aacute;vel trabalho de Isto&Eacute;, como j&aacute; ressaltado. Claro que a crise podia apenas e t&atilde;o-somente atingir o objetivo &ldquo;de deixar o Collor do tamanho do Nelson Ned&rdquo;, como diria bem antes do impeachment o deputado Benito Gama, liderado do ent&atilde;o governador Antonio Carlos Magalh&atilde;es, que pretendia preservar Collor no poder, desde que fraco. O PFL n&atilde;o queria derrub&aacute;-lo. Apenas deix&aacute;-lo menor. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A&iacute;, sem d&uacute;vida, a m&iacute;dia e depois os caras-pintadas desempenharam um papel essencial para que o desdobramento da crise fosse o impeachment. Portanto, a crise que resultou no primeiro e &uacute;nico impeachment de um presidente n&atilde;o caiu como um raio num dia de c&eacute;u azul. As classes dominantes n&atilde;o o queriam mais. Era necess&aacute;rio tir&aacute;-lo da frente para que tudo permanecesse como dantes no quartel de Abrantes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E &agrave; m&iacute;dia cabia partir para o estardalha&ccedil;o, fazer todo o barulho que fosse poss&iacute;vel para que o objetivo fosse alcan&ccedil;ado, e foi. N&atilde;o fosse o impeachment, e Collor, no m&iacute;nimo, estaria subjugado &agrave;s for&ccedil;as mais conservadoras do Congresso Nacional, Antonio Carlos Magalh&atilde;es &agrave; frente, e de qualquer forma, do ponto de vista das classes dominantes, n&atilde;o provocaria aquela sensa&ccedil;&atilde;o de torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Pode ter acontecido que a imprensa, antes mesmo que muitas parcelas dominantes das &aacute;reas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas tivessem consci&ecirc;ncia plena da gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, tenha se dado conta de que Collor podia n&atilde;o s&oacute; deixar de consolidar um consenso hegem&ocirc;nico estabelecido h&aacute; tanto tempo, coisa de que fato ele n&atilde;o conseguiu. Como, tamb&eacute;m, Collor poderia abrir as portas para um per&iacute;odo conturbado, incerto, no pa&iacute;s, com a eventual entrada em cena das classes dominadas, o velho temor de quem est&aacute; por cima da carne seca. Antes que eles o fa&ccedil;am, fa&ccedil;amos n&oacute;s &ndash; tem sido assim as nossas transi&ccedil;&otilde;es pactuadas, sempre por cima, como no caso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A imprensa, nessa opera&ccedil;&atilde;o, contribuiu para a constru&ccedil;&atilde;o, ou reconstru&ccedil;&atilde;o, de um consenso baseado nas velhas f&oacute;rmulas e quase que nos mesmos atores. N&atilde;o participou de forma t&atilde;o exclusivamente profissional, como &agrave;s vezes se pretende fazer crer. Sabia sempre o jogo pol&iacute;tico que estava jogando, mesmo que n&atilde;o dominasse todas as consequ&ecirc;ncias. Tirar Collor, a partir de certo momento, tornou-se imperioso para restabelecer a ordem e a calma sob um velho, mas renovado, consenso &ndash; disso a velha m&iacute;dia tinha consci&ecirc;ncia. E a ordem e a calma combinavam com a continuidade da mesma pol&iacute;tica de Collor, que era apenas o homem errado. O programa era certo, como acreditou a m&iacute;dia sempre.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Bob Fernandes e Jo&atilde;o Santana, dois not&aacute;veis jornalistas, me deram excelentes entrevistas sobre essa conjuntura jornal&iacute;stica quando do meu mestrado, e que est&atilde;o no livro Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas. Bob Fernandes continua jornalista. &nbsp;Jo&atilde;o Santana &eacute; hoje homem da comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tendo dirigido campanhas de Lula, Dilma, Fernando Haddad, para lembrar algumas. Bob Fernandes &eacute; um dos melhores rep&oacute;rteres que conheci, como o &eacute; tamb&eacute;m Jo&atilde;o Santana.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Desde o come&ccedil;o do governo Collor, Bob diz que come&ccedil;ou a encontrar muita gente profundamente insatisfeita com os rumos da nova gest&atilde;o. Essa gente dizia que estava tendo que pagar 33% quando a taxa hist&oacute;rica da corrup&ccedil;&atilde;o, segundo as fontes de Bob Fernandes, sempre andara na casa dos 10%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;A gente tem de dizer que o que detonou o Collor desde o come&ccedil;o, e at&eacute; quase o final, foram movimentos feitos em grande parte pelos corruptores. Porque o esquema dele era t&atilde;o pesado, e t&atilde;o amador, que incomodava a quem pagava. N&atilde;o foram, como a gente diz, os jornais, as revistas, a imprensa que liquidaram Collor ap&oacute;s grande movimenta&ccedil;&atilde;o da sociedade civil.&rdquo;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ressalta que Isto&Eacute; fez o trabalho que fez porque o redator-chefe era Mino Carta e porque o dono, Domingo Alzugaray deu sinal verde para que a revista seguisse adiante. Assim, na opini&atilde;o dele, a pauta em torno da corrup&ccedil;&atilde;o no governo j&aacute; vinha sendo amplamente cumprida por Isto&Eacute;, e h&aacute; muito tempo. Quando estourou a entrevista do Pedro Collor parecia que tudo era novidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">&ldquo;O que o Pedro Collor conta de novo naquela sequ&ecirc;ncia de entrevistas &eacute; a coca&iacute;na e a mulher, o roteiro da coca&iacute;na e a mulher que o cara tentou cantar e ele detalha coisas do esquema. O que o Pedro faz &eacute;, por for&ccedil;a do parentesco, dar um impacto gigantesco, n&atilde;o permitir que houvesse d&uacute;vidas. Mas, o roteiro do crime estava esmiu&ccedil;ado desde antes. O papel de investiga&ccedil;&atilde;o da imprensa n&atilde;o teve o tamanho, a precis&atilde;o e o timing, em especial o timing, que a imprensa se outorgou. Salvo no epis&oacute;dio do motorista Eriberto e na Opera&ccedil;&atilde;o Uruguai&rdquo;. &nbsp;</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">N&atilde;o &eacute; muito diferente a posi&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Santana, que sucedeu Bob na Isto&Eacute;. Para ele, o que acontece, de modo geral, com a imprensa brasileira no per&iacute;odo pr&eacute;-CPI do PC &ndash; refer&ecirc;ncia a Paulo C&eacute;sar Farias, principal operador de Collor &ndash; &eacute; a continuidade da pol&iacute;tica de alian&ccedil;a da grande imprensa com o presidente, &ldquo;que fora tecida, quase unanimemente, desde o segundo turno da campanha eleitoral&rdquo;. Na opini&atilde;o dele, quem rompe com essa alian&ccedil;a &eacute; um personagem e um fato imprevis&iacute;veis &ndash; den&uacute;ncia de Pedro Collor &agrave; revista Veja.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E, como ele ressalta, n&atilde;o foi a imprensa quem descobriu Pedro Collor, mas este que a utilizou da maneira que quis e no momento que quis, avaliando as consequ&ecirc;ncias que teria, embora talvez n&atilde;o conseguisse medir tudo que iria ocorrer. Assim, Santana pergunta, &ldquo;onde estava este grande 'jornalismo investigativo' durante a campanha de Collor, durante seu primeiro tempo de governo, e at&eacute; mesmo durante a CPI? Talvez estivesse ainda para nascer, como continua at&eacute; hoje&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O que desejo frisar, e tentar corrigir, &eacute; o equ&iacute;voco da leitura, j&aacute; consolidada, de que o caso Collor significou o &aacute;pice do jornalismo investigativo. Isso &eacute; falso. Ele foi, sim, o momento glorioso da competi&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, quando todos os ve&iacute;culos da grande imprensa lan&ccedil;aram-se num jogo decisivo de sobreviv&ecirc;ncia, um jogo de vida e morte. O jornalismo investigativo brasileiro continua, antes e depois de Collor, onde sempre esteve: na estaca zero.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O que Jo&atilde;o Santana chama de banho purificador da grande imprensa no per&iacute;odo Collor, n&atilde;o foi acompanhado, como ele mesmo ressalta, por nenhuma autocr&iacute;tica. E isso, esse autoendeusamento, refor&ccedil;ou &ldquo;uma s&eacute;rie de aspectos negativos da imprensa brasileira, como, por exemplo, a irresponsabilidade no trato com a not&iacute;cia, com a vida e a intimidade das pessoas&rdquo;. Refor&ccedil;ou, acrescenta Santana, &ldquo;uma doen&ccedil;a que &eacute; universal no jornalista &ndash; a vaidade&rdquo;. A imprensa come&ccedil;ou a pensar que de fato faz jornalismo investigativo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">E n&oacute;s sabemos, muito bem, que boa parte da imprensa &eacute; incompetente, que agride a sociedade terrivelmente, pois trabalha de forma irrespons&aacute;vel e nem sempre honesta, que nem sempre &eacute; profissional. O day-after do caso Collor deixou uma ressaca de vaidade e f&uacute;ria denunciante &iacute;mpar na imprensa brasileira. Partiu-se para se querer destruir tudo e todos. Uma coisa sanguin&aacute;ria. Acho que a imprensa brasileira tem que partir para uma reflex&atilde;o interna profunda ou ela, logo, logo, vai ser cobrada. N&oacute;s n&atilde;o podemos nos julgar acima das institui&ccedil;&otilde;es.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Collor sofre o impeachment no dia 29 de setembro de 1992. No final de dezembro, ap&oacute;s decis&atilde;o do Senado, assume o novo presidente da Rep&uacute;blica, Itamar Franco, porque vice-presidente da Rep&uacute;blica. A interven&ccedil;&atilde;o dos de baixo, os caras-pintadas, se contribuiu para algum avan&ccedil;o, algum, quanto &agrave; &eacute;tica na pol&iacute;tica, n&atilde;o significou nenhum abalo no quadro hegem&ocirc;nico de ent&atilde;o, e creio que esse registro &eacute; necess&aacute;rio para que n&atilde;o se superestime a presen&ccedil;a dos caras-pintadas. Itamar ser&aacute; uma esp&eacute;cie de antessala para o dom&iacute;nio neoliberal que vir&aacute;, com a elei&ccedil;&atilde;o de Fernando Henrique Cardoso, e a atua&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em 1994, para eleger FHC, ser&aacute; tratada em outro cap&iacute;tulo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Para concluir quero apenas precisar o que quis dizer quando falei que Collor era o homem errado. Acontece que a velha m&iacute;dia participa de modo decisivo na derrubada de Collor, mas lamenta que o impeachment tenha de acontecer, especialmente porque declaradamente apoiava o programa dele. &nbsp;Aqui n&atilde;o se trata de especula&ccedil;&atilde;o: majoritariamente, a m&iacute;dia hegem&ocirc;nica expressou essa posi&ccedil;&atilde;o. E &eacute; isso que pretendo demonstrar, ao final desse ensaio, limitando-me ao jornalismo impresso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">A Folha de S. Paulo, edi&ccedil;&atilde;o de 30 de setembro de 1992, portanto, dia seguinte ao impeachment, dia das manchetes da sa&iacute;da de Collor, faz uma afirma&ccedil;&atilde;o reveladora da rela&ccedil;&atilde;o dela com Collor: A sociedade exigiu a sa&iacute;da do presidente em nome de um Brasil novo que ele mesmo prop&ocirc;s e traiu.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Clara a posi&ccedil;&atilde;o: o neoliberalismo proposto por Collor era positivo, bem-vindo. Assim, um Collor menos fechado em seu grupo palaciano, mais aberto a outras influ&ecirc;ncias dos de cima, inclusive aberto &agrave;s propostas dos poderosos grupos midi&aacute;ticos, poderia ter ca&iacute;do nas gra&ccedil;as da Folha, que durante a campanha declarou sua simpatia pelo ca&ccedil;ador de maraj&aacute;s, e contra Lula.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Ser&aacute; que a Folha de S. Paulo estaria solit&aacute;ria nessa ousadia de declarar sua ades&atilde;o ao programa de Collor, apesar do impeachment? N&atilde;o, n&atilde;o a deixaram s&oacute;. O jornal O Estado de S. Paulo tamb&eacute;m declara, no dia 30 de setembro, que concordava com o programa de Collor. Vale a pena recordar a chamada de primeira p&aacute;gina: O povo n&atilde;o errou ao escolher quem prometia a reforma e a moderniza&ccedil;&atilde;o. Foi tra&iacute;do pela cobi&ccedil;a de alguns, pela cumplicidade de muitos, pelo sil&ecirc;ncio dos que se recusaram a dizer n&atilde;o. A hora n&atilde;o &eacute; de j&uacute;bilo, mas de construir o futuro. Que o epis&oacute;dio de ontem sirva de li&ccedil;&atilde;o. O Brasil merece o sacrif&iacute;cio da grande luta pelo seu destino.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">No editorial, &agrave; p&aacute;gina 3, o Estad&atilde;o afirma que da perspectiva da modernidade &ldquo;o programa com que o sr. Collor de Mello se apresentou &agrave; Na&ccedil;&atilde;o em 1989 ainda &eacute; v&aacute;lido &ndash; talvez o &uacute;nico capaz de oferecer uma esperan&ccedil;a aos que sofreram por acreditar naquele que simbolizava os jovens afastados das decis&otilde;es pol&iacute;ticas desde 1964&rdquo;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">F&aacute;cil a constata&ccedil;&atilde;o da unidade entre a Folha e o Estad&atilde;o neste caso. Comemoram a sa&iacute;da de Collor, mas ambos acreditam que Collor traiu a confian&ccedil;a nele depositada. E o que se enfatiza na trai&ccedil;&atilde;o &eacute; a n&atilde;o consecu&ccedil;&atilde;o do programa modernizador. Lamenta-se a corrup&ccedil;&atilde;o, e as manchetes todas s&atilde;o muito fortes, mas acredita-se, n&atilde;o fosse ela, e tudo estaria no melhor dos mundos. Quem sabe, n&atilde;o tendo havido a corrup&ccedil;&atilde;o em grau t&atilde;o exagerado, poderia o Brasil, aplicado o programa de Collor, viver dias felizes. Esse parece ser o sentimento b&aacute;sico dos dois jornais e de toda a velha m&iacute;dia, exce&ccedil;&atilde;o, ainda, de Isto&Eacute;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O Jornal do Brasil, do mesmo dia 30 de setembro, n&atilde;o fugiu &agrave; regra. No editorial A hora dos brasileiros fica clara sua posi&ccedil;&atilde;o: &nbsp;Evidentemente, caso venha a assumir, Itamar Franco ter&aacute; de formar um governo de consenso e realizar a tarefa herc&uacute;lea de assegurar a continuidade dos projetos modernizadores, tais como a reforma fiscal, a moderniza&ccedil;&atilde;o dos portos, a privatiza&ccedil;&atilde;o e a desregulamenta&ccedil;&atilde;o da economia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Quanto a esse ponto, o do programa, parece n&atilde;o haver d&uacute;vidas: a imprensa hegem&ocirc;nica quase chega &agrave; unanimidade. Era preciso derrubar o homem, mas manter o programa que ele apresentara &agrave; Na&ccedil;&atilde;o, e que expressava o projeto pol&iacute;tico da pr&oacute;pria m&iacute;dia. Com essa unidade de prop&oacute;sitos, entende-se por que, durante tanto tempo, Collor foi o homem dos sonhos da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica. Frustraram-se com ele, derrubaram-no, e agora s&oacute; restava, mais &agrave; frente, encontrar outro personagem que pudesse personificar aquele programa, executar aquele conjunto de ideias. O novo pr&iacute;ncipe n&atilde;o demoraria a surgir.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">JOS&Eacute;, Emiliano. Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas : a CPI do PC, do Collor e do Or&ccedil;amento numa an&aacute;lise in&eacute;dita. 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Salvador: Edufba, 2010. &nbsp;Com depoimentos de Antonio Fausto Neto, Augusto Fonseca, Bob Fernandes, Cl&oacute;vis Rossi, Jo&atilde;o Santana Filho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">KUCINSKI, Bernardo. A S&iacute;ndrome da Antena Parab&oacute;lica &ndash; &Eacute;tica no Jornalismo Brasileiro. S&atilde;o Paulo: Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 1998.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">MARX, Karl. O 18 Brum&aacute;rio e Cartas a Kugelmann. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1974.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">PORTELLI, Hugues. Gramsci e o Bloco Hist&oacute;rico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">POULANTZAS, Nico (org.). Estado em Crise. Rio de Janeiro: Edic&otilde;es Graal, 1977.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">THOMPSON, John B. O Esc&acirc;ndalo Pol&iacute;tico: Poder e Visibilidade na Era da M&iacute;dia. Petr&oacute;polis: Vozes, 2002.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Emiliano Jos&eacute; &eacute; professor-doutor (aposentado) em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;neas da Universidade Federal da Bahia, jornalista, escritor e integrante do Conselho de Reda&ccedil;&atilde;o de Teoria e Debate</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por Emiliano Jos&eacute;, na <a href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/nacional/o-homem-errado?page=full">Teoria e Debate</a></strong><br /><br />N&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;do o debate em torno do papel da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica no impeachment de Collor. Nem t&atilde;o cedo estar&aacute;. H&aacute;, quase majoritariamente, fora da academia, uma vis&atilde;o que superestima esse papel e que, por isso, quem sabe, subestima a trajet&oacute;ria anterior, quase tenta esconder o fato de a esmagadora maioria dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o terem apoiado Collor na campanha e, tamb&eacute;m, sustentado entusiasticamente seu governo at&eacute; a eclos&atilde;o da crise, com a entrevista de Pedro Collor &agrave; revista Veja. Fundamental ressalvar a exce&ccedil;&atilde;o de Isto&Eacute;, que foi essencial, tanto na campanha quanto durante o governo de Collor nas den&uacute;ncias dos graves problemas que aparecer&atilde;o depois, como por m&aacute;gica.<br /><br />Eu pr&oacute;prio escrevi um livro sobre o assunto, abordando especialmente o papel da imprensa escrita. Creio ter me aproximado razoavelmente da an&aacute;lise das causas daquele epis&oacute;dio. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, quando nos encontramos ainda t&atilde;o pr&oacute;ximos dos acontecimentos, chegar a conclus&otilde;es seguras, mas &eacute; preciso ousar. Aqui, tentarei desenvolver um pouco mais o que iniciei nos estudos do Mestrado na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Bahia, e que resultou no livro Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas, j&aacute; com duas edi&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Uma crise pol&iacute;tica pode ser s&oacute; uma crise pol&iacute;tica. Dito de outra forma, ela pode n&atilde;o se ligar diretamente &agrave; economia, embora dificilmente se d&ecirc; de forma t&atilde;o limpa. Poulantzas diria que nada mais falso do que acreditar que uma crise pol&iacute;tica, uma condensa&ccedil;&atilde;o das lutas de classe a n&iacute;vel pol&iacute;tico e no seio do Estado, s&oacute; possa resultar de uma crise econ&ocirc;mica no sentido estrito. Nessa linha de combate ao economicismo, vamos encontrar um sem n&uacute;mero de autores, entre os quais, al&eacute;m de Poulantzas, devo destacar Antonio Gramsci, o not&aacute;vel intelectual e dirigente comunista italiano.<br /><br />S&oacute; que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel imaginar crises pol&iacute;ticas completamente deslocadas do mundo material, sem algum enlace com a vida econ&ocirc;mica, nem que de rasp&atilde;o, que acho foi o caso da crise que resultou na queda do presidente da Rep&uacute;blica. Ela n&atilde;o decorreu de uma crise econ&ocirc;mica, de modo nenhum. Mas, os atores econ&ocirc;micos n&atilde;o est&atilde;o inteiramente &agrave; margem dela. A seu modo, com seus espec&iacute;ficos movimentos e sinais, participam daquela conjuntura, interv&eacute;m nela.<br /><br />O Brasil rec&eacute;m sa&iacute;ra de uma ditadura. Os ventos democr&aacute;ticos decorrentes da acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as ocorrida no pr&oacute;prio processo de luta contra o regime autorit&aacute;rio garantiram que a Constitui&ccedil;&atilde;o que se seguiu, a de 1988, tenha sido inegavelmente a melhor que o pa&iacute;s j&aacute; produzira, com um s&oacute;lido acento social-democrata, com uma matriz fortemente democr&aacute;tica. Foram esses ventos que n&atilde;o permitiram que o neoliberalismo se implantasse logo em seguida, que s&oacute; tenha tido a possibilidade de aparecer com sua face real nos meados dos anos 1990. Sarney fora um acidente hist&oacute;rico, decorrente da morte de Tancredo Neves. Foi um governo err&aacute;tico, especialmente depois da derrota do Plano Cruzado.<br /><br />Para as primeiras elei&ccedil;&otilde;es diretas do p&oacute;s-ditadura, as classes dominantes brasileiras procuravam um ator que conseguisse levar &agrave; frente um programa que satisfizesse seus interesses, e estes estavam vinculados, n&atilde;o importa se muito claramente ou n&atilde;o, a uma perspectiva neoliberal, em ascens&atilde;o no mundo. Margaret Thatcher dava-lhes r&eacute;gua e compasso. &Agrave; falta de um ator melhor, foram buscar Collor, e com ele conseguiram a vit&oacute;ria, derrotando Lula no segundo turno. E dois anos de governo depois, irrompe a crise pol&iacute;tica. A pergunta que se imp&otilde;e: e por que raz&atilde;o a crise n&atilde;o explodiu antes, j&aacute; que a esmagadora maioria das coisas ditas por Pedro Collor, irm&atilde;o do presidente, &agrave; revista Veja, j&aacute; havia sido revelada por Isto&Eacute;?<br /><br />Aqui &eacute; que a porca torce o rabo. A mim me parece que o governo Collor, muito cedo, atemorizou as classes dominantes, tanto quanto o fez em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s camadas m&eacute;dias, &agrave; pequena burguesia. Bernardo Kucinski chega a dizer que uma das melhores hip&oacute;teses para explicar o Collorgate &eacute; a de que Veja e Isto&Eacute; estivessem expressando um profundo sentimento da classe m&eacute;dia brasileira, que se considerava tra&iacute;da pelo presidente por conta do confisco da poupan&ccedil;a. Como parte da explica&ccedil;&atilde;o, sem d&uacute;vida. Creio que h&aacute;, no entanto, uma hip&oacute;tese mais ampla, sem que se elimine tamb&eacute;m a insatisfa&ccedil;&atilde;o das camadas m&eacute;dias como uma das causas. &nbsp;Penso que come&ccedil;ava a se insinuar, ent&atilde;o, uma crise de hegemonia pelo que tinha aquele governo de imprevis&iacute;vel, e as classes dominantes n&atilde;o gostam de governos imprevis&iacute;veis, e que, al&eacute;m de tudo, contrariem seus interesses de curto e longo prazo. O contrariar interesses, no caso Collor, dava-se mais pela falta de rumos claros, da aus&ecirc;ncia de &nbsp;aplica&ccedil;&atilde;o de um programa n&iacute;tido, do que por qualquer proposta reformista que pudesse assust&aacute;-las. Era um governo de direita, como pediram as classes dominantes, mas imprevis&iacute;vel, perigoso, assim. &Eacute; como se as classes dominantes come&ccedil;assem a dizer &ldquo;n&atilde;o foi isto o combinado&rdquo;.<br /><br />Sempre tomando o cuidado de n&atilde;o pretender conferir similitude a situa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas diversas, n&atilde;o custa lembrar o que dizia Marx no 18 Brum&aacute;rio: diante daquela torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria que a Fran&ccedil;a vivia, a burguesia sentia-se autorizada a exigir que seus representantes pusessem fim &agrave;quele quadro e, simultaneamente, mantivessem o status quo. E pediram o aux&iacute;lio da espada.<br /><br />De alguma forma, o governo Collor como que colocou o Brasil numa torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria, gerando um clima de instabilidade permanente, que, como j&aacute; ressaltado, n&atilde;o interessa &agrave;s classes dominantes. Assim, a crise que eclode pelas p&aacute;ginas das revistas e jornais, e que tem uma vida relativamente breve &ndash; de maio a setembro de 1992, se tomamos a entrevista de Pedro Collor &agrave; revista Veja como in&iacute;cio e o impeachment como finaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; j&aacute; estava relativamente madura, vinha se desenvolvendo com a evidente perda de apoio social de Collor.<br /><br />Por perda de apoio social, leia-se especialmente o apoio das classes dominantes, que come&ccedil;aram a torcer o nariz para ele desde que sentiram que o modelo alagoano levava em conta apenas e t&atilde;o-somente o pequeno grupo que cercava o presidente, e n&atilde;o o conjunto de interesses das classes dominantes.<br /><br />Assim, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil concluir que a velha m&iacute;dia entra no jogo quando as condi&ccedil;&otilde;es subjetivas est&atilde;o maduras, quando os de cima est&atilde;o desejando aquela interven&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o querendo que se bata o tambor, que a crise exploda com a devida intensidade. Poderia t&ecirc;-lo feito antes, e n&atilde;o o fez por sentir que ainda n&atilde;o era hora. Deixou a revista Isto&Eacute; clamando no deserto, solit&aacute;ria.<br /><br />Claro que nada se d&aacute; de forma autom&aacute;tica, nem linear. Claro que h&aacute; din&acirc;micas pr&oacute;prias da m&iacute;dia, como alguns logo poder&atilde;o alertar, e h&aacute;. S&oacute; que a m&iacute;dia silenciou diante das mesmas coisas que o Pedro Collor dir&aacute; na entrevista &agrave; Veja, em maio de 1992. &Eacute; fato. At&eacute; ali, nada aconteceu, a n&atilde;o ser o estrondoso sil&ecirc;ncio diante do not&aacute;vel trabalho de Isto&Eacute;, como j&aacute; ressaltado. Claro que a crise podia apenas e t&atilde;o-somente atingir o objetivo &ldquo;de deixar o Collor do tamanho do Nelson Ned&rdquo;, como diria bem antes do impeachment o deputado Benito Gama, liderado do ent&atilde;o governador Antonio Carlos Magalh&atilde;es, que pretendia preservar Collor no poder, desde que fraco. O PFL n&atilde;o queria derrub&aacute;-lo. Apenas deix&aacute;-lo menor.<br /><br />A&iacute;, sem d&uacute;vida, a m&iacute;dia e depois os caras-pintadas desempenharam um papel essencial para que o desdobramento da crise fosse o impeachment. Portanto, a crise que resultou no primeiro e &uacute;nico impeachment de um presidente n&atilde;o caiu como um raio num dia de c&eacute;u azul. As classes dominantes n&atilde;o o queriam mais. Era necess&aacute;rio tir&aacute;-lo da frente para que tudo permanecesse como dantes no quartel de Abrantes.<br /><br />E &agrave; m&iacute;dia cabia partir para o estardalha&ccedil;o, fazer todo o barulho que fosse poss&iacute;vel para que o objetivo fosse alcan&ccedil;ado, e foi. N&atilde;o fosse o impeachment, e Collor, no m&iacute;nimo, estaria subjugado &agrave;s for&ccedil;as mais conservadoras do Congresso Nacional, Antonio Carlos Magalh&atilde;es &agrave; frente, e de qualquer forma, do ponto de vista das classes dominantes, n&atilde;o provocaria aquela sensa&ccedil;&atilde;o de torturante situa&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria.<br /><br />Pode ter acontecido que a imprensa, antes mesmo que muitas parcelas dominantes das &aacute;reas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas tivessem consci&ecirc;ncia plena da gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, tenha se dado conta de que Collor podia n&atilde;o s&oacute; deixar de consolidar um consenso hegem&ocirc;nico estabelecido h&aacute; tanto tempo, coisa de que fato ele n&atilde;o conseguiu. Como, tamb&eacute;m, Collor poderia abrir as portas para um per&iacute;odo conturbado, incerto, no pa&iacute;s, com a eventual entrada em cena das classes dominadas, o velho temor de quem est&aacute; por cima da carne seca. Antes que eles o fa&ccedil;am, fa&ccedil;amos n&oacute;s &ndash; tem sido assim as nossas transi&ccedil;&otilde;es pactuadas, sempre por cima, como no caso.<br /><br />A imprensa, nessa opera&ccedil;&atilde;o, contribuiu para a constru&ccedil;&atilde;o, ou reconstru&ccedil;&atilde;o, de um consenso baseado nas velhas f&oacute;rmulas e quase que nos mesmos atores. N&atilde;o participou de forma t&atilde;o exclusivamente profissional, como &agrave;s vezes se pretende fazer crer. Sabia sempre o jogo pol&iacute;tico que estava jogando, mesmo que n&atilde;o dominasse todas as consequ&ecirc;ncias. Tirar Collor, a partir de certo momento, tornou-se imperioso para restabelecer a ordem e a calma sob um velho, mas renovado, consenso &ndash; disso a velha m&iacute;dia tinha consci&ecirc;ncia. E a ordem e a calma combinavam com a continuidade da mesma pol&iacute;tica de Collor, que era apenas o homem errado. O programa era certo, como acreditou a m&iacute;dia sempre.<br /><br />Bob Fernandes e Jo&atilde;o Santana, dois not&aacute;veis jornalistas, me deram excelentes entrevistas sobre essa conjuntura jornal&iacute;stica quando do meu mestrado, e que est&atilde;o no livro Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas. Bob Fernandes continua jornalista. &nbsp;Jo&atilde;o Santana &eacute; hoje homem da comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tendo dirigido campanhas de Lula, Dilma, Fernando Haddad, para lembrar algumas. Bob Fernandes &eacute; um dos melhores rep&oacute;rteres que conheci, como o &eacute; tamb&eacute;m Jo&atilde;o Santana.<br /><br />Desde o come&ccedil;o do governo Collor, Bob diz que come&ccedil;ou a encontrar muita gente profundamente insatisfeita com os rumos da nova gest&atilde;o. Essa gente dizia que estava tendo que pagar 33% quando a taxa hist&oacute;rica da corrup&ccedil;&atilde;o, segundo as fontes de Bob Fernandes, sempre andara na casa dos 10%.<br /><br />&ldquo;A gente tem de dizer que o que detonou o Collor desde o come&ccedil;o, e at&eacute; quase o final, foram movimentos feitos em grande parte pelos corruptores. Porque o esquema dele era t&atilde;o pesado, e t&atilde;o amador, que incomodava a quem pagava. N&atilde;o foram, como a gente diz, os jornais, as revistas, a imprensa que liquidaram Collor ap&oacute;s grande movimenta&ccedil;&atilde;o da sociedade civil.&rdquo;<br /><br />Ressalta que Isto&Eacute; fez o trabalho que fez porque o redator-chefe era Mino Carta e porque o dono, Domingo Alzugaray deu sinal verde para que a revista seguisse adiante. Assim, na opini&atilde;o dele, a pauta em torno da corrup&ccedil;&atilde;o no governo j&aacute; vinha sendo amplamente cumprida por Isto&Eacute;, e h&aacute; muito tempo. Quando estourou a entrevista do Pedro Collor parecia que tudo era novidade.<br /><br />&ldquo;O que o Pedro Collor conta de novo naquela sequ&ecirc;ncia de entrevistas &eacute; a coca&iacute;na e a mulher, o roteiro da coca&iacute;na e a mulher que o cara tentou cantar e ele detalha coisas do esquema. O que o Pedro faz &eacute;, por for&ccedil;a do parentesco, dar um impacto gigantesco, n&atilde;o permitir que houvesse d&uacute;vidas. Mas, o roteiro do crime estava esmiu&ccedil;ado desde antes. O papel de investiga&ccedil;&atilde;o da imprensa n&atilde;o teve o tamanho, a precis&atilde;o e o timing, em especial o timing, que a imprensa se outorgou. Salvo no epis&oacute;dio do motorista Eriberto e na Opera&ccedil;&atilde;o Uruguai&rdquo;.<br /><br />N&atilde;o &eacute; muito diferente a posi&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Santana, que sucedeu Bob na Isto&Eacute;. Para ele, o que acontece, de modo geral, com a imprensa brasileira no per&iacute;odo pr&eacute;-CPI do PC &ndash; refer&ecirc;ncia a Paulo C&eacute;sar Farias, principal operador de Collor &ndash; &eacute; a continuidade da pol&iacute;tica de alian&ccedil;a da grande imprensa com o presidente, &ldquo;que fora tecida, quase unanimemente, desde o segundo turno da campanha eleitoral&rdquo;. Na opini&atilde;o dele, quem rompe com essa alian&ccedil;a &eacute; um personagem e um fato imprevis&iacute;veis &ndash; den&uacute;ncia de Pedro Collor &agrave; revista Veja.<br /><br />E, como ele ressalta, n&atilde;o foi a imprensa quem descobriu Pedro Collor, mas este que a utilizou da maneira que quis e no momento que quis, avaliando as consequ&ecirc;ncias que teria, embora talvez n&atilde;o conseguisse medir tudo que iria ocorrer. Assim, Santana pergunta, &ldquo;onde estava este grande 'jornalismo investigativo' durante a campanha de Collor, durante seu primeiro tempo de governo, e at&eacute; mesmo durante a CPI? Talvez estivesse ainda para nascer, como continua at&eacute; hoje&rdquo;.<br /><br />O que desejo frisar, e tentar corrigir, &eacute; o equ&iacute;voco da leitura, j&aacute; consolidada, de que o caso Collor significou o &aacute;pice do jornalismo investigativo. Isso &eacute; falso. Ele foi, sim, o momento glorioso da competi&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, quando todos os ve&iacute;culos da grande imprensa lan&ccedil;aram-se num jogo decisivo de sobreviv&ecirc;ncia, um jogo de vida e morte. O jornalismo investigativo brasileiro continua, antes e depois de Collor, onde sempre esteve: na estaca zero.<br /><br />O que Jo&atilde;o Santana chama de banho purificador da grande imprensa no per&iacute;odo Collor, n&atilde;o foi acompanhado, como ele mesmo ressalta, por nenhuma autocr&iacute;tica. E isso, esse autoendeusamento, refor&ccedil;ou &ldquo;uma s&eacute;rie de aspectos negativos da imprensa brasileira, como, por exemplo, a irresponsabilidade no trato com a not&iacute;cia, com a vida e a intimidade das pessoas&rdquo;. Refor&ccedil;ou, acrescenta Santana, &ldquo;uma doen&ccedil;a que &eacute; universal no jornalista &ndash; a vaidade&rdquo;. A imprensa come&ccedil;ou a pensar que de fato faz jornalismo investigativo.<br /><br />E n&oacute;s sabemos, muito bem, que boa parte da imprensa &eacute; incompetente, que agride a sociedade terrivelmente, pois trabalha de forma irrespons&aacute;vel e nem sempre honesta, que nem sempre &eacute; profissional. O day-after do caso Collor deixou uma ressaca de vaidade e f&uacute;ria denunciante &iacute;mpar na imprensa brasileira. Partiu-se para se querer destruir tudo e todos. Uma coisa sanguin&aacute;ria. Acho que a imprensa brasileira tem que partir para uma reflex&atilde;o interna profunda ou ela, logo, logo, vai ser cobrada. N&oacute;s n&atilde;o podemos nos julgar acima das institui&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Collor sofre o impeachment no dia 29 de setembro de 1992. No final de dezembro, ap&oacute;s decis&atilde;o do Senado, assume o novo presidente da Rep&uacute;blica, Itamar Franco, porque vice-presidente da Rep&uacute;blica. A interven&ccedil;&atilde;o dos de baixo, os caras-pintadas, se contribuiu para algum avan&ccedil;o, algum, quanto &agrave; &eacute;tica na pol&iacute;tica, n&atilde;o significou nenhum abalo no quadro hegem&ocirc;nico de ent&atilde;o, e creio que esse registro &eacute; necess&aacute;rio para que n&atilde;o se superestime a presen&ccedil;a dos caras-pintadas. Itamar ser&aacute; uma esp&eacute;cie de antessala para o dom&iacute;nio neoliberal que vir&aacute;, com a elei&ccedil;&atilde;o de Fernando Henrique Cardoso, e a atua&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em 1994, para eleger FHC, ser&aacute; tratada em outro cap&iacute;tulo.<br /><br />Para concluir quero apenas precisar o que quis dizer quando falei que Collor era o homem errado. Acontece que a velha m&iacute;dia participa de modo decisivo na derrubada de Collor, mas lamenta que o impeachment tenha de acontecer, especialmente porque declaradamente apoiava o programa dele. &nbsp;Aqui n&atilde;o se trata de especula&ccedil;&atilde;o: majoritariamente, a m&iacute;dia hegem&ocirc;nica expressou essa posi&ccedil;&atilde;o. E &eacute; isso que pretendo demonstrar, ao final desse ensaio, limitando-me ao jornalismo impresso.<br /><br />A Folha de S. Paulo, edi&ccedil;&atilde;o de 30 de setembro de 1992, portanto, dia seguinte ao impeachment, dia das manchetes da sa&iacute;da de Collor, faz uma afirma&ccedil;&atilde;o reveladora da rela&ccedil;&atilde;o dela com Collor: A sociedade exigiu a sa&iacute;da do presidente em nome de um Brasil novo que ele mesmo prop&ocirc;s e traiu.<br /><br />Clara a posi&ccedil;&atilde;o: o neoliberalismo proposto por Collor era positivo, bem-vindo. Assim, um Collor menos fechado em seu grupo palaciano, mais aberto a outras influ&ecirc;ncias dos de cima, inclusive aberto &agrave;s propostas dos poderosos grupos midi&aacute;ticos, poderia ter ca&iacute;do nas gra&ccedil;as da Folha, que durante a campanha declarou sua simpatia pelo ca&ccedil;ador de maraj&aacute;s, e contra Lula.<br /><br />Ser&aacute; que a Folha de S. Paulo estaria solit&aacute;ria nessa ousadia de declarar sua ades&atilde;o ao programa de Collor, apesar do impeachment? N&atilde;o, n&atilde;o a deixaram s&oacute;. O jornal O Estado de S. Paulo tamb&eacute;m declara, no dia 30 de setembro, que concordava com o programa de Collor. Vale a pena recordar a chamada de primeira p&aacute;gina: O povo n&atilde;o errou ao escolher quem prometia a reforma e a moderniza&ccedil;&atilde;o. Foi tra&iacute;do pela cobi&ccedil;a de alguns, pela cumplicidade de muitos, pelo sil&ecirc;ncio dos que se recusaram a dizer n&atilde;o. A hora n&atilde;o &eacute; de j&uacute;bilo, mas de construir o futuro. Que o epis&oacute;dio de ontem sirva de li&ccedil;&atilde;o. O Brasil merece o sacrif&iacute;cio da grande luta pelo seu destino.<br /><br />No editorial, &agrave; p&aacute;gina 3, o Estad&atilde;o afirma que da perspectiva da modernidade &ldquo;o programa com que o sr. Collor de Mello se apresentou &agrave; Na&ccedil;&atilde;o em 1989 ainda &eacute; v&aacute;lido &ndash; talvez o &uacute;nico capaz de oferecer uma esperan&ccedil;a aos que sofreram por acreditar naquele que simbolizava os jovens afastados das decis&otilde;es pol&iacute;ticas desde 1964&rdquo;.<br /><br />F&aacute;cil a constata&ccedil;&atilde;o da unidade entre a Folha e o Estad&atilde;o neste caso. Comemoram a sa&iacute;da de Collor, mas ambos acreditam que Collor traiu a confian&ccedil;a nele depositada. E o que se enfatiza na trai&ccedil;&atilde;o &eacute; a n&atilde;o consecu&ccedil;&atilde;o do programa modernizador. Lamenta-se a corrup&ccedil;&atilde;o, e as manchetes todas s&atilde;o muito fortes, mas acredita-se, n&atilde;o fosse ela, e tudo estaria no melhor dos mundos. Quem sabe, n&atilde;o tendo havido a corrup&ccedil;&atilde;o em grau t&atilde;o exagerado, poderia o Brasil, aplicado o programa de Collor, viver dias felizes. Esse parece ser o sentimento b&aacute;sico dos dois jornais e de toda a velha m&iacute;dia, exce&ccedil;&atilde;o, ainda, de Isto&Eacute;.<br /><br />O Jornal do Brasil, do mesmo dia 30 de setembro, n&atilde;o fugiu &agrave; regra. No editorial A hora dos brasileiros fica clara sua posi&ccedil;&atilde;o: &nbsp;Evidentemente, caso venha a assumir, Itamar Franco ter&aacute; de formar um governo de consenso e realizar a tarefa herc&uacute;lea de assegurar a continuidade dos projetos modernizadores, tais como a reforma fiscal, a moderniza&ccedil;&atilde;o dos portos, a privatiza&ccedil;&atilde;o e a desregulamenta&ccedil;&atilde;o da economia.<br /><br />Quanto a esse ponto, o do programa, parece n&atilde;o haver d&uacute;vidas: a imprensa hegem&ocirc;nica quase chega &agrave; unanimidade. Era preciso derrubar o homem, mas manter o programa que ele apresentara &agrave; Na&ccedil;&atilde;o, e que expressava o projeto pol&iacute;tico da pr&oacute;pria m&iacute;dia. Com essa unidade de prop&oacute;sitos, entende-se por que, durante tanto tempo, Collor foi o homem dos sonhos da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica. Frustraram-se com ele, derrubaram-no, e agora s&oacute; restava, mais &agrave; frente, encontrar outro personagem que pudesse personificar aquele programa, executar aquele conjunto de ideias. O novo pr&iacute;ncipe n&atilde;o demoraria a surgir.<br /><br /><strong>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</strong><br /><br />JOS&Eacute;, Emiliano. Imprensa e Poder &ndash; Liga&ccedil;&otilde;es Perigosas : a CPI do PC, do Collor e do Or&ccedil;amento numa an&aacute;lise in&eacute;dita. 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Salvador: Edufba, 2010. &nbsp;Com depoimentos de Antonio Fausto Neto, Augusto Fonseca, Bob Fernandes, Cl&oacute;vis Rossi, Jo&atilde;o Santana Filho.<br /><br />KUCINSKI, Bernardo. A S&iacute;ndrome da Antena Parab&oacute;lica &ndash; &Eacute;tica no Jornalismo Brasileiro. S&atilde;o Paulo: Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 1998.<br /><br />MARX, Karl. O 18 Brum&aacute;rio e Cartas a Kugelmann. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1974.<br /><br />PORTELLI, Hugues. Gramsci e o Bloco Hist&oacute;rico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.<br /><br />POULANTZAS, Nico (org.). Estado em Crise. Rio de Janeiro: Edic&otilde;es Graal, 1977.<br /><br />THOMPSON, John B. O Esc&acirc;ndalo Pol&iacute;tico: Poder e Visibilidade na Era da M&iacute;dia. Petr&oacute;polis: Vozes, 2002.<br /><br /><strong>Emiliano Jos&eacute; &eacute; professor-doutor (aposentado) em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;neas da Universidade Federal da Bahia, jornalista, escritor e integrante do Conselho de Reda&ccedil;&atilde;o de Teoria e Debate</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;"><strong>Outras mat&eacute;rias da edi&ccedil;&atilde;o 112 da Revista Teoria e Debate - Maio de 2013</strong></p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_small_destaque" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_small_destaque/materia/imagens/cuba_reuters_desmondboylan.jpg" width="220" height="165" /><br /><strong><a href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/internacional/cuba-maio-de-2013">Cuba, maio de 2013</a><br /></strong><strong><br /></strong>A ilha passa por reformas que geram pol&ecirc;micas. A direita n&atilde;o gosta da reafirma&ccedil;&atilde;o do socialismo e setores da esquerda n&atilde;o apreciam concess&otilde;es ao capitalismo<br /><br />Por Valter Pomar</p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_small_destaque" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_small_destaque/materia/imagens/josecruzabr.jpg" width="220" height="165" /></p>
<p style="text-align: start;"><strong><a href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/sociedade/um-grande-passo-ao-encontro-da-juventude">Um grande passo ao encontro da juventude</a><br /></strong><strong><br /></strong>Resultado da constru&ccedil;&atilde;o coletiva, o Estatuto da Juventude ser&aacute; o marco jur&iacute;dico que consolidar&aacute; os direitos dos e das jovens como uma quest&atilde;o de Estado<strong><br /><br /></strong>Por Paulo Paim</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;<span style="white-space:pre"> </span></p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_small_destaque" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_small_destaque/materia/imagens/jorgeadornoreuters.jpg" width="220" height="165" /><br /><a style="font-weight: bold;" href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/internacional/eleicoes-no-paraguai-volta-de-um-passado-reciclado">Elei&ccedil;&otilde;es no Paraguai: a volta de um passado reciclado</a><br /><br />Vit&oacute;ria de Horacio Cartes, do Partido Colorado, &eacute; resultado direto do golpe de Estado que uniu partidos conservadores para destituir o presidente Fernando Lugo<br /><br />Por Gustavo Codas</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;"><br /><strong>PEC 33: novo pretexto para bater no governo e no PT<br /></strong><br />Pela repercuss&atilde;o na imprensa, a proposta n&atilde;o ter&aacute; chances de aprova&ccedil;&atilde;o, mas teve o m&eacute;rito de provocar o debate e chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os superpoderes do STF<br /><br />Por Ant&ocirc;nio Augusto de Queiroz</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_capa_revista" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_capa_revista/livros/imagens/livromoreiraleite.jpg" width="100" height="130" /><br /><strong><a href="http://www.teoriaedebate.org.br/estantes/livros/outra-historia-do-mensalao-contradicoes-de-um-julgamento-politico">A Outra Hist&oacute;ria do Mensal&atilde;o: as Contradi&ccedil;&otilde;es de um Julgamento Pol&iacute;tico, de Paulo Moreira Leite</a><br /></strong><strong><br /></strong>O leitor compreender&aacute; que as acusa&ccedil;&otilde;es contra o PT foram uma rea&ccedil;&atilde;o termidoriana feita fora das urnas por aqueles derrotados pelo voto poss&iacute;vel<br /><br />Por Lincoln Secco</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_small_destaque" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_small_destaque/materia/imagens/rui_falcao_-_foto_uiara_lopes_46comcorte_0.jpg" width="220" height="165" /><br /><strong><a href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/nacional/mais-uma-vez-pt-enfrenta-o-senso-comum">Entrevista - Mais uma vez, PT enfrenta o senso comum</a><br /></strong><strong><br /></strong>Em campanha pela reforma pol&iacute;tica, Rui Falc&atilde;o afirma que &eacute; um bom momento para dialogar com a sociedade e falar da import&acirc;ncia dos partidos pol&iacute;tico.<br /><br />Por Rose Spina<span style="white-space: pre;"> </span>&nbsp;</p>
<p style="text-align: start;">&nbsp;<span style="white-space:pre"> </span></p>
<p style="text-align: start;"><img class="imagecache imagecache-image_small_destaque" src="http://www.teoriaedebate.org.br/sites/default/files/imagecache/image_small_destaque/materia/imagens/reformapolitica.jpg" width="220" height="165" /><br /><strong><a href="http://www.teoriaedebate.org.br/materias/nacional/fortalecer-democracia-representativa">Fortalecer a democracia representativa</a><br /></strong><strong><br /></strong>O Brasil precisa de um sistema pol&iacute;tico mais moderno e democr&aacute;tico, de partidos mais representativos e program&aacute;ticos &ndash; um dos objetivos da reforma pol&iacute;tica<br /><br />Por Marcus Ianoni</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
<pubDate>Sat, 11 May 2013 03:10:27 GMT</pubDate>
</item>
</channel>
</rss>

